Ethereal
7 Sexto
ANTES (Dois anos depois)
Ela podia sentir. Como uma mão pressionando seu coração, implorando para que ela continuasse. A música fluía por dentro dela, a melodia entrando em sincronia com as batidas de seu coração. Ouvia o bombear do sangue em suas veias como estalos de vaga-lumes em seus ouvidos. Conseguia sentir cada fibra de seu corpo, cada fio no seu couro cabeludo, e cada músculo se retesando. E ela amava isso.
Aquela era a sensação da liberdade, como ver a dor que segurara por anos dentro de você escorrendo para fora de seu corpo. Ela praticamente pegava fogo, e era uma loucura.
O cheiro de tabaco levemente adocicado pelo do ópio era inebriante, e ela via a fumaça por toda a parte como se o mundo estivesse em chamas, envolvendo seu corpo, provocando ela a dançar. E era tão bom.
Finalmente terminou o conteúdo da jarra, e jogou o objeto a metros de distância. Ela se sentia tonta. A multidão toda urrava, mas ela não conseguia entender o que gritavam, não conseguia enxergar seus rostos ou entender por que sorriam tanto. Ela virou para o lado e vomitou. Seu momento de fraqueza sendo fortemente aplaudido.
Alguns batiam em suas costas, sabia que eram para serem apenas tapinhas inofensivos de incentivo, mas sentia como se a perfurassem com milhares de navalhas, todas cortando sua pele que queimava.
– Tudo bem, tudo bem pessoal, já chega, hora dela voltar ao trabalho!
Sabia que a voz era de Bev, mas mesmo assim fechou os olhos com força. A iluminação do lugar fazia com que ela tivesse vontade de chorar. Diane abriu os olhos devagar, a tempo de ver a dona da estalagem a levantando com delicadeza pelos braços. Ela começou a rir descontrolavelmente, a situação era simplesmente engraçada demais para que ela não risse.
Tinha sido levada em conta no meio de uma aposta contra a sua vontade, onde um dos homens — que nem ao menos sabia seu nome — apostara que se perdesse, Diane teria que beber todo a cerveja de um barril. Não tinha posição alguma para recusar, já que ele era um dos fornecedores da estalagem, e Diane se importava demais com Bev para deixá-la no prejuízo. Portanto lá esteve ela, entornando o conteúdo de um barril goela abaixo, enquanto uma multidão se formava ao seu redor, urrando incentivos nada convincentes. Na verdade, dava graças a Deus por ter sido aquele homem a perder a aposta, porque o outro dissera que se perdesse, o outro homem a levaria a cama.
Realmente, era uma garota de sorte.
Bev a sentou em um dos bancos de frente ao balcão e então serviu um imenso copo de café que a garota recebeu agradecida. O líquido estava frio infelizmente, mas era melhor do que nada. A sensação de desintoxicação não foi instantânea, mas lentamente, Diane foi se sentindo cada vez mais com ela mesma, e voltava a enxergar as coisas com clareza.
– Então é assim que uma dama se comporta esses dias? — perguntou uma voz a centímetros de seu ouvido.
Diane levou um susto, quase caindo de sua cadeira. Mas viu logo seu rosto ficando vermelho, a cólera subindo-lhe à cabeça, assim que reconheceu o dono da voz.
– A juventude de hoje em dia não é a mesma de antigamente, tenho que reconhecer isso — continuou Dorian.
Ela bebericou seu copo de café.
– Imagino. Por que você esteve lá para contar a história, não é mesmo?
Dorian sorriu. Deus, como ela odiava aquele sorriso.
– Foi a Guerra da Crimeia, foi ela que fez isso comigo.
– Fez o quê? — questionou ela — Te deixou jovem para sempre? Me pergunto como os outros soldados da guerra de quarenta e três anos atrás não encontraram a fonte da juventude com você.
Ele moveu a cabeça para o lado como se considerasse a pergunta e a achasse desinteressante.
– Eles eram muito lerdos.
Diane não conseguiu se segurar e acabou rindo, o momento passando despercebido pelo seu companheiro que continuou a beber de seu próprio copo. Ela o observava de lado, assim como sempre fazia quando ele estava por perto, incapaz de desviar o olhar.
Ela se surpreendera na primeira vez que o vira, a beleza tão destacada quanto as estrelas no céu noturno, mas agora já se acostumara com sua presença contínua, assim como a ocorrência de alguns desaparecimentos do rapaz. Tinha que admitir que seus turnos eram imensamente mais suportáveis quando ele estava por perto, arrumando brigas e fazendo as piadas que seu alto nível de intoxicação permitiam.
Sempre bem humorado e imprevisível, Dorian era um mal que as vezes ela admitia necessário.
