Nathan ainda me olhava de um jeito misterioso, e eu não conseguia tirar os meus olhos dele, e de tudo o que ele tinha preparado para mim. Estava tudo tão lindo, e do jeito que ele sabia que eu gostava. Ele me conhecia tão bem.

— Ah, eu tenho uma surpresa pra você. – sorriu.

— Outra? – perguntei. – Esse jantar e essa decoração já são uma bela surpresa.

Ele chegou perto de mim, pegando a minha mão. Eu senti um arrepio com o toque dele, e ele não parava de me olhar.

— Você vale todas as surpresas, Sophie. Cada uma delas. – sorriu, timidamente.

Eu já disse que eu adoro quando ele fica com vergonha. É tão lindo! Ele fica vermelho, e sorri de um jeito tão... Perfeito.

— Eu estou bem curiosa com essa surpresa. O que é?

— É uma coisa que você gosta.

Uma coisa que eu gosto? Livros, comida, filmes, fotografia, ele... Espera ai.

— Você veio embrulhado?

— Eu não entendi. – perguntou sem entender o meu raciocínio.

— Você disse que era uma coisa que eu gostava, e eu gosto de você. Vai vir todo embrulhado pra mim? – sorri, piscando.

Que o meu pai não me escute, porque se ele sonhar que eu imaginei o Nathan embrulhado igual aqueles gogoboys, com um laço e cuecas sensuais... Melhor não pensar no que ele iria fazer. E que idéia é essa de imaginar o Nathan desse jeito? Sophie, desse jeito não. Tira isso da cabeça, menina. Foca na surpresa, que não é essa.

— Sophie, você está bem?

— Ah, sim. Claro! Eu estava tentando adivinhar qual seria essa surpresa. – e era eu que estava com vergonha agora.

— Não é nada muito elaborado, mas eu sei que você gosta. – ele foi até a mesa da sala, e pegou um enorme buque de rosas. Era o buque mais lindo que eu já tinha visto.

— Nathan, as flores são lindas. – peguei-o, e cheirei. Tinha um perfume especial, e eram tão especiais.

— Eu sei que você ama flores, e sei que você gosta muito de rosas, porque elas lembram as roseiras que a sua avó tem, então eu escolhi as melhores rosas, para a melhor pessoa da minha vida.

Nathan era o homem mais romântico que conhecia. Ele sempre fala coisas bonitas, e que me fazem sorrir. Não que mexa com o meu coração, mas ele é tão incrível, que eu não consigo achar nenhuma mulher que fique a altura dele. Essa pessoa vai ter que passar pelo o me critério de aprovação, porque ele não vai ficar de enrosca com qualquer uma.

— São perfeitas! Você sabe como me agradar, e sabe que não precisava de tudo isso. Só a sua presença é um presente.

Ele me encarou, e foi chegando perto de mim.

— Você é muito mais que um presente, Sophie. Você é a minha melhor amiga.

Eu o encarei, e pensei se ele realmente queria dizer isso. Nathan tinha um mistério, mas eu iria desvendar.

— Melhor irmos jantar. Eu estou morrendo de fome, e quero ver o que você preparou pra mim. – pisquei.

Nathan sorriu, e voltamos para a cozinha. Eu liguei o som, enquanto ele preparava o nosso jantar. Pedi para ajudá-lo, mas ele disse que eu era a convidada dele, e que era para eu descansar, enquanto ele cozinhava.

Ele era um espetáculo na cozinha. Ele sempre foi interessado em ajudar a tia Lis com tarefas de casa, e quando foi ficando adolescente, ele começou a se interessar pela cozinha. E até disse que ele poderia ser um cozinheiro renomado, mas ele fala que cozinha por hobby. É bom que eu o tenho somente para as minhas vistas. Peguei o eu celular, e comecei a tirar fotos dele, de todos os jeitos. Fotos nossas e de toda a decoração que ele preparou. Eu até pensei em mandar no grupo da minha família, mas o me pai pegaria o carro, e viria até aqui, e passaria o carro em cima do Nathan, fora que iria usar todo aquele drama, que só ele sabe fazer. Vocês sabem como o meu pai é um pouco ciumento, né?

— Esse cheiro está maravilhoso! – falei.

— Então você vai amar experimentar a nossa macarronada. – disse, colocando a panela sobre a mesa. O cheiro estava realmente maravilhoso.

— Nossa?

— Sim, porque eu sempre cozinho quando estou com você. Igual aquela vez que eu fiz na casa da sua avó. Então, é a nossa macarronada.

