Estrelas.
1 Stars are boring.
— Albus? — uma voz baixa é ouvida, vinda da boca de um garoto magricela, alto e de cabelos louros sujos, deitado em sua cama, coberto até o pescoço, tremendo, enquanto neve caí pela janela violentamente, cobrindo o terreno de Hogwarts, deixando-o parecido com um donut.
— Sim...? — sussurra a voz rouca de um moreno deitado em sua própria cama. Ele não está coberto, está esparramado em sua cama, com dores no corpo depois de problemas que ele teve durante a aula de DCAT. Tem grandes e redondos olhos verdes, e, mesmo já tendo passado das duas da manhã, ele não tem sono.
— Você estava dormindo? — pergunta o loiro, inseguro, sem nem mesmo entender o porquê de começar aquela conversa. Sentia um vazio em seu peito, já que, em poucas horas, deixaria o Expresso de Hogwarts para o Natal e ficaria dias sem ver seu melhor amigo.
— Não... — o outro também está inseguro de ter de passar longos dias com sua família. Mesmo que sua relação com seu pai já estivesse muito melhor do que era no ano passado e nos anteriores, sentia-se deslocado entre seus irmãos tão ‘de-bem-com-a-vida’.
— O que fazia?
— Estava pensando...
— No que?
— O que você tem? — preocupa-se, franzindo as sobrancelhas, com os olhos verde esmeralda grudados no teto escuro do dormitório da Sonserina. Seu melhor amigo não costumava fazer perguntas aleatórias no meio da madrugada – geralmente, ele estava roncando a essa hora.
— Que?
— Você não consegue dormir, Scorpius?
— Erh... Não é isso. — mente sentindo um rubor tomando seu pescoço e bochechas. Não estava acostumado com aquele sentimento de quase culpa que o consumia devagar – era como se precisasse conversar com ele. Precisava dele.
— O que é?
— Também estava pensando.
— No que?
— Nas estrelas.
— Heh... Por que nas estrelas? — finge cair na mentira de seu melhor amigo, mesmo sabendo que seu companheiro loiro detesta as estrelas, dizendo que as mesmas apenas tentavam copiar o brilho incomparável do Sol.
— Porque elas brilham demais...
— É...
— No que você estava pensando? — questiona o louro, sentindo-se um pouquinho vingativo pela pergunta, sabendo que seu melhor amigo também não gostava de tagarelar de noite. O mesmo gostava do silêncio para poder pensar.
— Eu?
— Sim. Você.
— É engraçado...
— Que?
— Eu também estava pensando nas estrelas. — mente o moreno descaradamente. Também não gosta das estrelas, sempre alegando que elas tentam roubar o brilho da verdadeira guardiã da noite: a Lua.
— Sério?
— Sim.
Os dois saboreiam suas mentiras por um tempo, respirando fundo. O louro, encarando a janela a sua frente, com as sobrancelhas levemente unidas, ainda tremendo dos pés a cabeça, enquanto o moreno transpirava, observando o teto, com a parte de cima de seu pijama de algodão grudando em seu corpo. Malfoy nunca se acostumaria com o frio, assim como Potter nunca se livraria do calor.
— Por quê?
— Estava comparando com algo muito brilhante.
— O que?
— Seus olhos. — o de olhos verdes sorri de lado, sabendo que seu melhor amigo não lida muito bem com elogios. Torce suas mãos, entrelaçando-as rapidamente, tentando conter seu nervosismo enquanto seus batimentos aceleram, do nada.
— Isso é gentil. — cora o mais alto, sua voz saindo um pouco abafada, por ter pressionado sua bochecha no travesseiro, muito envergonhado com as palavras do outro.
— É...
—... Albus?
— Sim?
— Por que estava comparando meus olhos a estrelas?
— Eu não sei. — admite entrando ainda mais naquela mentira. — Eu me perdi nesses pensamentos loucos. Me entende?
— Sempre. — assente sabendo que seu amigo não o vê. — Albus...
— Sim?
— Estou com frio.
— Mas eu estou com calor.
— Você sempre está com calor.
— E você sempre está com frio.
— Pode deitar comigo?
—... Claro. — o moreno hesita por um momento antes de seguir, no meio da escuridão, até a cama do lado, onde se deita do lado de seu melhor amigo, vendo como o mesmo está tremendo. — Friorento.
— Calorento. — rebate o louro, sem muita vergonha ao virar seu corpo e abraçar o peito de seu melhor amigo em busca de calor humano. — Obrigado.
— Tudo bem. — suspira, ainda sem conseguir pregar os olhos. Encara o louro de olhos fechados, tentando dormir ao seu lado, sentindo seu coração palpitar fortemente em seu peito, querendo fugir. — Scorpius...?
— Sim. — ergue o rosto, com seus grandes olhos nublados tocando o fundo do coração do moreno. Os dois sonserinos estão próximos e, por um milésimo, o louro pensa em seu aproximar e cortar a distancia. — O que foi?
— Eu... — não completa, juntando, em um selar simples, suas bocas. Afasta-se rapidamente, terminando o ósculo do jeito rápido e inesperado como ele começara e cora, olhando para outro canto escuro do quarto, já que o rosto de seu melhor amigo está iluminando pela claridade da janela. — Desculpe-me.
— Tudo bem. — sussurra tão envergonhado quanto o outro. — E Albus — o outro não o encara, nem responde. —, seus olhos também brilham como estrelas e me aquecem como Sol.
— E você me protege como a Lua cuida da noite. — murmura depois de que tem certeza que o outro já adormeceu. E, pela primeira vez em semanas, ele consegue, finalmente, dormir.
A partir daquela noite, Scorpius Malfoy e Albus Potter passaram a amar as estrelas.
Notas finais
mereço reviews? :)
obrigada por lerem e que 2017 seja incrivel - meio atrasado, mas a vida segue.
beijões ♥
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