Eternamente em Você
1 Capítulo 1
SEM REVISÃO
Começa na minha alma e eu perco todo o controle quando você beija o meu nariz, o sentimento aparece e você me faz sorrir. Querido, não tenha pressa, apenas me abraça forte [...] Onde quer que você vá, sempre sei que você me fará sorrir, mesmo que só por um momento.
Bubbly — Colbie Caillat (Adaptado)
Amelia Hayes
Em todos meus quinze anos de vida, eu sempre tive aquela ilusão de que as coisas, em geral, são eternas. Amizades, relacionamentos, sonhos...
Quando esse dia começou, eu ainda possuía essa perspectiva, mas então as horas começaram a passar, acontecimentos se desenrolaram. Acontecimentos que fizeram eu acreditar que nesse dia eu não deveria ter saído da cama, tampouco ter feitos planos precipitados.
Nesse momento eu estava deitada na minha cama com o nariz entupido e os olhos lacrimejando, agarrada ao meu travesseiro. Seu eu tinha planejado estar assim as dez horas da noite em uma sexta-feira? Definitivamente não.
Por mais que essas situações desanimadoras acontecessem e continuassem a acontecer em minha vida, eu não jamais perderia esse dom de sonhar e criar planos pra mim.
Simplesmente porque eu me chamava Amelia Ann Hayes.
Minha mãe me chamava isso de coragem, sempre dizia que eu era uma garota determinada, desde quando eu era um simples embrião dentro dela, já que ela de modo poderia ter ficado grávida novamente depois da sua primeira gestação. Então, para mamãe eu era uma menina corajosa.
Já meu pai dizia que isso se chamava teimosia, visto que tudo acontecia do modo como eu queria — excluindo os casos excepcionais, como o dia de hoje.
Se era coragem ou teimosia eu não sabia, mas o que importava era que eu estava aqui nesse mundo, vivíssima. E chorando, chorando pelo meu melhor amigo.
Quando meus pais se mudaram para Tucson, no estado do Arizona, há aproximadamente vinte anos, eles conheceram a família Carter, também conhecidos como nossos vizinhos.
O casal Lucinda Carter e George Carter, haviam acabado de ter seu primeiro e único filho: Hunter James Carter, o famigerado meu melhor amigo. E melhor amigo do meu irmão mais velho também, mesmo contra minha vontade.
Era fato que Christopher era amigo de Hunter há mais tempo que eu, no entanto eu era uma amiga muito melhor que meu irmão. Tanto é que esse meu irmão havia estragado todos os meus projetos para o aniversário de vinte anos de Hunter.
Desde que nasci, tudo que nós fazíamos era como um trio, como se não funcionássemos separados. Como se Chris, Amelia e Hunter fossem uma pessoa só. Pensando nisso, tinha planejado todo um dia onde eu e meu irmão comemoraríamos o aniversário de Hunter junto dele.
Os três.
Porém, meus planos foram destruídos quando meu irmão resolveu organizar uma festinha cheia de bebidas e garotas, onde, obviamente, Amelia Hayes, a garota de quinze anos, não entrava. E, para fechar com chave de ouro, disse-me que em um trio alguém sempre sobra e esse alguém era eu.
Vamos analisar:
Hunter Carter, 20 anos, homem, gosta de motos e jogos de tiro.
Christhoper Hayes, 19 anos, homem, gosta de armas e jogos de corrida.
Amelia Hayes, 15 anos, mulher, gosta livros de culinária e vídeos de maquiagem.
Parece que alguém tem razão, não é mesmo?
***
Estava quase adormecendo, quando ouvi barulhos suspeitos vindo da sacada. Puxei a coberta até meu queixo e fechei os olhos com força.
Passos disfarçados, gemidos abafados, xingamentos murmurados e então um lado do meu colchão se afundou com o peso do que parecia ser uma pessoa.
A partir daí comecei a rezar por todos santos intercessores para que Deus tivesse piedade da minha pobre vida.
— Já falei pra você deixar a merda dessa porta fechada. Imagina se alguém que não sou eu entra, quem iria te proteger? — ouvi a voz rouca e enrolada, provavelmente por conta da bebida, de Hunter sussurrar, então relaxei para logo depois o alívio dar lugar à raiva.
Quem Hunter achava que era para entrar no meu quarto depois de ter me trocado pela sua festa idiota e falar daquele modo comigo? Como se fosse meu pai. Cretino!
Virei-me de lado ficando de costas pra ele, fingindo dormir.
— Ah, então vai se fingir de morta? — foi para o outro lado, deitando-se de frente para mim na apertada cama de solteiro.
Me joguei para o seu lado, fazendo com que ele tivesse pouco espaço para deitar.
— Se me empurrar eu te levo junto, sua pirralha — murmurou, enquanto me puxava para perto do seu peito, enrolando suas pernas nas minhas e acomodando-se de maneira mais confortável no colchão.
Soltei um risinho, quando seus dedos tocaram minha nuca por baixo dos cabelos, fazendo coceguinhas.
— Não seja tão megera, Mia. Fala comigo.
— Não — falei baixinho, contra sua camisa macia e perfumada, ainda chateada por não ter passado o dia com ele em seu aniversário.
Por alguns minutos, nós dois ficamos em silêncio e tudo que eu podia ouvir era sua respiração ritmada e seus batimentos cardíacos compassados, totalmente o contrário dos meus.
Era irritante o modo como meu estômago parecia sempre se agitar com a presença de Hunter, e a maneira como meu coração batia acelerado quando ele me abraçava apertado como estava fazendo agora.
Suspirei assustada, sem saber o que exatamente todas aquelas sensações significavam, mas ao mesmo tempo me sentia feliz e segura no calor dos seus braços.
— Amanhã — começou baixinho, bem perto do meu ouvido enquanto afagava meus cabelos, fazendo todo meu corpo estremecer — vamos ao parque que costumávamos ir quando éramos pequenos, só eu e você, vamos fazer um piquenique e comer aquele bolo de cenoura que só você sabe fazer e depois vamos passear pela cidade na minha moto e então, só voltaremos pra casa quando você tiver me perdoado.
— Então só voltaremos no seu aniversário de vinte cinco anos — resmunguei, desenterrando o rosto do seu peito e olhando para seu rosto iluminado pela pouco luz da lua que invadia a penumbra em que se encontrava o quarto, então pude ver que todo seu rosto sorria. Seus olhos, sua boca. Tudo.
— Pra mim parece bom — murmurou em resposta, beijando a ponta do meu nariz, como sempre fazia, me abraçando ainda mais forte.
Então, percebi que não importava o quando Hunter me chateasse, se ele me fizesse sorrir, mesmo que só por um momento, tudo estaria bem.
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