Eterna Paixão

18 Capítulo 18 :: Almas Gêmeas.


Notas iniciais
Oi lindas *-*
Obrigada pelos comentários (:
Bom, como agradecimento, eu fiquei tão feliz em ver todas comentando que me bateu uma inspiração e eu fiz um capítulo bônus pra essa história rs
O capítulo que era pra ser o 18, se transformou no 19, portanto, esse aqui é um bônus que não tinha antes, está bem?
Boa leitura lindas ♥

(PONTO DE VISTA – Edward)

– Nossa, já voltou, querido? Pensei que fosse ficar com Bella na casa de Eleazar, Alice disse que você havia ficado para esperá-la... – disse minha mãe com um sorriso no rosto na hora em que passei pela porta de casa.

– Achei melhor voltar – disse sentando-me no sofá ao lado de Emmett, ao mesmo tempo em que minha mãe ficava confusa ao notar o meu humor.

Bella não precisava de mim, estava em excelente companhia.

– O que aconteceu? Porque essa cara, Edward? – perguntou Alice, vindo de algum lugar que eu não havia percebido.

– Só estou pensando.

– Não tem algo de errado sim. Conheço você bem o suficiente para saber que há algo que esta te incomodando – ela retrucou.

– Concordo. Vamos mano, bota pra fora o que está te matando – disse meu irmão Emmett em tom de brincadeira.

Olhei para o Emmett ao meu lado.

– Tinha razão ontem, eu não devia ter deixado ela com aquele... aquele... – suspirei. Fui incapaz de terminar, de tanto que era a raiva.

– Vish... E eu vou querer saber o real motivo pra você estar assim nervoso? – Emmett perguntou.

– Nós Emmett, nós – corrigiu Esme sentando-se na poltrona de frente para mim com um olhar preocupado, seu sorriso havia desaparecido.

– Cinco minutos depois que Alice saiu, Bella chegou. E acho que não preciso nem falar com quem...

– Você não ficaria assim só porque ela pegou uma carona com o “amigo” que ela conversava na noite passada. Você viu algo a mais. O que foi que houve? – questionou Alice.

– Eu não fiquei para ver o resto, era mais do que eu conseguia suportar, mas eu acho que eles... eles... – só de pensar em vê-lo tocando os lábios dela, os lábios que da mulher que eu amava, me dava náuseas.

– Tudo bem. Não precisa continuar, acho que todos nós já entendemos o que você ia dizer – disse Alice, Emmett e Esme assentiram concordando.

– Eu sinto que ela está cada vez mais distante, ao mesmo tempo em que ela está tão perto, está muito longe. Mesmo quando eu achava que ela estava... – era difícil dizer, não gostava de ficar pensando na palavra, mas continuei – estava morta... Eu ainda a sentia perto de mim, como se ela estivesse ao meu lado, como se ela ainda me amasse e estivesse comigo a todo o momento, embora eu não a pudesse ver. Mas agora é diferente. Ela esta de fato por perto, ela está viva... Mas tão distante. Eu sinto que a estou perdendo cada vez mais, sinto que cada vez mais ela fica distante de mim, mais inalcançável.

– Eu tentei te avisar, lembra? Tentei te mostrar quais seriam os futuros possíveis para Bella caso você escolhesse aquilo, caso você a deixasse... e você não quis ver; Disse que sua decisão estava tomada, que deixá-la era o melhor para ela, e que nada o faria mudar de idéia – lembrou Alice com um olhar tristonho.

– Infelizmente, você esta colhendo o que plantou Edward. Tanto que eu conversei com você e tentei orientá-lo naquela época obscura de sua vida... Naquela época tudo seria mais fácil, Bella o amava demais e só existiam vocês, só dependiam de vocês para encontrarem a felicidade... As barreiras que vocês teriam de enfrentar eram mais simples do que agora e não havia tantas pessoas envolvidas, Os Volturi, Tanya, Irina, Carmem, Kate e Eleazar não estavam envolvidos, Bella não havia perdido a memória de tudo o que vocês viveram, estava tudo cravado na memória dela alimentando o amor de vocês, mesmo com a distância. Tudo seria mais fácil se você tivesse feito as escolhas certas – disse minha mãe.

– O problema é que eu achava que estava fazendo o certo. Eu só pensava no que eu achava que era certo pra ela, o que era certo e errado pra mim eu não me importava. Eu só pensava que ela tinha de ter uma chance de ter uma vida humana, de construir uma família, ter filhos... Ter uma vida feliz e normal, como eu poderia imaginar que tudo isso iria acontecer e que nossos caminhos iam se cruzar novamente do outro lado do mundo? Nem no mesmo continente em que nós nos conhecemos ela estava mais... Parece que não importa o quão distante ela esteja de mim, o sobrenatural sempre a ronda. Em Forks ela se meteu com lobisomens, e quando ela pulou do penhasco seu destino se misturou com o de vampiros novamente.

– É, realmente a Bella tem uma excelente sorte – comentou Emmett.

– O que pretende fazer, Edward? – perguntou Esme.

