Se ouvirdes a voz que arranha a minh'alma
suplicar-te para rasgar-me ao meio,
não hesites nem demonstres receio,
pois só então encontrarei a minha calma.

Vejas-me assim, sem vaidade ou agalma,
despido de orgulho, ou qualquer esteio,
sem erguer muros, ou qualquer bloqueio,
e agarres meu coração em tua palma!

Olhais, então, nos confins do meu ser
a verdade a qual entoam tais versos:
sou-te aberto até não mais te aprazer,

plácido e puro de frente e reverso.
De tua esperança, o amanhecer.
Sou-te todo; e em cada canto, o Universo.

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