Eterna paixão.
8 Caminhada.
Eu me espreguicei em minha cama, eu dormi tanto essa noite que meu rosto possivelmente está até inchado. Me levantei e fui até o espelho da minha penteadeira e sim, meu rosto estava inchado. Levei meu rosto e passei meu pó. Na verdade eu não passo muito mais.... tenho que me manter bela.
Vesti um vestido verde bem clarinho e meus sapatos. Desci as escadas e fui tomar meu café. Ele como sempre lia o seu jornal.
— O que tem para fazer essa manhã? Perguntou ele.
— Nada, por que? Tomei meu café.
— Iremos passear. Disse tomando um pouco de seu café.
— Passear? Perguntei surpresa.
— É passear, caminhar, sei lá qualquer coisa. Disse ele.
Eu apenas sorri.
Depois do café subi para pegar meu chapéu e minhas luvas. Desci as escadas e o vi conversar com Rosa em um canto.
Me desconfortei.
Voltei para trás, não quero mais passear.
— Mudou de ideia em passear comigo? Perguntou ele.
Eu já estava subindo as escadas, me virei e o olhei.
— Achei que ia levar em meu lugar sua amante. Disse olhando com raiva para ela.
— Rosa não é minha amante Elena, ela só.....
Terminei sua frase.
— Só passa as noitadas com você em seu quarto. Sorri.
Ele sorriu.
— Pois é. Brincou.
Desci as escadas e abracei seu braço esquerdo.
— Só vou por que já estou pronta. Disse.
— Claro. Disse ele duvidoso.
Saímos de casa.
Sabe aquela sensação de todo mundo estar te olhando. Pois é, é o que está acontecendo comigo, conosco aliais.
— Eu me sinto em um circo. Disse ele.
— Por que olham assim para nós? Perguntei.
— Por que sou casado com você, e você é casada comigo. Disse ele.
— É por causa disso? Perguntei não acreditando.
— Não, todos sabem onde eu vou a noite, e mesmo estando casado com você eu continuo frequentando o bordel.
Sorri.
— Coisas de homens que não sabem dar valor as suas esposas. Provoquei.
Ele sorriu em aceito a provocação.
— Vamos um bolo na confeitaria? Perguntou ele.
— Claro, mais em qual? Perguntei.
Ele sorriu.
Entramos logo em seguida na confeitaria da Maria.
— Maria faz bolos deliciosos. Disse ele puxando a cadeira para me sentar.
— Obrigada.
Nem dentro da confeitaria os olhos curiosos nos deixavam. Rodolfo pediu um delicioso bolo de laranja, mais esse tinha algo diferenciado.
— Do que é feito? Perguntei. — Sei que é de laranja mais tem algo amais aqui. Disse.
— Canela. Sorriu.
— Canela? Perguntei preocupada.
Eu tenho alergia a canela e a morango.
— Sim por que? perguntou rindo.
— Eu tenho alergia a canela, da ultima vez que comi meu rosto virou uma bola. Disse.
Ele me olhou preocupado.
— Quantos pedaços comeu? Perguntou ele.
— Três. Disse.
— É o necessário para fazer esse rostinho virar um bola? Perguntou rindo.
— Sim. Disse.
Ele se levantou e foi pagar o nosso café. Me ajudou a levantar e começou a correr me segurando pela mão.
— Onde estamos indo? Perguntei tentando ir ao seu ritmo.
— No medico. Disse.
— Mais podemos ir mais de vagar? Não consigo te acompanhar com esses sapatos. Disse.
Ele não me escutou.
Entramos dentro do consultório do Dr. Renato. Minutos depois eu o vi me dar um remédio.
— Esse remédio não deixara sua alergia florescer. Disse sorrindo. — Cuidado com o que come. Disse.
Me levantei da cadeira e fui até Rodolfo e ria.
— Do que está rindo? Perguntei furiosa.
— Se tivéssemos chegado tarde, seu rosto estaria uma bola. Disse rindo.
Me preocupei. Coloquei minhas mãos sobre meu rosto para ver se alguma parte estava inchada.
— Seu..... Miserável. Disse também rindo.
Saímos do consultório e fomos para casa. Quando chegamos Rosa estava saindo correndo com o seu filho.
Rodolfo se preocupou.
— O que houve? Perguntou me deixando na porta.
— A febre piorou. Disse ela.
Rodolfo pegou o menino no colo e veio até mim.
— Vou levar eles até o posto medico. Disse.
