Eternizando Cobrade

3 Então vamos à Paris, Lucas?


– Você é completamente doido.
– Por você — ele sorri.
– Cobra, como eu vou organizar tudo para uma viagem para Paris?
– Você não precisa organizar mais nada, a papelada toda eu já cuidei, só precisamos fazer as malas.
– Temos só cinco horas para isso — ela coloca a mão na cabeça — Ei! E o meu trabalho?
– Eu já resolvi também, adiantaram suas férias, na verdade, suas férias já estavam atrasadas, né?
– Precisavam de mim...
– Tudo bem, agora eu preciso de você — ele a beija.
– Vagabundo — ela para o beijo — Precisamos fazer as malas.
– Verdade! E dá uma olhadinha na ultima parte do guarda-roupa.

Jade se assusta, ela guardava uma caixa naquela parte, mas Cobra não sabia. Ele está sorrindo, então parece não ter achado caixa nenhuma, ela tenta não mostrar o desespero e vai até as portas e as abre com o coração apertado, mas o sorriso logo se abre quando ela olha o que era.

– São enorme — ela sorri enquanto tira as malas.
– São vinte dias e você comprando em Paris, Inglaterra, Portugal — ele alega.
– Vinte dias? — mais uma surpresa.
– A moça falou que era o tempo perfeito para eu conseguir ver tudo.
– Moça, é? — Jade era muito ciumenta — Não tinha nenhum rapaz na agência? E "você conseguir ver tudo", ela achou que ia sozinho?
– Ai meu Deus — ele solta uma gargalhada e se levanta para ir até ela.
– Não sei onde está a graça — ela cruza os braços.
– Não sei como consegue ser tão linda — ele e a abraça por trás e ela tenta não sorrir — Primeiro que a moça só entrava fazendo o trabalho dela...
– Ah claro, aposto que ela deve ter amado atender um lutador gato e romântico — Jade o interrompe.
– E segundo — ele fala rindo — A Bianca estava comigo, então ela mal deixou um conversar com a atendente.
– A Bianca? — ela sorri.
– Acha que eu ia conseguir planejar uma viagem para Paris? Ainda mais sozinho? – ele beija a nuca dela.
– Obrigada – ela se vira para ele – Sempre quis ir a Paris.
– O Ed sempre me falou disso, dizia que se eu quisesse te levar a algum lugar se fosse Paris.
– Ed me falava desde muito pequena que a cidade toda brilha. “Vai se sentir em uma constelação e em um constante palco” – ela pega uma mala e coloca na cama – O Ed sempre sabe o que falar.
– “Em um palco constante” – ele repete enquanto coloca a outra mala na cama – Acho que eu posso trocar o palco pelo ringue, né?
– Pode sim – ela ri.

Eles começam a guardar as roupas, Jade mal podia acreditar. Eles vão conversando e as horas vão se passando rápido, cerca de duas horas depois as malas já estavam prontas, Jade vai primeiro tomar banho, porque Cobra teria que passar no bando para pegar o cartão internacional, porque ele havia perdido o dele, mas isso não foi um problema, pois o banco ficava na esquina e em menos de meia hora ela já estava de volta. Quando ele chega ela já está de roupão e toalha na cabeça, fazendo a maquiagem. “Ainda vou me perguntar todos os dias como uma pessoa tão maravilhosa viu algo de bom em mim, até de toalha na cabeça ela é mais bonita que qualquer outra que eu já tenha conhecido”, Cobra se derrete e Jade está tão concentrará em seu lápis de olho que não se vira para olhar para o marido, mesmo sentindo o olhar dele sobre ela.

João e Bianca estão esperando na portaria, eles ficaram de levá-los ao aeroporto, Bi manda uma mensagem para Cobra avisando que eles já estavam esperando. Pouco mais de cinco minutos depois Cobra e Jade estavam se despedindo do porteiro.

