Dizem que quando um amor é verdadeiro, ele consegue ultrapassar barreiras infinitas.

Dizem que quando quem amamos se vai, levam consigo uma pedaço de nosso coração, comigo não foi bem assim.. porque afinal de contas Sasuke Uchiha quando partiu o levou por inteiro.

Lembro-me muito bem de quando nos conhecemos. Estava eu com meus ainda 8 anos de idade, um perfeito vestido vermelho bem passado, cabelos róseos até a cintura encaracolados e grandes olhos verdes repletos de lágrimas, sendo motivo de risos de 3 garotos e mais 2 meninas quando meu pequeno herói veio me salvar.

- se eu ver vocês a magoando novamente eu não responderei por mim.

- mas Sasuke-kun.. –tentou argumentar Karin, uma das muitas apaixonadas por ele

- eu quero que todos vão embora.

E assim todos se foram de cabeça baixa e um enorme ódio de mim por terem levado uma bronca do garoto popular do colégio.

- você está bem? – perguntou ele

-s-sim – o respondi secando minhas lágrimas.

- não precisa chorar, de hoje em diante ninguém mais ira mexer com você, te dou minha palavra.

-verdade?

- sim, eu sempre estarei com você.

Ele me deu as costas e foi ate onde estava sua mãe e eu voltei ao balanço, para me divertir, infelizmente sozinha.. mas pouco tempo depois ele voltou com sua mãe ao seu lado e me entregou um papel e eu o abri.

Espero que seja minha amiga

PS: te espero aqui amanhã.

Provavelmente a mãe dele havia o ajudado com o bilhete, então ele sorriu, e eu pude sentir de que ele iria fazer uma grande mudança em minha vida daquele momento em diante.

Anos se passaram depois daquele dia, 7 precisamente. Ambos com 15 anos e uma amizade invejável por muitos.. uma amizade com cumplicidade, carinho, respeito, fidelidade e amor, bom o amor pelo menos era por minha parte. Ha 3 anos atrás, com 12 anos descobri que amava meu melhor amigo. Pois é, a garota desengonçada e estranha se apaixonou pelo lindo e popular garoto. E hoje 23 de Julho era aniversário de 16 anos de Sasuke.

Tio Fugaku e tia Mikoto haviam deixado ele fazer uma festa na mansão. Mesmo em época de férias ele convidou a todos do colégio principalmente as meninas. Mesmo sendo aniversario a luz do dia, de um de menor e em volta da piscina, muitos dos que estavam lá já estavam completamente bêbados.. subi até seu quarto na esperança de poder respirar um pouco sem ter um louco tentando te jogar na água. Sentei em sua cama e comecei a me perguntar quando eu tomaria coragem para me declarar a ele. É claro que o medo de ser rejeitada era enorme, e eu não queria perder sua amizade, afinal era a única que eu tinha, mas Sasuke era simplesmente tudo na minha vida. Mas eu estava decidida, eu iria sim me declarar a ele, se ele me recusasse era só dizer que era uma pegadinha e sorrir, é obvio que ele acreditaria e como obra do destino passos em direção ao quarto puderam ser ouvidos. Era ele, era ele eu tinha certeza, me escondi no banheiro até ele entrar e aproveitei para me olhar no espelho, vai que eu tivesse algo no dente, não poderia me declarar desse jeito. Depois de verificar, cabelo arrumado, dentes limpos e biquíni no lugar respirei fundo três vezes para criar coragem e quando ela veio eu sai do banheiro com tudo. E logo após a minha saída, junto com a coragem veio o arrependimento e o mundo desabou sobre minha cabeça.

Sasuke estava em cima de Karin – a garota que mais odeio nessa vida e ele sabe disso – sua mão direita estava dentro de sua calcinha a esquerda em um de seus seios e ele a estava beijando, um soluço atrevido escapou de meus lábios, um intruso soluço que foi ouvido pelos dois que se separaram rapidamente e me olharam assustados, lagrimas escorria por meus olhos naquele momento. Era a primeira vez que eu o via beijando alguém em minha frente.

- Sakura?? – disse ele de olhos arregalados.

- e-eu.. estava no b-b-banheiro e..- minha voz foi falhando aos poucos.

- esta nos atrapalhando não ta vendo sua estranha? – disse a arrogante.

- me d-desculpa Sasuke.. e-eu.. eu já estava – e então solucei no meio da frase e lagrimas e mais lagrimas escorriam pelos meus olhos embaçando qualquer possibilidade de eu ver a cena a minha frente.

- o que estava fazendo aqui Sakura? — perguntou ele meio rude.

-e-eu..eu só queria.. eu.. deixa pra la.. n-não era nada.

- porque esta chorando? Esta machucada? Alguém te magoou?