Quando já estava considerando o silêncio entre eles como uma deixa para se afastar, uma mão se agarrou ao seu ombro e ela se virou. Era Brielle. A garota sorris tímida para ela fazendo leves acenos com a cabeça na direção dos fundos, a chamando para acompanhá-la. Era engraçada a atitude da garota, que só se comportava assim completamente sem jeito quando estava muito perto de Dorian. Ele não costumava prestar muita atenção nas garçonetes a não ser que precisasse de alguma coisa delas, mas mesmo assim, Brielle sonhava acordada de que algum dia se casaria com o rapaz.
Não que ela tenha feito discursos noturnos intermináveis sobre o assunto enquanto Diane tentava dormir no quarto que dividiam, dizendo como seu vestido se pareceria e o quão bonito ele estaria a esperando ao lado do padre. Diane ria quando humor a permitia, não porque achasse que Dorian acabaria casado algum dia com qualquer coitada por aí, mas por saber com certeza que isso não aconteceria.
A garota não disse uma só palavra, mas entendeu os sinais e se levantou de sua cadeira. E já estava quase indo embora quando ouviu a voz dele mais uma vez:
– Hoje não é seu aniversário?
Diane se virou mais surpresa do que nunca com a pergunta. Quase se esquecera ela própria da data, como podia ele ter lembrado? Ou melhor, como diabos ele ficou sabendo disso?
– Hum... sim. É... sim, é hoje.
– Ah — ele fazia aquele tom despreocupado de sempre — Parabéns.
– Hum, obrigado?
Não queria ter soado como se fizesse uma pergunta, mas estava surpresa demais para exibir qualquer outra reação. Mas Dorian apenas sorriu como se fizesse uma de suas piadas habituais. Diane engoliu em seco e se virou, Brielle logo atrás.
– Como ele sabia que era seu aniversário? — ela veio logo perguntando.
– Não faço ideia.
– Você acha que ele sabe o aniversário de todas nós?
– Não faço ideia.
– Oh meu Deus! Você acha que ele vai me dar algum presente quando chegar a data?
– Não faço ideia.
E as perguntas continuaram até que elas finalmente passarem pela porta da cozinha. Era realmente muito engraçado como Brielle conseguia ser tão quieta perto de seu amado mas insuportavelmente inquieta longe dele. Quando passara a conhecê-la de verdade, se perguntou como ela conseguia ministrar maravilhosamente as duas habilidades.
Lá dentro era o caos de sempre. Garotas passavam apressadas com bandejas na mão enquanto outras — a maioria mais velha — preparavam a refeição do dia seguinte e começavam os primeiros estágios da preparação da cerveja. Diane pegou um avental nos grampos presos à parede e o prendeu junto ao vestido. Bev logo apareceu para detê-la.
– O que diabos faz aqui, garota? Você está bêbada, pelo amor de Deus.
– Eu estou bem, consigo trabalhar.
– Não consegue nada — insistiu a mulher — E além de tudo hoje é o seu aniversário, não era nem para estar trabalhando — ela exibiu um sorriso sincero.
Diane ainda se lembrava das primeiras semanas que passara na estalagem, aprendendo todos os tipos de serviço e se familiarizando com todo mundo. Mas principalmente, se lembrava da sensação acolhedora que Bev transmitia, tratando a todas elas como se fossem suas filhas. A regra número um daquele lugar era que ela só aceitava mulheres para os empregos, não conseguia viver com a preguiça dos homens — fato decorrente da longa vida que passara junto ao marido. E estava disposta a dar as mulheres todo o tipo de assistência que lhes faltava naquela sociedade.
Todos que vinham de fora a viam como uma megera, mas na realidade, Bev era o anjo que salvara suas vidas.
– Mas eu gosto de trabalhar!
– Não diga isso alto, algum cliente pode ouvir — ela deu um suspiro irritado — Você sabe que ainda sou a dona aqui, certo? Então você tem que fazer o que digo.
– Você está me dizendo que está me mandando não trabalhar?
– Sim, e é uma ordem.
– Mas...
– Sem mas, e ponto final.
– Não posso nem ajudar na fermentação?
– Não.
– Nem servir?
– Não.
– Eu ajudo a preparar as refeições, fico quietinha.
– Não.
– Mas...
– É um ordem caramba você tem que aceitar!
Diane baixou a cabeça derrotada, mas estava sorrindo.
– Você é a melhor pessoa desse mundo — disse por fim, abraçando a patroa.
Bev a tirou de seus braços fazendo uma expressão de nojo.
– Credo, não gosto de contato com garotas imundas, saia de cima de mim — mas antes que pudesse afastá-la por completo se aproximou e sussurrou em seu ouvido: — Eu sei por que fez parte daquela aposta, e obrigado.
Ela a encarava agora, ainda com um sorriso nos lábios.
– E se te faz tão feliz assim, pode levar o lixo lá para fora.
– Mas eu odeio mexer com o lixo.
