Eu

1 Eu


Notas iniciais
Apenas um desabafo

Quem sou eu? Normalmente diria que sou um menino normal de 16 anos, que gosta de jogar, ler livros, ver animes, comer e dormir, mas, vamos deixar frases padrões de lado.

Eu sou alguém que sinceramente desistiu de tudo, em meu espelho, olhando meu reflexo, vejo o que eu me tornei, e tenho vergonha disso, olho pela janela, vejo o mundo lá fora, percebo o quão diferente eu sou, o quão eu odeio ser diferente, simplesmente vejo tudo cinza, nada me anima, a única cor que vejo é o vermelho do sangue, que sai dos meus cortes junto com minhas lagrimas, desejando que tudo isso acabe logo, desejando que um dia eu fique bem, mas o que é ficar bem? E por que preciso ficar bem se estou como sempre fui, como sempre quis esconder, por que o futuro me agonia tanto? Talvez porque não vejo a saída desse poço que me coloquei, porque não vejo o fim dessa dor.

A cada segundo que passa me sinto pior, o tempo vira seu maior inimigo quando tudo que você quer é que esses dias acabe, que dias melhores venham, mas já se passou tanto tempo, cadê esses dias? Estão se escondendo pois não o mereço, ou estão com medo do que posso fazer com eles? Cadê aqueles que prometeram estar do meu lado, que prometeram nunca me abandonar? Provavelmente estão seguindo suas vidas, com pessoas melhores, sorrindo como se nada tivesse acontecido, como se eu nunca tivesse existido, e não acho que estão erradas, porque sou um cadáver vivo, e por mais que tente me ajudar, sabem que só vou ficar pior, mas porque dói tanto a falta delas?

Eu realmente não queria ter existido, pois sempre fui um erro, um caco de vidro no chão, que alguém vai pisar em cima e se machucar, pois é isso que faço, eu machuco pessoas, sem nem mesmo saber, sem nem mesmo querer, apenas buscando o que me faz bem, pensado estar fazendo a outras pessoas também, mas quando esta cego por dor e sofrimento, qualquer alegria já é o suficiente pra achar que essas dores não vão voltar mais, mas sempre voltam, e mais forte, pois quem já conheceu um dia a felicidade, ou amor, não quer voltar a ficar sozinho, voltar pra tristeza, mas a vida te puxa para isso.

Eu já fui essa pessoa, já conheci a felicidade, já soube o que é levantar da cama sem precisar fazer força, já tive motivos pra sorrir, pra ficar bem, e fiquei, até perder esse motivo, talvez esse foi meu erro, não perceber o erro que sou, não perceber que haveria um fim, e nesse fim iria me machucar, não perceber que a felicidade não foi feita pra mim, não perceber que me entreguei demais a um sentimento pois ele me fazia bem, mas o meu bem era diferente do outro bem, e assim, o que eu mais queria é o que mais me machuca agora.

Já amei, já recebi amor, talvez não na mesma frequência, mas foi o suficiente para me destruir, para quebrar minhas defesas e me deixar vulnerável, vulnerável ao mundo, que um dia carreguei nas costas junto com meus problemas, achando que era forte, que podia com isso, mas na primeira chance que tive de me ver livre deles de verdade, eu agarrei com todas as forças que me restavam, acreditando de um vez por todas por um fim neles, mas foi apenas o início dos problemas maiores.

Dói saber que perdi isso, dói saber que ninguém nunca precisou de mim, que já tive a solução dos meus problemas em meus braços, me abraçando, fazendo desse abraço meu porto seguro, e que perdi isso, que eu era mais um problema na vida de mais uma pessoa, fazendo mal a alguém que me fazia tão bem, que eu esperava fazer bem também, mas na final, estava fazendo mal, mas mal do que bem, me culpo por isso, eu só queria ficar bem... mas talvez isso não seja pra mim.

Talvez eu devesse só sumir, assim não faria mal a mais ninguém, talvez meu erro foi pensar que o bem que quero para todos, todos iam querem para mim, que o bem que alguém fazia pra mim, eu o faria devolta pra ela, foi pensar que nunca teria um fim, ou que o fim teria um motivo, mas as coisas simplesmente acabaram.

Agora o que me resta são lembranças, que estão juntas aos meus pedaços caídos no fim de um precipício, lembranças de um dia, um sorriso verdadeiro, ainda ouço as palavras que me fizeram ficar desse jeito, elas ecoam em minha cabeça, um eco ensurdecedor, minha alma, já toda ferida, grita por ajuda, mas sem esperança de que seus gritos tenham respostas, e dói mais ainda ver o mundo girando, as coisas acontecendo, lagrimas secando, cortes cicatrizando, sorrisos sendo colocados de volta em um rosto triste, e saber que esse rosto não é o meu, que não sou o dono desse sorriso.

Eu só quero acabar com isso de uma vez, mas não posso ser tão egoísta a este ponto, pois pior que eu seja ou esteja, sei que terá um fim, só não consigo ver quando esse fim chegará, e como irei reagir a ele, e também, a pessoas que ainda gostam de mim, que me veem como um amigo, sou grato a elas, mas não sei como podem ser amigo de alguém como eu, um cadáver que só as deixa pra baixo, um pessoa que sempre esta chorando aos cantos desejando estar sozinha, desejando mais um corte em sua pele e que esse corte a ajude, sabendo que todos se importam com ele, e não conseguindo ficar bem, não conseguindo tirar suas forças disso.

Sinceramente sou um caso perdido, um caso de suicídio sem morte, um caso de desistência de vida, se acostumando com a dor e sofrendo por ela.

Mas quando me perguntarem quem eu sou, “sou apenas um menino normal de 16 anos, que gosta de jogar, ler livros, ver animes, comer e dormir”, sem saber elas que não tenho forças pra manter meu corpo em pé, que uma lagrima pesa, que as lembranças são os piores cortes, que a dúvida mata a mente, e o amor mata o corpo, que estou pedindo ajuda atrás de um sorriso falso, atrás de uma máscara, que esconde meus piores demônios, demônios esses que ja pedem ajuda a muito tempo, demônios que eram anjos e acabaram caindo em seus próprios sentimentos, em seus próprios erros.

Mas é melhor eu me contentar com apenas uma resposta simples, apenas um “Eu estou bem”.

Notas finais
Dias melhores não vinheram...
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!