Eternal Flame – O Fim
7 Eternidade
Notas iniciais
O grande tapete vermelho que se estendia até o fim do salão me causava enjôos.
Eu estava prestes a entrar no altar. O nervosismo já havia me dominado por completo há horas atrás e naquele momento estava sendo ainda pior.
A música matrimonial começou a tocar e meus joelhos tremeram. Naquele estado, qualquer passo em falso me faria despencar no chão.
– Está pronta querida? – perguntou Edward num sussurro, colocando o seu braço no meu com delicadeza.
– Honestamente, estou morta de medo – respondi dando um sorriso amarelo.
Meu pai riu. Começamos a caminhar pelo grande tapete coberto por pétalas de rosas brancas e vermelhas. Todos os olhares eram direcionados a mim com um sorriso gentil. Imaginei que estivesse corando.
A primeira coisa que procurei ali foi Jacob. Logo vi seus pés, depois o corpo – notando como ele ficava bonito trajando um terno preto sobre a camisa de seda branca – e então a cabeça, com o cabelo mais curto e arrumado, diferentemente do seu cabelo bagunçado que usava.
Sorri radiante, no entanto, meu sorriso desapareceu quando vi que Jacob não correspondeu. Ele continuou com a mesma expressão serena e os seus olhos não estavam em mim e sim em outra pessoa que caminhava na sua direção: Jennifer.
As suas madeixas loiras estavam esvoaçantes, assim como seu vestido verde-claro. Jenny andava lentamente na direção do altar, parando de frente para Jacob.
Olhei para papai. Ele estava com uma careta confusa, observando a cena com a mesma estranheza que eu.
– O que está acontecendo? – murmurei a mim mesma.
Jacob me deu um sorrisinho de canto e voltou-se para Jennifer, dando-lhe um beijo voraz.
– Não! – bradei, soltando-me do braço de Edward e correndo para separar Jake e Jenny. Que diabos era aquilo?
Empurrei-os para o lado, em completo desespero. Eles recuperaram-se imediatamente e avançaram na minha direção, derrubando-me em um abismo escuro.
E eu despertei...
Minha respiração estava acelerada, minhas mãos tremiam em completo pavor. Demorou até que eu voltasse à plena realidade de que estava tudo bem, tudo em seu devido lugar. Agradeci por ter sido apenas um pesadelo.
Chacoalhei a cabeça ferozmente. Eu não queria me desesperar com um insignificante sonho ruim, não no dia do meu casamento.
Olhei para o despertador colocado sobre o criado-mudo. Ainda eram seis e três da manhã e Alice sugerira que eu dormisse até as oito horas, pelo menos. Entretanto, depois do pesadelo, o que eu menos desejava era dormir.
– Já acordada? – Bella perguntou. Levei um susto ao vê-la sentada na poltrona branca em uma das extremidades do quarto. Ela era tão silenciosa que passava despercebida. – Desculpe-me pelo susto, mas eu estava fazendo o seu café e ouvi o seu choro. Não pude deixar de ver o que estava acontecendo.
– Foi um sonho ruim – comentei, ajeitando a postura na cama.
Minha mãe, em meio segundo, estava ao meu lado, segurando a minha mão.
– Venha, vamos tomar café. Logo temos que pegar o vôo para Forks. Esme e suas tias já levaram o vestido e suas malas pra lá.
– Rose resolveu ajudar?
– Pois é... ela se rendeu – Bella sorriu, me ajudando a levantar da cama.
– Aposto que Alice a persuadiu – comentei rindo.
– É, acho que sim – mamãe concordou disfarçando um sorriso. – Está com fome?
– Não sei se consigo comer. Estou tão ansiosa! – disse efusivamente, dando um salto. Borboletas se agitaram em meu estômago.
– Bem que Jasper poderia estar por aqui... – murmurou ela, reprimindo um sorriso.
– Mãe! – balancei a cabeça em negativa e desci correndo escada abaixo, de forma infantil. Eu estava tão nervosa que não conseguia distinguir direito as minhas ações.
– Você está bastante agitada, não? – Bella apareceu em minha frente, dando-me um belo susto.
– Eu estou com tanta expectativa... Faltam algumas horas para o casamento e a casa segundo que se passa eu me sinto enjoada, nervosa e ansiando por ver Jacob.
