Eterno Verão
5 O despertar – Final
O despertar – Final
Casa dos Lee, 5:00 horas.
–O que houve? Ai... por que minha cabeça dói tanto? – Disse Mei, pondo a mão na cabeça. – O que foi que aconteceu ontem? Não consigo me lembrar de nada. Thai? Yuri? Cadê vocês? –Mei caminhou até a sala de estar e conseguiu ver que a porta estava aberta. – Devem ter ido pra praia e nem me acordaram. Bom, vou tomar um banho para encontrar com eles lá.
Em seguida, Mei colocou um biquíni e foi para a praia. Chegando lá, ela viu alguém deitado na areia. Era Thai. Então ela correu na direção dele.
–Thai! O que houve? Thai, acorde! Thai!!! Meu Deus, seus cabelos estão manchados de sangue...Ai Meu Deus!!! – Mei viu um corte que tinha na nuca de Thai. O sangue havia ficado seco e ficou impregnado no cabelo de Thai. E onde ele estava deitado na areia, tinha uma pequena mancha de sangue de baixo da sua cabeça. – Acorde Thai! YURIIII? CADÊ VOCÊ, YURIIIII? — Gritou Mei, olhando para os lados procurando Yuri.
Mei já estava entrando em desespero e a essa altura ela já estava chorando. Quando ela ouviu:
–M-Mei? – Disse Thai, sussurrando e abrindo os olhos lentamente. – É você?
–Sim, Thai. Sou eu. O que houve aqui?!
Mas Thai não respondeu. Ele fecho os olhos mais uma vez. Havia desmaiado. Mei correu para a casa de Will, que não ficava longe dali, para pedir ajuda. E então ela e Will vieram correndo em direção onde Thai se encontrava.
–Mei querida, ligue já para uma ambulância. Ele esta desmaiado. E parece ter perdido sangue. Foi uma pancada feia. Onde está o outro garoto?
–Yuri? Meu Deus! Yuri. Onde está o Yuri? O que será que aconteceu com ele? – Disse Mei, começando a entrar em pânico.
–Você não estava com eles?
–Não. Eu estava dormindo. Acho que eles acordaram cedo e vieram para a praia.
–Tudo bem. Fique calma. Vá correndo na minha casa e de lá ligue para uma ambulância. Não vamos mexer nele, pode ser pior. Eu ficarei aqui.
Mei saiu correndo para ligar para uma ambulância o mais rápido possível. Quando os paramédicos chegaram, vieram com uma maca para por Thai sobre ela. Levaram ele para o hospital. Mei e Will foram juntos com eles. Ao chegarem no hospital, Will ficou encarregado da parte burocrática do hospital. Então ele virou para Mei e disse:
–Mei, avise aos pais dele. Avise aos seus Pais e avise aos pais do outro garoto que ele está desaparecido.
–S-Sim.
Mei não conseguiu entrar em contato com o pai de Thai. O celular encontrava-se desligado toda vez que ela tentava ligar. Mas conseguiu falar com a mãe de Yuri. Mei contou toda a história. Ela havia ficado muito preocupada com ambos (Thai e Yuri). Quando soube que seu filho havia desaparecido ela começou a chorar disse que estaria ali em 1 hora. Quando Mei ligou para o seu pai ele disse que não poderia ir imediatamente para lá, por que estava em uma reunião muito importante mas iria falar com a senhora Lee para que ela fosse para Osaka primeiro.
O senhor Lee pediu para que Will colocasse todos os custos, que Thai teria do hospital, para ele pagar. E assim foi feito. Agora, Thai encontra-se em uma cama, ainda desacordado. O médico saiu do quarto onde ele estava e foi logo abordado por Mei.
–O que ele tem doutor? Foi grave? Está machucado?
–Uma pergunta por vez. Fique calma, ele está bem. Só precisa de repouso. Ele teve uma pancada na nuca muito forte. Temo que se fosse mais forte ele não teria resistido. Ele ficará bem, isso é o que você precisa saber. Agora onde está o responsável?
–Ali. – Disse Mei apontando para Will. – Posso ficar no quarto com ele?
–Sim, mas se ele acordar, não o force a falar muito. – Respondeu o médico, e se dirigiu na direção de Will.
Mei entrou no quarto e ficou sentada em uma cadeira. Ela não parava de observar Thai. Cada minuto que ele passava sem acordar era uma tortura para Mei. Foi quando ela ouviu:
–Yuri...nade...a onda...Yuri...NÃO! – Disse Thai, ainda com os olhos fechados.
–Thai?
–M-Mei? –Thai estava abrindo os olhos. – Onde está o Yuri?
–Thai! –Disse Mei chorando, indo abraça-lo. – O que houve?
–O que houve? –E então veio tudo na cabeça de Thai. Todas as lembranças de ontem. A toalha, o beijo, a ilha , a tempestade, o mar e as ondas. Principalmente as ondas. –Mei eu acho que o Yuri está... – Disse Thai com os olhos cheios de lágrimas. – Eu não o vi mais...o Yuri...
