Notas iniciais
O primeiro livro introduz o leitor à Kristie Truscott, uma bela e popular estudante do ensino médio da cidade de Beverly Hills, California, e seus amigos: Gabriella Gabi, Edward, Lucas, e Ashley Sua inimiga de colegial, mas logo no começo fazem as pazes.
Ocasionalmente, Kristie conversa com Jake Jones numa festa, e logo ele entra para o colégio. Uma amizade colorida se forma, mas Jake lhe conta que não sabe nada sobre seu passado, apenas que acordou e foi adotado pela delegada da cidade. Enquanto Jake e Kristie estão apaixonados, estranhos acontecimentos começam a acontecer, como um assassino em série que quer matá-los a qualquer custo, além de matar alguns da trama, mensagens telepáticas que lhe vem à mente, tentando forçá-lo a cometer crimes.
Mais tarde, Jake descobre que antes de perder a memória teve uma noiva, que vêem a Beverly para fazer-lhe lembrar-se e retornarem a sua vida de casal. Mas Jake está apaixonado por Kristie, e começa um triangulo. Britney, sua ex-noiva, lhe dá informações valiosas sobre os acontecimentos, e o que fazer para impedir um desastre ainda maior.
Beijos Cósmicos termina com Kristie, Jake e seus amigos, indo ao Tennesee acreditando que as pistas de Britney são verdadeiras, mas é apenas uma farsa. E isso só continua em Guia-me para a Luz.

AQUELA manhã se passou como um borrão. Gabi ficou no colégio para a detenção, por isso eu vim andando para casa sozinha. Na realidade, caminhando rápido para chegar logo. Minha casa não era tão longe do colégio. Durante a manhã, na hora do almoço, eu vi Jake de longe, e só tive a oportunidade de falar com ele uma vez quando nos encontramos. Então o lembrei de ir a minha casa às 17h e lhe entreguei meu endereço escrito em um papel. Agora que eu estava em casa às 15h e 30mim, meu desejo era que o relógio acelerasse, corresse. Minha mãe saiu assim que eu cheguei para buscar meu tio e meu primo no aeroporto, e meu único problema seria minha irmã, Stephanie. A solução que encontrei foi convidar Emmett, o primo de Gabi, para jogar vídeo-game com ela. Ela só tinha oito anos e isso a distrairia.

AS EXATAS 16h e 59mim, pela janela do meu quarto, eu avistei Jake, passando pela árvore do meu jardim, aproximando-se da minha casa. 17h, eu vi a hora no relógio... Toc Toc Toc.

Desci as escadas correndo — passei pela sala e vi Stephanie e Emmett sentados no chão, virados para a TV, jogando vídeo-game —, apalpei meu cabelo antes de abrir a porta. A abri com um sorriso no rosto.

— Olá. — Jake disse, um sorriso lindo no rosto. Seu perfume adocicado quase me fez desmaiar — por cima dele. Ele usava uma camisa comprida com listras grandes brancas e azul-marinho quase negro, e uma calça comprida negra. Além de lindo, possuía bom gosto. Queria conhecê-lo cada vez mais!

— Entre... — Articulei com a mão. — Chegou na hora exata. — O elogiei. Outra qualidade apreciável: pontualidade. Quando começássemos a namorar, uma esperança que eu tinha fé, ele não me desapontaria.

Jake passou para dentro, vi sua mochila nas costas. Tinha até me esquecido que ele veio para fazermos o trabalho.

— Bom, vou pedir para minha irmãzinha ir jogar vídeo-game lá em cima, no quarto, tudo bem? — Sorri ao perguntar.

— Como quiser. — Ele devolveu o sorriso da forma mais linda. Quando me acostumaria com tamanha beleza?

— Quem é você? — Perguntou Stephanie, curiosa.

— Esse é Jake, meu parceiro de literatura. Ele veio para criarmos um teatro dramático. — Respondi por ele. Jake achou a curiosidade de minha irmã cômica, eu achei irritante.

— Uau... Você é muito bonito, está namorando minha irmã?

— Não, não. — Jake respondeu antes que eu dissesse qualquer coisa e deu outra risada. Não estávamos namorando ainda. — Eu vim apenas fazer o teatro dramático. — Ele deu ênfase em “teatro dramático” e riu.

— Stephanie... — a segurei pelo braço e a girei para a direção à escada. — Leva seu vídeo-game lá para o seu quarto... E leva o Emmett também.