– A surpresa foi muito grande, Cunhadinha? – Bianca se vira e pergunta a Jade.
– Não imagina como eu fiquei – ela ri.
– Jade ficou olhando para as passagens em pânico, ainda mais quando viu a data – Cobra complementa.
– Eu disse para ele que era loucura contar no dia, devia contar pelo menos um dia antes, mas você sabe como ele é, né?
– Sei bem, eu que acabei conferindo a mala dele para ver se não tinha esquecido nada.
– Paris... Mandou bem, cara – João finalmente fala.
– Devia aprender com o meu irmão, João – Bianca dá um tapa no braço dele.
– No dia que eu virar um lutador profissional de sucesso, eu te levo para Paris, minha linda – ele brinca e todos dão risada.
– Mesmo ainda me doendo muito fazer isso – Jade respira fundo – Obrigada, cunhadinha linda, eu sei que ele não teria conseguido muita coisa sem você.
– Nossa... Isso deve te matar por dentro – todos dão risada – Mas se eu fosse você eu me agradeceria mesmo, nem pela viagem, mas por proteger ele das assanhadas daquelas agentes de viagem, uma pior que a outra.
– Querida irmãzinha, não acha melhor deixar esse assunto pra lá?
– Não, Ricardo, agora eu quero saber. Elas se jogaram muito nele, Bi?
– Uma abusada, assim que entramos ela já veio pedindo autografo.
– Que linda – Jade ironiza.
– A que nos atendeu mal olhou para mim, ficou o tempo todo “Sua esposa tem muita sorte mesmo”, “Que pena que não existe outro Ricardo Cobreloa” – Bianca imita a voz da mulher – Fora as risadinhas desnecessárias, Cobra mal falava, mas era só ele falar uma palavra que ela já dava risada.
– Que maravilha isso! Já tenho até onde ir quando voltarmos, não é Ricardo? Porque eu acho que essa aliança ta pequena demais.
– Minha Dama, eu nem falei com a mulher.
– Isso é verdade, ele deixou eu resolver tudo, não é porque é o meu irmão, mad ele nem olhou para ela e era uma loira muito bonita.
– Ah e a Piriguete ainda era loira e bonita, que ótimo! – Jade bate palma.
– Não ouviu o que ela disse? Eu nem olhei para ela – Cobra beija o ombro dela.
– Mas é óbvio! Porque eu já te matava aqui mesmo.
– Que tal um pouco de música? – João liga o som.

“Um belo dia resolvi muda
E fazer tudo que eu queria fazer
Me libertei daquela vida vulgar...”

Cobra cochicha alguma coisa no ouvido de Jade e ela não consegue mais ficar brava com ele, então todos resolvem cantar e dançar de acordo com a música.

“Ultima chamada do vôo 476 com destino a Paris, França, embarque imediato, portão 12”

Foram as últimas palavras que Cobra e Jade ouviram antes de entrar no avião. Eram quase 12hs de vôo, muita coisa para ele explicar sobre a agente de viagem, Jade era realmente muito ciumenta, aguentar as fãs já era demais para ela, mulheres se jogavam para ele o tempo todo, desde o Warriors em que foi campeão isso não parava de acontecer. Ela ia em todas as lutas, a cada vez que algo extremos acontecia, ela mandava ele fazer uma aliança maior, a primeira coisa que ele fazia após acabar uma luta era colocar a aliança “Se eu ligar a TV e te ver dar entrevista sem aliança, melhor nem voltar para a casa”, era o que ela sempre dizia e ele ria, mas nunca teve coragem de desafia-la.
Ele ajuda ela a se acomodar na poltrona e quando ele ia se sentar a aeromoça (consideravelmente atraente), que não havia visto Jade, o cutuca.

– Com licença – ela sorri largo – O senhor poderia me dar um autografo?
– Claro – ele pega o bloco e a caneta dela.
– Indo ganhar mais uma luta? – ela se curva e exibe os seios.
– Não – ele fala nervoso, Jade ia matá-la – Estou indo comemorar um ano de casado com a minha esposa – ela pega a mão de Jade e a beija – Jade, minha esposa, essa aqui.
– Claro, claro – ela gagueja.
– Olha aqui, minha querida – Jade estava com o rosto travado – Se eu fosse você, não voltava aqui na minha poltrona, porque eu vou ter o prazer de fazer uma reclamação sua e dos seus seios e, só para você parar de ser abusada, não vai levar autografo nenhum – Jade pega o bloco e rasga a folha que Cobra tinha escrito.
– Eu sinto muito, senhora.
– Você ia sentir se nós estivéssemos na rua.
– Moça, eu acho melhor você ir logo – Cobra pede com educação e a aeromoça sai de perto.

Jade liga a a televisão e tenta selecionar alguma serie, ela estava nitidamente irritada.

– Você é linda – ele sorri.
– Não fala comigo, ainda estou irritada com a história da agente.
– Essa minha mulher é difícil demais, nem dando uma viagem a cidade do amor, ela amolece.
– Está arrependido? Queria uma esposa mais calminha? – ela aperta com força a tela.
– Ai como eu te amo – ele se estica e beija ela.
– Se você não percebeu, isso é uma discussão – ela tenta não rir.
– Ah é? – ele ri – Mas quando a gente briga eu posso fazer isso? – ele beija o pescoço dela.
– Talvez...
– Então tudo bem – ele a beija e ela sorri.
– São doze horas de vôo – ela lamenta.
– São doze horas com você, está tudo bem – ele beija a mão dela.

Ela sorri para ele, estava inigualavelmente feliz. Ela deita no ombro dele, dormir era detalhe em tantas horas, então era melhor começar, em alguma horas serviriam o jantar e eles conversariam.