–Calma Thai, respire fundo. – Disse Mei, tentando ficar calma para ouvir o que Thai iria dizer. – Agora com calma, me diga o que aconteceu com vocês.
E então Thai contou a Mei exatamente tudo. Mei estava branca. Ela não conseguia acreditar que tinha beijado Yuri. E que aquilo tinha desencadeado tudo aquilo.
–Precisamos avisar a guarda costeira! Yuri pode estar boiando no mar. Meu Deus! Ele pode estar em outro canto da praia, assim como você estava.
–Sim! Isso mesmo. Quem sabe Yuri esteja esperando por alguém para ajudar ele. Mei, avise a guarda costeira.
–Farei isso agora. – Disse Mei, com um pouco de esperança de que Yuri também estaria a salvo, e que aquela tempestade não o tinha levado embora.
Quando Mei saiu do quarto de Thai ela encontrou a mãe de Yuri conversando com Will. E então ela contou tudo que tinha acontecido com eles. Ou quase tudo.
–Eles saíram para surfar ontem a noite, enquanto eu tinha tirado um cochilo. Mas veio uma forte tempestade e os apanhou no mar. Will, precisamos avisar a guarda costeira. Eles precisam procurar Yuri.
E então se iniciaram as buscas por Yuri. A senhora Nakamura ia em um dos barcos da guarda costeira para acompanhar o mais perto possível a busca pelo seu filho. Entretanto havia se passado cinco horas de busca e nada de acharem Yuri.
–Senhora, mandaremos uma equipe de mergulhadores fazer a varredura dessa região. Tememos que seu filho possa estar sob essas águas.
Ao ouvir isso a mãe de Yuri entrou em desespero e começou a chorar. Quando o barco onde a mãe de Yuri estava chegou ao porto, Mei e a senhora Lee encontravam-se esperando pela sua chegada. A mãe de Mei deu um abraço na senhora Nakamura tentado conforta-la.
–Meu marido não pode vir. Alguém precisava tomar conta das crianças e eu não conseguiria ficar em casa.
–Não se preocupe. Eles vão achar seu filho. – Disse a senhora Lee num tom acolhedor.
–Assim espero.
Quando os mergulhadores chegaram com a noticia de que o corpo de Yuri não havia sido encontrado submerso, era em torno de 17:00 horas. Eles não podiam continuar por que sem a luminosidade dos raios solares as buscas seriam ainda mais difíceis. E então no dia seguinte a guarda costeira e um grupo de mergulhadores continuaram a busca. Mas nada foi encontrado. E assim se repetiu por mais 5 dias. Até que a família de Yuri decidiu interromper as buscas e tentar da paz ao espírito de seu filho com um funeral adequado.
Hoje, 20 de Julho, Próximo ao funeral de Yuri Nakamura
Então Thai se distanciou de todos que estavam no funeral. Mei não o seguiu e foi falar com a família de Yuri. Thai estava indo para o outro lado da colina onde se encontrava o mar. A medida que ele andava, pensamentos não paravam de bombardear sua cabeça. Era pra ter sido eu! Idiota! Por quê? Por quê teve que ser você Yuri? Me perdoe. Foi tudo minha culpa. Eu não queria... Nunca quis que você... Yuri...não se preocupe, vamos nos encontrar em alguns minutos. Lembra da promessa? E então, onde Thai se encontrava, já podia ouvir o som das ondas quebrando nas rochas lá em baixo. Parecia que a natureza estava querendo dizer que algo estava errado. Algo de errado naquele verão tão caloroso e vivo estava errado. Como um aviso o céu trovejou, tentando prevenir algo. Mas Thai nunca foi bom com avisos.
Thai aproximou-se ainda mais do final da colina. Passou por uma cerca de proteção onde tinha uma placa dizendo “Não ultrapasse” e falou:
– Yuri... Você morreu por minha causa. Yuri... Estou indo te encontrar. Me espere, por favor... – Disse Thai chorando e dando mais um passo em direção ao fim da colina. – Aqui vou eu Yuri. Vamos nos encontrar de novo, e um dia a Mei também vem. – E então Thai se jogou.
20 de Julho, Ilha Nigawa
–O-Onde eu estou?
–Mãe, o garoto acordou. – Disse uma criança magra com o cabelo tão negro como a noite. E então uma mulher chegou perto.
–Como você se sente, criança?
–Com fome. E um pouco tonto. Quem são vocês? Onde estou?
–Maggie, pegue comida para ele. –Disse a mulher que tinha o cabelo da mesma cor do da criança. – Você está na Ilha Nigawa. Alguns a chamam de ilha deserta. Somos moradores da Ilha, criança. Você estava dormindo na areia da Ilha quando a Maggie te encontrou em uma manhã ensolarada e desde então cuidamos de você. Não se lembra?
–Não, exatamente.
–Tudo bem. As memórias logo aparecerão. Sabe seu nome, criança? – Disse a mulher calmamente.
–Sim. Meu nome é... Yuri. Yuri Nakamura.
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