-n-não, eu só.. – eu definitivamente não estava conseguindo concluir nenhuma frase, eu pensava que era impossível mas com 14 anos sofrer da forma que eu estava sofrendo, mas parece que nada é tão impossível assim..

- eu acho que entendi o que ta acontecendo aqui – disse a vaca mugindo

- então diga – respondeu Sasuke.

- ela esta chorando porque esta vendo você comigo Sasuke-kun

-...

- esta tão na cara, a garota estranha é completamente apaixonada por você, como é que eu não desconfiei isso antes? O que foi querida? Esta chorando porque percebeu que é impossível ele corresponder você? – esse era o fim pra mim

- isso é verdade Sakura? Você g-gosta de mim? – perguntou ele olhando no fundo de meus olhos.

- mas é claro que isso é verdade. Esta tão na cara, coitada, acha que alguém como você consegue ser amada por alguém como o Sasuke? Faça-me rir.

E então cansada de ser tratada daquela forma eu simplesmente sai correndo, desci a escada as pressas, atravessei o povo que dançava no meio da sala e corri até a minha casa, que ficava por incrível que pareça na casa ao lado de onde Sasuke mora, e adivinhem??? Ele não veio atrás.

Depois daquele desastroso dia, não nos falamos mais. Em duas semanas voltariam as aulas e eu praticamente implorei para que meus pais me mudassem de colégio, foi uma missão muito complicada mas eles felizmente resolveram me mudar. Sai da “ Elite Ks” e fui terminar o resto do meu 9° ano na “Konoha Imperial”, onde logo fiz amizade com Naruto e Ino, dois loiros dos quais eram os únicos que conseguiam me arrancar um sorriso.

Mebuki e Kizashi – meus pais- eram muito amigos de Mikoto e Fugaku – pais do Sasuke- e muitas das vezes faziam almoços e jantares entre amigos.. sempre me perguntavam de o porque de Sasuke e eu termos nos afastado, afinal éramos unha e carne.. mas minha resposta sempre era o silencio. Quando a reunião era em casa Sasuke sempre arruma uma desculpa para não vir e quando era na casa dele, eu sempre tinha “compromissos” com Ino e Naruto ou não me sentia bem, uma mentira atrás da outra. Minha janela/cortina ficavam praticamente 100% do tempo fechadas, o porque? Simples, minha casa era praticamente quase dentro da casa dos Uchihas e minha janela era de frente pro quarto de Sasuke, três palmos eram exatamente o que nos separava. Quando éramos amigos entravamos e saiamos do quarto um do outro sem nenhum esforço.

8 meses depois .. no dia do meu aniversario de 15 anos, acordei com papai e mamãe cantando parabéns, Ino e Naruto pulando em cima de mim na cama. Meu susto foi tão grande que chutei os dois da cama os derrubando no chão para logo em seguida ser bombardeada de presente. Mas o primeiro que abri foi um em especial que chamou minha atenção, era do tamanho de uma caixa de sapato, com o embrulho roxo e um laço preto. Era um vídeo game, mas não era um qualquer, era o vídeo game do qual eu infortunei meus pais o ano todo para que me dessem.

- obrigada papai, era exatamente o que eu queria. – agradeci pulando na cama feito louca

- mas não eu que o dei. – respondeu ele

- mamãe?

- também não foi eu. – disse ela.

- não tem nome no cartão – disse Ino me entregando o pedaço de papel que estava com o presente.

“Feliz Aniversario”

PS: só espero que não fique viciada.

Essa letra, eu sabia exatamente de quem era, mas... não podia ser. Automaticamente olhei para minha janela e ela estava aberta, quem a abriu? Só que o que mais me surpreendeu era que ele estava lá, do outro lado olhando para cá, observando minhas feições enquanto abria os presentes, era como se o tempo tivesse parado e eu e ele estivéssemos sozinhos, não havia janela nos separando, não havia mais mágoas, tristezas, ressentimento, não havia nada, só eu e ele, ônix vs esmeraldas.. então ele sorriu, acenou positivamente com a cabeça e saiu do quarto.

- e então? De quem é o presente testuda? Você sabe? – perguntou Ino curiosa

- de um velho amigo. –lhe respondi e então aos protestos de fome do Naruto fomos até a cozinha comer o bolo.

Sabe aquele ditado “ tão perto e ao mesmo tempo tão longe”? pois isso nos descrevia. Continuei mantendo minha janela e cortina fechada por um bom tempo, não me sentia preparada para vê-lo ainda, mesmo que meu coração dissesse o contrario. Mesmo o evitando era impossível não ter noticias dele, quando meus pais não falavam, os pais dele falavam, ou quando não era isso eu via em redes sociais, não éramos amigos mas infelizmente por ele ser muito “popular” pessoas das quais eu seguia ou adicionava postavam ou compartilhavam fotos de festas e mais festas das quais infelizmente ele estava, e dessa forma eu descobria que ele virava a noite se divertindo, que ele vivia a vida sem limites e que a cada noite ele estava com uma garota diferente. E mesmo sabendo de tudo isso meu pobre e estupido coração não conseguia deixar de amá-lo.