– Eu estou nas mãos dela. Tenho consciência de que eu provoquei tudo isso. Eu a amo e admito que eu sou egoísta e miserável o suficiente para querê-la de volta e implorar pelo perdão dela por tudo que fiz e ainda a estou fazendo passar. Mas também não posso forçar nada, não tenho esse direito. Ontem na garagem, ela me pediu um tempo pra pensar em tudo, então só depende da decisão dela nós ficarmos juntos ou não. E para ficarmos juntos, ela precisa confiar em mim.

– Não espere que seja fácil reconquistar a confiança dela Edward. Já imaginou se ela recuperar a memória de tudo o que você disse á ela na floresta, quando foi se despedir dela? Já imaginou como o mundo dela vai virar de ponta cabeça novamente? De como isso irá destruir ela por dentro novamente? Ela pode achar que você só está querendo ficar com ela por que se sente culpado por tudo que aconteceu. Se isso acontecer, você vai ter que lutar muito pra fazê-la entender a verdade.

– E eu lutarei, lutarei até que eu veja que não há mais opções, talvez até depois embora seja inútil. Eu a amo, amo tanto que chega doer. Ela se tornou tudo pra mim, ela transformou o meu mundo. Não existe vida pra mim sem ela, eu realmente não sei como viver sem ela. Durante os últimos dois anos, melhor, durante os últimos três anos, eu não vivi, eu sobrevivi. Sobrevivi a dor da perda dela, sobrevivi a culpa de tê-la abandonado quando tudo que nós dois queríamos éramos ficar juntos para sermos felizes um ao lado do outro, sobrevivi a tristeza de ter vislumbres do que poderia ter sido nossa vida se eu tivesse escolhido ficar com ela em vez de deixá-la... Minha vida basicamente se transformou em sobreviver, e a única coisa que me dava força para continuar com isso e lutar para suportar ao menos uma única hora... eram as lembranças. As lembranças do que era a minha vida ao lado dela, as lembranças de época em que eu mais fui feliz até hoje, as lembranças do amor dela, um amor que eu nunca imaginei que um dia alguém poderia sentir por mim. Um amor tão puro e inocente, que não me sentia digno de ser amado.

– Querido... Não se diminua. Há bondade em você. Uma bondade tão linda que me emociona. E essa bondade que há em você, é uma das coisas que me faz ter orgulho de ser sua mãe. Todos nós merecemos ser amados. Sei que você acredita que está condenado ao inferno e que não tem uma alma, mas eu assim como Bella não acredito no mesmo que você. Dizem que os olhos são o espelho da alma, e quando eu olho em seus olhos, me perco em tamanha beleza em que há em sua alma – disse Esme com um sorriso pesaroso e um olhar tristonho em ver a minha agonia.

Alice e Emmett apenas observavam em silêncio.

– Será mesmo que a senhora tem razão?

– Sim, eu sei que tenho. Uma pessoa desalmada seria um monstro e você não é, muito pelo contrário. Um monstro desalmado não seria capaz de amar Bella como você ama, e nem seria capaz de ser amado como Bella te ama – ela disse.

– Como sabe que ela me ama?

– Porque vocês dois são almas gêmeas e o amor entre almas nunca morre, é eterno. Não importa quantas vidas passem, sempre irão se reencontrar. Mesmo sem dizer uma só palavra, basta uma troca de olhares para se completarem, para se unirem um ao outro, assim como foi com vocês, lembra? Você não podia ler a mente dela, mas procurava ler a verdade por de trás dos olhos dela...

– Eu me lembro – disse me recordando de como foi que eu encontrei a razão da minha existência...

Edward Cullen.

Reação por reflexo.

Eu me virei com o som do meu nome sendo chamado, apesar de ele não estar sendo chamado, só pensado.

Meus olhos se prenderam por uma pequena fração de segundo com um grande par de olhos humanos, cor de chocolate num rosto pálido, com formato de coração. Eu já conhecia o rosto, apesar de nunca tê-lo visto até esse momento.

Ele esteve em quase todas as cabeças humanas hoje. A nova estudante, Isabella Swan. Filha do chefe de polícia da cidade, trazida pra viver aqui por uma nova situação de custódia.

Bella.

Ela corrigia todo mundo que usava o seu nome inteiro...

– No dia em que ela chegou, todos estavam obcecados por ela. Na cabeça de todo o corpo estudantil, ela era como um brinquedo novo e reluzente para se olhar, boa parte do corpo estudantil masculino já estava se imaginando apaixonado por ela... Lembro-me dos pensamentos venenosos de Jessica Stanley em relação a ela e a estranha urgência em que eu sentia em proteger Bella dos trabalhos obscuros que permeavam a mente daquela garota...

Eu conseguia ouvir todos eles, ouvir cada coisinha insignificante que eles pensavam enquanto os pensamentos passavam em suas mentes. Mas absolutamente nada vinha da nova estudante com olhos enganosamente comunicativos.

E, é claro, eu conseguia ouvir o que a garota dizia quando ela falava com Jessica. Eu não precisava ouvir pensamentos pra ouvir sua voz baixa, clara, no outro lado da sala.

– Quem é o garoto com o cabelo marrom avermelhado? — eu a ouvi perguntar, dando uma olhadinha pelo canto dos olhos, só pra desviar rapidamente quando viu que eu ainda estava encarando-a.

Se eu tivesse tempo pra esperar que o som da voz dela pudesse me ajudar a conectar seus pensamentos, que estavam perdidos em algum lugar onde eu não podia acessá-los, eu ficaria instantaneamente desapontado.