– Eu também me senti exatamente assim, Nessie – mamãe contou, unindo as minhas mãos nas suas, afagando-me a face e então me conduzindo à mesa da nova casa.
Bella encheu uma xícara de porcelana com café e leite até a borda e entregou-a a mim.
– Agora relaxe e coma um pouco, ou quer se sentir mal no meio do casamento? – disse ela, arqueando uma das sobrancelhas.
Coloquei dois torrões de açúcar no líquido amarronzado, que Jake costumava dizer ser a cor dos meus olhos. Girei uma pequena colher ali, fazendo o café se movimentar na xícara, o que acabou prendendo minha atenção por algum tempo. Minha mãe ficou me observando durante o tempo todo, como se gostasse de ver a forma extremamente humana de como aquele movimento sem importância me deixava divagando.
Tomei um pouco da bebida, mas meu estômago se retorcia em protesto a cada gole.
Afastei a xícara com a mão, balançando a cabeça em negativa.
(...)
Nove horas e três minutos.
Eu não conseguia tirar os olhos do relógio enquanto me vestia para ir ao aeroporto.
Minha mão estava trêmula quando eu fechava o zíper na lateral do vestido bege. Eu torcia para que, no momento do casamento, eu não pensasse em nada só por olhar para Jacob. Serviria como uma ótima terapia ao meu excessivo nervosismo.
– Vamos? – disse mamãe, segurando uma bolsa de couro preta e, então, entregando-a a mim. – Vai precisar disso mais tarde.
Abri a bolsa e ali tinha a chave da nossa antiga casa em Forks e uma quantia em dinheiro. Assenti, agradecendo.
Atravessamos a porta da frente e antes de começarmos o caminhar até a mansão – para pegarmos o carro – apoiei os braços nas tábuas de madeira que circundavam toda a varanda, inspirando o ar do bosque de Mandeville com os olhos fechados, para então ir até Bella, que me esperava a poucos metros do sobrado.
(...)
Paramos o carro próximo a uma clareira e eu me perguntava o porquê de estarmos ali.
Minha mãe desceu do carro e abriu a porta para mim, fazendo com que eu descesse também. Eu o fiz, embora estivesse confusa e receosa.
– O que estamos fazendo aqui? Não deveríamos estar a caminho do aeroporto? – indaguei.
– Nada de ficar preocupada, não vamos perder o avião.
– Assim espe... – quando vislumbrei as asas de um jatinho, esqueci de tudo o que eu iria dizer. – Ai. Meu. Deus – sussurrei, correndo até o pequeno avião. – Então quer dizer que vocês...
– Isso mesmo! Compramos um jatinho particular para tornar tudo isso ainda mais especial.
– Mãe, você é incrível – murmurei abraçando a cintura de Bella, quase chorando de felicidade.
– Você sabe que fazemos de tudo para vê-la contente – disse mamãe, erguendo o meu rosto com a ponta do dedo indicador para que pudesse beijar a minha testa. – A ideia foi de Alice, é claro. A princípio nós achamos um pouco exagerado, mas um tempo depois acabamos aceitando a proposta de sua tia.
Eu sorri, subindo os degraus para adentrar o jato.
– É muito bonito! – exclamei, observando os doze bancos de couro branco que ficavam enfileirados de dois em dois – três duplas divididas em duas fileiras, separadas por um estreito corredor.
– Sente-se filha, e eu falarei para o motorista que podemos decolar – murmurou minha mãe, e eu o fiz, afundando-me no confortável banco de couro.
– Sr. Lockwood, podemos ir – escutei Bella avisar dentro da cabine do piloto. Qualquer humano nunca escutaria, porém, devido à minha ótima audição, eu ouvi com bastante clareza.
O avião decolou assim que mamãe ajeitou a postura no assento e colocou o seu cinto de segurança. Senti um pequeno frio na barriga quando o jato subiu a uma altura considerável.
(...)
Foram duas horas cansativas de viagem. Cochilei algumas vezes, tentando repor o sono perdido.
Quando as rodas do jato tocaram o solo, eu sorri, observando pela pequena janela do avião as espessas nuvens escuras de Forks que eu tanto conhecia.