— Que horror! — Stephanie resmungou enquanto desmontava suas tralhas, Emmett a ajudando.

— Desculpa pela minha irmã idiotinha. — eu disse baixinho.

— Imagina. — Jake disse, o sorriso ainda no rosto. — Eu adoro crianças. — Ele completou.

Ah que fofo! Eu sempre tive o sonho de ter dois filhos gêmeos.

Depois que Stephanie e Emmett saíram, pedi para Jake esperar sentando no sofá enquanto eu pegava meu material. Quando entrei no quarto corri para frente do espelho. Observei-me e perguntei-me: Será que estou bonita? Eu usava uma calça cinza-grafite curta até metade da batata da perna e um top azul. Peguei rapidamente minha mochila na cômoda, e claro, não me esqueci de pôr meu perfume importado da frança. Queria estar irresistível à Jake assim como ele era irresistível para mim.

Desci as escadas correndo e quase caí. Jake percebeu e riu. Ri de mim mesma, mas um assombro me veio à mente: Será que ele teve a impressão de que sou estabanada?

— Então... Já teve alguma idéia do que podemos fazer? — Perguntei enquanto sentava no sofá. Abri minha mochila, puxei o caderno e o abri, preparei a caneta em mão.

— Ainda não... — Jake disse sem emoção. Inclinou-se para frente apoiando as mãos no joelho.

Passamos alguns minutos pensando, sem que nenhuma idéia nos viesse à mente. Para falar a verdade, foi difícil para eu pensar quando havia uma tentação como Jake à minha frente.

— Ainda lendo Orgulho e Preconceito? — Perguntei para que não ficasse silencioso demais. Ele sorriu.

— Terminei ainda ontem. Agora estou lendo Comer, Rezar e Amar. — Ele riu de forma infantil enquanto contava. De uma forma muito sedutora.

Mais alguns segundos se passaram, Jake com a mão fechado sob o queixo, olhando para o tempo... Pensando.

— “Sentimento de perda” — Jake pronunciou. Fitou-me com um olhar especulativo, franziu os lábios e prosseguiu: — Já teve esse sentimento?

Engoli em seco com essa pergunta. Meus olhos se arregalaram num susto, comecei a ouvir as batidas do meu coração.

— Bom... Eu... — Gaguejei, muito sem graça. Abri um sorriso falso, mas não o convenci.

— Ah, me desculpa! É sério, me desculpa. — Jake desviou o olhar para baixo, encostando-se no sofá.

— Imagina. — Eu sorri, dessa vez o convencendo. — Você só me deixou surpresa. — Dei uma gargalhada falsa, tentando fingir que não liguei.

— “Imagina”? Imagina o que eu fiz. — Jake revirou os olhos. — Conheci você ontem e estou lhe perguntando uma coisa tão... — Ele pensou na palavra. — Pessoal... — Suspirou. — Me desculpa... De verdade.

— Jake, não se preocupe... Já o desculpei. Na realidade não foi nada. — Me inclinei para frente e dei-lhe um sorriso amigável. Mas a verdade era que aquela pergunta me tocou profundamente. Ainda mais quando olhei para a mesa de centro e vi a foto onde estavam gravadas apenas três figuras femininas: Eu, Stephanie, e minha mãe. Faltava uma. Ao pensar isso, fiquei séria novamente — contra minha vontade.

— Bom... Jake. — Eu disse ainda séria. — Eu vou preparar uma limonada para a gente... Enquanto isso... Você pensa... Em alguma coisa. — Minha voz um pouco tremula.

Ele moveu a cabeça em sentido afirmativo. Corri para a cozinha, os olhos fechados para segurar as lágrimas. Passei a mão sobre o cabelo, puxei um punhado de fios e os segurei, a outra mão com o dedo indicador limpando as lágrimas dos olhos. Que raiva! Raiva de mim mesma por não conseguir sentir raiva de Jake, ele era tão doce! Por que lhe contar o que eu sentia? Havia o conhecido ontem, mas... Jake parecia ser tão... Maduro, sensível... Confiável. Soltei meu cabelo, esperei que o tempo passasse, e não havia mais lágrimas em meus olhos. Peguei a limonada já pronta na geladeira e a despejei em dois copos grandes. Funguei. Guardei a garrafa de vidro ao terminar o despejo no copo. Meu pai fora um idiota... “Sentimento de Perda”.