Geralmente, os pensamentos das pessoas vinham acompanhados por um lance diferente em suas vozes físicas. Mas essa voz baixa, tímida, não era familiar, não era nenhuma das centenas de vozes rodeando a sala, eu tinha certeza disso. Ela era inteiramente nova.

Oh, boa sorte, idiota!, Jessica pensou antes de responder à pergunta da garota.

– Aquele é Edward. Ele é deslumbrante, é claro, mas não perca o seu tempo. Ele não namora. Aparentemente nenhuma das garotas daqui é bonita o suficiente pra ele. — Ela fungou.

Eu virei minha cabeça para esconder um sorriso. Jessica e as amigas dela não tinham idéia de quanta sorte elas tinham por nenhuma delas ser particularmente apelativa pra mim. Por baixo do humor passageiro, eu senti um estranho impulso, um que eu não entendia claramente. Tinha alguma coisa a ver com os pensamentos maldosos de Jessica, dos quais a garota nova não estava consciente... Eu senti uma estranha urgência de me meter entre elas, para proteger essa Bella Swan dos trabalhos obscuros da mente de Jessica. Que coisa estranha a se sentir.

Tentando entender as motivações por trás desse impulso, eu examinei a garota nova mais uma vez.

Talvez fosse algum instinto de proteção que estava há muito tempo enterrado — o mais forte pelo mais fraco.

Essa garota parecia mais frágil do que as suas novas colegas de classe.

A pele dela era tão translúcida que era difícil de acreditar que ela oferecia alguma resistência contra o mundo exterior. Eu podia ver o ritmo da pulsação do sangue através das suas veias, debaixo da sua membrana clara, pálida... Mas eu não deveria me concentrar. Eu era bom nessa vida que eu havia escolhido, mas eu estava com tanta sede quanto Jasper e era melhor não convidar a tentação.

Havia uma fraca linha entre as suas sobrancelhas da qual ela não parecia ter consciência.

Isso era inacreditavelmente frustrante! Eu podia ver claramente que ela estava tensa por ter que sentar aqui, ter que conversar com estranhos, ser o centro das atenções. Eu podia sentir a sua timidez pelo jeito como ela segurava seus ombros de aparência frágil, levemente espremidos, como se ela estivesse esperando ser empurrada a qualquer momento.

E, mesmo assim, eu só podia sentir, só podia ver, só podia imaginar. Não havia nada além de silêncio vindo dessa garota humana muito normal. Eu não conseguia ouvir nada. Por quê?

– Tudo era tão frustrante – continuei. – Eu não entendia o porque eu não conseguia ler a mente dela, eu não entendia o porque eu sentia tanta urgência de protegê-la... Mas depois as coisas ficaram complicadas, na aula de biologia, o cheiro do sangue dela era tentador demais...

Bella Swan caminhou para o fluxo do ar aquecido que soprava na minha direção do aquecedor.

O cheiro dela me atingiu como uma bola, como um bastão de jogo. Não há nenhuma imagem violenta o suficiente para encapsular a força do que aconteceu comigo naquele momento. Naquele instante, eu não era nada nem perto do humano que um dia eu fui, nenhum traço da humanidade na qual eu estive tentando me esconder.

Eu era um predador. E ela era a minha presa. Não havia nada mais nesse mundo além desse verdade. Não havia uma sala lotada de testemunhas — na minha cabeça eles já eram uma avaria colateral. O mistério dos pensamentos dela estava esquecido. Os pensamentos dela não significavam nada, ela não iria passar muito mais tempo pensando.

Eu era um vampiro e ela era o sangue mais doce que eu havia cheirado em oitenta anos.

Eu nunca imaginei que um cheiro assim pudesse existir. Se eu soubesse que existia, eu já teria saído procurando há muito tempo. Eu teria vasculhado o planeta por ela. Eu podia imaginar o sabor... A sede queimou a minha garganta como fogo. Minha boca estava torrada e desidratada. O fluxo fresco de veneno não fez nada para dissipar essa sensação. Meu estômago revirou com a fome que era um eco da sede. Meus músculos se contraíam e descontraíam.

Nem um segundo havia se passado. Ela ainda estava andando no mesmo passo que a havia colocado no vento em minha direção.

Enquanto os pés dela tocavam o chão, seus olhos escorregaram na minha direção. Um movimento que ela claramente estava esperando que fosse furtivo. O olhar dela encontrou o meu, e eu me vi refletido no grande espelho dos seus olhos.

O choque pelo rosto que eu vi lá salvou a vida dela por mais alguns momentos. Ela não facilitou as coisas. Quando ela viu a expressão no meu rosto, o sangue apareceu nas bochechas dela de novo, deixando a pela dele com a cor mais deliciosa que eu já havia visto. O cheiro era uma grossa neblina no meu cérebro. Eu mal conseguia pensar através dela. Meus pensamentos se enfureceram, resistindo ao controle, incoerentes.

Agora ela caminhava mais rapidamente, como se ela entendesse que precisava escapar. A pressa dela a deixou desastrada — ela tropeçou e se inclinou para a frente, quase caindo na garota que se sentava na minha frente. Vulnerável, fraca. Até mais que o normal para um humano.