Rosalie, Alice e Esme nos receberam amigavelmente, todas felizes por mim, inclusive Rose, abraçando-me com um sorriso sem graça, como se dissesse: Pois é, eu estou aqui.
– A decoração está quase pronta, Nessie! – contou tia Aly com a sua voz de sino. – Está ficando linda e simples como você nos pediu.
– Obrigada, muito obrigada – agradeci, abraçando a cintura de Alice e repousando a cabeça em seu peito gélido.
Lágrimas encheram os meus olhos, embaçando todo o meu campo de visão. Era impossível não me sentir emocionada com o tamanho esforço que minha família fazia por mim e Jacob.
– Não é para você estar chorando, Renesmee – sussurrou Alice em meu ouvido, limpando minhas lágrimas com a palma das mãos. – Agora vamos, você precisa de um bom banho de banheira – disse ela, segurando minha mão enquanto corríamos na direção da mansão; Rosalie e Bella vinham atrás de nós.
– E Jacob? Já está aqui? – perguntei.
– Sim. Ele chegou há algumas horas... deve estar ajudando aos outros em La Push – murmurou minha tia, e então voltou-se para frente novamente. – Chegamos!
– Isso aqui está intacto – eu disse à Alice, gesticulando para a casa. – Sei que nos mudamos há apenas três meses, mas mesmo assim... – deixei a frase no ar, e então me apressei para adentrar a mansão.
– Renesmee! – Jennifer saudou, abrindo os braços para me abraçar assim que me mostrei pela fresta da porta.
Recuei, tendo a clara lembrança das imagens dela beijando Jacob com voracidade enquanto eu dormia.
Fora só um sonho, lembrei a mim mesma.
– Olá, Jenny – cumprimentei, aceitando ao abraço.
A garota sorriu pra mim, depois girou o corpo na direção de Alice.
– Já deixei tudo pronto para vocês na suíte, ok? Agora preciso ir... Tenho que me encontrar com Seth – Jennifer explicou apoiada nos calcanhares, se balançando para trás e para frente. – Vejo vocês daqui algumas horas. Boa sorte pra você, Ness – ela piscou e deu um beijo rápido em minha bochecha, saltitando rumo à praia.
– Jenny e Seth estão se dando bem, não? – perguntei, mesmo estando convicta da resposta.
– Ah, com certeza. Eles adquiriram uma amizade muito boa – respondeu Esme, abraçando os meus ombros. – Estou até convencida de que possa se tornar algo mais...
– Isso é bom – sussurrei enquanto as vampiras me conduziam animadamente até o andar de cima.
Surpreendi-me pelo fato de tia Rosalie estar mais euforia em comparação às outras; e também o fato de um sorriso de orelha a orelha preencher o seu rosto a cada palavra minha direcionada a Jacob.
– Ok. Começaremos com um bom banho de banheira – anunciou Aly, arrastando-me para o banheiro da suíte. – Não tenha pressa – murmurou ela, trancando a porta de correr.
Inspirei profundamente, fazendo os ombros se erguerem na altura do queixo. Andei lentamente na direção da banheira e reparei numa tigela de morangos jazendo em sua borda de mármore com um bilhete escrito com letras bem desenhadas:
Se estiver com fome, deixei esses morangos para você!
Com amor, Jennifer.
Sorri, mordiscando um dos morangos mais maduros do recipiente. Jenny estava se mostrando casa vez mais amigável, e eu gostava daquilo.
Tirei o vestido bege e a lingerie cor-de-rosa e sentei-me na banheira, procurando relaxar e descansar a cabeça por pelo menos um minuto.
Fechei os olhos, suavizando a expressão. Deixei meus cachos avermelhados flutuarem na água coberta por espumas que estouravam de vez em quando, dependendo de como eu me mexia.
Comi mais uns três ou quatro morangos. Depois, umedeci o rosto, principalmente as têmporas, massageando-as para não haver indícios de uma forte dor de cabeça por conta da ansiedade.
Levantei lentamente da banheira de ferro fundido, envolvendo o corpo com uma toalha branca.
Enxuguei a ponta dos cabelos molhados, em seguida o corpo e, por fim, coloquei o roupão verde-claro que Alice deixara sobre a bancada.
– Filha, já terminou? – perguntou Bella, abrindo a porta até que seu corpo coubesse no pequeno espaço entre aquela porta de correr e a parede.
