Ethereal
13 Décimo Segundo
Insuportavelmente, a floresta estava silenciosa. Era como se as árvores estivessem se preparando para dormir: seus galhos não mais se moviam com o vento e todas as folhas secas se recusavam a cair no chão. Nada se movia, nada respirava.
Ou talvez a floresta estivesse apenas guardando um segredo.
Não seria tão difícil de imaginar, contando com todas aquelas sombras que se escondiam por sob as copas. A noite pareceu respirar fundo, enquanto oito almas desafortunadas se debatiam sobre a iminente ameaça de seus túmulos. Aquela não parecia uma boa noite para morrer. Ou talvez, simplesmente, aquele não fosse o jeito certo. Seja qual fosse o caso, eles não tinham escolha.
***
Ela conseguia enxergar a própria respiração. Sua essência desaparecendo aos poucos na vastidão que era a escuridão que as cercava. Diane via seu alvo dali, a poucos metros de distância, parado no meio da clareira inerte como se nunca tivesse conhecido a inquietude.
A calma na postura da mulher parecia afetar o ambiente ao seu redor. Os galhos pareciam se curvar com a visão dela, e a brisa parecia mais fresca ali. Como se o mundo não ousasse fazê-la estremecer. Uma exímia oponente de fato, pensou ela.
Assim que matara o pobre jovem chinês que se atrevera a apontar uma arma para Quinn, Diane e seu leal lobo adentraram na floresta. Partindo para o ponto de encontro que Evans indicou às duas pelo ponto eletrônico. Elas não trocaram muitas palavras durante o caminho enquanto se misturavam as sombras, não era como se soubessem o que falar caso abrissem a boca.
Diane ainda via aquele momento, ainda sentia a fúria que tomou seu corpo quando viu a arma apontada para Quinn. E também se lembrava da onda de perplexidade que agitou seu corpo quando percebeu que Quinn não reagiria ao ataque. Que ela não se esforçaria para salvar a própria pele.
Parecia inacreditável, como ela tinha coragem de contradizer a eternidade que lhes fora imposta. Diane ainda conseguia ver o olhar dela. Os olhos arregalados pela certeza do que estava prestes a fazer. Ela pareceu tão convicta de si mesma ali, tão próxima dos braços da morte. Finalmente tendo a chance de se libertar do mundo que lhe fora tão cruel.
E Diane impediu isso.
Diane a obrigou a se agarrar a esse mundo quando cortou a garganta daquele garoto. Porque além da dor nos olhos de Quinn ela vira... Quinn. Parada desarmada daquele jeito depois de ter saído correndo para salvá-la. A primeira regra que nenhum Ilegítimo podia quebrar. Ela tinha abandonado a missão para ir atrás de Diane sem pensar duas vezes.
Diane tinha ouvido toda a discussão pelo rádio. Evans tinha deixado aberto a conexão. Tanto Quinn quanto Sebastian se arriscando para protegê-la pareceu ridículo na hora, ela se lembrava de ter xingado alto e gritado para Evans fazer de tudo para impedi-los. Ela não tinha consciência que eles estavam arriscando suas vidas para protegê-la, tudo que pensou foi que arruinariam todo o plano, que seria descoberta.
Mas foi quando viu Quinn parada de frente para o cano daquela arma que ela entendeu. Eles arriscaram suas vidas porque se importavam com ela. De verdade. Como seres humanos se importam uns com os outros. E Diane viu o cano da arma e viu o garoto que não hesitaria em acioná-la, viu o olhar convencido de quem já decidira o próprio destino em Quinn, e ouviu o eco da voz da garota desesperada quando ouvira que a amiga estava desaparecida.
Então rasgou a garganta do garoto com sua foice.
Seu peito não arfara na hora. Aquilo não foi um movimento desesperado, tão pouco um planejado, mas sim um impulso. Ela salvaria a vida de Quinn a qualquer custo.
Diane deixou as lembranças de lado, voltando a se concentrar em seu alvo. A mulher em questão permanecia imóvel. Diane se perguntou o que se passava em sua cabeça. Dakota Ning era uma mulher inteligente, disso ela tinha certeza, mas não fazia ideia do quanto.
Quinn estava escondida atrás de um tronco de árvore a poucos metros dela. A tatuagem de cabeça de lobo que representava sua Sombra ficando visível em sua panturrilha. Ela se preparava para a luta, concentrando todas suas energias na batalha que seria eminente. Diane ainda não havia lhe contado todo o plano. Era crucial que tudo ocorresse como planejado.
