Estrela da minha noite
30 Capítulo 30
Quando eu tinha sete anos de idade eu sofria bulling na escola. Meu cabelo era esquisito, eu era gordinha e todo mundo me odiava pelo meu pai ser o médico da cidade, um dos poucos. Eu era exclúida de todas as festinhas da turma e todos os passeios, os únicos que me entendiam eram os professores. Mas sempre havia um interesse por trás, e isso era perceptível até mesmo para uma criança de sete anos. Um dia Ed brigou com dois garotos que estavam me xingando na sala de aula e a partir de aí nos tornamos amigos, grandes e melhores amigos durante uma infância toda. Agora Edward estava sentado no meu quarto, sem ser convidado e eu mesmo o conhecendo desde sempre, estava morrendo de medo do que ele poderia fazer, minha voz não saia e eu estava imóvel no canto do quarto.
— Maria, sua mãe me mandou subir.
— Minha mãe não esta em casa, não tem nem cinco minutos que subi para cá Ed. _ Eu estava com medo, ele não podia perceber, mas minha voz estava trêmula e isso era em vão.
— Eu vi Charlie saindo e precisava falar com você, por favor me escute. _ Ele me olhou de cima a baixo e depois franziu a sobrancelhas. O que me fez lembrar que eu estava APENAS enrolada em uma toalha.
— Deixe-me vestir.
— Claro. _ Ele disse rapidamente e então se levantou e saiu do quarto, encostando a porta.
Eu não sabia o que fazer ou o que pensar, eu queria poder ligar para o Charlie naquele momento e pedir que ele voltasse rapidamente para casa. Mas ele estava com Ethan, e se algo acontecesse com um dos dois eu não me perdoaria. Eu conhecia Ed, Charlie não.
Então eu me virei e peguei a primeira roupa que vi na minha frente e comecei a vestir.
— Maria... _ Ed, começou a falar do lado de fora do quarto. _ Eu não trabalho para o governo e eu não quero seu mal. Eu só estou aqui para proteger você.
— O que? _ Falei baixo para mim mesma.
— Charlie é um assassino treinado pelo governo, ele é um cãozinho de caça. Eles colocam um nome na mão dele, ele vai lá, caça e mata.
— Charlie não...
— Não o que Maria? Faz essas coisas mais? _ Ele praticamente gritou do lado de fora. _ Quantas noites ele passa fora sem você saber?
Terminei de me vestir, fui até a porta e abri encarando Charlie encostado na parede, ele me olhava com uma das sobrancelhas arquiadas e os olhos semi-cerrados.
— Charlie mentiu pra você.
— Ele não mentiria para mim.
— Ele ainda é o cãozinho de caça do governo, ele ainda caça e mata. Ethan e você não foram motivos suficientes para ele parar.
— Ele disse que tinha parado antes disso Ed.
— Ele nunca parou, é o trabalho dele. Ele vive por sangue.
— Ed, como pode saber tanto? Como posso confiar em você?
— Não trabalho pro governo. Trabalho pra uma agência informal.
— O que isso significa?
— Eu procuro pessoas que estão por cima da lei Maria. Charlie tem licença para matar. Isso não seria problema se ele não tivesse matado pessoas inocentes e botasse outras pessoas em risco de vida.
— Ele não faria isso Edward, isso não faz o menor sentido para mim.
Eu estava começando a ficar com uma dor de cabeça insuportável.
— Eu estava investigando-o a muito tempo. Quando você entrou entrou no meu caminho. Eu amo você Maria, não podia deixar minha melhor amiga entrar no caminho de um assassino.
— Está dizendo que Charlie pode me matar?
— Não.
Balancei a cabeça negativamente. Eu estava tentando intender as palavras do Ed, mas minha cabeça estava pesando cada vez mais.
— Você é uma pessoa incrível, ele ama você... E o Ethan. Não acredito que ele machucaria nenhum de vocês dois.
— Então por que veio me dizer isso tudo?
— Preciso que se afaste. Logo meus reforços irão chegar e Charlie será preso.
