Eternidade

1 Capitulo Único- Eternidade


Notas iniciais
Peço desculpas por qualquer erro, e espero que gostem da fic. Boa leitura

Capitulo Único: Eternidade

Andava calmamente, seus olhos vasculhavam as grandes casas pelo qual passava. Em sua mão um pequeno papel, a mochila rasgada e pesada doía seu ombro, no entanto ele não deu importante a este fato.
Parou de andar ao achar o que tanto procurava, olhou para o pequeno papel em sua mão, apenas parar certificar de que aquele era o endereço correto. Sorriu, e aproximou-se para mais perto do grande portão, deu uma bela olhada para o lado de dentro, o jardim era lindo e bem cuidado, a casa também, ele tinha que admitir.


Avistou ao longe uma pequena silhueta pular e brincar alegremente, até perceber que ele a olhava e parar seu afazer prazeroso de criança, ''Mama...'', pode ouvi-la dizer enquanto a pequena olhava para o lado. Não demorou muito para uma moça bem vestida chegar perto da pequena, agachar, talvez perguntando se sentia-se bem, então ele viu a pequena olhar para ele, e viu também o rosto da moça virar em sua direção. Sentiu-se nervoso, pois não conseguia ver seu rosto, por conta daquele enorme chapéu que impedia de vê-lo nitidamente.


A moça ao lado da menina levantou sua mãos e levou até sua testa, olhava fixamente para a pessoa no portão de sua casa, no entanto, os raios de Sol a impedia de vê-lo claramente. Levantou, achando uma posição em que o brilho do Sol não atrapalhava sua visão, e por fim, deixou um grande sorriso escapar ao reconhece-lo.


— Naruto?... — ela disse, retirando o grande chapeu de cor bege de sua cabeça.- Por Kami, não posso acreditar...
Sorriu de volta ao perceber que estava no endereço correto. Observou-a andar até o portão e o abri-lo, para logo depois o puxar para um abraço apertado. Desconsiderou as pequenas dores em seu corpo, e não pensou duas vezes para abraça-la de volta também.


— Como vai, Sakura-chan?


— Eu estou bem, eu estou bem.- Ela sorriu. — Você está aqui eu não acredito! Como você está?


Ele riu. — Estou... pela metade, mas bem de certo modo. — disse e somente nessa hora a moça a sua frente percebeu a referência. Olhou para o braço esquerdo do rapaz loiro.
O jovem por sua vez, viu o sorriso dela desaparecer, e seu rosto ser tomando por um semblante triste. — Sinto muito. — A moça disse.


— Não se preocupe com isso. Eu estou bem.- Mostrou a ela um de seus melhores sorriso.


— Ah! Sarada, minha querida. Venha aqui para conhecer alguém muito especial. — Viu novamente a pequena menina caminhar até ele, com os bracinho para trás do pequeno corpo ela se aproximou. — Naruto essa é minha pequena Sarada. Amor, este é Naruto, um grande amigo da Mama... E do Papa também.


— Oi, Sarada! É um enorme prazer conhece-la. — Sorrindo, esticou a mão para ela.


— Olá! O prazer é todo meu, senhor. — Segurou em sua mão, como uma perfeita daminnha. A voz fina e doce era encantadora, tal como Sakura, claramente a menina Sarada era bem educada. — Por favor, peço que chame apenas de Naruto.


—... Naruto...- A pequena repetiu.


— Vamos, Naruto... Entre, tenho certeza que estas cansado. — Sakura praticamente o arrastou para dentro da enorme casa, o fez sentar em uma das cadeiras da cozinha e preparou para ele vários pratos deliciosos. O que para ela era algo simples, para Naruto ela tinha feito um banquete. Afinal foram cinco anos em batalha.


O silêncio predominava em toda a casa, e a única coisa que podia-se ouvir era o barulho do talher batendo no fino prato de porcelana. Com isso ele sentiu-se incomodado, 'depois de cinco anos, cinco longos anos e somente silêncio?' ele se perguntava, mas não a culpava, conhecia bem sua amiga para saber que ela estava sofrendo e tal como seu melhor amigo Sasuke, ela aprender a sofrer em silêncio.


Sasuke...


Ah, Sasuke!


Naruto lembrava agora. O olhar baixo e sem brilho que Sakura mostrará neste momento era o mesmo olhar que de seu amigo, e mesmo com tantas dores e tantas perdas, Naruto ainda tinha uma missão a cumprir. Algo que jurou ao seu amigo antes do mesmo sacrificar sua vida para salva-lo, algo que iria aliviar o coração quebrado de sua tão amada amiga Sakura. Prometeu a ele que iria encontra-la, iria ter certeza de que ela estava bem e então por fim entregar algo muito valioso a ela: Os pensamentos e sentimentos de seu melhor amigo, Uchiha Sasuke.


— Sakura...- a chamou delicadamente. — Talvez você já saiba... Eu não a procurei em vão, tenho algo importante para você. Essa foi a última missão dada por ele. — Levou a mão até a cadeira ao lado, pegando sua velha amiga de guerra, abrindo-a e retirando um pequeno baú dourado e o colocando em cima da mesa. O coração de Sakura falhou nesse momento ao ver o objeto, um grande nó subiu em sua garganta. Sabia o que aquilo significava, estava seguindo-se para não chorar na frente de seu amigo loiro.


— Ele havia enterrado. — Pronunciou-se o loiro. — quase cinco anos e só ele sabia sobre isso e em seus últimos momentos ele me contou, e disse que essa era minha última missão e dentre todas, era a mais importante. Ele me pediu para entregar a ti e disse que todas as suas dúvidas iriam ser esclarecidas com o que havia dentro, Sasuke me disse também que só você conseguiria abrir.
Sakura passou seus olhos por cada detalhe do pequeno baú, no entanto, permaneceu em silêncio.


— Diga alguma coisa! — Exaltando a voz, ele praticamente gritou. Sentia-se perpléxo, Sakura nada disse, apenas fechou os olhos. Tinha muito o que dizer, mas apenas não queria, sua alma estava afogada em solidão e angustia. Sentia-se com tanto medo.


Sakura levou a taça de vinho até a boca e tomou o líquido em um grande gole.


— Imaginei que depois de cinco anos você teria algumas perguntas. — O loiro coçou a sobrancelha ao se pronunciar.


— Eu tenho... Várias e várias, mas também tenho medo das respostas.


O rapaz loiro balançou a cabeça levemente, entendia o ponto de vista da moça a sua frente.


— Eu presumo que você tenha viajando bastante para vir ao meu encontro.- Tomou fôlego, ainda sentia vontade de chorar, mas jamais iria faze-lo na frente de um homem então tratou de mudar o assunto.


— Sim, na verdade também queria pergunta-lhe se sabe... sobre a Hinata... Tem mantido o contato com ela?...