– Com licença, senhores, o jantar.
– Obrigada – Cobra pega os dois pratos.
– Obrigada – Jade também agradece.
– Hum, é massa.
– Acho que estou um pouco enjoada, por causa do vôo.
– Você sempre se sente assim, né? Come só os legumes e toma o suco, pedimos algum lanche mais tarde.
– Pede uma água de coco pra mim, por favor – ela coloca não na boca.
– Moço – Cobra levanta a mão e o rapaz vai até ele – Por favor uma água de coco gelada.
– Só um minuto, senhor.
– Que droga, eu esqueci o remédio para cortar o enjôo – ela revira a bolsa.
– Calma, o garoto já vai trazer uma água de coco e vai passar.
– Odeio me sentir assim – ela joga a cabeça para trás e fecha os olhos.
– Eu sei, minha dama...
– Oi – um garotinho os interrompe – Minha mamãe mandou eu dar isso – ele entrega o remédio.
– Obrigada – Jade sorri.
– Por nada, eu sempre ficava xenjoado também, por causa dos remédio e tudo – o sorriso dele era meigo.
– Então obrigada por dividir o seu remédio com minha esposa.
– Você é o lutador, não é? – os olhos do garoto brilham.
– Sou eu sim.
– Acha que eu poderia lutar também?
– Lucas! – a mãe dele aparece – Disse só para entregar o remédio, não ficar incomodando.
– Ele não está incomodando – Jade explica – Na verdade, está deixando nossa viagem ainda melhor.
– Não estou incomodando, mamãe, só queria saber se eu posso voltar a lutar.
– O médico disse que ano que vem tudo bem, amor.
– Mas eu já acabei o tratamento – ele faz manha.
– Eu acho, rapaz, que você vai ser um grande lutador – Cobra o encoraja.
– Olha, meu marido não costuma falar isso para ninguém, então é verdade – Jade sorri para ele.
– O médico disse que ele precisa dar uma pausa de pelo menos um ano após a quimioterapia – Jade arregala os olhos – Mas fique tranquila, ele está limpo agora, não campeão? – a mãe do garoto o tranquiliza.
– Sim, limpinha – ele sorri divertido.
– Lucas, o que acha que ficar aqui com a gente um pouquinho? – Cobra vê que Jade ficou abalada – Assim eu posso te ensinar alguns truques.
– Não queremos incomodar – a mãe dele alega.
– Por favor, mamãe...
– Ele não vai incomodar e a senhora está bem aqui ao lado.
– Tudo bem, qualquer coisa só pedir para ele voltar.
– Fique tranquila – Jade agradece é a mãe dele volta para o lugar – Que tal sentar no meu colo, Príncipe?
– Olha, você já é o Príncipe dela – Cobra brinca.
– Eu sou bonito, né tio – ela mexe no colarinho da camisa polo e Jade vai na gargalhada.
– Então, Bonitão, quantos anos você tem? – Cobra fala rindo.
– Tenho assim – ele mostra cinco – Mas já vou fazer assim – ele mostra seis dedos – Na semana que vem.
– Mas já é um rapazinho – Jade beija a bochecha dele.
– Estou começando a ficar com ciúmes.
– Não precisa, tio, ela ama o senhor.
– Ainda bem, porque eu amo muito essa moça bonita.
– Ela é muito linda mesmo.
– Obrigada, meu príncipe – ela beija o rosto dele de novo.
– E o que o príncipe da minha esposa está indo para Paris?
– Meu papai está trabalhando lá, vamos fazer uma surpresa para ele.
– Que ideia maravilhosa, aposto que foi você que teve.
– Mamãe está sempre fazendo coisas para me deixar feliz, eu acho que ela ficou com muito medo de eu morrer – ele fala sem parar – Eu ouvi ela conversando com o meu papai uma vez, quando tudo acabou o papai disse que ela podia ficar calma, acho que foi isso, mas os dois estão sempre me fazendo coisas legais e eu gosto – ele ri – Acho que esse negocinho ruim que eu tive, acabou bem até, como chocolate o tempo todo – ele solta uma gargalhada gostosa.

Lucas não para de falar im minuto e Jade e Cobra estavam amando aquilo, eles conversaram sobre tudo, ele conta sobre o colégio, dos amigos que fez no hospital, fala sobre os treinos que tinha de muay thay, Cobra fala alguns truque para ele e a cada segundo os olhos azuis brilhavam cada momento mais. As horas passam que eles nem vêem, a mãe de Lucas sempre ia dar uma olhadinha para ver se estava tudo bem e ver o filho tão bem era prazeroso. Lucas acaba dormindo no colo de Jade, ela acaricia os cabelos dele, Cobra observa a cena e tudo parece tão perfeito.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.