Eu tentei me concentrar no rosto que havia visto nos olhos dela, um rosto que eu reconhecia com nojo. O rosto do monstro em mim — o rosto que eu havia afastado com décadas de esforço e disciplina inflexível. Como ele voltara à superfície com facilidade agora!

O cheiro me invadiu novamente, ferindo os meus pensamentos e quase me fazendo pular do meu lugar.

Não.

Minha mão se agarrou à beirada da mesa enquanto eu tentava me segurar na cadeira.

A madeira não ajudou na tarefa. Minha mão quebrou a estrutura e escapuliu, cheia de restos de fuligem, deixando a marca dos meus dedos cravadas na madeira que restou.

Destruir as provas. Essa era a regra fundamental.

Eu rapidamente pulverizei as beiradas com as pontas dos dedos, sem deixar nada além de um buraco e uma pilha de fuligem no chão, que eu limpei com o meu pé.

Destruir as provas. Avarias colaterais...

Eu sabia o que tinha que acontecer agora. A garota teria que vir se sentar ao meu lado e eu teria que matá-la.

Os inocentes espectadores na sala, outras dezoito crianças e um homem, não poderiam mais ter permissão de sair dessa sala, tendo visto o que eles veriam em breve.

Eu enrijeci com o pensamento do que eu precisava fazer. Mesmo em meus piores dias, eu nunca havia cometido esse tipo de atrocidade. Eu nunca matei inocentes em nenhuma dessas oito décadas. E agora eu planejava matar vinte deles de uma só vez.

O rosto do monstro no espelho zombou de mim.

Mesmo com parte de mim se afastando desse monstro, a outra parte estava fazendo planos.

Se eu matasse a garota primeiro, eu só teria uns quinze ou vinte segundos com ela antes que os outros humanos na sala começassem a reagir. Talvez um pouco mais de tempo, se eles não percebessem logo no início o que eu estava fazendo. Ela não teria tempo de gritar ou de sentir dor; eu não ia matá-la cruelmente. Pelo menos isso eu podia dar à essa estranha com sangue horrivelmente desejável.

Mas depois eu teria que impedi-los de escapar. Eu não precisaria me preocupar com as janelas, elas eram altas e pequenas demais para servir como escapatória pra alguém. Só a porta — a bloqueie e eles ficarão presos.

Seria mais lento e difícil tentar matar todos eles quando estivessem em pânico e se misturando, se movimentando no caos. Nada impossível, mas haveria muito mais barulho. Daria tempo para muitos gritos. Alguém poderia ouvir... e eu seria obrigado a matar ainda mais inocentes nessa hora negra.

E o sangue dela iria esfriar enquanto eu estivesse assassinando os outros.

O cheiro me castigou, fechando a minha garganta com uma dor seca...

Então seriam as testemunhas primeiro.

Eu planejei tudo na minha cabeça. Eu estaria no meio da sala, na fila mais afastada do fundo.

Eu pegaria o lado direito primeiro. Eu podia morder quatro ou cinco pescoços por segundo, eu estimei. Não seria barulhento. O lado direito seria o lado de sorte; eles não iriam me ver chegando. Me movendo pra frente e pra trás até a fila esquerda iria me levar, no máximo, cinco segundos pra acabar com todas as vidas nessa sala.

Tempo o suficiente pra Bella Swan ver, brevemente, o que estava esperando por ela. Tempo o suficiente para ela sentir medo. Tempo suficiente, talvez, se o choque não a congelasse no lugar, para ela tentar gritar. O gritinho suave não faria ninguém aparecer correndo.

Eu respirei fundo, e o cheiro era como um fogo correndo nas minhas veias secas, queimando por dentro do meu peito pra consumir qualquer impulso de bondade do qual eu ainda fosse capaz.

Ela estava se virando agora. Em alguns segundos, ela se sentaria a apenas alguns centímetros de mim.

O monstro na minha cabeça sorriu com a antecipação.

Alguém fechou um fichário ao meu lado. Eu não me virei pra ver qual dos humanos predestinados havia feito isso, mas o movimento mandou uma onda de vento sem cheiro na minha direção.

– Foi horrível... Eu não sabia se iria conseguir resistir, mas eu consegui, eu tirei uma força absurda de dentro de mim para não atacá-la, para resistir ao vinho... Para resistir a tentação que era o sangue dela, não foi nada fácil. Eu via o monstro que queria acabar com a vida dela refletido naqueles misteriosos olhos chocolates. Houve uma hora em que eu pensei que ela seria a minha ruína e uma estranha raiva, um estranho ódio dela, tomaram conta de mim... Por ela ter ido pra Forks, por ela ter nascido e me provocar de uma maneira tão... desconcertante... Mas na verdade, eu sabia que eu odiava mais a mim mesmo do que a ela. O ódio que eu sentia por ela era injusto. Ela não tinha culpa...

Eu me afastei dela com repulsa — revoltado com o monstro implorando pra atacá-la.

Por que ela tinha que vir para cá? Por que ela tinha que existir? Por que ela tinha que acabar com o pouco de paz que eu tinha nessa minha não-vida? Por que essa humana agravante tinha que ter nascido? Ela ia me arruinar.