Eu não disse nada, só fiquei olhando eles saírem. Rodolfo por ser um patrão, está bem preocupado com aquele menino.
Me deitei no sofá da sala e fiquei pensando, do por que daquela preocupação toda.
Fechei meus olhos e não demorou muito para escutar sua voz.
— O que houve? Perguntei me sentando.
Ele sorriu para mim.
— Acho que você dormiu no sofá. Sorriu.
Me levantei.
— Como o menino está? Perguntei olhando aos arredores para ver se encontro o menino e Rosa.
— Ele está bem agora, já tomou o medicamento e está dormindo com a mãe. Disse.
Olhei para ele.
— Por que essa preocupação toda com aquele menino? Perguntei.
Ele se afastou
— Não é preocupação. Disse ele nervoso.
— Rodolfo o que está me escondendo a respeito daquele menino? Perguntei seria.
Ele respirou fundo. Por algum momento achei que ele fosse responder.
— Ele é uma criança sem..... Engoliu seco. — Sem pai, só quis ajudar. Disse ele.
Eu não acreditei.
— Eu não acredito, mais só lhe falo uma coisa, se eu souber de algo em relação aquele menino eu nunca vou te perdoar e irei embora dessa casa, entendeu? Perguntei seria.
Ele só me olhou.
— Faria isso? Perguntou.
— Quantas vezes precisar. Disse.
Sai da sala e fui para o meu quarto. Entrei dentro da banheira para me banhar.
Enquanto esfregava meu corpo eu pensava no dia que tive, até chegar em casa.
Aquela preocupação me incomodava muito, tem alguma coisa nessa relação entre Rodolfo, Rosa e seu filho. Eu tenho que descobrir.
E alguém que também sabe desse segredo é Severina.
Me troquei e desci as escadas, entrei dentro da cozinha e só havia ela.
— Severina eu sei que você sabe. Disse.
— Do que a Sra. está falando? Perguntou confusa.
— Do Rodolfo meu marido e sua preocupação com aquele menino, me fala. Pedi.
Ele ficou nervosa.
— Por favor Sra. deixe isso quieto. Disse ela se afastando de mim.
— Não, eu tenho que saber, moro nessa casa, sou a dona daqui e não quero segredos sobre meus olhos. Disse brava. — Me conte.
Antes dela abrir a boca ele entrou na cozinha.
Droga, tinha que entrar?
— Achei que não iria descer, achei que estivesse brava comigo. Disse ele olhando serio para Severina que se recuou.
— Eu estou. Disse. — Não sei o por que de sentir que essa casa está cheia de segredos e em baixo do meu nariz, mais eu sempre descubro as coisas. Disse saindo da cozinha.
Subi para o meu quarto e logo ele veio atrás de mim.
— Saia do meu quarto. Pedi.
— Não. Disse ele se aproximando. — Não há nada que tenha que descobrir sobre aquele menino Elena, e não quero que fique fuçando onde não é chamada.
— Onde não sou chamada? Rodolfo essa é a minha casa e tenho que saber o que se passa aqui dentro, e do por que meu marido está tão preocupado com o filho de uma perdia. Disse.
Ele se irritou.
— Eu não sou seu marido. Disse ele.
— Claro que é, se não fosse por que estaria usando essa aliança.
Ele se aproximou de mim.
— Sim, sou seu marido para todos verem, mais não sou seu marido a porto de deitar nessa mesma cama que você. Disse ele apontando para a minha cama.
Engoli seco.
— Rodolfo por favor saia do meu quarto. Pedi novamente.
Ele atendeu meu pedido. Saiu do meu quarto fechando a porta vagarosamente.
Me sentei em minha cama e pensei em algumas coisas. Papai tinha razão, eu deveria ter me deitado com ele, pelo menos assim essas coisas não seria jogadas na minha cama.
Desci para jantar, mais ele não estava. Subi depois de alguns minutos e vi sua porta aberta e uma imagem que nunca vi em minha vida inteira.
Pela porta quase fechada eu pude ver ele sem a toalha.
Ele me viu. Se enrolou na toalha e veio até a porta.
— Quer alguma coisa? Perguntou.
— N-não. Disse nervosa.
— Tem certeza? Perguntou.
— Tenho, absoluta. Disse saindo da minha concentração que era ele.
Ele sorriu.
— Então se me der licença. Disse fechando a porta na minha cara.
— Sem, educação. Disse saindo de frente a sua porta.
Entrei em meu quarto e me troquei e me deitei.
E mais uma noite não escutei nada vindo do seu quarto.
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