Pus os copos com o liquido esverdeado na bandeja e levei para a sala.

Jake olhava em volta, observando tudo. Olhos tão profundos que parecia absolver os móveis e as fotos. Ele parou, desviou o olhar para baixo e depois olhou para o seu caderno. Pegou o lápis sobre o sofá.

— Aqui está. — O servi. Jake pegou um copo, e eu fiz o mesmo, deixando a bandeja sobre a mesa de centro. — Alguma idéia? — Jake não respondeu. Olhou pela janela e viu o crepúsculo da tarde se tornando noite.

— Não. — Ele respondeu, finalmente, sem emoção. Tomou um gole da limonada e deixou o copo sobre a mesa de centro.

Inclinei-me, deixei meu copo sobre a mesa de centro e peguei a foto da minha família — incompleta. Trouxe para junto de mim pondo-a em meu colo. Acomodei-me no sofá até chegar ao lado de Jake. Pus uma mexa de cabelo para de traz da orelha e suspirei.

— Certo. — olhei para Jake e o observei, seus os olhos fixos na foto. — Essa é a minha atual família... — Jake olhou para mim. — Notou que falta o meu pai, não é? — Jake ficou sem reação. Por um momento talvez estivesse com medo de me magoar. Enfim, assentiu. Suspirei antes de começar.

— Eu estava em casa com a minha mãe quando meu pai foi embora. — Minha mente parou por um momento, era estranho eu estar compartilhando algo que nunca compartilhei com ninguém, exceto com Gabi. Mas já que comecei não devia parar... Prossegui:

— Eu tinha apenas seis anos e não entendia o que estava acontecendo.

Agora eu entendia. Meu pai deixou minha mãe para viver com Katherine, sua atual esposa.

— Eu estava no chão assistindo TV, e podia escutar minha mãe soluçando e implorando que meu pai ficasse.

Jake estava com os lábios separados, as sobrancelhas arqueadas. Ainda nem havia o contado sobre Katherine.

— Ele desceu as escadas com uma mala, se ajoelhou, me deu um beijo na testa e disse: “O papai sempre vai amar você”. — Uma lágrima quente escorreu pelo meu olho esquerdo. — Depois ele foi embora. — Continuei, esforcei-me para que minha voz não falhasse.

Engoli em seco, faltou o ar para que eu continuasse falando, mais lágrimas escorrendo. Jake inclinou-se e segurou em minha mão, olhando nos meus olhos, seus olhos empáticos, seus lábios num pequeno sorriso abnegado.

— Não vi meu pai por um bom tempo depois disso. — Jake começou a limpar as minhas lágrimas suavemente com o dedo da mão que estava livre, seu rosto em uma expressão de dor.

— Eu sinto muito — Ele sussurrou.

— Desde aquele dia, tenho medo que minha mãe também vá embora. — Terminei de contar antes que ele dissesse qualquer coisa.

— Eu realmente sinto muito. — Ele disse novamente e me abraçou. Seu perfume adocicado me deixando ainda mais sensível. Uma onda de esperança correu o meu corpo quando ele me abraçou.

Nos largamos depois de alguns segundos, eu enxugando minhas lágrimas, Jake olhando nos meus olhos, suas sobrancelhas unidas e os lábios separados. Enfim, notamos que não havíamos feito nada do trabalho. Pensei que talvez ele quisesse ouvir minha experiência pessoal para usá-la no dever. Mas quem sabe quais seriam as experiências dele? Agora que havia lhe contado talvez tivesse direito de saber um pouco de sua vida. Qualquer coisa seria mais do que eu já sabia: nada. Eu tinha inúmeras perguntas para fazê-lo, como de onde ele veio, se ele era realmente filho da delegada Elena, se ele já teve algum “sentimento de perda”. Essa ultima era pela qual eu devia começar. Esperei que cessasse todas as minhas lágrimas. Jake se encostou às costas do sofá, e me inclinei para frente, em sua direção.

— Está tudo bem. — Suspirei. — Agora me responda. — Jake ergueu as sobrancelhas, arregalando os olhos. — Você... Já passou por algum “sentimento de perda”? — Jake me encarou de forma inexpressiva, a boca ainda entreaberta. Percebi o seu susto repentino. Movi as sobrancelhas para cima, aguardando resposta. Depois de alguns segundos com o silêncio mórbido, Jake levantou-se e deu as costas para mim.