Eu desviei o meu rosto pra longe dela, enquanto uma súbita fúria, um aborrecimento irracional passou por mim.

Quem era essa criatura? Por que eu, por que agora? Por que eu tinha que perder tudo só porque ela escolheu aparecer nessa cidade improvável? Por que ela tinha que vir pra cá?!

Eu não queria ser o monstro! Eu não queria matar essa sala cheia de crianças indefesas! Eu não queria perder tudo o que eu havia conseguido com uma vida inteira de sacrifícios e negações!

Eu não faria isso. Ela não ia me obrigar.

O cheiro era o problema, o cheiro odiosamente apelativo do sangue dela. Se houvesse alguma forma de resistir... se apenas um sopro de ar fresco pudesse limpar a minha cabeça.

Bella Swan balançou os seus longos, grossos cabelos cor de mogno na minha direção.

Ela era louca? Era como se ela estivesse encorajando o monstro!

Cutucando-o.

Não havia nenhuma brisa amigável pra afastar o cheiro de mim agora. Tudo estaria perdido em breve.

Não, não havia nenhuma brisa amigável. Mas eu não precisava respirar.

Eu parei o fluxo de ar para os meus pulmões; o alívio foi instantâneo, mas incompleto.

Eu ainda tinha a memória do cheiro na minha cabeça, o gosto no fundo da minha língua. Eu não seria capaz de resistir por muito mais tempo. Mas talvez eu pudesse resistir por uma hora.

Uma hora.

Só o tempo suficiente pra sair dessa sala cheia de vítimas, vítimas que talvez não precisassem ser vítimas. Se eu pudesse resistir durante uma curta hora. Ficar sem respirar era uma sensação desconfortável. Meu corpo não precisava de oxigênio, mas isso ia contra os meus instintos. Eu me valia desse sentido muito mais do que em qualquer outro quando estava estressado. Ele me guiava nas caças, era o primeiro a me avisar em casos de perigo.

Eu não cruzava com alguma coisa tão perigosa quanto eu com freqüência, mas a auto-preservação era tão forte na minha espécie quanto nos humanos.

Desconfortável, mas suportável. Mais suportável do que sentir o cheiro dela e não afundar os meus dentes naquela pele bonita, fina, transparente, até o — quente, molhado, pulsante – sangue.

Uma hora! Só uma hora. Eu não devo pensar no cheiro, no gosto.

A garota silenciosa manteve o cabelo dela entre nós, se inclinando para a frente até que ele se espalhou no classificador dela. Eu não conseguia ver o seu rosto para tentar ler as emoções dela através de seus olhos claros, profundos. Era por isso que ela deixava as mechas entre nós? Para esconder aqueles olhos de mim? Por medo? Timidez? Para esconder seus segredos de mim?

A minha antiga irritação por ser incapacitado pelos seus pensamentos sem som era fraca e pálida em comparação à necessidade — e ao ódio — que me possuía agora. Eu odiava essa mulher-criança ao meu lado, a odiava com todas as forças que eu devotava ao meu antigo eu, meu amor pela minha família, meus sonhos de ser melhor do que eu era... Odiá-la, odiar o que ela me fazia sentir — isso ajudou um pouco.

Eu me agarrei a qualquer emoção que me distraísse do pensamento de qual seria o gosto dela...

Ódio e irritação. Impaciência. Será que essa hora não passaria nunca?

E quando essa hora terminasse... Então ela sairia dessa sala. E eu faria o quê?

Eu podia me apresentar. Olá, meu nome é Edward Cullen. Posso te acompanhar até a sua próxima aula?

Ela diria sim. Era a coisa educada a se fazer. Mesmo já sentindo medo de mim, como eu suspeitava que ela sentisse, ela iria me acompanhar convencionalmente e caminhar ao meu lado.

Seria fácil o suficiente guiá-la na direção errada.

Havia um pedaço da floresta que se esticava como um dedo e tocava o estacionamento pelos fundos. Eu podia dizer a ela que havia esquecido um livro no meu carro...

Será que alguém notaria que eu fui a última pessoa com a qual ela foi vista?

Estava chovendo, como sempre; dois casacos de chuva escuros se movendo na direção errada não chamariam tanta atenção, nem me denunciariam.

A não ser pelo fato de eu não ser o único estudante que estava consciente dela hoje — apesar de nenhum estar tão devastadoramente consciente dela quanto eu. Mike Newton, em particular, estava consciente de cada movimento que ela fazia se mexendo na cadeira — ela estava desconfortável ao meu lado, assim como qualquer um estaria, assim como eu já esperava antes que o cheiro dela destruísse todos os traços de preocupação por caridade. Mike Newton repararia se ela deixasse a sala comigo.

Se eu pudesse agüentar uma hora, será que eu poderia agüentar duas?

Eu vacilei com a dor da queimação.

Ela iria para uma casa vazia. O chefe de polícia Swan trabalhava o dia inteiro. Eu conhecia a casa dele, assim como eu conhecia todas as casinhas da cidade. A casa dele ficava acima da encosta da floresta, sem vizinhos próximos. Mesmo se ela tivesse tempo pra gritar, e ela não teria, não haveria ninguém por perto pra ouvir.