— Adoro você e a macarronada, mas, neste instante, meu foco e esta bela macarronada. – peguei o meu prato, e fui colocando pra ele e pra mim.

Comecei a comer, e quase revirei os olhos de tão gostoso que estava.

— Isso aqui está perfeito. – comi mais um pouco. – Você andou treinando na cozinha, né? — e eu espero que tenha treinado sozinho, e não treinado para uma individua não identificada.

— Você é a inspiração, Sophie. – piscou.

Uma pausa para uma explicação. Meu Deus! Porque ele piscou pra mim desse jeito? Ele é meu melhor amigo, mas ele é lindo de morrer, e eu falo mesmo. Não sou cega. Esse jeito que ele piscou, quase me fez engasgar com a comida.

— O suco está ótimo também. Você sabe fazer um suco, Soso.

— Quando o meu pai ficava doente, e a minha mãe insistia para ele tomar remédio líquido, eu sempre fazia o suco para ele tomar junto. Ele fazia menos drama desse jeito, até eu descobrir que ele jogava o remédio fora, mas insistia que eu fizesse mais suco.

— O padrinho e seus dramas.

— Sempre. – rimos.

Escutamos a porta da sala, e eu sabia muito bem quem era.

— Hello, Sophie. Cheguei! Ah, meu Deus! Que coisa linda!

— Oi, Lara. – Nathan e eu falamos ao mesmo tempo.

— Que coisa fofa! Isso é obra do Nathan, né?

— De quem mais seria? – ele falou, rindo. – Eu trouxe flores para você.

— Muito obrigada. Elas são lindas. – disse, piscando pra mim.

— Cadê o Lucas?

Lara bufou, colocando as flores em seu colo.

— Ele está subindo. O seu irmão tem dias que é insuportável, Sophie. Como você agüentou dividir a barriga com ele por nove meses?

— Isso foi um enorme esforço. – sorri. – O que aconteceu?

— Ele aconteceu. – ela iria me contar, quando escutamos a voz dele.

— Nem me esperou, Lara? Tudo bem, e... Que porra é essa? – o insuportável do meu irmão chegou com o jeito bruto dele.

— Oi, querido irmão. Nós estamos muito bem. Obrigada por perguntar.

Ele olhou raivoso para mim, até perceber que o Nathan também estava presente.

— Vocês preparam uma festa, ou foi o Nathan que preparou isso para vocês?

Esse é o momento que eu falo para vocês, que o meu irmão é parecido com o meu pai. Um pouco ciumento demais para o meu gosto.

— Eu preparei para as meninas.

— Ah, você preparou isso tudo? Que fofo! Essas flores foi você que deu também?Que gracinha! – sorriu, mas eu conheço esse sorriso macabro. Meu irmão é o Gabe Hunter mais novo. Aprendiz de papai Gabe. — E eu estou me sentindo desolado. Não tenho um balão de boas vindas, flores e nem um jantar em minha homenagem. Mas tudo bem, Nathan. Eu vou me sentar aqui, e comerei o resto da comida que sobrar. E vou ficar bem. Podem comer tranquilamente.

E ele é um pouco dramático também. Adivinhem para quem ele puxou? Nem preciso dizer nomes.

— Para de drama. Está parecendo um ator mexicano. – todos riram, e ele fez uma careta. – O Nathan preparou tudo isso. Não é incrível?

— Nossa! Estou dançando com pompons e roupa de líder de torcida de tanta felicidade. – olhou para Nathan, que olhava para ele, sem medo.

— Ninguém merece você, Lucas. – Lara estava sem paciência mesmo.

— Você já torrou a minha paciência, Lara.

Meu irmão bravo com a Lara? É o fim do mundo! Ele pode ficar bravo com o mundo, mas nunca com ela. Nunca!

— E torro mesmo, e como com manteiga, bem torrada.

Digamos que, Lara é a versão da minha madrinha, Beck. O Lucas é a versão do meu pai, Gabe. Imaginem a explosão que poderá dar entre esses dois. Não sei como são tão amigos, porque ela não leva desaforo pra casa, e ele tem essa coisa de ser ciumento demais.

— Olha que fofo, Nathan. O casal esta brigando.

— Nós não somos um casal. – gritaram, olhando pra mim.

— Ok! Não está aqui quem falou. – dei de ombros. – Enquanto vocês resolvem as picuinhas de vocês, eu e o Nathan voltamos para o nosso jantar, que está delicioso. – peguei, mastigando.

