Notas iniciais
Escute "Land Called Far Away" da Colbie Caillat enquanto você lê.

Fechei a porta atrás de mim e encostei-me a ela, refletindo sobre o que havia acabado de acontecer.

Geralmente, eu era tímida demais para conversar com um garoto bonito porque eu ficava nervosa e acabava falando besteira, mas com Jonas foi diferente. Ele era tão lindo e maduro que eu nem tentei impressioná-lo. Sabia que não tinha chance.

Depois de um longo suspiro, puxei o meu corpo para frente e andei até a cozinha, para tomar o meu café da manhã. Mas não sem antes esbarrar em Chanel.

A cozinha estava vazia porque a minha mãe trabalhava aos sábados. Ela era dona de uma famosa empresa de eventos, que tinha um escritório na Larson Street, no centro da cidade. Seu escritório era diferente dos outros escritórios que eu já tinha visto em Windsfield. Ele tinha um ar de loja, por causa das diversas peças e coisas expostas em prateleiras e vitrines.

Parei em frente à nossa geladeira inox e observei por alguns instantes a foto do meu falecido pai presa à porta com dois imãs.

Meu pai faleceu de câncer de próstata quando eu tinha seis anos de idade, portanto minhas memórias dele são vagas. Eu só recordava-me do seu rosto por causa das fotos espalhadas pela casa, senão ele seria apenas um fantasma que a minha mãe acidentalmente mencionava durante nossas conversas e discussões.

Enchi minha gigantesca caneca de Star Trek com o café que a minha mãe havia deixado pronto na cafeteira. Liguei o pequeno som que ficava no canto de um dos balcões e “A Foggy Day (In London Town)” do Michael Bublé começou a tocar, me fazendo sorrir.

Não há nada melhor do que ouvir jazz pela manhã.

♥ ♥ ♥

Tranquei a porta da frente e desci a escada de cinco degraus da varanda, caminhando até o sedan azul de Sofia que estava parado junto à calçada da minha casa.

— Me desculpe por ter desligado o telefone na sua cara. – Sofia disse, assim que entrei no carro. – Eu estava meio chateada por você ter se desligado da nossa conversa para ficar babando no cara novo.

— Está tudo bem, Sofia. Eu te perdoo. – assegurei-a com um sorriso.

— Você é a melhor, Nikki.

Rimos e Sofia iniciou o carro, dirigindo para longe da minha casa com rapidez. Mas não o suficiente para que eu não conseguisse olhar a casa de Jonas uma última vez. Eu não sei muito bem o que se passava na minha cabeça, mas lá no fundo eu sentia vontade de entrar na casa, apenas para olhar o dono dela mais uma vez.

Queria saber por que ele havia escolhido Windsfield dentre tantas cidades no Estado de Wisconsin. Por que ele escolheu aquela casa sinistra e em frente à minha, dentre tantas outras casas à venda. Queria saber se ele tinha namorada ou noiva ou esposa ou qualquer coisa do gênero. Mas era apenas um pensamento desejoso. Eu não tinha a menor chance com Jonas. Eu tinha quase cem por cento de certeza de que eu não fazia o seu tipo.

Na minha cabeça, Jonas Stoll se interessava por mulheres deslumbrantes com um corpo escultural. Um emprego chique e importante, como uma advogada ou médica. Mulheres inteligentes e maduras. O tipo de mulheres que andam de salto alto com a mesma facilidade que a Gisele Bündchen e possuem uma biblioteca em casa com uma estante especial com todas as obras de William Shakespeare e Mark Twain.

E eu? Eu estava longe de me encaixar nesse padrão.

Nunca fui deslumbrante e apesar de nunca ter sido gorda demais ou magra demais, meu corpo não era nem um pouco escultural. Pelo menos, eu não o considerava escultural. O único emprego que eu tinha era durante as férias de verão, quando eu fazia um extra no restaurante do tio Lucas como garçonete. Sempre que eu precisava andar de salto acabava quebrando alguma coisa e caindo de cara no chão. E o mais perto de um Twain que eu cheguei foi a Shania Twain.

Eu não era madura. Nem um pouquinho. Quero dizer, que tipo de garota madura assiste o Disney Channel e têm um pijama do Teletubbies? Ou que possui mais de setenta fotos e GIFs do Fall Out Boy no celular? Ou que discute com qualquer idiota que diga que Star Wars é melhor do que Star Trek? A resposta é: nenhuma.

— Você está calada. Calada até demais. O que foi? — Sofia indagou, franzindo a testa.

— Não é nada. Eu só estou com cólica. — menti.