No meu aniversário de 18 anos, meu pai faleceu de insuficiência cardíaca. Foi um baque a todos que estavam presentes, meus dois amigos, mamãe e o casal Uchiha quase não acreditamos no que vimos quando meu pai caiu sobre a mesa de jantar enquanto sorriamos. Uma data que de felicidade passou a ser de dores e sofrimento a mim. No dia seguinte foi seu enterro, muitas pessoas compareceram afinal papai apesar de ser bem conhecido na sociedade era humilde e tinha bastante amigos. Fui abraçada e recebi palavras de consolo de muitas pessoas, só que infelizmente não era isso o que eu queria.

A resposta para o que faltava veio depois que o cemitério foi esvaziando. Uma garoa começava, mamãe e os outros foram para as suas casas e eu fiquei ali, ao lado de sua lápide chorando, pedindo silenciosamente para que tudo não passasse de um pesadelo, uma pegadinha de mal gosto. Então meu coração sentiu um pouco de paz ao sentir um abraço inesperado, mas não era um abraço qualquer, era o abraço dele, de quem tanto amei e amo, naquele momento não era preciso ações e nem palavras de conforto, ele sabia do que eu precisava. Mesmo depois de tanto tempo ele sempre soube como me acalmar, como me fortalecer. Ele sentou-se ao meu lado no chão, me puxou para debaixo de seus braços sem se importar com a chuva que caia e então esperou pacientemente com que meu choro cessasse.

Me lembro apenas de ter acordado horas depois em meu quarto, na minha cama, com uma roupa quente e abraçada a jaqueta que ele usava naquela manhã. Em cima de minha escrivaninha estava um embrulho mal feito mas que mesmo assim chamou minha atenção. O abri e lá continha um diário em branco com o seguinte cartão ao lado escrito:

“ Não é um dia festivo para você, eu sei e sinto muito mas mesmo assim feliz aniversario, sei também que tem dois bons amigos e fico feliz com isso, nesse momento não precisa de palavras de conforto e nem de pena então mesmo que as amizades que tenha sejam sincera creio que esse diário te ajudara a desabafar sem se sentir incomodada com olhares indesejados direcionados a você, sei o quanto odeia isso”

PS: espero que faça bom proveito.

Aos meus 19 anos entrei para a faculdade, era meu 1° ano de advocacia, meu primeiro dia de curso e mesmo não demonstrando eu estava totalmente nervosa, afinal eu não teria Ino e Naruto aqui. Ino cursava moda e Naruto engenharia e confesso que minha maior surpresa ao entrar na sala foi encontrar um moreno sentado no fundo ao lado da janela me encarando com seus olhos ônix como se fosse possível enxergar a minha alma.

- Senhorita Haruno é uma honra tê-la em nossa classe. Pode se sentar. –Kakashi professor do curso me dizia.

Por ironia do destino ou não, o único lugar vago era ao lado daquele que tanto perturbava meus pensamentos

Três anos se passaram, eu estava com 22 anos e ainda cursava advocacia ao lado de Sasuke, e ainda o amava. E por incrível que pareça ainda sentávamos um ao lado do outro. Mesmo com lugares vagos e opções de trocar de classe, ainda estávamos lado a lado. 3 tortuosos anos sentindo seu perfume amadeirado, ouvindo sua voz rouca – dirigida apenas ao professor- ao meu lado.. eu notava que as vezes ele faltava mais do que deveria, as vezes saia mais cedo, pálido demais, magro demais só que a pose de durão e as feições de não chegue perto ainda estavam lá. Três anos compartilhando o mesmo ar, e nenhum oi era dirigido ao outro. Com a minha vida corrida de trabalho e estudo as vezes eu não conseguia tempo para comer e ia a aula com fome e por incrível que pareça as vezes encontrava bolinhos, salgados e frutas em minha mesa com o bilhete de:

“ Alimente-se direito, não conseguira se formar se não cuidar da saúde”

PS: não quero minha mãe chorando pela sua morte

Então eu o olhava e ele fingia não me ver. Era sempre assim. Após um tempo Sasuke saia frequentemente no meio da aula e voltava horas depois com a feição cansada, e muitas vezes eu via sangue em suas roupas, mesmo ele tentando esconder. E minha preocupação era se ele estava usando drogas, ou ate mesmo se metendo em brigas clandestinas.

Com 25 anos, eu já estava no meu ultimo ano de curso, e acreditem ou não eu estava namorando. Isso mesmo, Sabaku no Gaara, 28 anos, médico, ruivo, olhos verdes e muito mais outros adjetivos. Faltavam 4 meses para o final de meu curso e a 7 meses Sasuke parou de ir a faculdade.