Os dois se olharam e pararam de brigar, pelo menos por enquanto. Nathan pegou a minha mão debaixo da mesa, e sorriu. Não era nada de romance. Era só um gesto de amizade, e uma mania que ele tinha. Sorri para ele, que sorriu de volta. Meu irmão estava concentrado em comer, e a Lara o fuzilava com o olhar.

— Cara, você cozinha bem pra caramba! Todas aquelas brincadeiras de cozinheiro deram certo. A mulher que casar com você, terá sorte. – disse, limpando a boca.

— O Nathan é bom em várias coisas, Lucas. – falei, e só depois que eu me lembrei do irmão bomba que eu tenho.

Ele me olhou de um jeito que me deu até cólicas. Porque raios o meu irmão tinha que parecer tanto com o meu pai. Até esse olhar dele é idêntico. Parece o senhor Gabe Hunter quando quer dar alguma bronca.

— Como assim ele é bom em outras coisas? Nathan, eu quero explicações, senão...

— Eu não fiz nada. Fala pra ele, Soso. Eu sou inocente em tudo.

— Ai, para de ser chato, Lucas. Vai procurar o que fazer, e para de bancar o irmão ciumento. – reclamei mesmo, e se ele achar ruim, e reclamo ainda mais.

Ele só olhou para nós, e não falou mais nada. Ótimo. Pelo menos não me encheu mais a cabeça durante o resto da noite.

Os meninos nos ajudaram a lavar toda a louça, e depois se despediram.

***

— Uau! Nathan arrasou na decoração. E eu nem preciso dizer das flores. Eu amei o meu buque, mas o seu... Rosas. E é o dobro do tamanho. Interessante essa diferença entre mim e você.

— Não há diferença nenhuma. – falei, saindo do banheiro – Ele apenas sabe que eu gosto de rosas.

— E a decoração com as cores que você gosta. Um jantar. E você acha que eu não vi as velas. Total sintonia entre vocês dois.

— Nós temos uma sintonia de amizade. Já você e o meu irmão, eu não posso dizer a mesma coisa. Qual era a treta entre vocês dois, hein?

Lara bufou, sentando-se na minha cama.

— O seu irmão me levou até o campus da faculdade, e eu conheci algumas pessoas do curso, até que chegou um amigo meu, que me elogiou, e o seu irmão bufava mais que touro na arena. Ele afastou o rapaz, e depois se fez de desentendido. Eu quis matar o Lucas por causa disso. Ele acha que pode mandar em mim. Ele é o meu amigo, não o meu dono.

Interessante. Apesar, de que o meu irmão é ciumento mesmo, e eu não posso dizer se ele vai mudar um dia. Mas essa história toda é interessante.

— Amiga, você deveria estar acostumada com os chiliques dele. Lucas sempre foi muito protetor, e ele acha que deve sempre proteger quem ele ama. Ele protege até a mamãe, e olha que ela tem o meu pai para fazer esse serviço de ciumento. Eu sofri na escola por causa dele, mas duvido muito que ele vá mudar. – dei de ombros. – Não fique brava com ele, porque eu odeio vê-los assim. Vocês são amigos, e devem sempre estar juntos.

— É, eu sei disso. E odeio brigar com ele. – suspirou.

Escutamos o celular dela tocando, e sabíamos muito bem quem era.

— Parece que alguém está arrependido. – falei, sorrindo. – Diga ao chato do meu irmão que eu mandei um beijo.

— Pode deixar, amiga.

Eu fui para o meu quarto, e deitei na cama. Peguei o meu celular, e mandei uma mensagem para o Nathan. Era incrível como eu sentia falta dele em pouco tempo em que eu o vi. Era como se fosse uma necessidade.

Não demorou muito, e ele me respondeu, me mandando boa noite, com uma caretinha com coração. Mandei outra, e perguntei se poderíamos fazer alguma coisa amanhã. Fiquei esperando, e ele mandou um sim bem grande, e emoji de sorriso.

Ficamos nos falando mais um pouco, até que o sono bateu, e eu dormi.

***

Nathan foi me buscar para irmos até o apartamento dele, que não era tão longe do prédio em que eu morava.

Assim que entramos, eu fiquei chocada com o tamanho daquele apartamento. Não que o meu fosse pequeno, mas eu morava com a minha amiga, e ele morava sozinho. Eu espero que ele esteja sozinho.

— É lindo! – olhava tudo de boca aberta.

— Eu sei que eu sou mesmo.