Essa era a forma mais responsável de lidar com isso. Eu havia agüentado sete décadas sem sangue humano. Se eu segurasse a respiração, eu poderia agüentar duas horas. E quando eu a encontrasse sozinha, não haveria chances de alguém mais se machucar. E não há motivo pra apressar a experiência, o monstro em minha cabeça concordou.

Eu estava me enganando ao pensar que, salvando os dezenove humanos dessa sala comesforço e paciência, eu seria menos monstro quando matasse essa garota inocente.

Apesar de odiá-la, eu sabia que o meu ódio era injusto. Eu sabia que quem eu realmente odiava era eu mesmo. Eu odiaria a nós dois muito mais quando ela estivesse morta.

Eu consegui passar a hora desse jeito — imaginando as melhores formas de matá-la.

Eu tentei evitar pensar no ato de verdade. Isso seria demais pra mim; eu acabaria perdendo essa batalha e matando todo mundo que eu visse. Então eu planejei a estratégia e nada mais.

Isso me ajudou a passar a hora.

Uma vez, quase no final, ela olhou pra mim pela fluida parede dos seus cabelos. Eu podia sentir o ódio injustificado queimando em mim quando eu olhei nos olhos dela — eu vi a minha reflexão em seus olhos assustados. O sangue pintou suas bochechas antes que ela pudesse se esconder em seus cabelos de novo, e eu quase me desfiz.

Mas o sinal tocou. Salva pelo gongo — que clichê. Nós dois estávamos salvos. Ela, salva de sua morte. Eu, salvo por um curto período de tempo de ser a criatura de pesadelos que eu temia e não suportava.

Eu não consegui caminhar tão devagar quanto devia quando saí da sala. Se alguém estivesse olhando pra mim, poderia ter suspeitado que havia alguma coisa anormal no jeito como eu me movia.

Ninguém estava prestando atenção em mim. Todos os pensamentos humanos ainda rondavam a garota que estava condenada a morrer em pouco mais de uma hora.

– Eu me escondi no carro. Lutei muito com o monstro que havia dentro de mim. Eu não queria matá-la, eu não queria ser o monstro. Eu não queria causar estresse, preocupação, dor ou qualquer outra coisa a você mãe, – olhei para Esme – não queria desapontar Carlisle que tanta fé tinha em mim e nem todo o resto de minha família – olhei para Alice e Emmett. – Depois, quando eu recuperei o meu autocontrole, a vergonha tomou conta de mim. Então eu comecei a fazer meus planos para ficar o mais longe possível dela, mas quando eu estava na secretaria tentando mudar o horário da minha aula, ela apareceu novamente, tirando completamente minha concentração e fazendo com que eu me tornasse o predador novamente. Ela era como um demônio pessoal... Mas mais uma vez eu consegui resistir e fugi – disse.

– Lembro dessa época, quando Alice e seus irmãos chegaram em casa e ela me contou o que estava acontecendo eu fiquei tão preocupada com você, querido. Mas não vê? Desde o primeiro momento em que vocês se encontraram, vocês estão ultrapassando barreiras e obstáculos. Antes ela era como um demônio pessoal para você, agora ela é como um anjo... Antes você queria manter o máximo de distância dela, agora não pode mais viver sem ela – disse minha mãe.

– Eu só queria entender quando foi que eu me tornei tão dependente de Bella, quando foi que ela se tornou o meu mundo... Sinceramente eu não consigo mais me lembrar se existia um mundo antes de conhecê-la – disse.

– Sei lá, quem sabe não foi no dia em que você resolveu voltar pra escola? Ou no dia em que você deu um de Super Man e salvou ela de ser massacrada por uma van? Não, acho que foi no dia em que você voltou pra escola mesmo, afinal, você estava com um cara de doente mano. – olhou para mim com um sorriso zombeteiro — Lembro da cara dele na hora que ele viu Bella na cafeteria, estava sorrindo que nem um bobo – Emmett deu uma gargalhada.

Nós quatro demos risada do comentário de meu irmão favorito.

– É, o amor nos fazem perder a razão – disse Alice com um sorriso.

– Pode ser que você tenha razão Emmett, talvez eu tenha me apaixonado por ela naquele dia, no dia em que eu falei com ela a primeira vez, mas creio que tenha sido antes. Quando eu fui para o Alasca para fugir dela, ela já estava presente em todos os meus pensamentos...

Eu deitei contra o macio banco de neve, deixando-a se remodular em volta do meu peso. Minha pele havia esfriado para combinar com o ar em minha volta, e as pequenas pecinhas de gelo pareciam como veludo na minha pele.

O céu acima estava claro, brilhante com estrelas, com um azul brilhante em alguns lugares, amarelo em outros. As estrelas criavam majestosas formas curvadas contra o universo negro – uma visão maravilhosa. Raramente lindo. Ou então, deveria ter sido raro.

Seria, se eu pudesse realmente vê-lo.

Não estava ficando melhor. Passaram-se seis dias, seis dias que eu me escondi aqui na vazia região dos Denali, mas eu estava mais perto da liberdade agora desde o primeiro momento em que eu senti o cheiro dela.

Quando eu olhei para o céu cheio de jóias, era como se tivesse uma obstrução entre meus olhos e sua beleza.

A obstrução era um rosto, só um rosto humano que não era marcável, mas eu não conseguia bani-lo de minha mente.