Eu obviamente fiquei preocupada e mesmo contra a minha vontade pedi a minha mãe para que descobrisse o que havia acontecido. E ela me contou que ele ficou doente e então decidiu sair da faculdade porque já havia perdido muitas aulas e não iria conseguir recuperar. Eu não acreditei mas o que eu poderia fazer? Por mais que eu ainda o amasse ele não era nada meu, ele era de maior e sabe o que faz. Mas mesmo assim tentei um contato, eu não queria mas meu coração pedia por isso. Peguei o celular de minha mãe, enviei uma mensagem a Mikoto como se fosse minha mãe pedindo o numero de Sasuke. E ela me respondeu.

Dois dias foi o tempo que precisei para criar coragem e mandar uma mensagem

“ Oi.”

“ Oi, Sakura”

“ como sabe que sou eu?”

“ você continua usando o mesmo número de sempre. PS: eu tenho boa memória.”

“ como está? Mamãe disse que ficou doente.”

“ melhor, nada com qual eu já não esteja acostumado.”

“ quer dizer então que ficar doente é frequente para você?

PS: pensei que Sasuke Uchiha fosse imune a doenças “

“ não tão imune assim”

“ como assim? O que você tem?”

...

“Sasuke??”

...

“não vai me responder?”

E então ele não me respondeu mais. Bom eu não poderia obriga-lo não é? Afinal a anos não somos mais nada, eu não tinha o direito de obriga-lo a dizer sobre ele.

As vezes pela madrugada eu ouvia barulhos na casa ao lado, provavelmente seria ele com alguém no quarto, coisa que passei a ignorar com o tempo, meu coração já estava acostumado a sofrer por um amor não correspondido.

Quando completei 27 anos, Gaara me pediu em casamento, e eu... bom eu aceitei. Ino quase teve um treco, pois disse que ela iria fazer meu vestido, Naruto disse que iria jantar todas as noites em casa para comemorar – ele estava era se aproveitando isso sim- mamãe chorou de tanta alegria. Nos casaríamos em 2 meses, muito rápido, eu sei, mas Gaara quando coloca uma coisa na cabeça não desiste e então eu fui distribuir os convites. Eu não poderia esquecer de convidar os Uchihas, e o que mais estranhei foi quando fui até lá. Depois de 13 anos sem pisar naquela casa eu praticamente não acreditei no que vi quando entrei. O jardim estava sem vida, o clima estava pesado, a casa parecia um cemitério de silencio, estava tudo tão escuro, tão triste. Mas mesmo assim Mikoto e Fugaku ficaram felizes com a noticia do meu casório – pelo menos foi o que me pareceu- perguntei por Sasuke, mas eles rapidamente mudaram de assunto.

Dias depois os barulhos que eu ouvia de vez em quando na casa Uchiha passou a se tornar frequente. As vezes ouvia gritos – que pensava eu ser de algum filme- moveis se arrastando, jurei até ouvir barulho de ambulância. Encontrava mamãe as vezes perambulando pela casa para lá e para cá com a feição preocupada, e ela dizia ser sobre o meu abandono, que eu iria deixa-la e ela ficaria sozinha na casa, eu não acreditei muito mas não iria discutir com isso. Tempos depois ao invés de perambular pela casa ela ia a casa dos Uchihas e voltava tarde da noite, eu já me sentia farta desse segredo todo e pedia por respostas mas ela apenas me ignorava e se trancava no quarto.

“ então quer dizer que irá mesmo se casar?”

Era a mensagem que recebi as 3 da madrugada de uma terça-feira – era Sasuke

“ sim, eu irei.”

“ espero que seja feliz com ele.”

“ eu espero que você também encontre a sua felicidade”

“eu a encontrei, a muito tempo, mas ela não foi feita pra mim”

“todos temos a nossa felicidade Sasuke, apenas temos que correr atrás dela”

“ não adianta quando a felicidade tem prazo para acabar”

“ não entendi, do que está falando?”

E como esperado ele não me respondeu.

“Sasuke?”

“você o ama?”

E então dessa vez quem não respondeu foi eu.

“ você me ama?”

Era o que dizia uma outra mensagem dele. E eu não pude deixar de responde-lo com a verdade

“Sim”

“sim para qual pergunta?”

“ para qual você quer que seja??”

“ Para que seja a qual você realmente acha que possa ser feliz.

PS: não se esqueça que uma das opções tem um prazo para o termino.”

“Sasuke...”

“diga..”

“eu nunca deixei de te amar”

Eu só poderia estar louca dizendo isso a ele. Mas eu não podia deixar essa oportunidade passar, eu precisava dizer que ainda o amava mesmo indo me casar com outro. Jogaria tudo para o auto se Sasuke me quisesse, mas infelizmente a vida não é um conto de fadas no qual você se declara e um príncipe em cavalo branco te jura amor eterno.

