Eternidade

1 Capítulo Único


Seu corpo estava descansando em uma cama com um lençol extremamente vulgar na cor vermelha, ao seu lado seu pai.. em quem ela tanto confiava, mas isso era no passado, agora não havia sobrado mais nada, sua mãe havia morrido à 5 anos atrás, sua vó também, ela não tinha tias e seus amigos se foram depois que a mãe dela morreu. Ela se levantou, seus olhos estavam cansado de tanta sujeira e escuridão que predominava no clima do ambiente.. eles, ainda inchados por causa de suas lágrimas, se esforçaram para enxergar alguma coisa entre o escuro daquele quarto, emfim ela encontrou um abajur e o ligou, seu pai ainda estava dormindo, ela se encarou no espelho.. seus cabelos loiros e ondulados, seus olhos azuis como o céu em um dia de sol, sua pele branca e um pouco rosada, sua roupa rasgada, alguns ferimentos e o principal... sua pureza se foi, só com 14 anos aquela menina havia tido o pior momento de sua vida a uns instantes atrás, seu nome ? Era Elizabeth, agora ela nem sabia o que era.. tudo o que ela conhecia foi destruído por cada toque que seu pai dava em seu corpo, o ódio que predominava na mente dela se transformou em dó quando se encarou no espelho, olhou para a cama e sentiu vontade de vomitar ao ver aquele homem descansando após ter abusado dela... sua vida havia se transformado em pó.. pra quem ela contaria que foi estuprada ? Ou melhor quem acreditaria ? Para a policia ? Pra que ? Demoraria uma vida pra eles descobrirem provas contra seu pai, se é que ela poderia chamar aquele homem de pai. Ela vestiu suas roupas, pôs um casaco e saiu por aí sem destino, depois de um tempo começou a chover e debaixo da chuva ela sentou no banco, começou a chorar, Porque tinha que acontecer isto justamente com ela ? Porque ela tinha que ter a vida desgraçada por um pervertido que, alias, era seu pai ? Ela tinha que se vingar.. ela tinha que fazer ele sentir tudo o que ela sentiu, seu corpo estava todo dolorido com a violência que foi usada contra ela, mal conseguia respirar, as lágrimas escorriam e se misturavam com as gotas de chuva, era melhor desistir de tudo, era melhor se matar e não sofrer mais um dia.. olhou para cima e pediu ajuda para se livrar de seu pai, pediu uma vingança justa — Elizabeth ?! — era seu pai chamando — Sai daqui ! Eu não quero nem olhar na sua cara seu pervertido nojento. — disse ela correndo dele, em seu pensamento dizia que tudo vai ficar bem, que só precisava fugir daquele monstro, ela parou e respirou, logo seu pai a agarrou e a arrastou de volta pra casa, a rua estava deserta e ninguém podia ouvir os gritos da menina debaixo daquela chuva – A próxima vez que você fugir eu vou te machucar mais do que eu já te machuquei, entendeu ?- disse o pervertido, Elizabeth cuspiu nele, ele a apertou mais forte que chegou a tirar o folego da menina – você tem que estar bem fortinha porque amanha você tem aula e não quero que os outros saibam sobre o nosso relacionamento. — a menina secou as lágrimas e soluçando disse – Que relacionamento seu porco nojento ?! De estupro matinais ?! Vai pro inferno seu monstro, eu quero que você morra ! — respondeu – Cala essa boca garota, eu posso bem pior ! —

o pervertido nojento disse, emfim chegaram em casa e Elizabeth desistiu de gritar e fugir, só se calou e foi para o seu quarto.