— Já faz algum tempo, na verdade a ultima vez que eu a vi foi no campo de refugiados, na correria separaram a gente. Algo tempo depois ouvir rumores de que as irmãs Hyuga estavam em uma cidade chamada A vila da Névoa, mas não tenho certeza...


— Tudo bem, já é um começo de um lugar para procurá-la.


— Sei que vai voltar a viajar, mas deveria descansar. Por que não passa a noite aqui? Temos vários quartos, escolha aquele que o agrade mais para descansar.


Ele sorriu. Descansar não era uma má ideia, tinha que admitir que sentia-se exausto.


— Adoraria ficar esta noite... Se não for incomoda-las.


— É claro que não! Você será sempre será bem vindo, sabe disso. — Disse a jovem, levantando-se.


— Venha! Vou acomoda-lo.


Sakura, como uma boa anfitriã, o levou até o quarto e lhe mostrou os banheiros. Não queria que ele ficasse deslocado e quando o acomodou, lhe perguntou se precisava de algo e quando o mesmo negou e agradeceu, Sakura pediu licença e tratou de sair. Deixaria ele sozinho para descansar.


No entanto, seus pés a levaram novamente para a sala de jantar. Parou em frente a grande mesa de vidro e ficou olhando o pequeno baú dourado.


Sentiu novamente aquele maldito nó em sua garganta. O que havia de tão importante ali para ele colocar em uma caixa de ouro e guardar durante sete palmos do chão? Chegou perto, as duas mãos apoiadas em cima da mesa e o rosto chegando cada vez mais perto do baú. Olhou cada detalhe da fechadura e não demorou para reconhecer o formato da mesma


— Mama... — Assustou-se, e em um movimento rápido virou-se para sua pequena filha. Caminhou até ela, agachou em sua frente e acariciou seu pequeno rosto.- Naruto já foi embora? — A pequena perguntou.


— Não... Ele está cansado, pois fez uma longa viagem até aqui e logo prende partir novamente, então disse a ele para passar a noite conosco... Tudo bem para você, minha princesa?


— Sim. Eu gosto dele. — Sorriu ao ouvir o que sua pequena tinha dito, Sarada costumava ser bastante honesta com o que sentia, tal como o pai.


— Logo irá anoitecer, porque não vai se lava? Não irá demorar muito para que eu comece a preparar o jantar.


— Está bem.


Observou a pequena Sarada correr para seu quarto, então, ao notar-se sozinha novamente, aproveitou e tomou o pequeno baú em seus braços. Caminhou rápido para o segundo andar e foi direto para seu quarto, encostou a porta e colocou o objeto em cima de sua cama. Virou-se para a a escrivaninha ao lado de sua cama, sua mão foi até a última gaveta, abrindo-a. Retirou de dentro alguns papeis, linhas de costuras e por fim um fundo falso.
Tomou em sua mão uma pequena caixa azul escura aveludada, voltou e sentou-se em sua cama para depois tratar de abri-la. Lá estava ele, lindo como sempre, lindo como a primeira vez que ele o havia mostrado a ela. Tão lindo e tão valioso.


Era um colar muito antigo, muito caro e com um enorme valor sentimental. Sasuke havia dado a ela quando a pediu em noivado. Sua cor era dourado e tinha uma pedra azul, 'É uma pequena herança de família' ainda podia ouvi-lo dizer. Sorriu tristonha, lembrava-se disso como se estivesse ocorrido hoje mesmo.


Uma pequena lágrima teimosa insistiu em escorrer em seu rosto, com pressa, tratou de limpa-la. Balançou a cabeça, tentando recompor-se. Tentou forçar-se no pequeno baú a sua frente.


Olhou novamente para o buraco da pequena fechadura, era o formato perfeito da pedra de seu colar, o colar que agora segurava em sua mão. Então, depois de travar um pequena guerra contra si mesmo, depois de se perguntar várias vezes o porquê, depois de sentir seu corpo tremer como nunca visto antes, ela finalmente tomou coragem e encaixou a pedra na fechadura.


Assustou-se e prendeu a respiração quando ouviu a trancar ser aberta, seu coração batia forte e sua mãos tremiam quando ela abria devagar a tampa do baú.


Levou a mão para dentro da caixa e retirou dela a primeira coisa que viu: Um relógio de bolso dourado, não pensou duas vezes em abri-lo e se deparar com uma pequena fotografia sua na cor preta e branca. Fechou rápido a tampinha do pequeno relógio e o colocou delicadamente em cima de sua cama, para logo após levar novamente a mão para dentro do baú.


Desta vez retirou um pequeno pano dobrado perfeitamente em forma de um pequeno quadradinho e novamente não pensou duas vezes para abrir. O que ele tanto guardava no pequeno bano rasgado era sua aliança. Observou o pequeno circulo entre seus dedos, Sasuke sempre teve orgulho de usa-la, novamente deixou um pequeno sorriso triste escapar.


Colocou a aliança com extremo também em cima da cama e esticou o pequeno bano e somente aí notou que o pequeno objeto circular estava guardado pelo símbolo do Clã Uchiha. Aquele pano era um pedaço de uma das blusas de Sasuke.


Assim com antes, embrulhou a aliança com o maior cuidado a deixando como estava.


As últimas coisas que pegou de dentro do pequeno baú foi envelopes, contou e no total foram três, somente três envelopes... Talvez três cartas? Todos escritos explicitamente 'Para Sakura', a moça não deixou de reparar que estavam numerado.


Sakura leu e releu seu nome nos envelopes várias, e várias vezes. Não tinha qualquer dúvida de que aquela era a letra de seu amado; Ela queria ler, queria tanto saber. Não havia nada ali que a impedia de abrir e ler todo aquele conteúdo, mas então porque não fazia?


'Sasuke, eu estou com medo'- Tais palavras não parava de se repetir em sua mente.


Mordeu os lábios, passou a mãos nos cabelos e finalmente tomou uma decisão: As guardou novamente no báu, junto com o relógio de bolso e a pequena aliança, e após trancar o objeto dourado, ela o guardou de baixo da cama. Já ao colar, ela o guardou rápido e delicado de volta em sua caixinha aveludada, e o escondeu novamente na última gaveta.


