– Não que eu não goste da sua companhia, mas, ainda acho que deveria voltar pra casa. – Jane me disse pela vigésima vez.

A alguns dias atrás eles foram embora, me procuraram pela ultima vez tentando me fazer mudar de ideia, eu neguei, é claro. Me sentia culpada por deixa-los preocupados, principalmente a minha família. Mas, de certa forma, era melhor assim. Não podia deixar meus sentimentos me influenciarem. Dei um ultimo soco no boneco de mentira, e logo em seguida tirei minhas luvas a jogando para qualquer canto.

– Não tente me fazer mudar de ideia também. – pedi.

– Quero o seu bem! – a voz dela tremeu um pouco ao dizer isso.

– Se quer mesmo o meu bem deve me apoiar. – sentei no canto da sala de treinamentos, onde só estávamos nós duas, e a loira me acompanhou.

– Você não pensa neles? – perguntou-me.

Me encostei na parede que ficava logo atrás de nós e suspirei. Podia sentir o olhar de Jane, intimidadora mente em mim. Já não me importava tanto com essa sensação. Mas, foi impossível impedir que meus olhos se fechassem, me levando para bem longe, para onde eu precisava estar, no momento.

– Todos os dias da minha existência.

– Então volta! – suspirei de novo – Sabe, é tudo tão fácil pra você. Tem uma casa, uma família, e pessoas que lhe amam.

Abri os olhos por um minuto, me senti culpada pelas palavras de minha recém amiga. Ela tinha razão, as coisas eram fáceis pra mim, comparado a situação dela. Jane não tinha uma família – exceto por Alec – não tinha amigos, o máximo poderiam ser seu companheiros de guarda. Ela não tinha para onde correr de algo desce errado na guarda. Então, pela primeira e única vez na vida, eu senti dó de Jane.

– Nunca pensou em sair daqui? – perguntei curiosa.

– E pra onde eu iria? – foi uma pergunta retorica – Grande parte dos clãs desse mundo tem um bom motivo para me odiarem.

– Os Cullen. – falei simplesmente e ela riu.

– Você não pode estar falando sério. – ela suspirou – Não existe nenhum clã que me odeie mais do que a sua família.

– Te aceitariam de braços abertos, se você mostra-se real interesse.

– Pensarei nisso. – rimos juntas.

Não sei de certo o que aconteceu naquele momento, foi forte, doloroso, e rápido demais para que eu pudesse distinguir. Cai com o resto de meu corpo, que no momento estava se contorcendo por inteiro, no chão. Jane apareceu na minha frente, minha visão e audição estavam fracos demais para saber do que ela falava. A dor era insuportável, quase pior do que o veneno. Eram chutes, e socos, tudo em um mesmo lugar. Minhas mãos estavam em meu abdômen na tentativa de que o fizessem parara. De repente a seção parou, mas a dor não. Fiquei no chão, me contorcendo e gemendo de dor. A única coisa que conseguia pensar era:

Jacob estava ferido.