Etéreo
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Amanhã, completarei seis anos presos. Eu tento imaginar e ao mesmo tempo fico me perguntando, “como está a vida lá fora depois desse tempo? ”.
Está na hora do almoço na prisão, o guarda manda todos nós formarmos fila. Formamos fila e somos direcionados ao refeitório. A comida não é muito boa, afinal é uma prisão, mas já acostumei a comê-la. Pego minha bandeja e vou em direção das mesas. Com 6 anos de prisão, sei onde irei me acomodar, sei com quem ou não devo sentar. Enquanto como uma coisa que se parece com um purê de maça, percebo olhares em minha direção, mas logo percebo que não são para mim, e sim para um novato que acabara de chegar.
Vejo eles levantarem, são dois, um moreno com mais ou menos um metro e noventa e cinco centímetros de altura, robusto, usava uma camisa de malha branca e um short surrado e o outro, pele clara, ruivo, com uma cicatriz nas proximidades de seu olho direito e com mais ou menos um metro e oitenta e cinco centímetros.
Os dois andam em minha direção, me levanto e ouço alguém me chamar.
— Bryan, vem aqui. — Me chama Noah, com um olhar sabendo que tudo iria terminar em briga.
Fico paralisado sem saber o que fazer. Enquanto isso, os brutamontes chegavam mais perto, até que Noah resolveu ir em minha direção para me tirar de lá até que um dos brutamontes chega bem perto de onde eu estou e diz. – Saia da frente. — Sem sucesso, o ruivo colocou a mão em meu ombro e repetiu o que havia dito. – Saia da frente. — Noah acabara de chegar para me tirar dali. – Desculpe o comportamento dele, tire suas mãos dele e nós iremos – Disse Noah ao ruivo.
O ruivo então tira a mão do meu ombro, seu nome é Gavin, rapidamente Noah me tira de lá. Os dois prisioneiros continuam em direção ao novato. Quando chegam lá, o novato está de costas comendo o almoço.
— Ei, novato, vira para cá, queremos falar com você. — Sem resposta, os dois prisioneiros insistem. – Ei, não está nos ouvindo? — Sem resposta novamente, o ruivo arma um golpe em direção do novato.
Foi quando senti uma sensação estranha, estava vendo tudo realmente lento, tudo ao meu redor havia perdido a cor e sem ao menos eu perceber, o ruivo estava deitado, com uma marca no rosto vermelha parecida com um punho e eu segurando o braço dele, enquanto o novato ainda estava deitado na sua mesa olhando para mim, na verdade todos olham para mim. Senti que estava em transe, mas quando acordei me deparei com essa cena. Sinto algo atingir minha cabeça, e logo desmaio novamente.
Acordo ofegante em uma sala escura, e já sei que sala é essa. Solitária. Ainda com dor na nuca, me levanto e em seguida sento ao chão. Tento entender o que houve, mas sem sucesso, a única lembrança que tenho é de ver o ruivo ao chão e eu segurando seu braço enquanto dois policiais viam em minha direção, depois desmaiei, suponho.
Vejo um guarda na frente da porta da solitária e tento-o chamar pela pequena janela de grades. – O que você quer?
— Desculpa, mas preciso saber o que aconteceu, por qual motivo eu estou aqui? Só lembro de ter recebido um golpe na nuca e ter desmaiado. – Explica Bryan.
— Não adianta prisioneiro, não irá escapar dessa. Você brigou no refeitório e foi para a solitária, agora reze para que sua pena não seja aumentada ou sua saída seja adiada por mal comportamento.
Depois desse sete e longos dias, minha pena terminou e voltarei a minha cela. A caminho da cela, passo por alguns prisioneiros e ao me verem, viram a cara e desviam os olhares.
Depois de sete dias, percebo que não fiquei com nenhum hematoma ou marcas de briga. Quando entro na minha cela, alguém segura meu braço, viro o rosto e percebo que o novato segura meu braço. – Preciso falar com você. Tem algum tempo sobrando?