'Covarde.' — Xingava-se mentalmente enquanto saia do quarto, odiava saber que sua mente estava correta. Era sim uma mulher covarde, estava com medo e tinha medo de ler quais palavras Sasuke ousou escrever, tinha medo do que iria ler, do que ele havia escrito para ela, ela e somente ela. O queria de volta e o único motivo para temer tanto era que uma parte de sua mente mantinha a ativa de que ele não iria mais voltar, no entanto o sentimento que sentia por ele era tão grande que a fazia voltar a acreditar que um dia o veria novamente, que ele entraria por aquela aquela porta e iria abraça-la tão forte, tão forte e iria dizer em seu ouvido que estava de volta.
Reparou que estava chorando, chorando no meio do corredor. Tentou então, limpar as lágrimas de seu rosto o mais rápido que pode, não queria ser vista chorando. Tratou de ir ocupar a mente, e decidiu fazer o jantar mais cedo naquele final de tarde


Sua pequena Sarada insistiu em chamar seu novo amigo Hospede para comer. Sakura alego que Naruto poderia estar dormindo, mas a menina não deu muito ouvido a sua mãe e em poucos minutos, ela desceu as escadas segurando e arrastando o rapaz loiro para a sala de jantar. Mesmo com um braço apenas, Naruto insistiu em ajudar a arrumar a mesa para a janta e com muita relutância, Sakura se deu por vencida.


Estavam agora jantando, ouvia sua pequena Princesa sorrir e conversar animadamente com o novo amigo, e tentava ao máximo responder alegremente quando ela lhe perguntava algo.


Naruto sabia que ela havia aberto o baú que lhe entregou e também sabia que as coisas dentro do mesmo a deixavam chateada, ele nem precisava perguntar para saber, pois conhecia sua amiga a muito mais tempo e ironicamente a mais tempo até que Sasuke. E tal como seu grande amigo, eles se conheciam, ambos os três e bastava apenas um gesto para notarem que algo estava errado. Sempre foi assim, desde quando eram pequenos.
Ao terminarem de jantar, Sakura lavou e secou todos os porcelanatos e talheres que usaram, Naruto sentiu-se incomodado, pois ele havia sujado coisas também e quando tentou ajudar acabou levando uma grande bronca da moça dos cabelos rosados, ela alegou que ele era visita e que não havia necessidade de fazer quaisquer coisa para ajudar e sua segunda opção de defesa para faze-lo ficar quieto no sofá foi: Você ainda está se recuperando e estas loucamente enganado se achas que vou permitir que faça algo aqui, não se esqueça que acabou de sair de um campo de batalha.


Como ele podia contestar? Não ousou descutir com ela, mas sorriu, pois novamente o fez lembra sua época de infância, onde os três encontravam-se para brincar e quem dava a última palavra sempre era Sakura. Nem Naruto quando Sasuke ousava debater, para eles, Sakura era a princesinha, ambos se pegaram apaixonados por ela e até certa idade o sentimento continuou para Naruto, até conhecer Hinata Hyuga. Mas Sasuke, o jovem Uchiha jamais mudou seu sentimento pela jovem, na verdade a cada dia a amou mais.


Naruto gargalhou baixo ao lembrar como seu amigo Teme ficava bobo quando via Sakura, isso já quando tornaram-se adolescentes. Nunca tinha visto um Uchiha tão bobo apaixonado e ciumento como Sasuke, chegando até a arrumar brigas de tanto ciúmes que sentia pela moça.


Enquanto secava os delicados porcelanatos, os olhos verdes de Sakura levantaram-se para observar o céu pela janela da cozinha. Já havia anoitecido, e era possível ver alguns pontos claros em toda aquela imensidão escura do céu, ela se perguntava se Sasuke realmente havia partido e se tornado uma grande estrela. Sua precisa estrela protetora.


Pensar nele era doloroso demais, era sufocante e vinha em sua mentes mil e uma pergunta. O fato de ter sido levada as presas para longe por ele, ela via a preocupação em seus olhos e quando pediu explicação tudo que o ouviu dizer foi: "- Confie em mim, eu irei protege-la", no final se juntou ao seu próprio exército e antes de partir a última coisa que disse a ela foi um pequeno obrigado. Não pôde fazer nada para impedir, ficou agitada e se lembrava bem em tê-lo agarrado pedindo para que não fosse, depois, lembra-se apenas de ter acordado em uma cama que não era sua, e ele já havia partido.


Alguns minutos haviam se passado, Naruto agradeceu pela comida e pediu licença para descansar, Sakura sabia que ele ainda deveria estar sentindo algumas dores em seu corpo, então o desejou apenas boa noite. Caminhou com sua pequena Sarada para o andar de cima e ajeitou a cama da mesma, para depois colocá-la delicadamente ali. Sentiu a pequena mãozinha dela segurar seu pulso e chamar a atenção de Sakura para ela.


— Está tudo bem? — Sakura perguntou baixo, sorriu quando viu a pequena apenas balançar a cabeça. Se deitou com ela e a abraçou.


— Mama?...


— Sim?


— Porquê a senhora sempre fala com o papa? — Essa pergunta a surpreendeu. Sakura sentou-se na cama e olhou para sua filha.
— Bom... Isso...


— Ele já respondeu a senhora alguma vez?


— Não...


A menina sorriu. — Tudo bem! Ele nunca me respondeu também.- voltou a se deitar e abraçar seu pequeno urso de pelúcia. — Boa noite, Mama.


Os olhos de Sakura observava o rosto sereno de sua filha, todos os traços pareciam perfeitamente com os dele. Sarada era uma pequena miniatura feminina de Sasuke.
A jovem mãe sorriu. — Boa noite, querida. — Apagou a lamparina ao lado da cama de Sarada e saiu do quarto silenciosamente, foi para seu quarto, lavou-se e deitou em sua cama, porem sem qualquer desejo de dormir. Sentia que sua mente não estava em paz, na verdade ela nunca esteve, depois de cinco anos sem notícias de Sasuke, depois de cinco anos sem ter qualquer comunicação, mesmo quando ela o procurava.


... Então, porquê somente depois de cinco anos?


"- Ele me pediu para entregar a ti e disse que todas as suas dúvidas iriam ser esclarecidas com o que havia dentro" — As palavras de Naruto pareciam uma flecha acertando seus pensamentos.


Levantou-se rápido de sua cama, agachando-se ao chão e esticando a mão para de baixo da cama, puxou o baú dourado para perto de si. Ao pegar, tratou de coloca-lo novamente em cima da cama para logo depois sentar ao seu lado. Correu novamente até a última gaveta de sua escrivaninha pegando novamente seu colar.


Desta vez, não pensou duas vezes para abrir o pequeno baú dourado, não demorou para retirar de dentro do mesmo o pequeno relógio, o pedaço de pano com o símbolo Uchiha que embrulhava e guardava a aliança e finalmente as cartas. Fechou o baú e o colocou no chão, procurou a carta escrita "Primeira", quando achou, a pegou e sem pensar duas vezes a abriu rápido.

