Estrelas.
5 Quarta Estrela
Notas iniciais
–Quarta Estrela-
***
Um rosnado leve mostrando severa irritação preencheu o ambiente com ar pesado e em troca um sorriso maroto e diabólico, para quem visse aquela pequena cena correria como se a sua miserável vida dependesse daquilo. Duas figuras sombrias planejando algo que até uma criança saberia que não viria nada de bom daquilo.
– A dor é algo tão belo! – debochou umas das sombras. A tranquilidade na voz, a serenidade no qual a pessoa dizia tudo aquilo trazia um arrepio e calafrios.
– Até quando vai continuar a brincar?
– Não sei, agora volte para o seu trabalho. – disse tranquilamente à primeira sombra enquanto ela sumia de vista indo para um lugar aleatório.
***
Tremi com o rumo que meus pensamentos tomavam. Alguns dias enquanto fazia uma verificação em torno de Magnólia e após escutar certos rumores fui até a floresta a doze quilômetros da cidade principal. Se em algum momento da minha vida eu já não tivesse visto aquele tipo de cena eu com toda a certeza do mundo eu vomitaria como a primeira vez. Aqueles tipos de cenas estão marcados como as coisas mais bizarras que eu já vi. Animais mortos e sem vida, nas arvores e no chão uma gosma preta que eu reconhecia muito bem...
– Sangue de demônio... – sussurrei para mim mesma, mesmo tendo falado alto só tinha eu na sala, tirando Laxus que estava dormindo depois de ler todos os relatórios de missões realizadas nesses últimos meses.
Sangue de demônio, animais mortos, grande quantidade de magia no ar... Só uma criança não reconheceria o que tinha acontecido ali, alguém ou alguma coisa tinha feito um contrato com um demônio em Magnólia. Isso é muito ruim, afinal essa não é a primeira vez que acontece, a primeira vez aconteceu a um ano e dois meses após um festival de colheita que acabou sendo um desastre por que em poucos segundos todas as frutas ficaram podres e aquelas que sobraram ficaram com um gosto horrível de acidez na boca.
O meu novo escritório ficava ao lado da sala do mestre, eu trousse todos os itens de escritório do meu pai para aqui dentro, até os livros que ele colecionava e as cartas de amor que ele e minha mãe compartilhavam quando estavam se conhecendo. Agora eu entendia como papai podia ficar trancado vários dias ali dentro, afinal ali era tão confortável e fazia você esquecer seus problemas por alguns segundos.
Dois toques na porta foi o suficiente para chamar a minha atenção e me retirar de meus pensamentos, disse um “entre” qualquer como se ao menos importasse e deixei a pessoa entrar. Longos cabelos escarlates como se tivessem sidos banhados ao sangue, uma aura esmagadora igual toda guerreira tem e um olhar afiado pronta para atacar qualquer inimigo que viesse a sua frente.
– Aqui está o relatório de missão do meu time! – sorriu para mim com toda delicadeza que ela poderia tirar, mas ao mesmo tempo adicionou todo veneno que poderia se encontrar para conversar comigo.
– Obrigada! – sorri de volta, dei uma olhada de vão no relatório, apenas olhando as partes onde se destacava diante meus olhos.
– Já posso sair? – perguntou Erza.
– É incompetência um mago não conseguir realizar uma missão sem destruir qualquer coisa. – disse simplesmente sem qualquer emoção em meu rosto. – Agora você pode se retirar daqui. Não estou com vontade de olhar para sua cara!
– Quem você acha que é?
– A Mestra da guilda? E você quem é? Apenas alguém que deve seguir as minhas ordens... – apontei em direção à porta. – A porta está aberta se quiser pode sair agora. – ri
Ela saiu batendo os pés. Olhei novamente o relatório e sem perceber uma lágrima escorreu pelo meu olho esquerdo demonstrando grande dor, olhei para a porta agora fechada em um momento de raiva de Titânia.
Por algum momento me senti destruída novamente por dentro só de relembrar todos os meus momentos ao lado daquele time bagunceiro, gostava das suas risadas exageradas, das missões perigosas, gostava quando invadia a minha casa e devoravam tudo que tinha de comida lá, ou quando Erza obrigava Natsu a entrar em um trem.
As melhores lembranças...
Aqueles instantes transitórios quando nós nos encontrávamos em pleno caminho de casa. Você sorria e me chamava “Isshou ni Kaerou” (Tradução: Vamos caminhar juntos para casa) enquanto me estendia sua mão quente e aconchegante, eu estava envergonhada por isso apenas escondia meu rosto entre as mãos antes de aceitar a sua ajuda, mas a toda verdade é que eu estava realmente feliz e perdidamente apaixonada por ti. Nunca vou me esquecer dos verões que passei com vocês, porém todas as estações felizes têm o seu fim e a minha chegou tão rapidamente.