— Tenho sim, quando der a hora do almoço conversaremos, pode ser? – Expliquei a ele.
— Pode, até a hora do almoço.
— Desculpa, qual o seu nome? – Pergunto.
— Ethan. Ethan Hall, prazer, e o seu? – E aperta minha mão.
— Bryan Polak.
No refeitório, avisto Ethan sentado, deve estar me esperando. Pego minha bandeja e vou para a fila, depois de pegar minha comida, vou em direção a mesa de Ethan.
— Queria falar comigo? O que quer? – Pergunto rigidamente.
— Relaxa cara, senta aí. – Diz Ethan para “quebrar o gelo”.
Sento, como e o observo enquanto fala. – O motivo de te chamar para conversar, é que eu e os prisioneiros da ala C, conseguimos achar uma brecha na segurança desse lugar, mas para isso, temos que ter alguém do nosso lado com um bom histórico de comportamento, alguém que os guardas e o diretor desse lugar tenha pelo o menos 10% de confiança e de alguém que sabe persuadir muito bem as pessoas e é isso, o que acha? – Termina Ethan.
— Está brincando comigo? – Pergunto querendo saber quais eram as reais intenções de Ethan.
— Não me leve a mal, Bryan, mas não quero pretendo ter ou fazer o meu futuro aqui neste lugar.
— Mas você deve pagar pelo o que fez, isso não é certo. – Digo a Ethan.
— E quem disse que fiz algo? Não fui eu quem tirou a vida da própria mãe. Foi aquele monstro que ela colocou dentro de casa, a única lembrança que tenho, é de sentir meu corpo pesado colidindo com o chão e meus olhos se fecharem, e depois, acordar ao lado do corpo da minha mãe com um revolver na mãe e os guardas invadirem minha casa me algemando.
— Mas por que você acreditaria em mim? Todos alegam ser inocentes aqui, é mais fácil acreditar que estou mentindo. Nem sei por que ainda estou falando com você, parece que não vai aceitar o plano mesmo. – Disse Ethan virando-se e saindo da cela.
— Aceito. – Diz Bryan secamente.
— O quê? Sério? Tem certe...
— Disse que sim, por que a desconfiança? – Questiona Bryan.
— Bom, você se diz inocente e resolve participar da nossa fuga.
— É que nós não conseguiremos provar nossa inocência presos aqui... e como conseguiu se infiltrar nesse plano mesmo sendo um novato na prisão...? – Questiono.
— E quem disse que sou novato?! – Diz Ethan levantando a blusa e mostrando suas duas marcas de prisão nas costas.
— Você também deve ter, eles nos aplicam essa marca com laser e nunca mais poderemos tirá-la, e vida normal fora daqui, esquece, nunca mais arrumaremos empregos algum. – Diz Ethan enquanto Bryan tira a camisa e se vira na tentativa de ver a marca nas costas através de um espelho.
— Vinte e Dois de setembro de dois mil e sessenta e cinco... é o dia do... – “Foge Bryan... Jane, não! ”— Nesse momento, Bryan começa a ter flashbacks.
— Sim, o dia do seu “crime”. Igualzinho a de todos aqui, todos os prisioneiros têm uma marca correspondente a cada passagem que tiverem por aqui. – Explica Ethan.
— E a sua segunda marca? O que foi Ethan? – Questiono.
— Foi furto, estávamos passando necessidade, acabei sido influência por um antigo amigo a isso e acabei preso, estava com muita fome. Fiquei três anos aqui e depois aquele maldito matou minha mãe e eu levei a culpa e cá estou novamente, com um julgamento de mais vinte anos.
— Entendo, meus sentimentos pela sua mãe.
— Não precisa, já está me ajudando muito aceitando vir comigo para esse plano, obrigado. – Agradece, Ethan.
— Aceito por que estamos na mesma situação.
— Enfim, tenho que ir, toque de recolher, se me verem aqui, provavelmente não poderei seguir com o plano amanhã, até amanhã ao anoitecer. – Se despede Ethan.
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