"Querida Sakura,


Nem sei por onde começar, mas gostaria de me desculpar com você por tê-la deixado, eu sei, fui o pior ser ao fazer tal ato, mas quero que saiba meu desejo mais profundo era, de todo meu coração poder nunca sair de seu lado. Também quero me desculpar por não ter sido totalmente honesto sobre meu verdadeiro trabalho, só queria mantê-la em segurança, não sabe quantas vezes desejei contar tais segredos a você e não podia. Mas alguns dias nesse campo de batalho, o único motivo que me fazia ficar longe, eu percebo que talvez não haja uma próxima chance, que talvez eu não volte a ver seus sorriso, seus grandes olhos verdes e seu cabelo, então lá vai: Eu era membro de uma organização secreta chamada AMBU, nosso dever era proteger e manter a paz entre as nações com o tratado de paz, mas uma nova organização apareceu, uma organização chamada Akatsuki. Era um inimigo poderoso e mesmo assim conseguimos por certo tempo elimina-los e manter a paz.


Assim, eu pensei que poderia ficar e viver com você, talvez eu tenha cantado vitória antes da hora, ninguém iria prever que eles planejavam algo em total silêncio e quando o ataque começou a única coisa que pensei foi em deixa-la segura. Sakura, você tinha que viver. Você foi, é e sempre será a pessoa mais importante para mim, eu daria minha vida por você sem pensar duas vezes e foi isso o que eu fiz.


Quero que sabia que os dias sem você se tornaram anos, eu já não enxergava mais as cores do arco-íris, tudo que via em meus olhos era o vermelho, o vermelho do sangue de meus inimigos e de meus aliados. O cheiro do sangue deles já negava-se a sair de meu nariz e a imagem de amigos próximos serem aniquilados sem piedade virou uma cena da qual se repetia várias e várias vezes em meus pensamentos. Em todas as vezes eu imaginava você, eu, nós em um dia fatídico, passeando na praça ou até mesmo deitados sem fazer absolutamente nada, apenas aproveitando o maravilhoso momento entre nós, pensar em ti me acalma e me da forças para continuar. Sentir o calor de seu abraço é o que mais desejo neste momento e o gosto doce de seu beijo é algo que eu almejo tanto. Ah, Sakura, como sinto sua falta.


Um dia desses eu vi um campo de cerejeiras e por um instante pude ser novamente o cheiro de sua pele, meu coração sentiu-se aliviado por sabe que estava agora em segurança. Eu roubei uma pequena flor e a carreguei comigo, criei em minha mente que assim eu estaria sendo protegida por você, o meu tão amado anjo.


... Anjo;


Isso faz-me lembra quando eu a vi pela primeira vez, lembro-me de perguntar ao Itachi se você era um anjo. Como podia ser tão linda? Naquele dia você trajava um vestido vermelho e um laço preso em seu cabelo estranhamente cor de rosa, no final da trança de lado; Lembro-me de não conseguir para de olha-la e lembro-me também de sentir-me irritando, já que eu estava te observando a horas e você nem havia se quer notado minha existência.


Enquanto Itachi tentava me treinar um pouco a cima da montanha, você lia um livro a baixo de mim, naquele campo com aquelas flores brancas. Você estava deitada de barriga para baixo e as mãos apoiando o rosto, lembro de que naquela época fez-me sentir ciúmes. Como tinha a audácia de deitar ali, completamente despreocupada e ficar totalmente entretida naquele monte de palavras? Você foi a primeira garota que me ignorou e eu não gostei, mas quis saber mais sobre você. Algum tempo depois, quando nos tornamos amigos eu lhe fiz reler todo aquele livro para mim. Você lembra? E mais uma vez você tinha razão, ele era excelente e me fez adorá-lo ainda mais com a sua voz. Sua doce voz. No dia em que eu lhe vi pela primeira vez Itachi me deu um tapa na cabeça, me chamou a atenção e disse que depois eu poderia ficar 'babando por você', depois daquilo ele sempre me irritava quando via você passar seja lá onde fosse.


Na segunda vez em que eu lhe você usava um vestido azul escuro e uma mochila, era o uniforme da Academia de Konoha, somente crianças com um dom para algo ou super dotadas conseguiam entrar ali, mas isso não me surpreendeu, eu já sabia que você era super inteligente. Você passou por mim e naquele momento sentir meu corpo todo travar, você passou de cabeça baixa, lendo alguma coisa e novamente nem reparou minha existência ali. Comecei a achar que além de super inteligente você era também uma menina muito irritante. Sua mãe gritou "Sakura" e chamou sua atenção, ela pegou em sua mão e a levou para dentro da academia.
Naquele dia soube que jamais esqueceria seu nome, não pelo fato de que combinava e ainda combina perfeitamente com você, mas também minha mãe tinha uma árvore de cerejeira no jardim dos fundos, seus cabelos estranhos me veio na mente, mas agora eu já não achava ele tão estranho assim. Eles eram lindos, depois daquele dia eu senti uma grande e irritante vontade de toca-los, mas jamais admitiria para alguém. Somente agora e só para você, claro.


Passaram-se alguns dias, o treinamento com Itachi ficou mais longo, já que eu estava "desenvolvendo" minhas habilidades rápido demais. Então, em um dia de descanço eu sai e andei pela cidade, não sabia porque, mas sentia uma vontade enorme em vê-la mesmo que de longe e você nem notasse a minha presença. Finalmente eu tinha lhe visto, naquele dia você trajava um vestido verde claro e um laço branco no cabelo, ele prendia sua franja para trás. Eu vi quando você sorriu, mas fiquei irritado quando notei Naruto ao seu lado e fiquei ainda mais irritado ao vê-lo sorrir também. Como você podia sorrir e andar com aquele perdedor? Eu fui embora muito bravo naquele dia e passei a noite toda pensando em como mudar isso. Sim, eu queria afastar vocês, então eu tive a brilhante ideia de entrar na Academia, só para ficar de olho em você. Eu entrei fácil por ser uma criança habilidosa com quase tudo, eu fiquei na mesma sala que você e aquele idiota do Naruto, mas naquelas circunstâncias vocês já eram amigos e até sentavam juntos.


Eu me apresentei para a classe no intuito de chamar a sua atenção, e quando você me olhou eu percebi como seus olhos eram incrivelmente verdes e perdi totalmente a habilidade de dizer algo. No final tudo que saiu de minha boca foi "Sasuke Uchiha", talvez você tenha me achado esnobe porque eu reparei a revirada de olhos que você fez, e depois daquilo você não me olhou mais. Eu tinha sido estúpido eu sei, mas eu não havia desistido ainda.
No final da aula eu esbarrei propositalmente em você, eu derrubei meus livros no chão porque queria ter a certeza de que mesmo depois de pedir desculpas e ver você sorri para mim enquanto recolhia seus livros e dizia "Não tem problema", Sakura, eu queria ter certeza de que iria falar comigo de novo, então enquanto você não olhava eu troquei um livro meu com o seu, quando nos colocamos de pé eu reparei que você era menor que eu, mesmo ambos sendo crianças e por conta disto lhe apelideu " Pequena Cereja". Você se tornou minha pequena primeira e única obsessão.


Alguns dias depois você me perguntou sobre um livro que havia sumido, alegou que estava lendo e gostava bastante dele. Era o livro que eu lhe fiz ler para mim.