– Sim, sim – respondi, amarrando a faixa em torno do roupão.
– Ok, vou avisar à Alice para aprontar o seu vestido – murmurou ela, e então saiu, tornando a fechar a porta.
Vesti chinelos de pano e fui até o quarto, onde tia Aly segurava o bonito vestido curto e branquíssimo pelo cabide.
Suspirei enquanto Alice estendia-o para mim. Peguei-o das pequenas mãos de Aly delicadamente, com medo de que qualquer movimento brusco pudesse deteriorá-lo.
– Antes de vesti-lo, Nessie... precisamos arrumar você! – lembrou Rosalie, puxando-me até uma cadeira que as vampiras haviam providenciado.
Larguei o vestido relutante. Eu queria ficar a tarde toda segurando-o, para me acostumar com a ideia de que teria de vesti-lo horas depois, quando estaria eternizando o meu relacionamento com Jacob.
– Que penteado prefere? – perguntou tia Rose, olhando animadamente para mim.
– O que você achar melhor – respondi, dando um meio sorriso.
– Queria que você fosse mais objetiva, mas, tudo bem, eu vou caprichar – disse Rosalie, apontando para o secador sobre a penteadeira para que eu o alcançasse a ela. – Alice, enquanto isso comece a maquiagem dela – Rose pediu, e tia Aly atendeu prontamente, caminhando na nossa direção com um estojo de pó compacto nas mãos.
(...)
– Prontinho! – anunciou Alice depois de duas horas trabalhando comigo, finalizando a sombra levemente prateada sobre minha pálpebra.
– Não, ainda não está terminado – murmurou Bella, trazendo uma pequena caixa branca revestida por seda.
Dentro da caixa estavam duas travessas pesadas de prata. Safiras azuis incrustavam-se em um padrão floral complexo no alto dos dentes.
– Era da minha avó Swan. Renée me deu nas vésperas do casamento e disse para eu passar para a minha filha. Eu nunca acreditei que isso aconteceria um dia, mas você está aqui – explicou minha mãe, entregando as duas travessas a Alice, que as colocou no alto do penteado, que, até então, eu não tinha ideia de como havia ficado, já que Alice não me deixou virar na direção do espelho.
– Agora você está oficialmente perfeita! – exclamou Rosalie, girando a cadeira.
Quando olhei minha imagem no espelho, fiquei espantada a tamanha beleza do trabalho das vampiras. Honestamente, eu havia ficado linda como jamais ficara um dia.
– Gostou? – Alice perguntou efusivamente, dando os seus saltos alegremente costumeiros.
Não respondi. Apenas o meu sorriso em êxtase enquanto tocava os cachos meio presos por um coque bagunçado dizia tudo sobre os meus sentimentos naquele momento.
A maquiagem estava feita de acordo com as sugestões que dei à Aly – fraca, mas muito bem detalhada. E o acessório que Bella me entregara dava um toque especial naquilo tudo.
Levantei da cadeira, pronta para formar um abraço coletivo com as três, no entanto, Alice me impediu, fazendo-me sentar novamente.
– Nada disso – minha tia balançou o dedo indicador negativamente. – Quer estragar todo o nosso serviço?
Eu ri, e o som do riso foi entrecortado por uma voz grossa e familiar.
Charlie.
– É seguro? – ele murmurou adentrando a porta, acompanhado de Sue e Renée.
– Vovô! É claro que sim! – repreendi incrédula por ele se mostrar com receio de nós.
– Ótimo – disse ele, avançando alguns passos na minha direção. – Uau, você está muito bonita, Nessie.
– Muito bonita mesmo! – concordou Renée, abraçando os meus ombros. – Ai meu Deus, você está usando as travessas da vovó Swan! – exclamou ela, tocando o acessório com os olhos marejando. – Passe-a para sua filha como uma herança de família – vovó pediu dando-me um beijo delicado na bochecha.
– É claro – balbuciei, lembrando-me vagamente da visão de Alice.
– Vocês fizeram um ótimo trabalho com a noiva – Sue elogiou, sorrindo para mim e abraçando-se a Charlie.
– Pois é, nossa obra prima ficou linda – disse Alice, afagando o meu braço. – Falta apenas o vestido.