“ pois então deixe.”

Essa foi a resposta que me fez chorar por duas noites seguidas.

Mas foi numa segunda feira chuvosa que minha vida mudou da noite para o dia, mamãe ficou sumida por horas e quando voltou estava pálida e nem olhou pra mim, foi simplesmente direto pro quarto. Gaara pediu para que eu fosse no hospital em seu horário de almoço, iriamos escolher o nosso bolo de casamento. Minha ansiedade foi tanta que cheguei 40 minutos adiantada. Perguntei a recepcionista onde ele se encontrava e me disseram que estava no quarto 215 no 2° andar, e então eu fui atrás dele.

Depois de me perder umas quatro vezes, encontrei a porta e ela estava entre aberta, estava tudo silencioso então pensei que ele estivesse sozinha na sala.

-Oi amor, cheguei antes então vim te... ver

- oi querida, que surpresa, venha cá eu quero lhe apresentar meu paciente, Sakura esse é

-Sasuke ...

Minha voz foi mais como um sussurro, eu podia jurar que se eu não estivesse em choque eu estaria rindo feito uma idiota a procura da câmera que estaria fazendo essa pegadinha comigo.. era o Sasuke, o meu Sasuke que estava sobre a cama com uma mascara respiratória, fios grudados por todo seu braço e mais acima, entre seus ombros e em seu travesseiro eu podia muito bem enxergar fios e mais fios de seus cabelos negros e lisos caídos. Seus olhos sem brilho algum me encaravam de uma forma de que se pudessem falar estaria dizendo de que era para eu ir embora, que não era para que eu o visse daquela forma... senti meu coração dar uma falha.

-Sasuke..

- Voce o conhece de onde Sakura?

- ele é o Sasuke..

-sim eu sei meu bem.. ele é meu paciente a meses

- ele..ele.. o que ele..

Não aguentei ficar naquele quarto por mais nenhum segundo se quer. Sai correndo sem olhar pra trás e sem enxergar nada a minha frente por conta das lagrimas que caiam sem parar, não conseguiria dirigir daquele jeito, peguei um taxi e fui direto pra casa, entrei em casa correndo e fui direto ao quarto de minha mãe, se Sasuke era paciente de Gaara a tempos minha mãe com certeza sabe o que ele tem, e deve ser por isso que ela vive nos Uchihas, ela não estava em seu quarto, e como ela não trabalha só há um lugar que posso acha-la.

Lagrimas ainda desciam sem minha permissão quando entrei naquela casa sem bater encontrando os três na sala.

- desde quando?

-Sakura? M-mas o que esta fazendo aqui?

- EU FIZ UMA PERGUNTA. Desde quando você sabia?

- a mais de 1 ano

- e porque é que vocês não me contaram? Fugaku? Mikoto? Vocês foram como uma segunda família pra mim, porque me esconderam isso??

- ele não queria que você soubesse, ele...

- o-o q-que ele tem?

- leucemia.

- isso tem cura não tem? Ele pode sobreviver, existem tratamentos pra isso e..

-não Sakura

- como não? Gaara é medico ele vive me dizendo sobre quimioterapia e..

-Sasuke não tem mais cura, seu estado é avançado e está em estagio terminal

- a quanto tempo ele sabe sobre essa doença?

- a 14 anos.

- mas como tudo isso?

- descobrimos ainda no inicio, ele fez a químio, tomou os remédio, mas ela sempre voltava em lugares diferentes.. e dessa vez ela voltou no cérebro.

- vocês me esconderam isso a 14 anos? Como vocês foram capazes de fazer isso comigo?

-era para o seu próprio bem

- MEU PROPRIO BEM? EU O AMAVA E VOCES SEMPRE SOUBERAM DISSO, VOCES ACOMPANHARAM E ACOMPANHAM ATÉ HOJE O MEU SOFRIMENTO POR TERMOS NOS SEPARADO, VOCES NÃO TINHAM O DIREITO DE ME PRIVAR DESSE JEITO DA VIDA DELE

- ele não queria que você soubesse

- FODA-SE O QUE ELE QUERIA OU NÃO. EU ESTOU PERDENDO O ÚNICO HOMEM QUE AMEI E NÃO POSSO FAZER NADA.

- meu bem eu...

- eu estou o perdendo mamãe, perdendo a única pessoa que amei, o perdendo e nem sabia...

Passei três dias trancada em meu quarto, sem sair, sem comer, sem conversar com ninguém, tudo o que eu queria era apenas que de alguma forma eu trocasse de lugar com ele, ou que eu pudesse voltar no tempo e poder fazer tudo diferente. Foi uma escolha dele me privar desse sofrimento mas ele não tinha esse direito, ele não poderia me expulsar de sua vida dessa forma, ele me prometeu que sempre estaria comigo.