Nos tornamos tão próximos depois disso, e a cada dia a mais que passava eu desejava ser mais próximo possível de você... E de Naruto também. Eu acabei descobrindo que aquele loiro maluco era uma boa pessoa e não era tão estúpido quanto eu pensava.


Lembro quando tínhamos quinze anos e seu corpo começou a mudar. Eu acabei virando um adolescente tarado por você — mais do que ja era — e na maioria das vezes me pegava olhando para seus seios. Eles pareciam caber perfeitamente em minhas mãos. Claro, que anos depois eu descobri que essa minha teoria estava completamente correta.


Lembro-me também quando brigamos pela primeira vez, eu fui extremamente rude, e em meu ponto de vista eu estava certo porque não queria vê-la falando com outros caras aproveitadores... Outros caras — Juugo, Kiba, Neji, Shikamaru-, ficamos quase duas semanas sem nos falar e eu sentia que a qualquer momento iria explodir e dando o braço a torcer por você, eu pedi desculpas. Eu estava te amando e acabei dizendo, eu achei que você iria me rejeitar-me, mas você me abraçou e me beijou. Naquele dia eu soube duas coisas: Eu jamais conseguiria ficar muito tempo longe de você, e além de super inteligente e muito irritante você, Sakura era também a única pessoa que me fazia engolir meu maldito orgulho. Depois eu descobrir que os caras que eu impliquei tanto eram caras legais, assim como o baka do Naruto. Claro que eu só parei de competir sua atenção com aquele loiro escandaloso quando o mesmo me disse que estava namorando as escondidas com Hinata Hyuga... Quem iria imaginar? Eu não. E você, Sakura? Eu acho que você sim, você sempre foi boa em raciocinar rápido.


Hoje, sentado aqui na torre de vigilância escrevendo essa carta eu notei que nunca tinha dito tais coisas a você. Eu ainda não suporto a ideia de ficar longe de você, mas como citei a cima, me conforta saber que estas em segurança; Lutar por você. Esse é o único motivo que me faz ficar, é você. É só você, Sakura, pois você é a pedra mais preciosa nesse mundo para mim e tal como um cara obsecado, meu desejo é protege-la o máximo que eu puder e aguentar o extremo, tudo isso somente para que você viva.


... Pois você é a minha vida, Sakura. Então se você viver, eu vou viver também... Nunca, nem por um segundo se esqueça isso."

Ela não havia percebido que chorava até terminar de ler a primeira carta. Algumas gotas de lágrimas pingaram no papel apoiado em cima da cama, tratou de seca-las o mais rápido que pode e mesmo assim algumas ainda teimavam a cair. Passou uma das mãos no cabelo, jogando-os para trás, estalou alguns dedos. Travava uma terrível batalha contra sua própria mente para saber se abriria ou não as outras cartas.


Depois e alguns longos minutos ela finalmente chegou a uma conclusão: Estava perdendo tempo sendo covarde. Então tratou de pegar a segunda carta e abri-la com rapidez.

"Oi Irritante,


Como você está?


Eu estou bem na medida do possível...


Hoje completa exatamente três ano que eu não vejo seu rosto, Sakura. Que eu não sinto o seu cheiro, nem ouço sua voz. Depois da última carta que lhe escrevi e que você não sabe e nem leu, ainda, descobrimos ter um traidor entre nós. Alguém que era próximo o suficiente para saber nossas fraquezas e ponto fraco, as coisas ficaram ruins para nós e eu achei melhor para com as palavras, mesmo sabendo que não seriam enviadas a ti tão cedo. Alguém poderia notar que eu lhe escrevo secretamente, que você é o meu tudo e minha, minha força e fraqueza. Portanto, quero me desculpar novamente.


Sem você os dias parecem não passar e a cada momento eu penso que estou preso em um enorme relógio quebrado, um lugar onde ninguém possa me ver ou me ouvir. Na dor do meu silêncio você era a única que sempre soube o que eu senti, mesmo sem eu ter que dizer uma palavra se quer e eu nunca vou para de escrever que sinto sua falta, por que eu sinto.


Depois que finalmente descobrimos o traidor, somente depois disso, eu soube que finalmente poderia compartilhar com você meus pensamentos e também meus sentimentos. Alguns dias atrás eu e Neji estávamos fazendo a ronda quando começou a chover, me fez pensar mais ainda em você e como meu coração se despedaçou na noite em que me implorou para ficar. Eu deixei-a dormindo e quando estava no meio do caminho começou a chover, agradeci, pois assim ninguém viu meu maldito orgulho ser quebrado em pedaços e algumas lágrimas escorrerem em meu rosto, juntando-se com as gotas grossas da chuva.


Que droga!


As vezes imagino a cena de você lendo minhas cartas e todas a vezes que imagino tal coisa, te vejo chorando. Te conheço tão bem que mesmo que eu peça agora: Sakura, não chore, você vai chorar. Vai chorar porque está quebrada, eu quebrei seu sentimento quando lhe deixei. Eu jamais me orgulharei disto, mas por favor, Sakura, seja forte. Seja forte por você, por mim, por nós.


Eu não posso contar, mas vou mesmo assim. Algumas horas trás estava em uma pequena sala interrogando um membro de Elite da Akatsuki, eu tive que bater muito nele e no final ele morreu sem dizer qualquer palavra. Depois disso fomos para o campo de batalha, fiquei na linha de frente com Naruto e Neji e durante o bombardeio me distrai por um segundo e vi a morte de perto. Neji me salvou, Sakura ele deu sua vida pela minha. Eu vi um grande amigo morrer bem na minha frente e ele sorriu e me chamou de amigo. Eu ainda levei seu corpo morto para a base e concordamos em enterra-lo.


Naquela hora eu não chorei, mas quis.


As vezes, perco a gravidade do tempo, não fico lúcido e sim transparente. As vezes vejo as coisas e pessoas a minha voltar andar e se mexerem em câmera lenta. Queria que pudesse me dizer o que fazer, agir e falar, daquele modo carinho que você sempre fazia. Não sinto orgulho em escrever-lhe que a queria aqui do meu lado só para me dar forças das quais a cada dia estou perdendo, mesmo tentando ao máximo. Sakura eu não posso decidir por você, não posso dize-la que o mundo bom, porque não é, eu queria poder dizer-lhe para seguir em frente e viver uma vida, ter filhos, ter netos e ser feliz. Droga! Eu sou egoísta, Sakura, eu sou egoísta e eu sei disso.
Então por favor, se não puder mais me amar, peço que tenha fé em mim e acredite que conseguirei o impossível. Olhe para o céu, este céu que estas em cima de sua cabeça é o mesmo que estas em cima da minha, é algo tão impenso, puro, real. Mesmo não podendo tocá-lo nós sabemos que ele está lá, é assim meu amor por você. Ele nunca vai desaparecer.