— Pouco convencido, hein?! – olhei pra ele, e ri.

— Eu fico feliz que tenha gostado daqui. Eu pensei se você gostaria ou não, já que é a minha amiga, então eu... Eu. Ah, eu pensei qual seria a sua opinião.

— Eu fico feliz que tenha pensado em mim. Ficou realmente incrível. – sorri. – E ainda tem fotos nossas por aqui.

— Achou que não teria, meu anjo? Sempre terá uma parte de você aqui.

Morram de ciúmes, mas ele é meu. Quero dizer, meu melhor amigo.

— Você se lembra que você tinha me pedido as matérias do curso? Eu separei algumas para você. Não sei se serão os mesmos professores, mas pode te ajudar.

— Claro! Isso vai me ajudar muito, fora que você será o meu professor particular. – sorri, e ele se espantou. – Eu estava brincando. Se você não quiser e ajudar, eu...

— Não! Claro que eu vou te ajudar, meu anjo. Foi só uma coisa da minha cabeça. – sorriu. – Aqui estão os cadernos, e estão separados por matéria. Os livros também eu fiz questão de separar os conteúdos, facilitando a sua vida.

— Ah, que lindo! Muito obrigada. Vai me ajudar tanto.

— Eu tenho sites que posso te passar, e te ajudaria em algumas questões.

— Você é incrível! Separou tudo pra mim, e ainda vai me ajudar.

— Tudo por você. – sorriu.

Ele foi me explicando algumas matérias, e eu fui entendendo. Isso é um caso sério. Se eu entendo matemática com facilidade, é porque não está certo.

— Já deu por hoje, Soso. Vamos assistir a um filme e comer pipoca. Outro dia nós estudamos mais.

— Ainda bem que você sugeriu essa proposta, porque o meu cérebro já está fritando de tanto pensar.

— Logo você pega o jeito das coisas. Eu confio no seu potencial.

— Pelo menos alguém tem que acreditar. – rimos.

Ele foi fazer a pipoca, enquanto eu escolhia um filme. Escolhi um de suspense, que parece ser muito bom. Nathan veio com a pipoca, e eu me sentei ao lado dele. O filme não era de dar medo, mas dava uns bons sustos. Desde criança, eu tenho a mania de querer se agarrar a algo quando eu estou assustada, e a primeira coisa que eu vi, foi o Nathan. Eu deitei a minha cabeça no ombro dele, e segurei a sua mão. Nele, eu sabia que estaria protegida, mesmo que fosse de um simples filme. Nathan é o meu protetor.

Nathan

Eu não conseguia desviar o meu olhar dela. Ela tinha um imã, e eu não posso ficar colado dele. Não posso ficar perdido nela. Ela é a minha melhor amiga. Lembrei-me do presente dela, e falei, antes de me perder no olhar dela.

— Ah, eu tenho uma surpresa pra você. – sorri.

— Outra? – perguntou. – Esse jantar e essa decoração já são uma bela surpresa.

Eu cheguei perto dela, e peguei a sua mão. Um arrepio percorreu o meu corpo, e eu ignorei esse fato. Não era nada de mais. Não poderia ser nada de mais. Meu olhar estava perdido no dela.

— Você vale todas as surpresas, Sophie. Cada uma delas. – sorri, timidamente.

Ela valia muito mais. Nada poderia comprar ou comparar o quanto ela é importante pra mim. Qualquer presente não chega aos pés do que ela merece.

— Eu estou bem curiosa com essa surpresa. O que é?

— É uma coisa que você gosta.

Droga, Nathan! A Sophie gosta de muita coisa. Essa foi difícil pra ela.

— Você veio embrulhado?

Ah? Ela perguntou se eu vim embrulhado? Meus pensamentos foram para algo que eu não deveria ter pensado.

— Eu não entendi. – perguntei, me fazendo de desentendido.

— Você disse que era uma coisa que eu gostava, e eu gosto de você. Vai vir todo embrulhado pra mim? – sorriu, piscando.

Meu Deus! Eu juro por tudo o que é mais sagrado. Se o meu padrinho ouvir isso, eu fico sem as minhas pernas, e sem a minha vida. Ela que deveria vir embrulhada, porque é o meu melhor e maior presente da vida. Sem Sophie não existe Nathan.

Olhei pra ela, que me encarava de um jeito diferente. Um olhar profundo, e bem diferente d Sophie que eu conheço.

— Sophie, você está bem? – perguntei preocupado.

— Ah, sim. Claro! Eu estava tentando adivinhar qual seria essa surpresa.