Tomei um banho, coloquei uma calça e uma blusa de moletom e fui para o hospital, ele teria que conversar comigo.

- olá, eu vim visitar um paciente

- nome por favor?

- Sasuke Uchiha. Ele esta no quarto 215

- pode ir.

Caminhei de cabeça baixa pelos corredores, nunca me sentiria a vontade naquele lugar, bati na porta me anunciando e entrei sem esperar uma resposta logo o encontrando sobre a cama. Ele estava sentado mas dessa vez sem a mascara de respiração e em seus braços continham apenas um fio. Seus olhos sem vida estavam direcionados a pequena televisão que estava no canto do quarto.

Me sentei no banco ao lado da cama e contei até dez mentalmente para que um de nós dois se pronunciassem.

- porque? – eu perguntei num fio de voz

- saia

- Sasuke, eu..desde..

- eu não quero que me veja, saia Sakura

- não. Você não pode me expulsar

- eu não quero você aqui, se eu quisesse a teria chamado.

- não me interessa eu não sairei até que você me diga de o porque me escondeu isso por todos esses anos.

- cuide de sua vida

- você é a minha vida. Quando vai entender isso? – então só naquele momento ele desviou seu olhar da televisão e me olhou nos olhos.

- não diga besteira

- eu te amo Sasuke eu sempre te amei

- pare Sakura, pare de dizer essas besteiras

- nunca consegui te esquecer

- eu estou morrendo

- e você não imagina o quanto estou sofrendo por isso

- Sakura por favor, vá embora. Não torne as coisas mais difíceis.

Sasuke me ignorou nos 10 minutos seguintes. Deduzi então que ele tivesse dormido.

- eu te amo seu cabeça dura – disse após beijar sua testa e sair da sala em direção a minha casa. Por mais que eu ame Sasuke não adiantaria nada eu continuar ali com ele me ignorando, ele nunca foi uma pessoa fácil de se lidar.

Contei a Gaara a historia de Sasuke e minha, porque depois que sai correndo do hospital quando descobri sobre a doença do mesmo, ele me infortunou por dias sobre a reação que tive. ele me compreendeu e secou minhas lágrimas. Gaara é definitivamente o cara que toda mulher gostaria de ter, é capaz de fazer qualquer um feliz, mas infelizmente ele não é o meu Sasuke.

Outubro chegou como um passe de mágica, todos estavam eufóricos, e eu que deveria estar ansiosa mais do que tudo não tinha cabeça para pensar nisso. Depois de Sasuke ter me “enxotado” pra fora de seu quarto eu nunca mais voltei ao hospital só que hoje eu estaria decidida a dar um ponto final de uma vez por todas nessa situação, essa historia acabaria hoje. Tomei um banho, coloquei um shorts jeans até o meio da coxa, uma blusinha de alcinha vermelha, uma sapatilha fiz um coque mal feito e fui em direção ao hospital.

- Oi – eu disse ao entrar no quarto e o ver assistindo tv

- Hn.

- como esta?

- o que você acha?

- você me parece melhor do que das duas ultimas vezes em eu lhe vi. Esta até mais corado.

-hn.

- sabe que dia é amanha Sasuke-kun? – perguntei em um sussurro

- não me interessa

- é o dia do meu casamento.

-hn

- e o que mais me dói é que não será você me esperando lá no altar.

- não diga besteiras Sakura. Eu tenho mais o que fazer do que ficar te ouvindo falando essas coisas

- melhor o que fazer tipo o que? Trocar de posição em cima da cama e os canais da televisão?

- sim

- porque você é assim?

- se você não gostou vá embora, não estou te segurando aqui.

- eu vim aqui hoje para por um fim definitivo nessa nossa “historia” – disse fazendo aspas e juro que por um milésimo de segundo vi ele arregalar suas orbes negras.

- coloque logo então um ponto final e vá embora.

- eu te amo

-tsk, Sakura isso..

- eu te amo – eu repeti o interrompendo – eu sempre te amei e mesmo não querendo admitir e nem aceitar isso de jeito nenhum eu sei que sempre vou amar. E por mais que eu tente esse sentimento não sai, ele não acaba e eu fico me perguntando se você nunca sentiu isso, Se nunca sofreu por ninguém, se você nunca se apaixonou a ponto de dormir e acordar pensando naquela pessoa.

- sim. – ele respondeu depois de minutos.

- e porque não foi atrás dela?

- eu não queria que ela sofresse

- então decidiu se fechar para todos e se dedicar apenas nas vadias?

- elas não iam se importar com minha morte, era apenas sexo. Não havia sentimentos.

- como pode ser assim? Sasuke você foi um egoísta

- é a MINHA vida

- mas foi eu quem sofreu.

