Nossas duas mãos, naquela tarde, eram

um casal amante e primaveril,

dançando em amor tão forte e gentil,

enroscadas tanto quanto puderam.

Nossos lábios, naquela vez, souberam

que o paraíso nem sempre é anil

as vezes é intenso, as vezes, febril,

as vezes é como sempre quiseram.

Pintamos risos, dançando um abraço,

mudamos a ideia de tempo-espaço,

e ansiamos eternidade à cena.

Cantamos poemas de um só fonema,

nos quais tu eras meu pleno morfema,

naquela tarde, naquele entrelaço.

Nossas duas mãos, naquela tarde, eram

um casal amante e primaveril,

as vezes intenso, as vezes, febril,

mas sempre como sempre quiseram.