XLII-Estrelas

Oras, agora posso escrever calmamente

Pois muita coisa alucina minha mente.

Olhe em volta! O que me revolta

É a prisão dos olhos que nos fecha a alma

E desfoca.

(...)

O que se precisa realmente saber

É que vida de estrela não requer entender

Tudo que visa a vida de asteroide qualquer.

Veja! Se tens luz ou escuro, sequer

Imagina o que passa aqui dentro;

Pois muita coisa alucina minha mente

Enquanto a mente alucina o momento.

Estrelas delicadas, sofrem sempre por nada,

Ficam calculando as horas antes de viver o dia.

Mal sabem elas que isso é o que se via,

Entre dores e ardores acordar é folha esguia.

Que de tão grandes meus versos se fazem,

Pouco espaço as minhas linhas trazem;

Voltam às rédeas que tive anteriormente,

Pois muita coisa alucina minha mente

Enquanto as esperanças do dia, morrem.

Diremos verdades, estrelas sofrem,

Como risos de alegria que se propagam no vácuo.

Enquanto morrem as esperanças do dia,

Muita coisa alucina minha mente,

E é retórica, possessivamente,

A questão que se forma de repente.

Há de haver sentido em brilhar

Se pudera a esperança desgostar

E um mundo tão claro, com dor inundar.

(...)

Digo e provo, caro remetente,

Que uma estrela alucinou minha mente.

Mas ela morre a cada dia,

Estraçalha minha harmonia,

Sem tal razão par a agonia.

Esta estrala estragou minha alegria,

Porém assim a amo a cada momento.

Minha mente alucina o relento

Acaba com meus versos

E com tudo o que se cria.

Terminada com sufoco e simpatia

Minha tensa e singela sinfonia.

Agora espero a calma acabar,

Pois nada tenho a acalmar.

O vácuo parece eterno.

Cabe ao mundo entender,

Não a mim.

Se é assim, assim não vai ser.

Muita coisa alucina minha mente,

E as estelas, caladas, sofrendo por nada,

Dormem.

Pois sonhos são a única esperança

De que esperanças não morrem.

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