No outro dia as dores estavam menores, ela levantou e se arrumou para a escola, tomou seu café e saiu. Chegando na escola foi a mesma rotina de sempre, se sentar e ficar sozinha o resto do dia, ao terminar a aula ela seguiu pelas ruas sem nem pensar em voltar para casa, até que encontrou uma pequena casa feita de madeira no fim de uma rua sem saída que era perto de sua escola, entrou lá – quem sabe eu não fujo e moro aqui ? Não tem ninguém aqui a um bom tempo pelo que parece. — disse ela. — tem sim – respondeu um menino, ela se assustou, ele era pequeno, com os olhos pretos como o seu cabelo e sua pele era branca, ele não tinha nenhuma expressão, parecia que não tinha sentimentos. — o que está olhando ? — disse o menino, ela olhou em volta e perguntou – você mora aqui ? -, — sim.. não ouviu eu falando ? — respondeu ele, — é que aqui é tão acabado... — disse Elizabeth — eu sei, mas é o único lugar que me agrada. -, — qual seu nome ? — perguntou ela — porque que saber ? — disse ele – sei la, eu só queria saber mesmo, mas já que você não quer falar então não posso fazer nada – disse ela saindo da casa – espere... ninguém costuma a vir aqui e eu me sinto sozinho aqui, então quem sabe você poderia voltar amanhã ? — disse o menino – só se você me dizer seu nome. — disse Elizabeth com um sorriso – amm... me chame de Leo. — respondeu – então tá Leo, amanhã eu volto com uma coisa pra você – disse a menina – estarei te esperando... — Elizabeth saiu e fechou a porta, voltou pra casa, seu pai não estava em lá, graças a Deus, foi se deitar. Acordou com um barulho da porta se feixando e a de seu quarto se abrindo, era seu pai apareceu – desculpe a demora, eu fiquei preso no trabalho até mais tarde – disse ele – sai daqui seu verme sujo, eu tenho nojo de você – respondeu a menina – eu também te amo – disse ele desabotoando a camisa, ela correu e foi para a cozinha, pegou uma faca e ameaçou seu pai que estava chegando mais perto a cada segundo – se chegar mais perto eu finco isso nessa sua cara podre seu desgraçado ! — disse ela com medo do que aconteceria – duvido – respondeu o pai, ele se aproximou e desabotoou a sua roupa – Sai daqui !!! me solta seu porco estúpido ! — disse ela dando facadas no ar – cuidado com isso meu amor, alguém pode se machucar. — disse ele, ela conseguiu fazer um corte no braço dele – Ai ! Isso doeu sua vadiazinha ! Se não vai ser por bem vai ser por mal ! — ele deu um soco nela e a faca caiu no chão, junto com Elizabeth, o sangue escorria de seu nariz e as lagrimas de seus olhos, seu pai se abaixou e agarrou-a pelo cabelo, levou ela para a cama e tirou o resto de sua roupa – não vai reagir ? — perguntou o pai – eu vou me vingar, seu desgraçado – disse ela com mais lagrimas escorrendo em sua face.

Mais um dia infeliz, mesma rotina, mesma história de sempre, depois da aula ela segui para a casa do Leo.. lá estava ele, sentado em um banco na frente da casa, esperando Elizabeth – Cheguei – disse ela forçando um sorriso pra fingir que tudo estava bem... — porque sua cara está machucada ? — perguntou Leo – Ah, isso.. não foi nada, eu só caí e machuquei meu rosto. — respondeu, — se você tivesse caído seu rosto estaria ralado, não roxo – disse Leo, — olha, eu não quero falar sobre isso, afinal, eu disse que eu ia trazer uma coisa pra você e eu trouxe – disse Elizabeth entregando uma lancheira para o menino – Eu achei que você não tinha comida e essas coisas, alias você mora aqui.. mas .. Ah, deixa.. não importa isso. — disse ela desajeitada, — Obrigado.. — respondeu o menino, — não gostou ? — perguntou a menina. — não não, eu gostei de você ter se preocupado, obrigado, vou guardar para mais tarde. — respondeu o menino, as horas foram passando e Leo e Elizabeth foram conversando, já estava noite quando os dois pararam de conversar, a menina se despediu e foi embora e voltou para a casa, seu pai já estava dormindo.

