Eterna paixão.

6 Prigas familiares.


Eu já estava de saco cheio de ficar nessa casa sozinha com a Severina e aquela Rosa dos infernos.

Fui até a cozinha.

— Severina está ocupada? Perguntei educada.

— Não Sra, o que deseja?

Me aproximei dela.

— Quero ir na casa dos meus pais, pode me acompanhar? Perguntei sorrindo.

— Claro Sra. Sorriu. — Vou só me trocar e já volto.

— Tudo bem. Sorri.

Severina saiu e logo Rosa apareceu.

Respirei fundo incomodada.

— Sra. Elena o Sr. Rodolfo pediu para não deixar a Sra. sair da casa.

Revirei meus olhos.

— Eu não irei sair sozinha irei na casa dos meus pais vê-los junto com Severina. Disse saindo. — E diz para o seu Sr. que ele não manda em mim.

Sai da cozinha e fui para o meu quarto, me arrumei com um vestido branco com rendas, com um chapéu combinando com o vestido e minhas luvas.

Severina está bem arrumada.

— Nossa, que linda. Sorri.

— Obrigada Sra. Sorriu.

Saímos de casa e começamos a caminhar pelas ruas do Rio. Estava muito sol.

— Nossa que calor. Disse me abanando com a mão.

— Eu tenho um leque, não é chique mais acho que pode servir. Disse Severina me entregando seu leque.

— Não Severina, eu aguento, não sou tão fraquinha assim. Sorri.

— Tudo bem Sra. Sorriu. — Mais se quiser é só pedir.

— Obrigada.

Caminhamos mais um pouco até ver meu irmão.

— Arthur? Ele estava saindo do bar.

— Elena. Sorriu ele me abraçando. — Achei que só ia ver você daqui alguns anos.

— Não mesmo. Sorri. — Essa é Severina minha empregada e minha mais nova acompanhante de passeios. Sorri.

Ele riu.

— Rodolfo deixou você passear? Perguntou ele.

— Rodolfo não manda em mim. Disse.

A voz dele surgiu atrás de mim.

— Que bom saber. Disse ele.

Me virei assustada. Que ótimo ver esse homem aqui, era só o que me faltava.

— Pois é. Disse. Para provocar eu disse coisa que não devia. — Acabou de sair do bordel? Ou vai levar agora o bordel para casa? Provoquei.

Ele me olhou irritado.

Arthur nos olhou e viu a tensão entre nós.

— Quer ir em casa Elena? Perguntou Arthur.

— Era para lá que eu iria mesmo, quero ver a mamãe. Sorri.

— Então vamos? Perguntou ele.

— Vamos.

Me virei para Rodolfo.

— Nos vemos em casa a noite. Sorri. — Tchau marido. Provoquei.

Ele me segurou pelo braço.

— Teremos um conversinha muito seria em casa. Disse ele.

Me soltei de seu braço e fui com Arthur e Severina. Olhava para trás e via os olhos de raiva dele.

Subimos em cima da carruagem e fomos para a casa dos meus pais. Arthur ficou quieto o caminho todo.

Quando chegamos minha mãe logo veio me abraçar, meu pai veio logo depois.

— Como você está? Perguntou ela.

— Estou bem. Disse.

— Não me parece. Disse ela. — Eu esperava vê-la aqui algumas semanas, achava que gostaria de ficar com o seu marido. Sorriu.

— Não suporto a presença dele perto da minha. Disse com raiva.

Meu pai se sentou ao meu lado.

— Por que? Perguntou ele.

Respirei fundo.

— Não suporto ele, e ele também não me suporta e..... Respirei fundo ao pensar no que ele fez na noite de núpcias.

— E? Perguntou minha mãe.

Eu sei que é constrangedor falar essas coisas na frente do meu pai.

— Eu posso falar com a mamãe a sós, é coisa de mulher pai.

Ele sorriu. Sai da sala.

Minha mãe me levou para o meu antigo quarto e nos sentamos em minha antiga cama. Que saudades.

— O que está havendo? Perguntou ela.

Respirei fundo.

— Mãe eu.... eu não me deitei com ele. Disse com vergonha.

— Como? Perguntou ela.

— ora mãe, a senhora sabe como. Disse nervosa. — Eu não quis, eu não quero e nunca irei querer. Disse.

— Mais minha filha, é a sua obrigação compartilhar sua cama com o seu marido. Disse ela.

— Com o marido que eu ame, que eu não sinto nojo mãe. Disse.

— Se o seu pai souber disso ele.....

Papai apareceu na porta.

— Eu sabia que havia alguma coisa. Disse ele. — Eu vi Rodolfo no entrando no bordel naquela noite. Disse ele vindo com raiva até mim. — Você não tem nem a capacidade de se deitar com o seu marido?

— Pai..... Ele passa as noites naquele bordel nojento, acha que eu irei me deitar com ele? Me levantei o enfrentando.