— Não é nada muito elaborado, mas eu sei que você gosta. – peguei o enorme buquê de rosas, e as mais lindas, porque ela merece tudo de mais lindo nessa vida.

— Nathan, as flores são lindas.

— Eu sei que você ama flores, e sei que você gosta muito de rosas, porque elas lembram as roseiras que a sua avó tem, então eu escolhi as melhores rosas, para a melhor pessoa da minha vida.

Eu me lembro quando eu ia ficava na casa da avó dela. Sophie amava cuidar das rosas, e tirar fotos delas. Ela gostava de observar cada rosa que nascia. E eu gostava de admirar essa paixão que ela tinha. Eu a admirava muito. E ela me obrigava a brincar com ela, e eu aceitava, sem reclamar.

— São perfeitas! Você sabe como me agradar, e sabe que não precisava de tudo isso. Só a sua presença é um presente.

Mal sabe ela que eu sinto o mesmo. Só de saber que ela está aqui, do meu lado, já e faz querer viver. Só por ela! Sophie é a base da minha vivência. Sem ela, meu mundo perde a cor.

— Você é muito mais que um presente, Sophie. Você é a minha melhor amiga.

Ela me encarou, como se quisesse me enxergar por dentro. A cada dia eu enrolo a minha vida. Eu não posso pensar muito sobre isso.

— Melhor irmos jantar. Eu estou morrendo de fome, e quero ver o que você preparou pra mim. – piscou.

Sorri, e voltamos para a cozinha. Voltei a cozinhar, enquanto ela ligou o som. Eu quase a puxei para dançar, mas eu precisava terminar o nosso jantar, e queria que tudo ficasse maravilhoso.

Ela ficou me observando, enquanto eu dividia a minha atenção entre cozinhar e ela. Nessas horas é que eu agradeço por ter tido tanto interesse na cozinha. Minha mãe me ajudou muito, e eu agradeço. Acho que todo homem deve ajudar a mulher, e sem aquele mimimi de que lugar de mulher é na cozinha. Lugar de mulher é onde ela quiser. A Sophie era a prova disso. Ela vai conquistar todos os espaços dela, e eu estarei sempre ao lado dela, comemorando as suas vitórias.

Percebi que ela estava tirando fotos de mim, e eu comecei a sorrir. Ela tinha o dom da fotografia. Tudo que ela fazia era perfeito. Ela é perfeita.

— Esse cheiro está maravilhoso! – falou.

— Então você vai amar experimentar a nossa macarronada. –falei, colocando a panela sobre a mesa.

— Nossa?

— Sim, porque eu sempre cozinho quando estou com você. Igual aquela vez que eu fiz na casa da sua avó. Então, é a nossa macarronada.

Eu fiz a macarronada para ela, e a Sophie amou. Tínhamos vários momentos maravilhosos, e aquele foi um deles. Um dia inesquecível!

— Adoro você e a macarronada, mas, neste instante, meu foco e esta bela macarronada.

Começamos a comer, e ela mastigava com tanto prazer.

— Isso aqui está perfeito. – comeu mais um pouco. – Você andou treinando na cozinha, né?

Eu treino pensando se ela irá gostar do prato. Confesso que eu tenho o caderno de receitas, mas a inspiração é ela.

— Você é a inspiração, Sophie. – pisquei. — O suco está ótimo também. Você sabe fazer um suco, Soso.

— Quando o meu pai ficava doente, e a minha mãe insistia para ele tomar remédio líquido, eu sempre fazia o suco para ele tomar junto. Ele fazia menos drama desse jeito, até eu descobrir que ele jogava o remédio fora, mas insistia que eu fizesse mais suco.

Eu estou imaginando a cena. Meu padrinho é a pessoa mais hilária que eu conheço, mas o mais ciumento também. É difícil conquistar a confiança dele, ainda mais quando se trata dos filhos e da minha madrinha. Ele é louco pela família, e eu o entendo perfeitamente. Bem, eu não preciso ficar falando sobre Gabe Hunter. Vocês devem conhecê-lo muito bem.

— O padrinho e seus dramas.

— Sempre. – rimos.

Escutamos a porta da sala, e eu já imaginei que seria o Lucas. Eu ficaria igual ao Saci. Meu Deus!

— Hello, Sophie. Cheguei! Ah, meu Deus! Que coisa linda!

— Oi, Lara. – Nathan e eu falamos ao mesmo tempo.