Tudo que eu desejo é correr até ti e abraça-la, de Janeiro a Janeiro. Até o fim de nossas vidas.


Durante uma missão, enquanto eu estava camuflado esperando colocar a minha parte do plano em prática, ao meu lado um pequeno pássaro caiu, eu olhei rápido para cima e vi um ninho, mas eu não poderia pega-lo e colocá-lo de volta. Como você fez uma vez.
Você lembra? Eu sim!


Tínhamos o quê? Onze? Doze anos? Como sempre você ficava entretida fácil em qualquer livro que te dessem. Naruto, aquele idiota comia como se não houvesse amanha e eu, bom eu ficava observando cada detalha de seu rosto e cada gesto insignificante que fácil. Tudo isso o mais discreto possível, claro. Foi nessa hora que o pássaro caiu, eu vou ser honesto, não perderia tempo subindo em uma árvore idiota para colocar um passarinho de volta em seu ninho, mas você fez. Subiu e o colocou de volta em seu devido lugar. E confesso que se soubesse que aquele ato lhe agradava, eu teria feito. Somente para chamar sua atenção e conseguir algum crédito com você.


... Naquela época eu ainda competia com Naruto.


Eu descobri que por você fazia coisas que por mim mesmo, eu não faria. Descobri que mudar por alguém era estranho, era algo novo para mim. Eu nunca tinha sentido aquilo antes, mas quando se tornou minha namorada eu notei que mudar era bom, e eu mudaria se fosse por você. Eu me tornaria uma pessoa melhor, somente por você, Sakura. Sempre foi assim.


Quando se tornou minha namorado eu soube que aquele negócio estranho que eu sentia toda a vez que beijava seus lábios, ou quando te abraça, ou até quando lhe via mesmo, aquele sentimento era o tão chamado Amor. E eu gostei de senti-lo, gostei por que era você quem eu amava e continuo a amar, e eu vou te amar por toda a Eternidade.


Eu não sei quanto tempo esse conflito vai durar, mas eu olho para o céu e penso que um dia as coisas vão melhorar e a paz vai viver novamente entre nós.
Aqui agora, são quase meia noite. Que horas são aí, Sakura? É dia? Noite? Está chovendo? Faz Sol? O que estava fazendo antes de ler esta carta? Queria que pudesse responder-me, queria que tudo fosse diferente. Então eu penso que se tudo fosse diferente, se tudo tivesse ocorrido de um modo diferente, eu não estaria aqui longe de ti, talvez eu estivesse aí onde você está. Então cheguei a uma conclusão: eu realmente queria que tudo fosse diferente.


Eu me apaixonei por você quando estávamos juntos, e me apaixonei ainda mais quando nos separamos. A distância não é um oponente forte para nosso sentimento.
Você fez de mim uma pessoa melhor, uma pessoa humilde e responsável. Sakura, você me moldou com seu amor, carinho e atenção e eu sou grato a isso, você não tem ideia do quanto sou grato minha doce e eterna pequena Cereja."

Sakura se lembrava de ter aberto a terceira e última carta, fechou os olhos para se recompor psicologicamente, e talvez de tanto chorar, a jovem mãe dos cabelos rosados acabou pegando no sono com a terceira carta ainda não lida em sua mão.


Sentiu-se incomodada com o clarão atingindo seu rosto. Com a cabeça um tanto dolorida, Sakura sentou-se na beira de sua cama; Coçou os olhos. Droga! Eles estavam ardendo, talvez a culpa seja de ter chorando tanto.


A imagem de Naruto veio a sua mente, fazendo a moça levantar-se com rapidez. Ele não havia partido ainda, certo? No final descobriu que se desespero por não estar na hora em que ele partisse foi em vão. Naruto ainda dormia como uma anjo em um dos quartos de hóspede, mas ele era como um anjinho porco que roncava demais.
Preparou o café da manhã para Naruto, e preparou também um lanche para sua viagem. Não queria que ele passasse fome, mesmo sabendo que a Cidade da Névoa não se encontrava tão perto de onde eles estavam.


Sakura não tinha qualquer vestimenta masculina, até porque, Sasuke partirá antes da mesma ter chegado a está casa, então tratou de correr para o centro da cidade e comprar roupas novas para Naruto. O loiro ficou sem jeito, mas aceitou o presente com muito gosto. Pagou duas vezes mais ao seu cocheiro para que o levasse até a Cidade da Névoa com total conforto e cuidado, Naruto resmungou algo, dizendo que tudo aquilo era exageiro demais, mas não para Sakura. O loiro sorridente era seu melhor amigo e fazia de tudo o que estivesse ao seu alcance para que ele ficasse bem.


Na hora de partir o loiro despediu-se da pequena Sarada, e antes de dizer qualquer coisa, sua amiga dos cabelos rosados o puxou para um abraço, Naruto não lembrava dela ser tão carinhosa assim, mas não pode negar que gostou. Sakura era uma pessoa muito importante para ele, era sua melhor amiga e uma pessoa em quem confiaria sua própria vida. Pensou agora e pode notar que nunca agradeceu a ela por ter sido sua amiga desde criança, e de certo modo por ter colocado Sasuke em sua vida também. Mesmo sabendo que o moreno havia tornado seu "Amigo" somente por cíumes que sentia de Sakura.


Ele a abraçou forte. — Obrigado. — Agradeceu. Sakura desejo a ele tudo de bom, desejo toda a alegria e saúde, ele merecia. Em retribuíção recebeu pequenas gostas de lágrimas teimosas que escaparam dos loiros azuis de Naruto.


Sakura sorriu, — Aqui está, Naruto. Caso tenha fome. — Entregou ao seu amigo loiro uma cesta de tamanho médio. — Mas isso não irá durar por toda a viagem, então leve isto também. — Desta vez, lhe entregou um pequeno bolinho de dinheiro. — Caso queira comprar algo.
— Não quero seu dinheiro, Sakura-chan. — Tentou afastar as pequenas mãos de Sakura.


— Eu sei, mas se não levar me deixará ainda mais preocupada contigo.


— Tudo bem então. — Com muita relutância ele pegou o pequeno bolo de dinheiro.


Observou a carruagem o levar até o final da rua, então os perdeu de vista no meio de todas aquelas montanhas.
A verdade é que quando acordou naquele quarto desconhecido e sem Sasuke por perto, ela não poderia imaginar, mas antes de partir ele deixou para ela toda a riqueza que possuía. Tudo para que ele não passasse necessidade.


Aquilo a fez lembrar da terceira carta que mesmo abrindo, Sakura não chegou a ler. Então antes de entrar para sua casa, lembrou-se de trancar os grandes portões e assegurar a segurança dela e de principalmente sua filha. Subiu rápido os degraus da escada e logo chegou ao quarto, seus olhos automaticamente foram para sua cama, e lá estava ela do jeito que a havia deixado. Tratou de pegar o papel rapidamente.