– Eu olhava as estrelas e via os olhos dela, e quando eu decidi voltar por um momento eu me perguntei o que aquela decisão significaria para ela. Como eu poderia imaginar que tudo já havia mudado, para sempre?

– Sempre os olhos dela... O espelho da alma – Esme deu risada. – Durante esses três anos que ficou longe de Bella querido, o que mais permeava a sua mente?

– Os olhos dela, foi sempre assim – admiti. — Através deles, eu podia desvendar os mistérios dela, a verdade por trás deles. E nos olhos dela eu conseguia ver que ela me amava.

Talvez entre mim e ela tenha sido amor a primeira vista.

Esme sorriu, seus olhos dourados estavam brilhando, ela parecia estar emocionada com o meu desabafo.

– Quando Bella perdeu toda a memória de sua vida, qual foi a única coisa que restou?

– Meus... meus... olhos – sussurrei.

O espelho da alma...

– Bastou uma troca de olhares entre vocês e a memória dela começou a voltar, vocês dois estão ligados por um amor entre almas. E o que foi que ela lembrou após o reencontro?

– A primeira vez foi do dia do aniversário dela, ela se lembrou do último momento em que realmente estivemos felizes juntos, quando íamos assistir Romeu & Julieta, mas a segunda vez... Kate me contou sobre a lembrança de uma das vezes que eu disse que a amava... – então comecei a me lembrar da primeira vez que ela disse – conscientemente — que me amava...

– Você tem um sono muito profundo, não perdi nada, o falatório veio depois — disse á ela.

Ouvi-la dizer que me amava era a melhor coisa que poderia existir no mundo, nem sei se mereço alguém como ela.

– O que você ouviu? — ela me perguntou, sua voz era tão doce, suava e frágil, assim como ela.

– Você disse que me amava — respondi.

– Você já sabia disso — disse ela em meus braços.

– Mesmo assim foi bom ouvir — disse á ela.

Eu jamais me cansaria de saber que era a mim que ela amava.

Ela levantou o rosto e disse olhando em meus olhos:

– Eu te amo.

Por um momento pensei que me coração pudesse voltar a bater diante daquelas palavras.

– Agora você é a minha vida — respondi simplesmente.

Ela não era só a minha vida, ela era o meu ar, a minha alma, o meu único e eterno amor.

Foi olhando em meus olhos, foi olhando no espelho da minha alma que ela disse que me amava.

Estava tão absorto em meus pensamentos que quase não ouvi o que Esme começou a dizer.

– Acho que não preciso dizer mais nada, não é querido? – disse com um sorriso.

– Ainda assim é complicado de acreditar que isso – a alma — existe – disse ao mesmo tempo em que mais uma lembrança me atingia.

E então eu sabia que aquele seria o meu ultimo fim, porque o primeiro foi quando tive certeza da morte de Bella.

Meu único e eterno amor, minha eterna paixão.

Um passo de cada vez, até que cheguei à porta da torre.

Faltava apenas um passo para então eu entrar no sol, um passo para encontrar o alívio da morte...

Nunca acreditei muito que havia algo após a morte... Mas Bella sim, ela acreditava que eu tinha uma alma, e naquele momento eu acreditei que havia algo além da morte e que eu tinha uma alma também.

Será que Bella estaria esperando por mim do outro lado?

Quando eu estava em desespero, procurando pela verdadeira morte, eu acreditei que eu também tinha uma alma, eu acreditei que havia algo além da morte e acreditei que Bella talvez pudesse estar esperando por mim do outro lado.

– Não seja tão descrente assim Edward. Nunca perca a fé, meu filho – sussurrou Esme.

– Eu já acreditei que eu tinha uma alma. Acreditei no momento em que eu tentei me expor ao sol na Itália. Acreditei que poderia haver algo do outro lado e que talvez Bella estivesse esperando por mim.

– E Bella estava. Estava esperando por você do outro lado, mas neste mundo, estava esperando reencontrar a alma gêmea dela, e ela reencontrou. Mas em meio a tantas turbulências do destino ela esta confusa, mas uma hora as coisas se acertam. Vocês dois ainda vão ficar juntos, Edward. Mas no caminho em busca da felicidade, muitas barreiras e obstáculos terão de enfrentar, não será uma trajetória fácil. Mas quando se há amor, principalmente um amor tão poderoso e forte como de vocês, por tudo se pode passar. O amor tudo crê, o amor tudo suporta. Nunca desista, lute. Enquanto você lutar por ela, você estará lutando pela eternidade do amor de vocês – ela disse por fim.

Pela morte eu acreditei que tinha uma alma.

Seria eu capaz de acreditar que tinha uma alma, por amor?

(PONTO DE VISTA – Bella)

Não sei em que momento em meio as lágrimas eu adormeci, mas quando acordei eu estava na mesma posição em que deixará a dor me dominar: Com a cabeça debruçada entre os joelhos, o que resultou numa bela dor no corpo, além do cansaço emocional.

No escuro mesmo, procurei pelo celular dentro da minha bolsa que estava do meu lado no chão, quando o encontrei, iluminei o closet com ele, até encontrar o interruptor.