— Sim, é a sua obrigação, a obrigação de toda a mulher servir o homem como for. Disse ele.

Arthur entrou no quarto.

— Não, não é. Disse ele me puxando para o lado. — Por que não cuida da sua vida pai, como faz todas as noites naquele bordel. Disse com raiva.

— Como se nunca tivesse ido.

— A questão é que eu não tenho esposa em minha cama esperando por mim pai, já você tem a mamãe que da de mil naquelas mulheres e você a deixa todas as noites. Disse ele.

Meu pai olhou para a minha mãe se sentindo culpado.

— Se ela não quis se deitar com Rodolfo deixe ela, é o corpo dela a vontade dela e não temos nada a ver com isso.

— Se Rodolfo a devolver por isso eu a mandarei para aquele bordel.

Aqui me magoou muito.

— Papai..... Comecei a chorar.

Sai daquele quarto e sai daquela casa junto com Severina. Arthur me alcançou.

— Elena não fica assim. Disse ele me segurando.

— Papai é um monstro Arthur, um monstro. Disse chorando. — Me leve para a minha casa. Pedi.

— Claro.

Entramos dentro da carruagem e fomos para a minha casa. Arthur entrou junto conosco.

Quando entramos dentro da minha casa na sala pegamos Rosa sentada no colo de Rodolfo.

Olhei para Arthur e disse:

— Agora fale se não estou certa de não ter feito o que eu fiz. Disse correndo para o meu quarto.

Eu escutava a voz de Arthur me chamar pelo corredor.

Entrei em meu quarto e me joguei em minha cama chorando.

— Droga, Droga, Droga. Disse com raiva.

Escutei alguém batendo na porta.

Arthur se sentou ao meu lado.

— Eu sinto muito por estar passando o que está passando.

Me sentei e o abracei.

Vi Rodolfo na porta. Fiquei com raiva.

— A culpa disso tudo é sua seu cretino. Disse jogando um dos meus perfumes em sua direção, uma pena que não pegou nele.

— Ei. Disse ele entrando no quarto.

Eu fui até ele para bater naquela cara de palhaço. Mais ele me segurou e me colocou contra a parede.

Senti a respiração de sua boca na minha, seus olhos perto dos meus que pela aproximação meu olhos pareciam que estavam vesgos.

Nos olhamos profundamente por alguns segundos.

— Me solta. Ordenei.

Ele se afastou de mim saindo do quarto batendo a porta com força.

Arthur sorriu para mim.

— O que foi? Perguntei me recompondo.

— Nada, mais papai não precisa se preocupar. Disse ele.

— Com o que? Perguntei.

— Nada. Disse ele. — Venha, te deitarei um pouco nessa cama a quando dormir irei embora.

— Serio? Perguntei triste.

— Sim, tenho que conversar com o cabeça dura do nosso pai e fazer ele pedir desculpas pelo que disse à você. Sorriu.

Sorri.

Me deitei em minha cama depois que retirei meus sapatos.

— Como nos velhos tempos. Disse ele.

— Pois é, saudade de quando eu era pequena e a mais nova e você me colocava para dormir. Sorri.

— Se quiser, posso vir fazer isso quando sentir saudades. Disse ele.

— Claro.

Fiquei olhando para ele por alguns segundos e quando me dei conta adormeci.

Quando acordei ele já não estava mais ao meu lado. Calcei meus sapatos e desci as escadas.

Rodolfo apareceu saindo do seu escritório com papeis em mãos. Se sentou no sofá e disse:

— Seu irmão me disse o que ouve na casa dos seus pais, achava que não teria coragem de dizer que não cedeu sua cama para mim. Disse ele olhando para os papeis.

— Pois é. Disse tentando manter a calma. — Eu ia contar só para a minha mãe mais ele ouviu e brigou comigo. Disse.

— E o que me surpreendeu foi o que o seu pai disse. Ele se levantou e veio até mim. — Não me passou a cabeça te devolver aos seus pais. Disse ele me encarando.

— Não se atreva. Disse com raiva.

— Por que? Tem medo de trabalhar em um bordel, o lugar onde eu vou, acho que pelo menos lá eu poderei ter você. Sorriu cinicamente.

Dei um tapo na sua cara.

Ele me olhou com raiva e me colocou contra a parede.

— Não vou revidar e muito menos te devolver se é esse seu medo, quero ver você sofrendo dentro dessa casa e o pior se apaixonar por mim. Sorriu.

Comecei a rir.

— Nunca. Disse o encarando.

— Vamos ver. Disse ele me soltando com estupidez.

Na hora da janta nós nos olhávamos sem nos falar, um olhar desafiador.

E como noite passada ele se.... se deitou com Rosa mais uma vez, mais o pior foi os gemidos que não me deixaram dormir quase a noite toda.

Que raiva.

Notas finais
Espero que gostem.