Estrelas cadentes
6 Capítulo 4 - O Passeio
Notas iniciais
Subimos a rampa o mais rápido possível. Até porque ainda tínhamos que tomar o café da manhã. Quando entramos no restaurante que servia o Buffet ficamos impressionados de como os turistas não gostam de perder tempo. O restaurante estava mais lotado do quê quando eu havia descido.
Eu e Sebastian desistimos e combinamos que seria melhor comer quando voltarmos.
“Então, onde está o seu pai?”, pergunto pra descontrair.
“Ele já deve ter tomado o café da manhã com a Dulce”, ele diz o nome dela fazendo um tom meio melado e enojado ao mesmo tempo, “E subiram para trocar de roupa”
Eu balanço a cabeça para dizer que entendi.
“E como é esse passeio?”, pergunto. Confesso que estava com medo desse tour pela ilha demorar. Outra sumida como eu dei ontem e volto no primeiro avião para a cidade.
“Bem, já visitamos quase todas as praias da ilha. Não sei se te falei mas já estamos aqui à quatro dias e vamos combinar que não é uma ilha muito grande, então já vi de tudo. Mas a Dulce gostou tanto de Ponta Negra que ela quer voltar pra lá de carro apenas para contemplar a natureza como ela mesma diz”, ele diz isso sem conseguir evitar uma gargalhada. Será que tinha uma pontinha de maldade nela?
“Sebastian!” escuto uma voz feminina dizer alegremente.
“Olá, acordou disposta hoje não é Dulce?”
“Claro meu anjo, como acordar indisposta em um paraíso desses?”
Vamos lá. Como é essa Dulce? Ela era uma mulher de um metro e sessenta mais ou menos, tinha cabelos cacheados e pretos. Acho que está na casa dos trinta e cinco e gosta muito de chapéus espalhafatosos e chamativos (digo isso porque as três vezes que vi ela no hotel as três vezes ela estava com um chapéu enorme e colorido, um tinha até uma pena de peru e sei que é de peru porque ela mesma me contou como comprou o chapéu na lojinha do aeroporto. Ela parecia uma mulher vulgar mas não maldosa. Não, ela não parecia ser maldosa.
“E quem é essa mocinha linda?”, ela apenas depois de uns segundos pareceu me notar, “Essa é a Amelia...”
“Amelia! Eu amo Amelias!”, confesso que achei ela meio burra, “Muito prazer minha querida, meu nome é Dulce”. Ela diz em meio as risadinhas estridentes.
“Prazer em conhecê-la Dulce”, eu estendo a mão para um cumprimento amigável. Mas Dulce é amigável, Dulce gosta de intimidades. Ela me puxou pela mão e me deu um forte abraço. Uns cabelos dela entraram na minha boca durante o ato repentino. Senti o perfume de rosas extremamente fortes, que me lembrava um vulneral.
Sebastian parecia constrangido com toda aquela situação.
“Dulce cadê o meu pai?”
“Ah meu querido, ele foi buscar o carro. Não precisa se preocupar, ele já está vindo”
Um manobrista avisou que havia um carro esperando na entrada do hotel então fomos caminhando até uma Pajero preta que estava estacionada na lateral do Resort.
“Vamos?”, um rapaz bonito disse enquanto saía do carro.
“Você já conheceu a amiguinha do Sebastian? Ela é um amorzinho”, diz Dulce alegremente.
Eu não conseguia ver como o Sebastian conseguia ver falsidade em uma mulher tão tolinha e alegre.
O rapaz que eu vi que provavelmente é o pai do Sebastian é lindo. Tipo lindo mesmo. É como se fosse uma versão mais velha e melhorada do próprio Sebastian! Sem dúvida não passou dos trinta. O mesmo cabelo castanho e liso os mesmo olhos castanhos. E o mesmo sorriso.... Suspirei quando ele veio me cumprimentar.
“Olá. Prazer em conhece-la, meu nome é João” ele estende a mão para um cumprimento amigável, como eu queria que ele fosse tão amigável como a noiva dele...
“O prazer é meu, e o meu nome é Amelia”
“Você vai com a gente pelo passeio?”
“Acho que sim, se não tiver problema claro. É que o Sebastian...”
“Não, não. O que quero dizer é, você já falou com os seus pais?”
“Claro que sim” digo nada confiante. Lanço um olhar para o Sebastian que sabe de toda a verdade. E tive vontade de parti-lo ao meio por me fazer passar essa vergonha.