Ela respirou fundo mais uma vez, tentando se concentrar em qualquer ruído. O alarme soou baixo em seu ouvido quando deu a hora. A equipe de Sebastian ainda não tinha chegado, Evans dera um jeito de fazer-lhes pegar o maior caminho. Era claro que Diane não contara com Dakota a sua espera. Mas seja lá o que a mulher estivesse planejando, Diane também tinha uma última carta debaixo da manga.
O alarme soou mais quatro vezes. Cada um dos Ilegítimos que ela selecionara confirmando que estavam em posição. Ela olhou mais uma vez para Quinn. A garota já não estava mais com aquele olhar distante, que fora substituído pelo predador que todos eles possuíam. Ela balançava a cabeça como se dissesse O que diabos estamos fazendo aqui? Mas tudo o que Diane fazia era acenar de volta, tentando garantir que estava tudo sobre controle.
E estava.
Evans, como se pressentisse a situação em que Diane se encontrava escolheu aquele exato momento para dizer a verdade para Quinn, passando todas as informações enquanto a garota arregalava os olhos cada vez mais. Ela encarava Diane com raiva agora, mas tudo que a chamada Corvo fez foi sorrir. Um sorriso conspiratório, que Quinn fez questão de não mandar de volta. Ela pareceu suspirar irritada mais uma vez antes de assentir a algo que Evans disse e se virar para desaparecer na escuridão, esperando pela chegada de Sebastian.
Diane, em contrapartida, se virou para o lado oposto, saindo de seu esconderijo e ficando de frente para as costas de Dakota.
— Esperando por mim, majestade? — saudou Diane. A mulher a sua frente respirou fundo em resposta, seus ombros sendo levemente erguidos enquanto arrumava a postura, e finalmente se virou para trás.
Dakota Ning a analisou dos pés a cabeça. Elas eram iluminadas por fracos raios lunares, o que dificilmente seria um empecilho para Diane mas que definitivamente deveria deixar Dakota numa situação ao menos complicada. Mas a mulher não revelava traço algum de sua dificuldade, como se estivesse acostumada com a escuridão.
Diane via o brilho dos olhos claros da mulher dali como se não se encontrasse a mais de três metros de distância dela. Olhos de gato acompanhados de um sorriso afiado. Ela estreitou o olhar.
— Você parecia mais intimidante com o vestido — foi tudo que disse. Sua voz livre de qualquer sotaque, como se falasse com uma língua que ela própria inventara.
Diane não sorriu.
— Não posso dizer o mesmo sobre você.
A mulher riu, os dedos que ela mantinha na cintura mexendo nas pedras de seu vestido distraídos.
— Meu marido sempre me diz que sou muito exagerada — revelou ela. Não parecendo nem um pouco querer puxar conversa — Vive me dizendo que reclamo disso e daquilo... — ela suspirou enquanto revirava os olhos — Homens. Vocês sabe, nunca percebem nada.
— Eu tenho que parabenizá-la — Diane estampou um sorriso cordial — Poucas pessoas são capazes de nos notar.
— Poucas pessoas são inteligentes o suficiente, então — disse ela — Acredite em mim, é impossível que tanta beleza quanto a sua passe despercebida pelos meus olhos.
— Eu me pergunto o quê passa despercebido pelos seus olhos — respondeu Diane — Seu marido deve estar muito orgulhoso de si mesmo. Por ter achado uma esposa tão... prestativa.
— De fato — concordou Dakota olhando um segundo para os próprios pés antes de voltar a encarar Diane — Me ter ao seu lado é a melhor jogada de qualquer bom jogador.
Diane via agora a semelhança entre a mulher e seu filho. Naquela postura tão certa de si mesma e na capacidade de sempre estar a três passos a frente de seu adversário. Quase como se os dois tivessem nascido para estar no poder.
— Seu filho é um ótimo rapaz, aliás — devolveu Diane, a postura da mulher estremecendo levemente, o sorriso em seu rosto tremendo quase que imperceptivelmente — Bonito, inteligente... devo parabenizá-la por isso também.
Dakota piscou seus olhos felinos como se estivesse prestes a morder a garota.
— Eu teria cuidado com ele, se eu fosse você — a voz se amargurando com o toque na ferida — Ele é mais esperto do que você imagina.