" Irritante..."


Desapontada, olhou o verso da folha e tal como a frante, não encontrou nada. "Irritante" era tudo o que encontrava em todo aquele papel. Seu coração se apertou, veio em sua cabeça o pensamento de que ele havia morrido exatamente aquele momento em que lhe escrevia.
Mordeu seus próprios lábios, sentia novamente a maldita vontade de chorar.


Ficou em parada no centro de seu quarto por alguns minutos pensando no que deveria fazer, sentia-se com a necessidade de respondê-lo, mas como? De qualquer modo tinha que se despedir de Sasuke.


Sakura abraçou seu próprio corpo, olhando a carta ainda em sua mão teve uma pequena ideia de respondê-lo com palavras, e assim o fez. Caminhou até sua escrivaninha e pegou uma caneta e um pequeno caderno, sentou da cadeira e colocou os objetos em cima da mesinha, finalmente alinhou-se para escrever.

"Querido Sasuke," — começou. — "Tenho tantas coisa para lhe contar, mas primeiro gostaria de agradecer. Sei que perdi a chance de fazer isso e perdi as outras também, na verdade eu só não queria acreditar que depois de cinco anos eu havia lhe perdido para sempre. Mesmo assim, aqui estou, e lhe agradeço por tudo que fez por mim, por ter me amado, por ter me salvado. Por tudo. Gostaria que soubesse que senti-me surpreendida com a herança que me deixou, eu nunca quis o seu dinheiro, e mesmo ter-mos fugido as presas você ainda pensou em tal coisa. Tudo para me deixar confortável.


Em todas as suas cartas e tudo o que disse sobre lembrar cada detalhe e cada coisa que eu fiz, assim como você, eu lembro também. Como eu poderia esquecer seus ataques de ciúmes? Confesso que gostava, também não posso esquecer-me de todas aqueles vezes que salvou a minha pele ou mentiu para me acobertar de algo que você sabia ser errado. Você citou "Anjo", mas você é que sempre foi o meu anjo, sempre foi você, Sasuke que esteve comigo e me protegeu. Sempre.


É irônico você saber que eu estava chorando enquanto lia suas cartas e você ainda me pedir para não chora; Enquanto estávamos fugindo você me pediu para confiar em ti, me pediu também para ser forte. Eu disse que tentaria ser, e tentei, por fora, mas por dentro eu estava com tanto medo como uma garotinha sem a mãe. Se passaram cinco anos, e em todo esse tempo eu nunca deixei de pensar em ti e rezar por suma alma. Nunca, Sasuke.


Eu sinto tanto a sua falta que chegar a doer.


Ah!...


Nós temos uma filha, o nome dela é Sarada. Coloquei esse nome nela porque lembro-me de uma vez, perguntar a ti qual nome daria para seus filhos. Claro que na hora você não me respondeu, mas quando me viu deitada na cama e pensado que eu havia pegado no sono respondeu-me doce e suave "- Se for menina eu daria o nome de Sarada e menino, que tal um pequeno Itachi? Em homenagem ao meu irmão, aquele idiota". Eu me lembro disto como se fosse hoje, e naquela hora eu não disse nada, apenas o abracei.


Sarada tem cinco anos, foi irônico e doloroso saber que descobrir estar esperando um filho seu dois meses depois de sua partida. Você iria ser um pai coruja, já que ela herdou todos os seus traços, cor de olhos e cabelos e até mesmo sua personalidade. Mesmo criança ela é inteligente e as vezes diz e faz coisas como uma adulta, ela realmente é muito parecida com você. Eu queria que soubesse, que visse minha barriga crescer e que estivesse aqui comigo na hora do parto. Assim como você, eu queria que tudo fosse diferente.


Não posso esquecer de lhe dizer sobre Naruto e sua vinda até nossa casa, ele estava bem... na medida do possível. Eu fiz ele descansar e comer bastante, o loiro ainda é sem modos para dormir. Ele me disse que estava a procura de Hinata, assim como você ele deu sua vida pela pessoa que amava, e eu fiquei feliz em poder ajudar e dizer a ele que talvez ela estivesse acomodada na Cidade da Névoa.


Nos dias de Sol eu sempre lembro da primeira vez que saímos juntos, tínhamos oito anos e fomos até a biblioteca, eu lembro de ter rasgado a folha de um livro por ter gostando do desenho que o mesmo possuía, lembro ainda mais de sua expressão perplexa quando me viu fazer tal ato. Você sempre foi um menininho muito certinho, mas eu gostava, assim como lhe ensinei coisas novas, você também me ensinou várias coisas também, Sasuke. E quando é noite, e o seu está estrelado, eu olho para cima e penso que você está lá me olhando, olhando a Sarada e nos protegendo


Eu sempre falei de você para nossa filha, eu contava e ainda conto histórias suas e agora ela te chama de super heroí. Não posso negar que de certo modo você sempre foi, antes mesmo da guerra e depois. Herói, nosso super Herói protetor.


Mas eu sinto muito, sinto muito pelos planos do destino serem tão baixo, sinto muito por não podermos ficar juntos e tampouco perto um do outro, sinto muito fazê-lo me abandonar, sinto muito por não ter conhecido sua filha. Sasukes, foram cinco anos de silêncio, cinco anos que me deixavam cheia de perguntas, e mesmo com tantas dúvidas eu nunca deixei de te amar. Eu só quero que sabia que jamais esquecerei seu olhar, seu sorriso, seu cheiro, tudo que se refira a você, Sasuke. Eu jamais vou esquecer nossas noite juntos, quando fazíamos amor, ou até mesmo quando bagunçávamos. E onde quer que esteja eu vou ao seu encontro, mesmo que demore dez ou mil anos, eu sempre encontrarei você, assim como você sempre, de algum modo voltará para mim. Eu te espero por toda a Eternidade, meu querido.


Eu te amei por mil anos... E te amarei por mais mil. Será assim, até o Mundo acabar, e não vou dizer que isto é uma despedida porque é doloroso demais pensar assim. Então, não deixe de comer bastante sopa de Tomate, está bem?"
Respirou, tentando conter as lágrimas que mais uma vez teimaram em sair de seus olhos.


Sakura dobrou o papel, pegou em sua gaveta um velho envelope e o guardou. Fechou com um pequeno selo, seus olhos não desviam do pequeno e velho envelope em suas mãos, mas já estava na hora de seguir em frente.


— Mama?... — Despertou de seus pensamento com a pequena mão de Sarada puxando o tecido de seu vestido. Sakura para a pequena e sorriu.


— Querida, vamos a um lugar?


— Vamos visitar o Papa?


— Sim... — Ao responder, pôde ver o sorriso da pequena. Sarada não sabia, mas na lápide bem detalhada carregando o nome "Uchiha Sasuke", e o caixão, não haviam nada. Ele não estava lá, era apenas sentimentos e palavras.