- eu não me arrependo do que eu fiz.

- você tem noção do quanto eu sofri? Sasuke passei uma vida inteira te amando, anos esperando uma migalha de qualquer sentimento que você despejasse sobre mim. Te amei todos esses anos e você sempre soube

- não

- soube sim. Porque a vadia da Karin saiu gritando a todos no seu aniversario que eu o amava. Gritou a todos depois que eu TE VI NA CAMA COM ELA. Você nem ao menos foi atrás de mim, nem me pediu desculpas ou uma explicação. Escolheu apenas se afastar. Mas é claro né, preferiu rir as minhas costas do que na minha frente

- eu nunca ri

- não foi o que me pareceu. Me tratou mal, me debochou. Depois ficava esfregando suas conquistas na minha cara.

- não foi minha intenção

- não me interessa o que passava na sua cabeça naquela época. A questão é que você não tinha o direito de me privar da sua vida, de me esconder essa doença. De escolher viver longe de mim.

- eu não queria te magoar

- e acha que esta fazendo o que agora?

- eu só não queria te fazer chorar

- chorar foi o que mais fiz todos esses anos.

- eu não quis aceitar a ideia de não ter você na minha vida Sakura

- então porque se afastou? Porque não me procurou?

- entenda Sakura. Você é especial demais pra mim. Eu não suportaria a ideia de te privar de ter uma vida normal. Eu não queria que você deixasse de viver para cuidar de um doente como eu.

- eu daria minha vida para cuidar de você

- mas agora você vai se casar, sua vida é ao lado de Gaara agora.

- 1 frase Sasuke. Apenas 1 frase e tudo isso pode mudar

- não

-5 palavras. Diga apenas essas 5 palavras e eu não me caso. Basta apenas me pedir Sasuke e eu fico com você sem nem pensar duas vezes

-não

-Não se case com ele. É tudo o que precisa dizer

-...

- por favor, não me prive de um pouco de felicidade

- eu estou morrendo Sakura. Eu não vou te impedir de ser feliz

- VOCE NÃO ENTENDE?? A MINHA FELICIDADE É CONTIGO.

-NÃO. NÃO É, VOCE NÃO ENTENDEU AINDA? EU ESTOU MORRENDO, EU VOU MORRER E VOCE VAI FICAR SOZINHA SAKURA. VOCE NÃO PODE FICAR COMIGO. NÃO QUERO TE PRENDER A UM MORIMBUNDO A BEIRA DA MORTE

E então Sasuke chorou. Não tanto quanto eu mas ele estava ali, na minha frente chorando... por mim Deus como eu amo aquele homem, e ele estava ali na minha frente se negando a mim mais uma vez. Sai de onde estava e fui até ele o abraçando e chorando em seus braços e o acolhendo nos meus também.

- posso te pedir um ultimo desejo? – perguntou ele.

- quantos você quiser.

- pode me dar um beijo?

Me aproximei devagar de seu rosto, ele acariciou meu nariz com o seu e em seguida pude sentir o delicado toque de seus lábios. Um pequeno toque e pude sentir meu corpo todo entrando em combustão, quase a ponto de explodir eu cedi a passagem que sua língua pediu e tremi ao sentir suas mãos caminhando sobre meu corpo, conhecendo cada pedacinho que pertencia somente a ele. Sempre a ele.

Cinco dias depois ele faleceu. Não posso dizer que foi uma surpresa porque não foi, ele foi piorando rapidamente depois do meu casamento. Lembro-me de que no dia ele não ficou nem na metade da festa. Sim, ele foi, na verdade ele entrou comigo na igreja, tive que criar forças para não sair correndo com ele de lá e fugirmos. Ao invés de ele estar lá, no altar me esperando, era ele quem me encaminhava a outro. Não que eu não gostasse de Gaara, na verdade eu o amo, não é um sentimento tão puro e tão intenso quanto o que eu sinto pelo Sasuke, mas pouco a pouco Gaara foi entrando em minha vida a ponto de que eu não o quisesse mais perde-lo.

Enquanto o padre falava e nos dava sua benção, meus pensamentos e olhos viajaram para os olhos ônix que estava no banco na primeira fila ao lado do altar...

-Sakura Haruno aceita Gaara no Sabaku para amá-lo e respeitá-lo até que a morte os separe?

Na certa o padre me fez a mesma pergunta 3 vezes, meus pensamentos literalmente não estavam la naquele momento e sim no meu primeiro e único beijo com Sasuke.

-Sakura? – chamou minha atenção Gaara.

Automaticamente olhei para ele e olhei para o padre que repetiu novamente a mesma pergunta, olhei para Sasuke que fiz o movimento de sim com a cabeça e então eu fechei meus olhos.