Se ela está aqui, o Lucas também está. Eles nunca se desgrudam. Devo sair correndo? Me esconder debaixo da mesa?

— Que coisa fofa! Isso é obra do Nathan, né?

— De quem mais seria? – falei, rindo. – Eu trouxe flores para você.

Não era um buquê tão grande igual ao da Sophie, mas era lindo.

— Muito obrigada. Elas são lindas. – disse.

— Cadê o Lucas? – Sophie perguntou.

Lara bufou, colocando as flores em seu colo.

— Ele está subindo. – devo correr para as montanhas? É um caso para se pensar. — O seu irmão tem dias que é insuportável, Sophie. Como você agüentou dividir a barriga com ele por nove meses?

— Isso foi um enorme esforço. – sorriu. – O que aconteceu?

— Ele aconteceu. – ela iria contar, quando escutamos a voz dele.

— Nem me esperou, Lara? Tudo bem, e... Que porra é essa? – é bomba para todos os lados. Ele já vai atacar, logo, logo. Eu senti os olhos dele em mim, e sabia que estavam saindo raio laser.

— Oi, querido irmão. Nós estamos muito bem. Obrigada por perguntar.

— Vocês preparam uma festa, ou foi o Nathan que preparou isso para vocês?

Esse é o momento e que eu fujo, sem deixar pistas. Hora de morfar! Desaparecer, completamente. Não! Eu não vou fugir, porque eu não fiz nada de errado. É um jantar de amigos, só isso.

— Eu preparei para as meninas.

— Ah, você preparou isso tudo? Que fofo! Essas flores foi você que deu também?Que gracinha! – sorriu.

Sentiu a ironia dele? Adivinhem quem o ensinou a ser desse jeito? Aprendiz do seu pai.

— E eu estou me sentindo desolado. Não tenho um balão de boas vindas, flores e nem um jantar em minha homenagem. Mas tudo bem, Nathan. Eu vou me sentar aqui, e comerei o resto da comida que sobrar. E vou ficar bem. Podem comer tranquilamente.

Deu-me vontade de rir. A cara dele de inocente era pra rir. Mas, de inocente, ele não tinha nada. Lucas é o Gabe Hunter mais novo.

— Para de drama. Está parecendo um ator mexicano. – todos riram, e ele fez uma careta. – O Nathan preparou tudo isso. Não é incrível?

— Nossa! Estou dançando com pompons e roupa de líder de torcida de tanta felicidade. – olhou para mim, e eu olhei sem medo.

Ele pode vir falar um monte, mas eu não vou deixar de cozinha para a Sophie, só porque ele quer. Vai sonhando!

— Ninguém merece você, Lucas. – Lara estava sem paciência mesmo.

— Você já torrou a minha paciência, Lara.

Ixi! Estou sentindo cheiro de faísca por aqui. É treta! Façam suas apostas. Eles nunca brigam. Ai tem coisa.

— E torro mesmo, e como com manteiga, bem torrada.

— Olha que fofo, Nathan. O casal esta brigando.

— Nós não somos um casal. – gritaram, olhando para a Sophie.

Eu nem me opus. Meu filme já estava queimado com um certo irmão ciumento, então era melhor eu nem entrar na brincadeira do amor.

— Ok! Não está aqui quem falou. – deu de ombros. – Enquanto vocês resolvem as picuinhas de vocês, eu e o Nathan voltamos para o nosso jantar, que está delicioso. – pegou o garfo, e voltou a comer.

Lucas e olhou, e eu sorri. Pode vir com essa cara de chupa prego, que eu não tenho medo.

Peguei a mão da Sophie por debaixo da mesa, e isso era uma mania que temos desde criança. É uma forma de mostrar que estamos juntos. Que somos um só! Ninguém sabia disso, porque pertencia ao nosso mundinho.

— Cara, você cozinha bem pra caramba! Todas aquelas brincadeiras de cozinheiro deram certo. A mulher que casar com você, terá sorte. – disse, limpando a boca.

Eu parei para pensar nisso. Eu cozinho por causa da Sophie, não por outra mulher.

— O Nathan é bom em várias coisas, Lucas. – Sophie disse, e eu fiquei vermelho de vergonha.

O meu pensamento foi para a festa de 15 anos dela. O nosso único beijo, que, para mim, foi o melhor da minha vida, mas isso não vem ao caso. Deixa quieto.

— Como assim ele é bom em outras coisas? Nathan, eu quero explicações, senão...