Seu cocheiro não estava. Havia partido minutos antes com Naruto, mas graças a Sasuke, Sakura sabia cavalgar e com sua pequena princesa foi para um lugar não tão longe de sua casa. Suna era quente e quase não havia árvores, mas havia um local dentro de uma caverna onde as pessoas faziam pedidos e enterravam caixões vazios para despedirem-se daqueles não conseguiram voltar. Não era um cemitério, estava mais para um santuário.


O local não era escuro, e nem se quer dava medo. Era claro e bem cuidado, havia um pequeno templo onde as pessoas paravam para rezar. Sakura viu sua pequena Sarada correr para esse templo, assim como as outras, para rezar. A jovem mãe não questionou este ato da menina.


Sakura caminhou pela pequena trilha feita por pedras até chegar a lápide com o nome "Uchiha Sasuke" decorado com letras lindas e trabalhosas. Umedeceu os lábios.


— Oi, Sasuke!... Isso é estranho. Eu nem sei o que dizer, mas, saiba que seus pensamentos estarão seguros comigo. Eu prometo. — Deus alguns passos para frente e ajoelhou-se, segurou o envelope com seus lábios e agora com as duas mãos livres, Sakura começou a cavar e fez um pequeno buraco em frente a terra onde encontrava-se a lápide de Sasuke. Pegou a carta de sua boca e colocou no pequeno buraco, para logo após cobri-la com a terra que havia retirado antes.


Ao terminar, levantou-se e bateu as mãos para retirar o excesso de poeira e terra, bateu também a barra de seu vestido. Olhou uma última vez para a lápide e sorriu. — Tchau, Sasuke. — disse apenas.


Sarada, após terminar sua pequena reza correu sorrindo para encontrar-se ao lado de sua mãe. Sakura disse para sua pequena princesa para que se despedir-se de seu pai, e assim a menina fez pegando na mão de sua mãe, as duas caminharam para fora.


Sakura colocou a pequena em cima de seu cavalo para logo após também montar no mesmo, cavalgaram de volta para casa.


Se afastou do pequeno Santuário. — Para sempre, querido. — sorriu por fim. Agora, sua mente e sua alma estavam em Paz. E assim ficaria, durante mil anos e depois mais mil. Um começo para o caminho da Eternidade.

*-*

Três Meses Depois

Ele desejava tanto abri os olhos. Porquê estava sendo tão difícil? Sentia seu corpo pesado, sentia dores. Será que já estava morto? Negou, jamais partiria sem se despedir dela; Não faria isso duas vezes.
Respirou fundo e novamente tentou abri seus olhos, desta vez com sucesso, mesmo enxergando tudo embaçando. Finalmente, após alguns minutos sua visão voltou e assim ele conseguiu analisar bem o local em que estava. Era um quarto improvisado com alguns remédios, mesmo assim não sabia onde estava e sentiu-se irritado quando não reconheceu o lugar.
Olhou para a porta ao ouvir passos rápidos, quando a mesma foi aberta mostrou-se Juugo, o dono dos passos parecia surpreso e alegre por vê-lo acordado.
— Sasuke-Sama... — Foi tudo o que seu aliado disse.


— Onde eu estou?


— Na vila do Som. — Juugo respondeu calmo. Sasuke apenas concordou com sua cabeça. Não queria se mover muito, pois até mexer a cabeça lhe causava dores.


— Acabou? — perguntou Sasuke, referindo-se a guerra.


— Sim! Acabou, senhor.


— E Sakura?


— Ela está bem. — Desta vez não foi seu aliado Juugo quem disse, mas seu amigo Naruto. — Você é mesmo um vazo ruim, Teme.


— Você é um idiota. — O xingou de volta fazendo Naruto rir.


— É bom vê-lo também... Mas, desta vez eu pensei que...


— Eu sou mais forte que pensa, Naruto. Você não deveria me subestimar. — Naruto apenas o encarava sem palavras ou argumento para o que acabou de ouvir. — Quando você chegou? — Sasuke pronunciou-se.


— Faz algumas semanas, foi quando encontrei Karin e Suigetsu na Cidade da Névoa, vim o mais rápido que pude quando soube de você.


— Quanto tempo eu estive desacordado?


— Exatos pequenos três meses. — O loiro lhe respondeu


— Três meses?- A irritação tomou seu corpo. Como pôde ficar tanto tempo dormindo? Deveria ter encontrado Sakura a três meses atrás.


... E falando em Sakura, precisava saber sua localização.


— Sakura está na Névoa?


— Não, ela está em Suna. Está esperando por você, mas antes que pense em ir correndo, lembre-se que precisa recuperar suas forças e também, você está com alguns ferimentos ainda.


Sentiu-se aliviado em saber que ela ainda o esperava, e principalmente, que estava bem. Queria correr para ela como um pequeno menino indefeso, mas Naruto o questionou e não o deixou sair da Cidade do Som até estar completamente recuperado. Coisa que demorou semanas e Sasuke não aprovou. Mesmo assim, agradeceu quando finalmente pôde partir e encontrar sua Flor.


A viagem durou duas semanas para finalmente chegar a Suna, andou por toda a cidade, até chegar no endereço dado por Naruto. Questionou se aquela era realmente a casa certa, mas ao ver um borrão rosa arrumando as flores do jardim da frente soube que finalmente estava em casa. Não a chamou, ficou ali observando ela se mexer delicamente e quando ela finalmente o viu, seus olhos grandes e verdes brilharam com as incontroláveis lágrimas que sairam de seu rosto. O grande portão de ferro não foi um obstáculo perigoso, já que Sakura abriu o mesmo e correu para abraça-lo.


Sasuke sorriu, não acreditava que estava finalmente tocando-a e sentindo o maravilhoso perfume dela.


— Você é real? Ou é apenas outro sonho meu? — Ouviu-a dizer ainda chorando. Sasuke segurou em seus delicados pulsos e a encarou. — Sakura, eu sou real. — Ele disse passando a mão em seus fios rosados. — Você sabe, eu não vou te abandonar, nunca.


— Eu sabia que voltaria. — Em meio a tantas lágrimas das quais não conseguia controlar, Sakura sorriu.


— Desculpe-me, por demorar tanto... — As mãos de Sasuke deslizaram para para os braços, pescoço de Sakura para repousar no rosto da mesma. Com os polegares secou as lágrimas dela, e em sim viu um sorriso sair de seus lábios.


— Amo-te, Sakura. — Ele a beijou. Beijo com densidade, saudade, desejo e acima de tudo amor.


Agora nada iria separar o amor que ambos sentiam pelo outro, seja nesta vida ou na outra. Ou até mesmo em uma reencarnação, o amor prevalece e será sempre eterno em seus corações.

*-*

Notas finais
O que acharam??
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!