— Você não faz ideia.
Elas ficaram em silêncio por um bom tempo antes de Dakota dar uma leve risada para quebrar a tensão. Sebastian já deveria ter chegado, era quase como se ela pudesse sentir o peso a mais que suas sombras causavam na escuridão.
— Acho que deveríamos ir direto para o ponto então — aconselhou Dakota — Já perdemos muito tempo. Meu marido deve estar começando a ficar preocupado.
— Sabe, é uma ótima estratégia, essa sua — disse Diane — Fazendo todo mundo acreditar que seu marido é perigoso quando na verdade você é que deve ser temida — a mulher simplesmente sorriu — Alguém ao menos percebe que é você que está no controle da máfia e não Mu Ning?
— Parece que nós duas somos mais do que a outra esperava, então — Diane ergueu uma sobrancelha — Me disseram que você era muito mais... como posso dizer isso? Assustadora.
— Então você ouviu falar sobre mim?
— O infame Corvo — disse ela. O nome soando amargo em sua boca — Eu me mantenho informada sobre você o máximo que posso. Seria estupidez não manter.
Diane assentiu. Então enfiou as mãos nos bolsos de sua jaqueta e começou a andar pelos contornos da clareira, sem chegar muito perto da outra mulher.
— Estou lisonjeada — mentiu Diane — Nunca pensei que chamaria a atenção de alguém tão importante.
Dakota manteve o sorriso nos lábios. A certeza de que estava no controle da situação quase a embriagando.
— Há rumores sobre você — revelou a mulher — E eu não me aliaria à Cora sem saber exatamente com quem estava me metendo.
— Se aliar à Cora? — repetiu Diane, inclinando a cabeça como se ponderasse a questão — Sabe, não é isso que estão falando por aí — respondeu como se apenas comentasse um assunto qualquer — Quer dizer, uma aliança geralmente é baseada na lealdade.
— Lealdade? — riu Dakota — O quê exatamente aquela cobra anda dizendo sobre mim?
A menção à cobra fez algo dentro de Diane estremecer, como se de repente ela sentisse frio. Foi uma sensação passageira, mas mesmo assim a raiva a inundou quando ela entendeu o porquê. Ela piscou.
O mesmo alarme que soara alguns minutos atrás no ouvido dela soou novamente. A confirmação de que Sebastian estava em posição. Um sorriso escapou pelos lábios dela, Diane deu um passo a frente.
— Acho que a questão aqui é o que você anda falando sobre nós — Sebastian e a equipe dele saíram de trás das árvores. Um vulto de cada vez. Uma dezena de armas sendo apontadas para a testa da mulher. Ela engoliu em seco — Ou você achou que não descobriríamos que você anda vendendo informações sobre nós?
Dakota permaneceu parada em seu lugar. Os braços atrás do corpo enquanto ela endurecia o rosto para tentar esconder seu pavor. Ninguém era forte o suficiente quando estava tão próximo da morte.
— Você é burra o suficiente para arriscar um ataque? — Dakota riu forçadamente. Diane percebia o quanto sua voz soava aterrorizada — Você sabe que nosso exército é mais numeroso, sabe que nós temos mais influência. Você não pode nos atingir.
— Não posso? — devolveu Diane, ela conteve o sorriso para erguer o braço.
Mais quatro vultos emergiram da escuridão, exatamente atrás de Dakota e se posicionaram ali em um semi círculo, encurralando a mulher. Cada um deles vinha acompanhado de mais dois corpos que eles mantinham caminhando a sua frente enquanto apontavam armas para suas costas. Cléo, Michael, Irene e Nolan; os membros da equipe de Diane assentiram para ela. Ela sorriu para os oito corpos encapuzados e então para Dakota.
— Entenda — começou ela novamente — Eu não vim aqui atrás de um ataque — explicou Diane — Eu sei que é o que você esperava, mas pense bem, daria tanto... trabalho.
Dakota dera alguns passos para longe dos Ilegítimos e dos corpos encapuzados ajoelhados aos seus pés. Ela lutava para manter o rosto neutro, toda a certeza que apresentara segundos atrás escorrendo de dentro dela.
— Nós não precisamos te atacar, Dakota — continuou Diane. A mulher a sua frente engolindo em seco com desprezo ao ouvir seu nome vindo daquela específica boca — Você veio até aqui sozinha sem segurança alguma porque sabe que não podemos tocar em você. Sabe que se fizermos isso, a guerra será inevitável, e acredita que não podemos suportar tal coisa.