— Eu não fiz nada. Fala pra ele, Soso. Eu sou inocente em tudo. – é bom que ele nem imagine sobre esse beijo. Pelo amor de Deus!

— Ai, para de ser chato, Lucas. Vai procurar o que fazer, e para de bancar o irmão ciumento.

Ele só olhou para nós, e não falou mais nada. Ótimo! Pelo menos no jantar eu estarei vivo.

Ajudamos com a louça, e depois fomos embora. E queria ficar mais com a Sophie, mas estava na cara que ela está cansada, e merece descanso.

***

Estávamos indo em direção aos nossos carros, e ele me olhava de canto.

— Uau! Um jantar para a minha irmã. Seria interessante se o meu pai soubesse disso.

— Não aconteceu nada, Lucas. Ela é a minha amiga, pelo amor de Deus! Ela não pode viver, que você acha que ela precisa do seu ciúme.

— Você não entende, porque é filho único. A Sophie é a minha irmã, e eu a amo, e acho que ninguém está à altura dela.

— Eu também acho isso, Lucas. Mas ela é a minha amiga, e eu farei quantos jantares ela quiser. Não sou namorado. Somos amigos, do mesmo jeito que você é da Lara.

— Eu sei. Eu posso ser um pouco exagerado, mas eu tenho razão de ter ciúmes dela.

— Qual é a razão absurda, Lucas?

— Eu cheguei ao apartamento, e vocês dois estavam tomando suco. A Sophie quase nunca fez suco pra mim. Fazia quando era obrigada, mas nunca de bom grado. Ela não divide comida. Nunca! E vocês estavam jantando macarronada. Sabe o que é isso?

— Um jantar entre amigos?

— Não! Você já deve ter ouvido falar no desenho A dama e o vagabundo, né? Aquele dos dois cachorros que se apaixonam. Não que eu tenha assistido, mas quando se tem uma irmã, a gente é obrigado a assistir essas coisas. Enfim, o casal está lá, jantando de boa, e o que eles estão comendo? Macarronada. E ainda tem aquela cena dos dois comendo um único macarrão, sendo que tinha vários. Eu fiquei com essa imagem na minha cabeça.

— Lucas, eu acho que você está ficando bem paranóico. Nós somos amigos. Eu cresci junto com vocês. Você é um irmão pra mim. Nós quatro somos amigos. Não precisa ficar com tanto medo assim. Não vai acontecer nada. Eu só me preocupo com ela, do mesmo jeito que você se preocupa com a Lara. Só isso.

Ele me olhou de um jeito que parecia entender o que eu estava dizendo. Eu estava falando a verdade, ou queria convencê-lo de que era verdade. A minha preocupação sempre foi a Sophie. Ela é tudo pra mim!

— Ok! Eu acho melhor nós irmos embora. A Lara já me estressou ao extremo.

— O que aconteceu entre vocês? Você e a Lara brigando é raridade.

— É raridade porque ela se mantinha longe dos amiguinhos dela, mas hoje eu não pude evitar. O cara a elogiou de maneira grosseira, e bem na minha frente. Pode isso? Ele a tocava como se fossem íntimos demais. Eu o afastei, e o chamei de uma coisa.

— Do que você chamou o rapaz, Lucas? – eu já poderia imaginar o apelido que ele deu para o pobre rapaz.

— Regão. – deu de ombros.

— Regão? – eu gargalhei tão alto, que devo ter acordado toda a vizinhança. – Porque você chamou o rapaz disso, Lucas?

— Você não imagina o tamanho do rego dele. Ia até o cérebro, e tinha pelos. Não que eu tenha reparado muito, mas é impossível não ficar reparar naquela monstruosidade. Deus que me livre! Ainda por cima, vem com gracinha pra cima da Lara.

— Eu imagino a raiva que você deve ter sentido. – se fosse com a Sophie, eu teria feito a mesma coisa. Não quero nenhum engraçadinho pro lado dela. Eu mesmo vou cuidar para que isso não aconteça. – Sabe, deixa isso pra lá. Não fique se conversar com a Lara. Isso será pior para vocês dois. Ligue para ela, e converse.

— É, você tem razão. Eu acho melhor falar com ela, porque eu odeio brigar com a Lara.

— Bem, eu preciso ir. Qualquer coisa é só me ligar.

— Pode deixar. – nos despedimos, e fomos embora.