– É melhor sairmos para que elas possam acabar a arrumação – advertiu Sue, levando Renée e vovô para o lado de fora do quarto.
– Ok, vamos prosseguir – Rose murmurou indo até o closet. Após alguns segundos voltou com o bonito vestido em mãos.
Tia Aly sorriu, rodopiando na direção de Rosalie para pegar a peça de roupa.
– Pode se vestir – Alice estendeu-me o vestido com um pequeno sorriso no rosto.
Suspirei, pensando no futuro próximo que estava reservado a mim e a Jacob. Nós dois num romance intenso e infinito, totalmente sem limites.
– Vá! – Bella ordenou, tirando-me dos devaneios. Empurrou-me até o banheiro, fechando a porta atrás de mim.
Eu ri, tirando o grosso roupão esverdeado e começando a vestir o vestido pelos pés, puxando-o até o peito para que eu pudesse fechá-lo.
Por fim, calcei o sapato de salto e saí do cômodo, me deparando com Jenny, Rebecca, Rachel, Bella, Alice, Esme, Rosalie, Kim e Claire já prontas, apenas me aguardando.
– Ness! – a pequena Claire exclamou, correndo para dar-me um abraço amistoso. – Você está muito bonita – ela elogiou com um brilho infantil nos delicados olhos.
Claire tinha pouco mais de dez anos, no entanto era tão pequena que aparentava uma idade menor.
– Está na hora – Jennifer balbuciou, segurando a minha mão e conduzindo-me até o andar de baixo.
Sorri radiante quando avistei Edward ali, observando algo além da janela. Quando ouviu nossos passos virou-se instantaneamente, oferecendo-me a mão gélida.
Quando finalmente segurei sua mão, ele me fez virar de costas. Levantou seu braço escondido atrás das costas e revelou estar carregando um bonito véu de tecido fino; colocou-o junto às travessas de safiras azuis com delicadeza.
– Agora está pronta – murmurou ele, sorrindo para mim.
– Muito obrigada, pai – agradeci enquanto abraçava a sua cintura, controlando o choro.
Edward verificou as horas no relógio de pulso por um momento. Então, levantou a cabeça e sussurrou no meu ouvido:
– Está na hora de irmos.
Concordei com a cabeça ainda repousando em seu peito. Uma pequena lágrima contornou meu rosto silenciosamente.
Edward me conduziu até o lado de fora da mansão; as mulheres vinham logo atrás de nós.
Eu e papai entramos no Volvo prata decorado por uma imensidão de rosas brancas. Ideia de Alice, com toda certeza.
(...)
Foram cerca de vinte minutos da casa até um lugar próximo da praia de La Push. Fiquei sem fôlego ao observar o cenário que me aguardava – uma plataforma cortava La Push ao meio. Sobre ela, vários bancos artesanais de madeira branca estavam devidamente enfileirados, todos com as extremidades contornadas por flores singulares. Um tapete vermelho encontrava-se no centro da plataforma, terminando num arco de rosas, onde estava o padre e uma pequena bancada à sua frente.
Algumas pessoas se ajeitavam no local, entre elas a pequena Katy Waterson, com seus lindos cachos loiros emoldurando-lhe o rosto.
– Temos que esperar alguns minutos – comentou meu pai.
– Que horas são? – perguntei; meus joelhos tremiam de nervosismo e ansiedade.
– Quatro e meia. Ainda faltam trinta minutos, querida.
– Preciso de alguma coisa par passar o tempo ou ficarei maluca – argumentei manhosa.
– Relaxe e desvie-se do que está acontecendo agora – sugeriu Edward, rindo do meu desespero.
Afundei-me no banco do carro, tentando seguir as instruções de papai. Permaneci fitando o vazio e pensando em coisas irrelevantes por um bom tempo, até que uma pessoa me chamou a atenção.
Jacob.
Saltei abruptamente do assento do automóvel. Jake estava incontestavelmente lindo – usava um smoking muito bem alinhado ao seu corpo e o cabelo havia sido cortado e ajeitado com um topete perfeito. Ele estava visivelmente nervoso enquanto caminhava lentamente pelo grande tapete vermelho.
– Ai meu Deus – sussurrei.
