Notas iniciais
Esta é, entre todas as poesias de meu livro, àquela que deixo um pequeno parágrafo de descrição. Em suma, jamais soubera exatamente o que ela significava antes de ver, com meus olhos, a verdade por trás das palavras.
As palavras que nos provam o quão eterno é o amor por quem nos dá a vida.
Uma das vencedoras do II Prêmio Literário Canon de Poesia 2009.
"A eternidade é algo insuperável"

XXVIII-Eterno

Roseira, mais bela e pura,

Espero que possa me perdoar.

Arranquei de ti uma filha,

Para uma bem-feitora a usar.

Não em seus cabelos dourados,

Nem na pele pálida.

Descreio-lhe os lábios rosados.

Oh bela rosa que lhe tiro,

Espero que dor não tenha lhe causado.

Roseira, olhe os meus olhos.

Oh roseira, só lhe peço perdão.

Esta filha que arranco de ti,

É refrão dessa doce canção,

Que me segue até esse lugar sombrio,

Dentro do meu coração.

Não houve rosa mais bela

Daquela que jaz em eterna

E densa consolação.

Roseira, rogo-lhe a uma súplica,

Com o sangue que sai de meu dedo,

Sua rosa que me corta

Pra afastar a solidão.

Roseira, lá se vai o sol indo,

Enquanto a noite caindo,

Dá as notas do clarão.

Essa rosa que te peço,

É pra alguém que muito prezo

Dentro do meu coração.

Roseira, veja a injustiça,

Fez que a rosa submissa,

Caísse de minhas mãos.

Roseira, peço-te força!

Pois crescera em tal lugar;

Fria e sem descendente,

A fim de que uma pessoa indulgente

Vir a ti para uma rosa cortar.

Roseira, a tristeza que embala

A longa jornada é trapaça.

Lágrimas escapam singelas,

Sobre anjos, lápides e lapelas,

Sobre as velas que se acendem pra ela,

Mas nada pode iluminá-la.

O calor do corpo dela se fora,

E aqui jaz o que outrora,

Fora por mim chamada de mãe.

Roseira, ao som de seu perdão,

Ouço meu pai me chamar.

Enquanto teço a lã como linha,

Peço que não a deixe sozinha,

Proteja sua filha, sua rosa,

Enquanto minha mãe dorme,

No mais eterno sono.

Meus passos eram pequenos,

Minhas mãos eram pequenas,

O tempo vai cedendo a dor,

E preenchendo com o amor.

Vejo de longe a roseira,

Mas agora que estou grande,

Morrera e deixara suas filhas

Amarguradas chorando no chão.

Que minha mãe possa clamar a ela,

O ardor do meu perdão.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!