Notas iniciais
Demorei muito? Acho que sim, mas tenho alguns leitores ainda?

Capítulo quatro.

(Pov. Travis.)

A professora bateu o livro na mesa.

– Teatro, uma das mais antigas formas que o humano criou para expressar seus sentimentos.

A Sra. Gempretur é a nossa professora de artes dramáticas, ela tem cabelos loiros curtos e esperados para todos os lados, olhos verdes que pareciam enormes detrás de óculos de aro, e sempre usa roupas extravagantes, hoje, por exemplo, ela usava calças verdes justas, bata vermelha, botas de couro e um lenço quadriculado no pescoço.

– Esse ano, já que é o primeiro de vocês no colegial...

– Avá? – Sussurrou Connor para mim, empurrei-o para o lado.

– Vamos encenar uma peça de teatro.

A sala inteira gemeu, Leo arregalou os olhos e Nico caiu do pufe, essa sala de aula era estranha, era circular, ao invés de carteiras nós nos sentávamos em pufe, cortinas coloridas enfeitavam as janelas, com luzes também coloridas.

– No quadro negro temos algumas sugestões – a professora bateu a mão no quadro.

Olhei o que estava escrito: Romeu e Julieta, Chapeuzinho vermelho (fala sério), Hamlet e João e Maria.

Tradução: Dois de Shakespeare e dois contos de fadas.

Ninguém merece.

– Então, quais irão fazer? – A professora sorriu.

Louca.

Gardner levantou a mão.

– Eu acho que deveríamos fazer Hamlet.

– Não. – Connor, Leo, Nico e eu falamos ao mesmo tempo.

– Quer fazer o que? Chapeuzinho Vermelho Stoll? – Gardner ergueu uma sobrancelha – Se quiser eu posso fazer a maquiagem.

A sala riu, corei e lancei meu pior olhar para ela.

– Silêncio sala, silêncio – a professora disse. – Então, que tal Hamlet?

– Ser ou não ser? Eis a questão – disse Connor.

– Idiota ou tonta? Eis a Gardner. – Falei alto o suficiente para que ela ouvisse.

– Babaca – ela disse.

– Tonta. – Retruquei.

– Idiota. – Rebateu ele.

– Burra.

– Lesado.

– Retardada.

– Podem parar de trocarem elogios e pular para a parte do beijo? – Connor arqueou uma sobrancelha.

– Cala a boca – eu e Gardner dissemos juntos.

– Crianças, silêncio – a professora implorou – Já que não se decidem, eu decido, vamos fazer Romeu e Julieta, e estou com uma idéia.

– Qual professora? – Perguntou Piper que se sentava ao lado da Gardner.

– Vocês dois – a professora apontou para Gardner e para mim. – Serão Romeu e Julieta, o casal apaixonado.

– Como assim? – Novamente eu e Gardner falamos em uníssono.

– Sim, vocês são per-fe-i-tos um para o outro.

– Somos? Não, não somos – balançamos a cabeça.

– São sim, o casal mais perfeito do século, assim como Romeu e Julieta.

– Só que eles morrem no final – sussurrou Nico.

Olhei para Gardner, e imaginei mil e uma maneiras de matar ela, seria legal.

Ah se seria.

(...)

– Não, isso é humilhação demais. – Falei. – Eu não vou fazer Romeu e Julieta com aquela... Coisa ridícula da Gardner.

– Ah Travis, vai dizer que você não gostou disso? Além do mais, eles se beijam, um monte de vezes – Leo deu ênfase no “monte”.

– Eu não vou fazer Romeu e Julieta, não vou contracenar com ela, não vou relar nela e muito menos beijá-la.

Biologia. Uma aula tão idiota, mas o professor era legal, se não me engano o nome dele era Apolo, um cara de vinte anos que parece querer ter a nossa idade.

– Sei. – Falou Leo.

– Cara, porque todo mundo diz que eu gosto dela, primeiro o Connor, agora você? Eu não gosto dela.

– Ah... Tá bom né?

Revirei os olhos e coloquei uma gota de não-sei-o-que em outra solução de não-sei-o-que, esta começou a expelir uma fumaça branca e espessa, aquilo me cobriu todo, e comecei a tossir descontroladamente.

– Bom você conseguiu um ponto positivo, Travis. – O professor disse com um sorriso, quando a fumaça baixou todos riram, franzi a testa e olhei para Leo, que mordia os lábios, segurando uma risada.

– Que foi? – Perguntei. – Me diga, porque todos estão rindo?

– Nada.

– Fala. – Peguei uma pinça e ameacei Leo, ele suspirou e disse:

– Olhe – apontou para uma janela, me virei para lá, sufoquei um grito, meu rosto estava branco, mas quando digo branco, é branco mesmo, da cor de papel, me virei e vi um vidrinho escorregar para o bolso de Gardner.

– Ah, sua... – Sussurrei enquanto esfregava meu rosto com a borda da camiseta.

Ela viu meu olhar sobre ela e deu um sorriso.

Garota irritante.

Notas finais
Rewiews? Espero que sim!!!!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.