É triste. As melhores lembranças... Eu passei com vocês!
Queria saber, você consegue escutar essa voz? A voz que está rouca de tanto gritar, queria saber... Alguém consegue escutar o quanto eu sofro sozinha esperando novamente sua mão ser estendida mais uma vez para me ajudar, não queria dizer adeus para aquelas lembranças, mesmo tendo sofrendo tanto por causa delas eu me sentia totalmente ligada a elas.
Não quero dizer “Sayonara” (Tradução: Adeus) para tudo que eu vivi com vocês, mas eu não aguento todo esse sofrimento que passo por sua culpa. Fraca, inútil, uma idiota, tudo aquilo que vocês me chamaram parece ser totalmente verdade, eu realmente sou uma completa fracassada? Uma princesinha indefesa, como naqueles contos de fadas?
Senti a vontade de me encolher meu corpo contra algo quentinho e confortável, soluços chegaram tão rápido que eu não consegui controlar e quando menos eu me esperava me quebrei novamente, só por fazer um mínimo contato com eles eu conseguia-mequebrar.
– Até quando vai chorar por causa deles? – uma voz firme me tirou do meu auto-sofrimento
–...
– Não sei se você ainda não percebeu, mas aqueles pedaços de merdas estão aproveitando a vida enquanto você está sofrendo aqui! Sorria, sorria como você sempre fazia um sorriso bonito e que mostrava que mesmo caindo você não iria ligar para o que as pessoas estavam dizendo e seguiria em frente. Mostre mais uma vez para o mundo quem você realmente é!
– Você tem certeza! – sorri abertamente, uma nova energia se apossou do meu corpo e me levantei bruscamente daquela cadeira confortável. Laxus conseguia me dar esperanças por algum momento, ele conseguia encher a minha felicidade com apenas palavras, ele sorriu comigo e respondeu:
– Agora sim está melhor loirinha!
– Você é um máximo!
Dei um forte abraço nele o quase deixando sem ar.
– Eu sei que sou um máximo não é para tanto que vou ser o novo mestre da Fairy Tail! – ele sorriu com o seu ego do tamanho de um dragão.
–... – suspirei – Mas por enquanto você é um irresponsável que não sabe como controlar uma guilda.
– Eu não sou irresponsável! – bufou irritado.
– Então para me provar que não é irresponsável... – sorri maldosamente, eu mesmo senti que um calafrio desceu pela espinha dele quando viu meu sorriso, olhei para seus pés que davam levemente passos para trás fugindo de algo mais perigoso que ele (Isso mesmo eu sou mais poderosa ele muahahaha).
– Laxus, Laxus e Laxus... Eu tenho uma tarefinha para você! – ri.
– L-Lucy. – Sorriu meio temeroso. – Meio que escutei o vovô me chamando depois eu volto.
– Laxus. – Falei firme. – O mestre está de férias em um hotel cinco estrelas do outro lado de Fiore e você o escutou te chamando?
– S-Sabe como são os ouvidos dos Dragon’s Slayer’s. – riu forçadamente.
Sorri e entreguei um papel nas mãos dele e bati duas vezes em sua costa, deixando ele paralisado na sala.
– Resolva isso para mim, eu estarei passeando por Magnólia e se... – dei uma pausa. – E se você não tiver resolvido isso para mim quando eu voltar você sofrerá com “A-Q-U-I-L-O”. Boa Sorte!
Sai pela porta de madeira bem esculpida com o meu nome Lucy H. – me sentia orgulhosa com tudo aquilo. Realmente por um momento me senti como se algo enchesse meio peito com orgulho. Por que quem pensaria que a maga celestial seria colocada como mestra-temporária de Fairy Tail?
Mesmo que seja por temporária eu estou feliz.
Desci as escadas me esquecendo por algum momento que todos ali me odiavam e queriam que eu sofresse, mas como Laxus disse: Aqueles pedaços de merdas estão aproveitando a vida enquanto você está sofrendo aqui! Sorria, sorria como você sempre fazia um sorriso bonito e que mostrava que mesmo caindo você não iria ligar para o que as pessoas estavam dizendo e seguiria em frente. Mostre mais uma vez para o mundo quem você realmente é!
Eu irei mostrar mais uma vez para o mundo que os Heartfilia’s são feitos, eu irei mostrar mais uma vez que Lucy Heartfilia não desiste por nada nesse mundo!
As vezes deixamos de olhar para frente para remoer um passado distante!
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