– Se controle – Edward repreendeu antes que eu tomasse qualquer decisão precipitada.
– Ok, eu vou tentar – segurei-me com força no banco do carro, cravando as unhas no couro daquele assento.
– É melhor descermos. Faltam apenas cinco minutos – disse meu pai.
Parecia que todo o oxigênio dentro do Volvo havia acabado.
– Tudo bem – balbuciei com um nó na garganta.
Abri lentamente a porta do carro e coloquei cuidadosamente os pés na grama, tentando não desabar no chão.
Assim que saí, Alice correu até mim, entregando-me um grande buque de lírios.
– Boa sorte – murmurou ela, dando-me um beijo na testa e correndo para a praia.
A marcha nupcial começou a tocar e eu apertei o braço de Edward com firmeza, totalmente sem fôlego.
– Me guie pai – pedi, engolindo em seco. – Eu não vou conseguir sozinha.
Ele beijou o topo da minha cabeça de forma fraternal e então começamos a caminhar.
Um passo de cada vez, disse a mim mesma. Fiquei feliz ao ver que meus pés estavam seguros no piso irregular na travessia entre a floresta e a plataforma.
Ergui lentamente os olhos e eles encontraram Jacob no fim do altar. Concentrei-me nele, não desviando o olhar por um instante sequer. Finalmente consegui relaxar, ignorando os múrmuros e sussurros dos convidados à medida que entrava em seu campo de visão e ignorando também as minhas bochechas exageradamente coradas.
Infelizmente minha atenção foi desviada para outro lugar, onde Seth fazia sinais de positivo na minha direção e o cheiro inebriante do mar me deixava zonza.
O nervosismo voltou e eu abaixei a cabeça novamente, fitando os meus pés fraquejando contra a minha vontade.
Quando finalmente subi no altar, pude me concentrar novamente em Jacob, que sorria tão radiante quanto o sol. Tive vontade de largar o buquê e atirar-me nos braços do lobo.
Edward, num gesto tão antigo quanto o mundo, segurou a minha mão e colocou-a na de Jacob.
– Oi – ele sussurrou e, em seguida, entrelaçou os nossos dedos.
Eu engasguei e não consegui pronunciar uma palavra sequer. A única coisa que fiz foi dar um sorriso desajeitado e alinhar a postura.
– Muito bem – disse o padre, fazendo um sinal com as mãos para que todos se acomodassem nos bancos. – Estamos aqui para celebrar a união de Jacob Black e Renesmee Carlie Cullen.
O lobo olhou furtivamente para mim e deu um daqueles seus sorrisos perfeitos... Senti-me totalmente em casa.
Os nossos votos foram simples e tradicionais, os mesmos que foram repetidos milhões de vezes em inúmeros casamentos. Menos com um casal como nós dois – uma híbrida e um transfigurador. Nada convencional... Mas, mesmo assim, sentíamos o amor e a atração que qualquer humano sentiria, talvez até mais intensamente. Além da paixão, éramos ligados pela magia do imprinting, uma “coisa de lobo” capaz de mudar vidas... como é o caso da minha.
Depois de todas as bonitas palavras do ministro, vieram as palavras definitivas. E só então percebi que estava inundada em lágrimas.
– Renesmee Cullen, você aceita Jacob Black como seu legítimo esposo, para amá-lo e respeitá-lo, até que a morte os separe?
– Sim – consegui dizer de forma engasgada e sufocada, num sussurro quase ininteligível.
– Jacob Black, você aceita Renesmee Cullen como sua legítima esposa, para amá-la e respeitá-la, até que a morte os separe?
– Sim – a sua voz soou muito diferente da minha: de forma clara e decidida.
Trocamos as alianças, cada um de nós, na sua vez, colocando o lindo anel de ouro no dedo anelar da mão esquerda do outro.
– E então eu os declaro marido e mulher – concluiu o ministro.
– Eu te amo – sussurrei enquanto ficava na ponta dos pés e me agarrava ao seu pescoço.
– Eu te amo – concordou ele, puxando-me para mais perto e beijando-me com ternura.
E, de repente, eu me esqueci de tudo. Do lugar, da multidão que nos observava e explodia em aplausos, do momento, de tudo... Só me lembrava de que ele me amava, que eu era dele. Para toda a eternidade.
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