– Problema seu. Não queria trabalhar, agora sofra as consequências.
Ela saiu de perto dela batendo os pés e com a cabeça erguida, como se tivesse acabado de ganhar uma discussão. Diane retirou o avental e então foi para perto das cozinheiras. Josie e Martha, irmãs e provavelmente, as primeiras funcionárias daquele lugar. Ambas trabalhavam enquanto cantavam melodias de uma terra desconhecida, canções estas sobre paixões proibidas e sobre consequências sombrias, sempre com um tom alegre na voz.
– Diane, querida — disse Martha assim que a viu se aproximando — Bev não tinha te liberado por causa do seu aniversário?
– Eu insisti — respondeu recolhendo os restos de cascas na mesa que trabalhavam — Só vou levar o lixo, depois paro, juro.
– Bom mesmo — concordou Josie, a mais alta das irmãs — E o resto do lixo está perto da porta dos fundos.
– Obrigada — agradeceu ela, saindo de perto delas que começaram a cantar quase que imediatamente.
Era verdade que o som de suas vozes ficava abafado em meio a todos os outros ruídos do local, mas isso nunca as impedia.
Diane pegou o resto do lixo que faltava e os prendeu em um pedaço de pano qualquer. Equilibrou todas as trouxas que fizera entre os braços enquanto abria a porta para o ar gélido da noite.
Os sacos estavam realmente pesados, por isso quase tropeçou enquanto saia, mas conseguiu se equilibrar e deixar os sacos no fundo da viela junto com os restos de todos os outros habitantes do vilarejo.
A falta do peso nas costas foi um grande alívio, e ela se permitiu parar um minuto e observar o espaço ao redor. O céu estava encoberto por nuvens como sempre, a impedindo de ver as estrelas, e a fumaça da cidade poluía o ar daquele jeito pungente que a deixava enjoada. Mas aquela era a Inglaterra, onde a vida não parava, diziam muitos.
Quis se recostar naquele chão imundo e fazer um pedido às estrelas — mesmo que fosse incapaz de vê-las. Agora estava com dezessete anos, e já fazia dois anos desde que fugira de casa. Um corvo pousou seus voo a alguns metros de distância dela, seu bico remexendo em algum pedaço de carne meio devorado. O bicho pareceu não notar sua presença, e ela o encarava sem realmente vê-lo, seus pensamentos muito distantes dali. Se via novamente em sua casa da família, a mãe brigando com ela e gritando pelo nome do marido que sempre a ignorava. Via o sorriso de seu irmão e se perguntava onde estaria agora.
A noite em que fugira ainda era uma espécie de mistério, a maior parte encoberta em sua memória pelos eventos que ocorreram assim que chegara na cidade grande. Mas ela se lembrava do rosto de preocupação de seu irmão, que tentava desesperadamente impedi-la de ir embora.
– Eles te amam, Anne — dissera ele — Eu sei que não dizem muito, mas eles te amam.
Se lembrava de ter pego o rosto dele entre as mãos, se lembrava das lágrimas que escorriam pelo seu rosto.
– Sei que amam, Stephen — respondera ela, a voz embargada pelo choro — Por isso que estou indo embora. Sou um problema a menos longe daqui, estou fazendo isso pelo bem de vocês.
Mas não era verdade. Ela estava indo embora porque sabia que eles não a amavam, que era apenas uma gravidez inesperada, a gravidez que arruinara suas vidas.
Esteve tão preocupada relembrando a infância, que não notou quando o corvo alçou voo para longe dali e ele não estava mais sozinha no beco. Quatro sombras se aproximavam dela lentamente, e estas foram as primeiras que vira antes mesmo de encarar seus rostos. Reconhecia aquele olhar. Diane tentou correr em direção a porta de madeira que dava de volta a estalagem, mas os homens foram mais rápidos, e um deles se pôs entre ela e sua passagem de fuga.
Ela recuou. Mas seus passos foram logo interrompidos quando trombou com outro sujeito atrás dela. Estava cercada.
– Ora, ora — disse um deles. O único ainda de costas para a entrada do beco de onde vieram — Olha o que temos aqui, será carne fresca, Carl?
O outro homem que se pusera entre ela e a porta riu com gosto.
– Espero que sim, Josh — sua língua parecia presa de algum modo, como se ele fosse incapaz de pronunciar as palavras corretamente. Isso a deixava ainda mais desgostosa — Faz tempo que não encontramos uma dessa por essas bandas.
O grupo riu em uníssono. Diane quis ter força para espancá-los todos, sem piedade. Mas sabia que era fraca demais, e estava em menos número, sem objeto algum que pudesse salvá-la. E diferentemente da primeira vez que ela trombara com uma situação daquelas, os homens pareciam perfeitamente sobreis. Ela não tinha chance.