— O que você... — Minha voz alterada. Tive medo de que ele fosse embora sem mostrar a menor consideração por mim que lhe contei um segredo, e não me contar nada.

— Kristie... — Jake me interrompeu. Sua voz tão alterada quanto a minha, furiosa. Tentei me acalmar, mas a reação dele me deixou elétrica. Pude ouvir novamente as batidas do meu coração. Engoli em seco. Aguardando ansiosamente o que ele ia dizer depois.

— Me desculpa. — Sua voz voltara ao normal para o meu alívio. Ele suspirou e engoli em seco. — Tudo bem. Acho que eu posso lhe contar.

Contar o que? Jake parecia tão simples e comum até alguns instantes e agora me deixou surpresa. Movi a cabeça em sentido afirmativo mesmo que ele não estivesse vendo. Notei que minha boca estava aberta, meus olhos arregalados, minha testa franzida.

— Estou ouvindo. — Sussurrei, minha voz quase falhou.

Jake virou-se para mim, os punhos cerrados. Seu olhar fixo nos meus olhos de forma que parecia invadir meus pensamentos. Movi a cabeça novamente, e ele engoliu em seco novamente.

— Kristie, eu... — Ele sentou-se novamente, esbarrando com o braço no seu copo de limonada sobre a mesa de centro, derramando-a.

— Me desculpa. — Ele sussurrou enquanto levantava o copo.

— Não há problema... — Eu falei freneticamente. — Eu limpo... Daqui a pouco.

— Desculpa. — Ele se lamentou, olhando o liquido esverdeado derramado sobre a mesa de centro.

Olhei para a limonada derramada e voltei a fitar Jake.

— A verdade é que eu não sei nada sobre o meu passado. — Jake disse tão rápido quanto uma flecha lançada seguindo rumo para o peito do inimigo.

Não sei como ficou minha expressão depois de ouvir isso, mas, talvez deva ter ficado com cara de idiota. Será que ouvi certo? Não sabia nada sobre seu passado? Como isso ocorrera? Desde qual parte ele se lembrava? Não fazia idéia com qual começaria a perguntar. Por um momento outra idéia me veio à mente: ele não falava a verdade. Talvez estivesse tentando fugir de responder o que eu perguntava ou, quem sabe, estava tirando onda com a minha cara.

— Como assim não sabe nada do seu passado? — Perguntei calma.

— Eu acordei ferido ao lado da casa da delegada, Elena. — Jake se encostou às costas do sofá, pondo as mãos no colo. Eu assenti. Inclinei-me para frente, cruzei as pernas, ergui as sobrancelhas esperando que Jake continuasse.

— Quando acordei, Maya estava ao meu lado me cutucando. — Ele riu rapidamente. — Chamou a mãe dela, a delegada Elena, que me levou para a delegacia.

Eu estava imóvel, da mesma forma que antes: Testa franzida, olhos arregalados, lábios separados.

— Não encontraram meus registros... — ele revirou os olhos. — E iam me mandar para um lar infantil. — Fiquei pasma. Ainda bem não fizeram isso. — Para poupar “um jovem tão bonito” — Jake fez aspas no ar —, como diz Elena, ela me adotou.

Finalmente juntei os lábios. Isso daria um bom roteiro de filme.

— Meu Deus! — Foi só o que consegui sussurrar.

— Pois é. — Jake sorriu, irônico.

— Os policias não fazem nem idéia de quem seja sua família? — Perguntei, fazendo ênfase em cada palavra.

— Não. — Jake respondeu de forma simples. — Estão tentando descobrir, mas vai fazer um mês desde que acordei sem memória e não descobriram nada. — Ele completou depois de um tempo. Sua voz bem calma. Olhava todo em volta, quase não olhava para mim.

— Já vai fazer um mês?

— Sim. — Ele suspirou. — Passei três semanas na casa de Elena sem nem sair para a rua. Tive medo das pessoas e principalmente... — ele hesitou. — do colégio. O primeiro lugar que eu fui foi — Jake revirou os olhos e deu uma risada. — Uma biblioteca. A festa da Ashley foi o segundo lugar.

— Como conseguiu entrar no California's Future? — Fiquei curiosa. Peguei meu copo de limonada e tomei um gole.

— Alguns documentos falsos foram úteis. — Jake continuou rindo. Tudo parecia muito fácil.