Liguei a luz e guardei o celular de volta dentro da bolsa, antes dando uma olhada na hora. Eu havia ficado mais de cinco horas trancada dentro do closet, provavelmente já havia anoitecido. Eu tinha na minha cabeça que se eu não aparecesse no andar de baixo em breve, Kate iria subir aqui no quarto e iria ver as ameaças de suas irmãs, o que não era nada bom.

Conhecia Kate bem o suficiente pra saber que ela contaria isso a Edward e eu não podia arriscar a vida dele, mesmo que isso custasse a minha vida, afinal, como diz o ditado: Por amor você morre. Por ódio mata.

Tanya e Irina estavam dispostas a matar por ódio. E eu estava disposta a morrer por amor.

Doía demais no fundo do meu coração fazer o que eu ia fazer, mas naquele momento, tudo o que eu podia fazer era tentar proteger Edward.

Primeiro ele. Depois eu.

Respirei fundo duas vezes antes de abrir as portas do closet e voltar para o quarto. E quando eu o fiz, o choque me tomou novamente.

Eu devia ter imaginado.

Devia ter imaginado que elas não deixariam rastros, que seriam cuidadosas ao me ameaçar.

Tudo estava normal novamente.

Sem sangue, sem mensagens ameaçadoras no teto, sem pétalas murchas de flores, sem a coroa de flores...

Era como se nada tivesse acontecido.

Mas tinha acontecido. Eu não estava delirando, eu tinha visto aquilo. Prova disso estava na sola da minha bota que havia manchas de sangue, pois tive de pisar em cima para chegar perto da cama aonde estava a coroa de flores.

Mas eu reparei que havia algo diferente.

As cortinas do quarto que antes eram brancas e estavam manchadas de sangue, foram substituídas por cortinas negras, com babado vermelho.

O edredom que antes era dourado, fora substituído por um preto com rosas vermelhas desenhadas e renda branca, e as paredes pareciam que tinham sido limpas recentemente. Eu podia sentir o cheiro de produtos de limpeza recente.

Elas eram ardilosas.

Não deixaram rastro nenhum, a não ser em minha memória.

Estava na hora de começar a agir.

Voltei pro closet, escolhi uma roupa confortável – camiseta regata e jeans -, e fui tomar um banho, deixando a água quente cair por meu corpo, tentando aliviar a dor.

Em seguida, sai do chuveiro, me enxuguei e troquei de roupa.

Logo em seguida desci para a sala, aonde Kate parecia estar terminando de ler um livro chamado Antiga Paixão.

– Oi, está melhor? – perguntou com um sorriso quando me viu, deixando o livro de lado.

– Estou sim. Hã... posso te pedir um favor?

– Claro que sim. Manda – disse.

– Pode me passar o telefone da Alice? Eu precisava falar com ela...

– Claro – respondeu com um sorriso.

Depois que ela me passou o telefone de Alice, voltei para o meu quarto e peguei meu celular.

Respirei fundo algumas vezes, para encontrar equilíbrio na minha voz para pronunciar as palavras que me fariam agir amanhã, e então disquei o número.

Tocou duas vezes até ela atender.

– Alô?

– Alice? Oi é a Bella – disse.

– Bella, oi amore como você está? – perguntou surpresa do outro lado da linha.

– Estou bem e você? – respondi embora não fosse verdade.

– Estou ótima e surpresa... Não esperava sua ligação – disse.

– É, foi decisão de última hora. Posso te pedir um favor? – perguntei.

– Claro. Qualquer coisa, basta me pedir.

– Eu preciso falar com seu irmão, eu preciso falar com Edward... Pode pedir pra ele me encontrar amanhã no centro de Londres?

– Claro, faço isso sim. Mas você não quer conversar com ele... Ele está aqui...

– Não... É melhor eu conversar com ele amanhã mesmo – disse.

Já seria difícil o suficiente falar com ele amanhã.

Passei o horário e o endereço de onde eu queria que ele me encontrasse.

– Então ta. É só isso? – perguntou.

– É sim. Obrigada – agradeci.

– Por nada amore. E vê se aparece, queria muito conversar com você também – ela me disse.

– Claro, depois nós marcamos algo, pode ser? – perguntei.

– Pode sim – respondeu e eu podia sentir o entusiasmo na voz dela.

– Então é isso... Um abraço Alice, e até logo – disse me despedindo.

– Até querida – respondeu e em seguida eu desliguei o telefone.

Deitei nos travesseiros da cama e fechei meus olhos deixando as lágrimas escorreram por minha face novamente.

Agora só me restava esperar, para fazer o que tinha de ser feito.

Amor.

Uma palavra tão simples, mas algo tão complicado.

Eu sempre guardaria em meu coração esse amor... essa paixão avassaladora que eu sentia por Edward.

Meu coração pertencia a ele.

A minha alma, a minha essência, o meu ser... Tudo sempre pertenceria a ele mesmo que não estivéssemos juntos.

Tudo poderia mudar menos isso.

Meu amor por ele nunca mudaria.

Suspirei.

Então naquele momento, cuidadosamente eu selei meu coração, tendo a certeza apenas de uma coisa.

Eu sempre seria dele.

Por toda a eternidade.

Notas finais
E aí, gostaram?
Comentem me dando a opinião de vocês :)
Em breve postarei o capítulo 19 *--*
bjos, Luna Brandon.