Eternity - One Shot

1 Eterno é aquilo que dura uma fração de segundos...


Notas iniciais
Usei e abusei da teoria de que Lelouch não morreu ao fim do anime, apenas adquiriu o código do V.V., ao derrotar seu pai, tornando-se assim um imortal.

A eternidade é um relógio sem ponteiros.
— Mario Quintana

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Para Lady, com todo o meu amor.

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Finais são coisas difíceis. O começar de uma história é sempre enigmático, nunca se pode saber o que nos aguarda no fim, mas é justamente isso que nos faz desejá-lo tanto. Ninguém deseja realmente que uma história acabe, ninguém deseja realmente explorar e descobrir todos os segredos que nela se ocultam... Porque se o fizermos, qual graça teria? O que viria depois? Nem todos os finais são agradáveis, nem todos os finais são compreendidos. Mas e a coisa que vem logo após o final? É tão trivial que não nos atrevemos nem mesmo a desvendá-la...

Uma fragrância familiar de velharia inebriou ousadamente o ar que ela respirava no exato instante que adentrou o museu de arte e história britanniana. C.C. identificou-se com o aroma arcaico, lhe era nostálgico porque ela era tão ou mais velha que boa parte das obras que ali se encontravam. Não que sua aparência demonstrasse isso, qualquer um que repousasse os olhos sobre a menina veria nada mais que uma típica colegial.

C.C. estava em seus melhores dias, estava radiante. Um comportamento incomum para se ter logo após a morte de Lelouch. Era um insulto ao tempo que passaram juntos, ela sabia, mas quem diabos poderia julgá-la? Afinal, a obra que C.C. viera apreciar hoje era justamente a prova disso.

A esverdeada caminhou calmamente até a galeria onde exatos noventa e nove quadros estavam sendo exibidos. Não havia motivos para ter pressa, C.C. tinha todo o tempo do mundo. Afinal, não era chamada de "imortal" por razão nenhuma. E essa era justamente a definição de imortal. Tempo. Ter o tempo eterno, nunca conhecer o tão sonhado fim, nunca saber realmente como a história irá acabar. Porque o mundo é cheio de segredos. E mesmo que quisesse, C.C. nunca seria capaz de desvendar todos eles.

Após uma longa caminhada, passando por todos os rostos dos grandes e imponentes que governaram o tão poderoso império britanniano, a garota de cabelos esverdeados finalmente chegou ao seu destino. Parou em frente a uma das obras, a última delas. Localizada ali, bem no fim.


" Lelouch Vi Britannia, o 99º Imperador. O demônio Britanniano. "

Era o que dizia na descrição do quadro. Logo acima, um belo e elegante retrato de Lelouch com seus trajes de imperador. Ele possuía um olhar arrogante, algo que C.C. achou petulante por parte do pintor, mas não o condenou, C.C. entendia muito bem o porquê de Lelouch ter sido retratado assim. Esse era o plano. C.C. não esperava que as pessoas se lembrassem dele como ela se lembraria, do olhar gentil que ele possuía quando olhava para ela. E de fato, Lelouch era gentil. Tão gentil ao ponto de preferir o ódio eterno daqueles que ele salvou, apenas para que pudessem ter um futuro melhor, um futuro digno.

Ela não pôde conter um sorriso quando passou os olhos novamente para o título que fora designado a ele. E lembrou-se do tempo em que Lelouch dizia ser o rei demônio — o rei perfeito para a bruxa que ela era. E pensou que aqueles tempos durariam para sempre, seriam eternos, assim como sua vida. Ficar com Lelouch não era de todo mal, na verdade, não era nem um pouco mal. Mas C.C. gostava mais das coisas assim, calmas e monótonas. Ela presenciara guerras durante toda sua estádia na Terra, não foi de seu agrado presenciar mais uma, mesmo que ao lado de Lelouch.

C.C. voltou os olhos para algumas crianças que apreciavam o quadro junto a ela. Estavam vestidas mais ou menos como Zero, apontando e gritando insultos infantis para o retrato de Lelouch. Ela riu da inocência delas e no fundo queria que os outros soubessem que aquele era o verdadeiro Zero, aquele estampado cuidadosamente no quadro... E por um instante, ela pensou na existência de uma outra C.C. e de um outro Lelouch, pensou em várias outras maneiras de como essa história poderia ter acabado. Mas nenhuma delas pareceu tão interessante assim...

— C.C.! — Uma voz chamou-a, tirando-lhe brutalmente de seus devaneios.

— Ah, é você... — C.C. respondeu voltando os olhos para o dono da voz. — Então, o que está achando?

O garoto franziu o cenho, repreendendo C.C. por ter convencido-o a vir em um lugar tão inconveniente como esse.

— Não acha isso arriscado demais C.C.? — Ele disse em um tom sério.

A esverdeada não respondeu, preferiu observá-lo por algum tempo com um sorriso maroto estampado na face.

— Ainda não se acostumou? — A garota indagou após alguns segundos, quando notou que ele massageava involuntariamente a testa coberta pelos cabelos negros.

C.C. caminhou até ele quando não obteve sua resposta. E sem receio algum, passou-lhe gentilmente os dedos pelos cabelos, afastando a franja de seus olhos violeta para poder ver melhor o símbolo do código — o mesmo que igualmente estampava-lhe a testa. Notou que ele desviara timidamente o olhar, um fato que a fez rir.

— Tudo bem. — C.C. dissera recuando alguns passos para dar espaço a ele. — Eu já vi o que precisava ver, nós podemos ir agora.

O garoto suspirou, algo que soou como um "finalmente". C.C. sorriu novamente enquanto o seguia até a saída, estava realmente satisfeita. Não, mais do que isso, ela estava feliz. E enquanto a fragrância de velharia se dispersava atrás de si, um último pensamento lhe passou pela cabeça:


"Finais são realmente coisas difíceis, mas viver sabendo que nunca terei um, é algo ainda mais doloroso. É uma pena que tudo tenha terminado assim. O maior problema da imortalidade não é o tempo em si, e sim, não ter com quem gastá-lo. É a solidão... Mas, eu já não estou mais sozinha, você se importaria de passar a eternidade ao meu lado... Lelouch?"

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!