— Sabia que o projétil de um fuzil ultrapassa a velocidade do som no ar? — perguntou, continuando enquanto dava um passo à frente — Isso quer dizer que se eu atirar com um desses em você agora, você nem vai ouvir o barulho do tiro.
— Eu sei o que significa — rebateu Dakota a paciência se esgotando — Posso saber onde você quer chegar com isso?
Diane suspirou enquanto balançava a cabeça, como se reprovasse as ações da outra.
— O que quero dizer é: você acha que precisamos de uma guerra para te vencer? Olhe ao seu redor. Podemos nos infiltrar em sua vida e te apunhalar sem que você perceba. Você e toda sua dinastia morre sem nem saber o que os atingiu.
Diane fez um aceno com a mão e os quatro Ilegítimos tiraram o capuz de suas vítimas. Dakota se virou para encará-los e Diane se pôs atrás dela, sussurrando perto de seu ouvido:
— Não são esses os guardas que você deixou para encontrarem com seu filho? — o semblante da mulher parecia prestes a ruir com a força que ela o retesava — Espero que ele não tenha se machucado com toda aquela confusão, isso realmente me chatearia.
A indiana girou em seus calcanhares, as mãos fechadas em punhos.
— Se veio aqui para me matar, para de enrolar tanto. Eu não aguento mais o som da sua voz.
A Ilegítima riu.
— Te matar? Você acha que é isso que viemos fazer aqui? — Diane abriu os braços, indicando todo o lugar a sua volta — Eu te disse, querida, não precisamos de uma guerra para conseguir o que queremos.
— E o quê vocês querem?
Diane se aproximou mais. Os rostos das mulheres tão próximos que elas quase podiam sentir a respiração uma da outra. Elas eram da mesma altura praticamente, então podiam ficar olho por olho.
— Você vê meus soldados? — perguntou Diane de repente em um tom mais baixo, ela deu um passa para o lado para que a outra pudesse ver melhor — Vê a confusão em seus olhos?
E de fato ali estava, encoberto por milhares de camadas de indiferença, a confusão presente nos olhos de cada Ilegítimo que os cercava. Com exceção de Quinn, que se mantinha a uma distância segura da confusão, o rosto virado para o outro lado.
Sebastian, que se mantinha à frente de seu bando, fitava Diane sem nem tentar disfarçar. Seus olhos gritavam a pergunta que todos os outros não tinham coragem de pronunciar.
— Sabe por que estão assim? Sabe por que parecem tão perdidos? — a pergunta era para Dakota — Isso é porque não fazem realmente ideia do que está acontecendo — revelou Diane — Eu instruí a todos eles que não mataríamos além do necessário esta noite, então os dividi em dois grupos e revelei uma parte do plano para uns e outra para o resto. Nenhum deles sabia da existência do outro grupo ou do que fariam. Apenas ordenei que me encontrassem com suas determinadas missões cumpridas nesse exato ponto.
A mulher riu, dando de ombros.
— Isso deveria me impressionar? Tudo que isso revela é que vocês são facilmente manipuláveis.
— Sim, facilmente manipuláveis por mim — enfatizou Diane — Somos soldados. Estamos aqui para seguir ordens. A questão é: eles seguem as minhas ordens, e toda essa situação com você anda me chateando muito. Em que posição isto te coloca?
Dakota expirou o ar de seus pulmões, não se dignando a uma resposta.
— Você vê agora? Não viemos aqui para brigar, apenas para conversar — disse Diane — Toda esta situação desagradável foi apenas uma espécie de... alerta.
As duas ficaram em silêncio novamente e a mata pareceu cair num sono profundo. Nada se movia, nada respirava. Era possível ver as engrenagens se movendo na cabeça da mulher, os olhos vagando sem se focar em nada enquanto trabalhavam desesperados por uma saída. Ela não perdera a compostura durante toda a conversa, e utilizou aqueles poucos segundos em silêncio para recuperar um pouco da reação que perdera.
Então ela olhou para o chão por alguns segundos, um sorriso minuciosamente estampado no rosto quando erguera a cabeça novamente.
— Agora que já deu seu aviso, eu posso me retirar? — questionou cordialmente — Como eu disse, meu marido deve estar começando a ficar preocupado.