“Então tudo bem. Vamos”
O passeio foi muito agradável. A Dulce era muito falante, ela falou de tudo que se pode imaginar. Como conheceu o João, como ama o Sebastian, o nome dos seus sete gatos e como foi o triste fim de se canário, por onde ainda pretende viajar, como ama o seu querido filhinho postiço que é Sebastian.... e o mais delicado..... o casamento deles.
Quando se ouviu a palavra casamento o rosto de Sebastian se fechou como um céu se fecha em um tempo nublado. Fiquei com medo dele responder algo à ela ou dizer algo ofensivo. Mas ele não disse nada. Só observou a janela do carro e de vez em quando puxava um assunto quando a Dulce fechava a boca por alguns segundos.
Fernando de Noronha é lindo. Um paraíso. Foi uma pena não termos ido tomar banho no mar devido o tempo curto que estávamos refém. Não conseguiria descrever aquele lugar, talvez um poeta. Mas eu Amelia, nunca.
Sebastian me convidou para ir para outro passeio mas eu recusei, tinha que passar um tempo com os Masons. Ele não insistiu e agradeceu por eu ter feito companhia à ele. Eu disse que foi um prazer, ele não acreditou. Mas por incrível que pareça era verdade. Eu gostava do Sebastian, gostava de passar o tempo com ele. Mesmo que só companhia mesmo, porque naquele passeio de manhã o pobre menino mal conseguiu terminar duas frases que já era interrompido pela Dulce.
Tinha algo em Sebastian, a sua amizade ou a forma como ele era verdadeiro com as coisas. Ele não fingia estar feliz quando não estava, como não tentava esconder sua curiosidade quando me viu chorar ontem perto da piscina.
Voltamos para o Resort já era sete e trinta e cinco. Mas os Masons ainda estavam tomando café da manhã no Buffet. Eu aproveitei e comi também, já estava morrendo de fome.
“Bom dia Amelia! Como passou sua noite?”, a Sra. Mason perguntou radiante.
“Muito bem obrigada”
“E... onde estava? Seu pai pediu que ligasse pra ele, está uma fera. Disse que já ligou treze vezes”
Que droga! Tinha esquecido de ligar pro papai! Ótimo, agora ele vai me crucificar.
“Eu estava tentando conhecer mais o Resort. Ele é muito grande e acho que nunca vou conseguir aproveitar tudo aqui”
A Sra. Mason deu uma risadinha irritante.
“Não é mesmo querida? Eu mesma escolhi esse lugar, o melhor da Ilha. Se dependesse do Elias estaríamos em uma pousadinha qualquer pescando sardinhas”
Acho estranho a Sra. Mason chamar o Sr. Mason de Elias, sei lá fica tão íntimo.
Finjo que achei graça na piada e olho para o jack e Lily.
Jack não parece nada animado com a minha presença mas Lily está com uma expressão melhor do que da noite passada. Encarro isso como uma coisa boa.
Quando terminamos o café da manhã fiquei feliz em saber que estávamos indo para as aulas de mergulho. Só não fiquei muito feliz por ter que passar por um lago cheio de cobras não venenosas, mas mesmo assim... eram cobras.
Tudo em Fernando de Noronha era lindo, as praias, as matas, a biodiversidade. Tudo em um só lugarzinho perto do Continente. Um pontinho do mapa era Fernando de Noronha, um verdadeiro oásis.
Fomos até um local onde pegamos o barco. E voilá! Fomos até um local chamado Ilha Rata e Buraco do Inferno.... bem.............. eu não gostei muito dos nomes mas o guia disse que é devido a profundidade e como é apenas 15 minutos de aula um mergulhador iria que nos acompanhar. O Sr. Mason disse que não iria porque não gosta muito dessas coisas. Mais três casais nos acompanhavam no barco.
O instrutor disse que tínhamos que pular com passos largos até pular de pernas e corpo reto no mar e tenho que admitir que não prestei em atenção em quase nada que o mergulhador nos orientou pra fazer. Confesso que tive medo da profundidade daquele lugar. O mar tinha tons escuros azulados e eu gostava daquilo.
Jack foi o primeiro, e não nos esperou que pulássemos. Foi logo na frente mergulhando. A Sra. Mason foi a segunda porque enfim, alguma de nós tinha que tomar coragem...
Continua....
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