Ela suava frio, todo seu corpo tremia. O grupo girava ao seu redor, apenas pra mostrar que estavam no poder e ela sem saída.
– Eu imagino como ela é por baixo dessas roupas — disse o que estava a sua direita, e pulou para cima dela.
Diane deu um chute em sua canela e o sujeito se encolheu de dor, ela tentou fugir mas os outros a agarraram pela cintura com força e a empurraram contra a parede. Suas mãos grandes e sujas se ocupando em mexer no decote de seu vestido. Pareciam um bando de animais em cima dela, como urubus em cima de sua presa. Ela se via sem ar, a cabeça violentamente jogada para cima numa tentativa desesperada de encontrar oxigênio.
Mas eles não permitiam. Assim que o que ela chutara se recuperou, ele abriu caminho por entre o grupo e deu um soco no rosto dela, sangue escorrendo por seus lábios. O mundo todo girava, e ela pôde jurar o ouviu o piar do corvo rondando por suas cabeças. E então levou outro soco na altura do estômago e se dobrou para a frente, seu mundo desbando de vez.
– Por... favor...
Tentou ela. Mas sua voz não parecia mais que um sussurro, e eles não estavam ali para ouvi-la. Uma mão começou a levantar sua saia, enquanto outro permanecia acariciando seus seios, e outro arranhava sua face com os dentes, enquanto ela afastava sua boca da dele.
– Não...
E tudo acontecia tão rápida. Ela sentiu uma mão na parte interna de suas coxas e seu corpo todo estremeceu, um grito saiu de sua boca mas logo recebeu um soco na garganta, a dor subindo por seus olhos e escurecendo sua visão. E então ela já não sabia de mais nada. Fechou os olhos. Não queria se render, mas se fosse acontecer, ela preferia não ter que ver. Queria vomitar, pisar na cara deles, esfolar seus corpos no chão; mas não conseguia fazer nada.
E então uma voz se sobrepôs aos suspiros e gemidos do grupo de homens. Diane não entendia o que falava, mas a pressão contra seu corpo cessou imediatamente, e mão que acariciava suas pernas se afastou, suas saias voltando ao devido lugar. Sem o apoio contra ela, suas pernas cederam, fazendo com que ela caísse para a frente de barriga para baixo, sua bochecha ralando no chão sujo e disforme.
Sua visão continuava turva e escurecida, e ela mal pôde entender o que diziam, só entendia que as vozes que se cruzavam no beco discutiam. Sabia que devia aproveitar a oportunidade para se arrastar para longe, entrar na proteção da estalagem, mas seu corpo não a obedecia. Tentou gritar mais uma vez, mas sua garganta ardia, e ela se via sem fôlego, desesperada por um pouco de ar.
Alguns borrões apareceram em seu campo de visão, se movendo rapidamente e sem graça alguma. Tudo se movia depressa, tão que ela mal podia acompanhar. Viu sombras sendo jogadas para longe, e ouviu o som de ossos contra ossos, de ossos se quebrando, de socos sendo desferidos, e finalmente, de balas sendo disparadas.
Não fazia ideia do que estava acontecendo, mas seja lá que fosse, poderia estar indo atrás dela. Reuniu toda a força que conseguiu e se concentrou em seu braço estendido toscamente ao lado de seu corpo, procurou no chão por qualquer coisa que pudesse usar ao seu favor; pedras, sapatos, qualquer coisa. Sentiu um objeto pontiagudo — onde acabou por furando a palma de sua mão -, e o enroscou entre os dedos. Presumiu que fosse uma faca, ou melhor, desejou que fosse uma. E continuou parada enquanto os vultos continuavam a se colidir, como uma floresta em chamas.
Pareceu uma eternidade até que ouviu um tiro final, um que cortou o homem em meio a uma frase.
– Eles vão te... — e então o tiro.
Se encolheu para longe quando o vulto parou por alguns segundos e então começou a se aproximar dela lentamente.Segurava a suposta faca com força entre os dedos, sabendo que sangrava ainda mais. Ela piscava diversas vezes, tentando recuperar a visão, mas parecia só ficar pior, como se a noite a engolisse.
Quando achou que não poderia mais suportar, o vulto finalmente se ajoelhou ao lado dela e Diane levantou o braço armado, jogando-se com todas as forças para a frente. Mas tudo o que sua tentativa recebeu foi uma risada, e uma mão se enroscando gentilmente ao redor de seu pulso, retirando a faca de seus dedos ensanguentados.
Ela reconhecia aquela risada. A reconheceria em qualquer lugar.
Piscou outra vez, e finalmente obteve sucesso. O mundo girava outra vez ao seu redor, como um pequeno redemoinho que consumia tudo que encontrava no caminho, e a última coisa que viu antes de finalmente se entregar para a escuridão, foi seu cabelo acinzentado, que lhe cobria os olhos como um pedaço da lua que caiu dos céus.
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