***

Cheguei ao meu apartamento, e fui direto para o meu quarto. Despejei as chaves e a carteira sobre a mesinha, e fui trocar de roupa. Eu já estava louco para poder falar com a Sophie. Queria desejar boa noite, e saber se ela estava bem. Eu me joguei na cama, e escutei o meu celular apitar. Era o toque da Sophie. Peguei, e sorri ao ler a mensagem dela. Respondi, mandando um boa noite, e uma caretinha com coração. Fiquei esperando a resposta dela, até que ela me mandou, perguntando se poderíamos fazer alguma coisa amanhã. Claro que faríamos alguma coisa. Ficar um dia se vê-la era uma tortura. Falar e ficar com ela, era um alívio para o meu coração. Combinamos como seria o nosso domingo, e depois fomos dormir. E eu sonhei com o anjo mais lindo da minha vida.

***

Sophie ficou encarando o meu apartamento, e ela parecia que tinha gostado. Não era um apartamento cheio de coisas masculinas. Tinha flores, porque eu sabia que ela gostava, e deixei do jeito que eu sei que ela iria gostar.

— É lindo! – olhava tudo de boca aberta.

— Eu sei que eu sou mesmo. – brinquei.

— Pouco convencido, hein?! – olhou para mim, e sorriu.

— Eu fico feliz que tenha gostado daqui. Eu pensei se você gostaria ou não, já que é a minha amiga, então eu... Eu. Ah, eu pensei qual seria a sua opinião. – a opinião dela é muito importante. Se ela não gosta de alguma coisa, eu tento mudar.

— Eu fico feliz que tenha pensado em mim. Ficou realmente incrível. – sorriu. – E ainda tem fotos nossas por aqui.

Claro que teria fotos dela por aqui. Seria estranho se não tivesse. Tem fotos de todos que eu amo, e ela está no topo da minha lista.

— Achou que não teria, meu anjo? Sempre terá uma parte de você aqui.

Meu anjo mais lindo. Ela sempre estará em todas as partes da minha vida. Voltei a minha atenção para ela, e tirei os pensamentos que e atormentavam.

— Você se lembra que você tinha me pedido as matérias do curso? Eu separei algumas para você. Não sei se serão os mesmos professores, mas pode te ajudar.

— Claro! Isso vai me ajudar muito, fora que você será o meu professor particular. – sorriu, e eu não pude de deixar de me lembrar do que o meu padrinho tinha falado sobre ficar de olho nela, e isso me incluía. Como me manter longe dela, sendo que eu a quero perto de mim? – Eu estava brincando. Se você não quiser e ajudar, eu...

— Não! Claro que eu vou te ajudar, meu anjo. Foi só uma coisa da minha cabeça. – sorri. – Aqui estão os cadernos, e estão separados por matéria. Os livros também eu fiz questão de separar os conteúdos, facilitando a sua vida.

Demorei um tempo para arrumar tudo, mas valia a pena. Eu sei como é o começo da faculdade, mesmo achando que a Sophie vai tirar de letra.

— Ah, que lindo! Muito obrigada. Vai me ajudar tanto.

— Eu tenho sites que posso te passar, e te ajudaria em algumas questões.

— Você é incrível! Separou tudo pra mim, e ainda vai me ajudar.

— Tudo por você. – sorri.

Fui explicando as matérias que eu achava mais complicadas. Sophie anotava tudo. Eu olhava para ela, que estava concentrada, e sorri. Era bom estar com ela, ajudando-a, em um momento tão incrível pra ela. Ela me olhava sério, e eu adorava quando ela fazia a carinha de que estava entendendo tudo.

— Já deu por hoje, Soso. Vamos assistir a um filme e comer pipoca. Outro dia nós estudamos mais.

— Ainda bem que você sugeriu essa proposta, porque o meu cérebro já está fritando de tanto pensar.

— Logo você pega o jeito das coisas. Eu confio no seu potencial.

— Pelo menos alguém tem que acreditar. – rimos.

Eu fui para a cozinha fazer a pipoca, e ela se prontificou a escolher o filme. Coloquei bastante manteiga, do jeito que ela gostava. Coloquei a nossa pipoca na vasilha, e eu me sentei ao lado dela. O filme de suspense começou, e ela se agarrou em mim. Ela deitou a cabeça em meu ombro e segurou a minha mão. Uma sensação de paz passou pelo o meu corpo. Eu sempre tive a Sophie junto comigo, mas algo dentro de mim estava mudando. Era algo forte, que fazia o meu coração acelerar. Eu a queria proteger de tudo o que pudesse afetá-la. De tudo e todos. Um sentimento avassalador tomava conta de mim, e eu sabia que estava ferrado.