Eternamente
1 Praia e cabeça nubladas
Notas iniciais
Idas à praia deveriam diminuir o estresse, não afundar Yuri nele. As mãos frias, porém molhadas de suor, do rapaz relevam sua inquietação. O homem parado em sua frente, olhando as ondas atingirem a areia úmida da praia, não parecia ter notado isso. Na verdade, Yuri achava que ele não percebia muitas coisas.
Afundou seus pés descalços na areia, como se quisesse plantar-se ali para não correr quando chegasse a hora. Yuri sabia que algumas coisas aconteceram de repente, deixando as pontas mal acabadas e cheias de furos. Aquele romance sem pé nem cabeça o machucava e precisava acabar.
Otabek então olhou para trás, sorrindo para Yuri. Acenou com a cabeça antes de deixar a água lamber seus pés, andando mais em direção do mar. Aquele era um rapaz bom demais para se partir o coração.
Tudo aconteceu quando não deveria. Reencontraram-se, criaram laços, amaram-se. Jovens demais, imprudentes demais, sequer levaram em conta se os sentimentos eram reais. E eram? E são?
Yuri foi posto em um pedestal. Era o amor de infância, o menino forte com olhos de soldado. Otabek o amava com todo coração e alma, Yuri amava-o o quanto se permitia amar. Então, mesmo sem acreditar, Yuri diz que ficarão juntos eternamente.
E em troca disto, Yuri permitia-se ser um tigre domado. Estar com Otabek fazia de seu coração mais puro, como se nenhuma grosseria pudesse sair dali e ninguém fosse se machucar. Só Deus sabe como Yuri gostava sentir essas sensações, podia sentir que ainda tinha beleza em si.
Talvez, mentir seja uma gentileza, ou sequer fosse uma mentira. Otabek amava Yuri na mesma medida que Yuri precisava do amor de Otabek. E estava tudo bem desse jeito. Então, seus pés soltaram-se da areia para correr até a água e lavar, temporariamente, todas essas ideias de sua cabeça.
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