-Sim – respondi sentindo uma lagrima escorrer que rapidamente foi limpada.

Durante a festa, Sasuke me tirou para uma dança, ele não estava em condições, mas fez o impossível para vir a festa e me ver pela ultima vez.

- Em pensar que essa poderia ser a nossa festa – disse ele ao meu ouvido enquanto a valsa tocava

- pode não ser a festa minha e de Gaara, mas pode ter certeza de que no meu pensamento existe espaço apenas para você.

- Eu te amo Sakura, não se esqueça.

E então depois da declaração ele retornou ao hospital, não liberaram ele para que ficasse até o fim da festa.

Sasuke sabia que estava partindo, sabia que seus dias na terra estavam no fim. E então ele se foi, numa manhã chuvosa de uma quinta-feira. Muitos foram para sua despedida, mas poucos ficaram até que sua lápide fosse fechada.

- ele sempre te amou – Mikoto disse a mim após chegar ao meu lado.

- e eu sempre o amei.

- eu torcia tanto para que ficassem juntos.

- e estamos Mikoto. Sasuke sempre estará comigo, assim como também sei que não importa onde ele esteja, eu estarei com ele.

- no seu ultimo dia.. ele.. ele pediu para que eu lhe entregasse isso. – disse me estendendo uma carta que eu prontamente abri e comecei a ler.

Minha Sakura, minha pequena flor de cerejeira. Sei que é um momento doloroso pra você, assim como também é pra mim ao escrever essa carta em forma de despedida.

Não pense que não me arrependo das coisas que fiz, porque eu me arrependo, juro que se existisse uma maquina do tempo eu voltaria e faria tudo diferente, a primeira coisa seria te fazer minha. Você sempre foi minha, eu sei. Mas queria eu ser seu primeiro amante, queria eu poder ter lhe dado seu primeiro beijo, ser seu primeiro e único marido, ser o pai de seus filhos, infelizmente isso não é possível. Lembra-e do meu “ultimo desejo” no hospital? Pois então, eu tenho apenas mais um, e eu quero que você o cumpra com todas as suas forças, porque só assim eu saberei que apesar de não ter construído uma vida ao seu lado eu fui o motivo dela estar prosseguindo.

Eu quero que seja feliz, independente do que aconteça desejo que você tenha um sorriso em seus lábios, você não sabe mas foi ele que muitas vezes me tirou da escuridão, seu sorrido, seu amor, seu carinho me encaminhou para a luz, talvez esse seja o proposito de termos nos conhecidos, você foi a minha salvação, a minha anja, eu quero que ame seu marido, quero que tenha muitos filhos, quero que continue com esse brilho no olhar, com esse seu coração bondoso.

“Eu te amo eu sempre te amei e mesmo não querendo admitir e nem aceitar isso de jeito nenhum eu sei que sempre vou amar”. Acho que você deve conhecer essas palavras. Você as me disse no hospital, pois então faço agora essas palavras as minhas. Você foi o primeiro e único amor da minha vida Sakura. E peço mil perdoes por ter feito você sofrer. Fui um covarde te afastando da minha vida para que você não fosse afetada pela minha doença. Fui um completo idiota afastando da minha vida a única razão de sorrir que eu tive.

Com seu vestido branco, com calda enorme, um lindo buque e uma aliança dourada no seu dedo e caminhando em minha direção, era esse os sonhos que eu tinha todas as noites. Você no altar comigo, sorrindo pra mim, dizendo SIM a mim, nos unindo na lei dos homens e na lei de Deus. Quando te acompanhei naquela igreja em direção ao Gaara minha vontade foi de te pegar no colo e sair correndo até o lugar mais longe possível para te ter apenas a mim. Só que eu sei que ele lhe fara feliz, ele te ama e pude perceber no jeito em que ele te olha, e prometo que se ele não cuidar direito de você, eu puxarei o pé dele, não se preocupe. Quando criança, mamãe me contou que a morte separou Romeu e Julieta. Talvez a nossa historia seja uma versão mais moderna da deles só que com a mesma finalidade, afinal a mesma morte nos separou tambem, mas um de nós seguiu em frente, com vida, e esse alguém é você. Então, Sakura eu te peço para que viva. Viva por seu marido, viva pela sua mãe, pelos seus amigos , viva por mim e principalmente, viva por você minha flor.

Eu te amo – seu eterno amado Sasuke U.

PS:

-Porque esse PS esta vazio? Eu não entendi .. – me perguntou Mikoto.

Eu simplesmente dei as costas e voltei a minha casa.. sorri em meio as lágrimas, eu sabia o que um PS vazio significava. Significava que não era preciso que eu respondesse a carta, porque afinal eu não teria nenhuma resposta.

- Eu também te amo, meu eterno amor. – sussurrei para que os ventos levassem minha resposta até onde ele estivesse.

Fim.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!