Os dias foram se passando, os estupros continuavam e a única coisa que fazia Elizabeth aguentar tudo aquilo era sua amizade com Leo, mas ela sentia uma coisa a mais do que uma simples amizade, ela estava apaixonada pelo menino que conheceu a alguns meses atrás ! Resolveu contar sobre tudo o que acontecia para ele. No dia seguinte ela foi correndo para a casa e lá estava Leo esperando ela... — Leo ! Leo ! Preciso te contar uma coisa ! — — amm.. ok.. mas antes venha cá – ele entrou dentro da casa, subiu as escadas e foi para o segundo quarto à direita, a porta estava trancada.. — porque estamos aqui ? — perguntou Elizabeth, — só me siga... — respondeu, ele destrancou a porta e abriu, uma brisa quente saiu de lá de dentro, um cheiro do campo invadiu o ambiente, Elizabeth olhou direito.. oque era aquilo ?! Um campo por trás da porta ?!?!?!, Leo seguiu até um pequeno altar de madeira e Elizabeth foi atrás.. achando que tudo aquilo era um sonho – você quer vingança.. não é ? — perguntou o menino.. — como você sabia ?! — a menina perguntou sem entender mais nada... — eu sou o pedido que você fez.. eu sou a sua vingança, se quiser que seu pai morra vai ter que fazer um pacto comigo.. é só você cortar seu pulsou com isso — disse ele entregando uma lamina prateada manchada de sangue. — de quem é esse sangue ? — perguntou a menina – das outras pessoas que fizeram o pacto, Ah, esqueci de falar.. se você fizer isso sua alma vai pro inferno quando você morrer. -, — é o jeito de fazer aquele pervertido pagar pelo que fez.. — disse ela cortando seus pulsos, assim que ela fez isso seu sangue formou um símbolo debaixo de seus pés e tudo começou a se desmoronar.. até só restar um escuro frio e triste – qual é o seu desejo ? — perguntou Leo... Elizabeth ficou em silêncio.. — pode pedir, eu vou realizar qualquer coisa. — disse o menino, – eu quero.. – então de repente ela acordou em um campo.. era o mesmo campo que ela estava antes de fazer o pacto... ouviu passos vindo em sua direção, era o Leo, seus olhos tinham mudado de cor, daquele preto morto foi para um vermelho assustador.. — agora você é igual a mim.. muito inteligente da sua parte pedir isso — disse ele e de repente Elizabeth estava na beira de um lago azul – olhe seu reflexo – disse o menino, os olhos dela estavam vermelhos, iguais aos dele – o que você é ? — perguntou ela – eu não sou nada, só carrego a dor das pessoas para o inferno — respondeu – então.. eu posso matar aquele imbecil agora não é ? — perguntou Elizabeth, — sim. — então de repente ela estava em casa de novo... — minha querida ! -, — fique longe de mim – disse a menina, então o corpo do pai se paralisou... ele não se movia mais, só respirava e piscava – oque aconteceu ? — perguntou ele, — oque aconteceu ? Não seria melhor perguntar o que vai acontecer ? — disse ela, com um sorriso, de repente eles voltaram na época que a mãe de Elizabeth estava viva.. — preste bem atenção em tudo o que vai ver. – de repente varias cenas passaram na frente daquele monstro nojento e finalmente parou em uma, a cena era do pai batendo na mãe dela, a mulher caíu no chão e começou a chorar, de repente ela pega uma faca e corta seus pulsos – você disse que ela morreu de um doença rara... — disse Elizabeth — ela era uma cadela ridícula, mereceu esse fim – disse o pai, a menina chegou perto dele .. — porco.. acabou pra você.. como deseja ver a sua morte ? – os olhos do pai começaram a sangrar, ele gritava de dor e a menina sorria assistindo todo aquele espetáculo de dor, até que o homem caiu no chão e desapareceu.. — esse é o fim que você merece. — disse Elizabeth.. — como se sente ? — perguntou uma voz conhecida.. era a voz de Leo. — eu não me sinto.. eu só devolvi o que ele causou pra humanidade. — de repente eles estavam no campo de novo... — obrigado por realizar meu desejo.. — disse a menina sorrindo. — não fiz nada mais que o meu trabalho.. agora vamos entrar, temos uma longa eternidade pra cumprir — disse Leo – é, você esta certo.. Ah é .. cade aquele pote que eu te dei ? — perguntou Elizabeth.. — na sua mão – sorriu Leo.

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