— Uau! — Exclamei. Realmente estava admirada. Pasma por ouvir aquilo tudo. Realmente “sentimento de perda”... De memória. — Você não se lembra de nada, nada, nada, nada mesmo... Quero dizer absolutamente nada? — Inclinei-me em sua direção após deixar o copo sobre a mesa de centro.

Jake cruzou os braços.

— Não. — Ele respondeu, olhando para o nada.

Realmente, eu estava boba. História dramática.

— Nada que sequer posso ajudá-lo a descobrir sobre seu passado?

— Não. — Finalmente Jake olhou para mim, o olhar rebelde. Ele ficou pensativo, depois de um tempo ergueu uma sobrancelha.

— Bom, algo muito estranho... — Ele falou depois de um instante. Fiquei esperançosa. — Hoje de manhã... — Jake pôs a mão no queixo, a apoiando pelo cotovelo com a outra mão. Movi as sobrancelhas repetidas vezes, sugerindo continuação. — O professor de Biologia falou algo comigo. O Sr Palmer Mason.

Palmer Mason era meu professor favorito, me dava aula de Biologia há muito tempo. Mais do que isso, era um grande amigo. Não querendo me gabar, mas eu sempre tive a impressão de que ele me dava mais atenção do que aos outros alunos. Nós conversávamos muito, até fora do período de aula. Minha mãe nunca gostou muito dele, por isso não gostava que tivéssemos contato. Até me falou diretamente — e sem explicações — que queria que eu não tivesse contatos com ele além do que fosse necessário. Mas como ela é mãe, talvez estivesse sendo coruja — coruja até demais. E de qualquer forma, o Sr Mason era muito confiável.

— O Sr Mason? — Perguntei num impulso.

— Sim. — Jake fechou os olhos. — Ele falou algo do tipo “O que você faz aqui?”. E o que eu respondi foi: “Venho para o colégio para estudar.” — Jake deu uma gargalhada leve como se tivessem contado uma piada mais ou menos engraçada. Eu não ri. Minhas sobrancelhas estavam arqueadas. — Daí ele continuou: “Não seja engraçadinho. O que você faz aqui?”. Dessa vez ele estava quase gritando.

Eu uni as sobrancelhas, meu olhar desconfiado, mas os olhos de Jake ainda estavam fechados.

— Eu saí e deixei-o para traz, como se ele fosse louco. Coisa que ele é. — Jake abriu os olhos e deu outra risada.

— Ele não é louco. — Eu falei, séria. Não dei nenhuma risada para acompanhá-lo. — Ele pode saber algo sobre seu passado. Precisamos descobrir. — Minha voz furiosa.

— “Precisamos”? — Jake inclinou-se para frente apoiando os cotovelos nos joelhos. Havia um pequeno sorrisinho em seus lábios.

— É. — Tentei disfarçar. Desviei o olhar para o lado, pus uma mecha de fios de cabelo para traz da orelha. — Eu sou amiga dele. — Voltei a olhar para Jake. — Acho que posso chamar assim. — Abri um pequeno sorriso. — Posso sondar ele, para saber o que ele sabe sobre o seu passado... Se é que ele sabe alguma coisa.

Ambos começamos a rir.

— Não quer a minha ajuda? — Perguntei ironicamente.

— É sério? — Jake estreitou os olhos e deixou de lado o humor. — Pode mesmo sondá-lo?

— É claro. — Sorri amigavelmente. — Segunda feira, após o treino com as líderes de torcida, eu converso com ele. — Falei o mais convincente que pude.

Estendi a mão na direção dele. Jake pareceu assustado, mas depois de poucos segundos a apertou.

— Obrigado. — Sussurrou ele.

Marcamos para fazer o “teatro dramático” no fim de semana. Depois de nossa conversa, na qual Jake contou que Elena estava investigando quem atropelou Isabella e não a prestou socorro, fiz pipoca e assistimos Um amor para recordar. Como sempre eu chorei com essa emocionante história. Logo após assistimos Sr e Sra. Smith até pouco antes de minha mãe chegar com meu tio e meu primo. Jake foi embora pouco antes, assim que terminou o filme. A história que ele contara me deixou impressionada. Pensei naquilo o restante da noite, até dormir. E quando caí no sono, sonhei com ele. Um sonho lindo. Lindo e doce. Estávamos numa praia sozinhos. Provavelmente uma ilha. E só me dei conta que era um sonho quando acordei. Eu precisava ajudá-lo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.