— Oh. Por que você não me disse? Nós poderíamos ter ficado na sua casa.

Sofia se preocupava muito com besteira. E eu achei incrível como ela não descobriu a minha mentira deslavada, considerando que eu havia passado a semana anterior toda reclamando sobre como ser mulher é uma droga, coisa que eu só fazia durante a semana da minha menstruação.

— Você quer um Midol? — Ela perguntou, enfiando a mão dentro da bolsa no meu colo.

— Não precisa. Eu já tomei um. Obrigada, Sô. — disse, sorrindo.

Ela sorriu de volta e ligou o som do carro. "I Like It Like That" do Hot Chelle Rae começou a tocar e nós imediatamente começamos a dançar. Mas depois de algumas músicas, nós chegamos ao nosso destino: Larson Street.

A Larson Street era uma de longa rua de paralelepípedos de Windsfield. Ela era antiquada para muita gente, pois a maioria das lojas de roupas eram vintage.

As lojas tinham fachadas estreitas, mas não necessariamente elas eram pequenas. Eram perfeitamente pintadas e com uma seleção de cores cuidadosa, para que elas combinassem umas com as outras. Os cafés e restaurantes da Larson eram tão lindos que mesmo depois de comer, eu ainda passava algum tempo neles, observando a decoração e aproveitando o ambiente.

Nós entramos em algumas lojas, compramos algumas peças de roupas e alguns livros e então paramos para tomar um frozen yogurt.

Sofia entrou na loja e eu me sentei em uma das mesas que ficava do lado de fora, na calçada. Ela demorou apenas dez minutos dentro do lugar, pois ele geralmente estava vazio. Eu temia que algum dia ele fechasse as portas.

— Aqui está. – Sofia disse se aproximando da mesa em que eu estava sentada. – Um frozen yogurt de morango para viagem.

Sorrimos uma para outra e eu peguei o iogurte da mão dela.

Voltamos a caminhar pela linda rua de paralelepípedos. Levei a colher branca de plástico cheia de frozen yogurt de morango algumas vezes até a boca, antes de começar a cantar:

— I love froyo, oh, oh, oh-oh. It's so YOLO, oh, oh, oh-oh, oh-oh.

— Frozen yogurt is my favorite treat. Sweet and yummy, froyo's all I eat. 'Cause you only live once. – completamos juntas, enquanto fazíamos uma dancinha discreta e meio ridícula.

Soltamos risadas altas e continuamos a caminhar.

“Froyo YOLO” é uma música do seriado da Disney “Liv e Maddie”, algo provavelmente muito infantil para adolescentes de dezesseis anos, mas Sofia e eu nunca fomos muito convencionais de qualquer forma.

Mas então eu me lembrei de Jonas e parei de sorrir. Que tipo de garota madura canta uma música e dança no meio da rua parecendo uma louca?

— O que há contigo, Nikki? Você está estranha desde quando eu fui te buscar. – Sofia reclamou, me parando no meio da rua.

— Você me acha madura, Sofia? – perguntei, sem rodeios.

— Você? É claro que não! – Ela respondeu soltando uma risada. – Mas relaxa, os caras curtem isso. Se não curtissem, você não teria metade dos caras do time de basquete de Windsfield High atrás de você.

— Mas e os caras mais velhos? Eles gostam disso também? – perguntei, meio acanhada, mas interessada.

— Eu não sei. Por que você quer saber?

Engoli em seco. Havia me esquecido que Sofia era muito boa para sentir as coisas no ar.

— Por nada. – disse rapidamente. Rápido demais.

— Annika Francesca Grimmie, você está falando do nosso novo vizinho? – Ela perguntou com um sorriso malicioso.

Eu não abri a boca.

— Ai meu Deus! Nikki, você é uma psicopata. O cara mal chegou à cidade e você já está babando nele? Sério, garota, você precisa procurar ajuda profissional. – Ela exclamou, um pouco alto demais para o meu gosto.

— Ai, esquece Sofia. –Eu disse, irritada.

Batendo os pés, fiz o caminho mais curto até o lugar onde ela havia estacionado o carro.

Durante a viagem de volta, Sofia continuava rindo da minha cara.

Notas finais
Tradução: "Eu amo froyo, oh, oh, oh-oh. É tão YOLO, oh, oh, oh-oh, oh-oh. Frozen yogurt é meu doce favorito. Doce e delicioso, froyo é tudo o que eu como. Porque você só vive uma vez." Froyo - Frozen Yogurt YOLO - You Only Live Once (Você só vive uma vez)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.