Diane assentiu desapontada. Admitia que esperara outra reação, uma mais emocionante pelo menos. Talvez Dakota Ning não fosse a adversária que ela tanto esperara.
Ela concordou com a cabeça, e a mulher já tinha começado a se afastar quando se virou de repente com o sorriso agora muito mais intenso. Havia um brilho em seus olhos que Diane não conseguia interpretar. Parecia uma mistura de euforia com auto-realização.
— Dê minhas congratulações à Cora, aliás — Diane voltou a encará-la, já tinha começado a se afastar também quando a mulher virara — Admito que não esperei uma reação tão forte dela.
Dakota falava como se estivesse dez passos a frente de todos eles, como se estivesse no controle da situação.
— Você ao menos sabe porque está aqui esta noite, Corvo? — continuou.
Diane sentia que havia uma segunda intensão na pergunta. Algo que ela devia saber mas não sabia.
— Viemos eliminar uma ameaça — respondeu apenas.
— Foi isso o que Cora lhes disse? Que somos uma ameaça? — a indiana perguntou, olhando ao redor divertida — Ela ao menos explicou por quê?
Todos ficaram em silêncio. O sorriso da mulher crescia.
— Ah — exclamou ela. Diane quis dar um soco em seu rosto, tirar aquele sorriso presunçoso de lá — Aparentemente você não está tão no controle quanto imagina, querida — isto direcionado a Diane.
— E o quê isso quer dizer? — ela perguntou desgostosa.
— Cora disse o quê? Que rompeu as ligações com a máfia chinesa por razões diplomáticas? — questionou ela — Inteligente até, eu diria. Fazer de nós o lobo mau.
— E o quê isso quer dizer? — repetiu Diane entre dentes. Dakota riu.
— Nós nunca rompemos ligação com vocês, garota tola — revelou a mulher divertida — Eu apenas tomei consciência de algumas informações que bom... aparentemente Cora não queria que eu tomasse consciência.
— Do quê você está falando?
Dakota debochava do desentendimento tanto dela quanto de todos os outros Ilegítimos. Agora era a vez dela de manipulá-los.
— Você não achou estranho? — questionou — Que de repente Cora quis tanto nos destruir sem mais nem menos? Aposto que quando vocês foram decidir como solucionar esse problema ela votou em nossa aniquilação.
Diane manteve a expressão neutra, lembrando da raiva de Cora quando ela sugerira uma outra solução para o rompimento com a máfia.
— É um jogo perigoso, esse que ela está jogando — Dakota balançou a cabeça como se considerasse a questão — Realmente. Eu vejo agora porque tanta preocupação conosco. Se eu fosse ela, também daria de tudo para manter esse segredo bem escondido.
Dakota voltou a se virar para a mata, mas seu caminho foi bloqueado por dois Ilegítimos. Mesmo assim ela não parou de sorrir.
— Que segredo? — perguntou Diane se aproximando da mulher.
— Eu já me meti muito no caminho da Cora, não vou arriscar minha pele novamente — Diane ergueu uma sobrancelha, a arma de todos os Ilegítimos soltando um click enquanto as destravavam. Dakota suspirou fingindo falsa irritação — O que eu posso dizer é irrelevante: seja lá o que essa mulher esteja planejando, tem algo a ver com fogo.
A menção da palavra Fogo fez todos os Ilegítimos parecerem estremecer. Diane não se deixou abater.
— Fogo?
— Sim — ela concordou — Eu até aconselharia que tomasse cuidado se você não tivesse me ameaçado há tipo dois segundos atrás.
Ela fingiu cansaço, pondo a mão na testa como se sentisse-se mal com toda aquela situação.
— Diga à sua querida Chanceler que vou manter minha boca fechada. Agora, se me dá licença... — ela se virou para os dois Ilegítimos que bloqueavam seu caminho. Ambos lançaram um olhar para Diane que assentiu. Eles abriram passagem, Dakota sorriu satisfeita — Tenho muitos lugares para visitar ainda. E, meu Deus, meu marido deve estar tendo um ataque!
Ela apressou o passo e adentrou na escuridão, e só o brilho de seus olhos felinos podiam ser vistos quando sua voz tornou a falar, num eco que atingiu a todos eles como um tiro:
— Não sei porque, mas tenho a sensação que voltaremos a nos encontrar, Corvo.
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