— O que?
— Você nunca mais ira vê-lo Maria
Meus olhos se encheram de lágrimas, e a sensação que eu senti naquele momento era como se alguém tivesse dado um murro no meu estômago. Ele foi meu melhor amigo, ele me entendeu, esteve comigo durante toda a minha desgraça e foi o principal motivo da minha felicidade. Eu realmente amava Charlie. Como eu podia escutar alguém como o Ed? Que eu nem mesmo tive notícia durante anos.
— Sai da minha casa Ed.
— Não Maria, eu entendo que o ama. Mas eu preciso que se afaste.
— Sai daqui agora. _ Fui para cima dele tentando empurrar para fora dali, enquanto minhas lágrimas escorriam pelo meu rosto.
— Não pode contar para ele Maria.
— Por que? Porque tenho que confiar em você?? _ Gritei._ Eu fui estuprada e humilhada no colégio, eu engravidei com 16 anos e a única pessoa que ficou do meu lado foi o Charlie, a única pessoa que me escutou, me respeitou e me entendeu foi ele. Ele esteve do meu lado o tempo todo Ed, e você? Você simplesmente arrumou suas coisas e foi embora sem nem avisar ou dizer adeus Maria, até nunca mais. _ Eu gritava cada vez mais e ele deu alguns passos para trás.
— Desculpa Maria. _ Ele se virou e desceu as escadas e eu me sentei no chão, observando ele se afastar. Até ouvir a porta bater. Só então deixei as lágrimas caírem até eu soluçar.
Depois de alguns minutos escutei a porta abrindo e me levantei rapidamente.
— Quem é?
— Sou eu querida, estava no hospital. Preciso arrumar antes que sua mãe chegue do salão e me mate. _ Meu pai gritou da sala.
— Eu vou me arrumar também. _ Entrei no meu quarto e fui tentar me concentrar em arrumar, já tinha perdido meu horário no salão por causa do Ed, então precisava eu mesmo dar um jeito em mim. Me arrumei da melhor forma que consegui enquanto ficava pensando no Charlie.
Coloquei o melhor vestido que eu tinha e sai do quarto. Minha mãe estava passando batom no espelho do corredor. Ela estava linda e elegante, como sempre foi. Dentro de um vestido longo, colado em seu corpo perfeitamente em forma. Seus poucos cabelos brancos compunham um penteado estonteante no alto da sua cabeça. E ela abriu um sorriso gigante quando me pegou admirando-a.
— Você está linda filha.
— Só porque você é incrivelmente linda mãe. _ Ela me olhava com ternura.
— Seu namorado está lá em baixo com seu filho te esperando a quase meia hora querida.
— Estou indo. _ Sorri, me aproximei dela e a abracei e ela retribuiu com um abraço mais apertado e um beijo no alto da minha testa.
Desci as escadas e Charlie estava parado ali no meio da sala de estar jogando uma bolinha pro Ethan, assim que eu desci ele se me encarou com um sorriso enorme.
— Olha a mamãe Ethan, está tão... Elegante, não vou dizer linda porque você é linda de qualquer jeito. _ Terminei de descer as escadas, me aproximei do Charlie e o abracei forte. Senti sua mão subindo as minhas costas até meus cabelos.
Charlie podia ser cheio de segredos, e eu não entender ou não querer entender mas eu o amava e não queria perdê-lo
— Tudo bem Maria? _ Ele afastou meu rosto do dele delicadamente fazendo que eu o olhasse nos olhos.
— Promete pra mim que nunca vai me deixar sozinha
— Eu prometo que nunca irei te deixar sozinha. _ Ele sorriu fraco. Abaixei a cabeça. _ O que houve?
— Ed esteve aqui assim que saiu.
— O que ele veio fazer aqui? _ Ele olhou pro alto da escada depois voltou a me olhar.
— Continua matando pessoas Charlie? _ Levantei o rosto o encarando novamente.
Senti ele prender a respiração, e o seu corpo ficar tenso. Então eu já sabia da resposta.
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