Estrela da minha noite

29 Capítulo 29 - Segredos de Ed


— Quem é você Ed? _ Olhei em volta para ver se tinha alguém por ali, mas o corredor já estava vazio.

— Sou alguém que sabe mais do que você Maria. _ Ele passou as mãos brancas e magras pelo cabelo, ele estava visívelmente nervoso.

— Você trabalha pro governo Ed?

— Que? Não, Eu... _ Ele deu um passo para trás e encarou o corredor atrás de mim. Acompanhei o olhar dele, era Charlie se aproximando. Ed se virou me encarando e suspirou baixo. _ Maria, ele não é boa pessoa, deveria tomar cuidado, se afaste e proteja você e o Ethan, antes que alguma coisa aconteça com vocês.

— Eu quero que você se afaste Ed, eu estou muito bem. Obrigada por se preocupar. _ Ele encarou Charlie que estava cada vez mais próximo de nós.

— Não diga que não avisei Maria. _ Ele se virou e saiu, passou por Charlie, trocando olhar com ele. Até eu senti a intensidade do olhar dos dois. Era como um choque percorrendo o meu corpo, eu sabia o que cada um dos dois queriam dizer ao outro com aquela troca.

— O que ele queria? _ Charlie disse se aproximando.

— Conhece ele?

— Como? Você que passou sua infância com ele, não eu.

— Ele sabe tudo sobre você e pediu para que eu me afastasse antes que eu ou o Ethan se machucasse.

— Ele ameaçou vocês? _ Ele me encarou.

— Não, ele só avisou. Como se soubesse mais de você do que eu.

Charlie encarou o corredor até Ed sumir no fim dele e depois voltou a me encarar.

— Você sabe tudo sobre mim. Matei muita gente, pessoas perigosas e agora eles querem tirar tudo de mim igual eu tirei deles.

— Não é só isso Charlie.

— Não tem mais coisas, precisa confiar em mim Maria. Não em um garoto que sumiu sua adolescência inteira e voltou só agora. Se quiser escolher confiar nele me avisa. _ Ele saiu andando e entrou na sala de aula.

Eu sabia que no fundo tinha mais coisas que Charlie estava escondendo, me protegendo e Ed, quem era ele e o que ele veio fazer aqui depois de tanto tempo? Será que ele era uma das pessoas que queria se vingar do Charlie? Mas não fazia sentindo porque Ed morou aqui, eu conhecia a família os amigos. Simplesmente não fazia sentido. Respirei fundo e entrei para a sala de aula. Me sentei no lugar de sempre.

Tudo passou muito rápido naquele dia. Daniela me encarava de longe com cara de nojo, Charlie simplesmente não me olhou a aula toda e o idiota do meu ex estava no fundo com um curativo no rosto gemendo de dor de uma passagem de aula a outra. Ed não estava ali, ele simplesmente teria ido embora depois de discutir comigo? É estranho pra quem estava ali para estudar.

A aula acabou, sai ao lado de Charlie, sem ele me dizer nada. Apenas digitava no celular até chegarmos no carro. Ele desligou o celular, entrou no carro, entrei também e saímos do estacionamento. Ele não ia falar comigo se não puxasse assunto e eu queria conversar com ele.

— Tenho medo que ele queira te machucar.

Ele se ajeitou no banco e me olhou rapidamente, depois voltou a encarar a estrada.

— Não, se ele quisesse me machucar já teria feito isso.

— Não sabe mesmo quem ele é?

— Já disse que não Maria. _ Ele disse mais alto do que eu gostaria que tivesse soado.

Olhei pela janela, me detestei naquele instante por ter tentando puxar assunto.

— Desculpa.

— Não tem que pedir desculpas.

— Maria, eu perdi todo mundo que eu amava, e agora tenho uma chance de recomeçar com você e o Ethan e você fica entrando nesse assunto. Deixa que isso é problema meu, eu só quero esquecer todas as mortes que causei de quem eu amava, por favor para. _ Olhei para ele, ele estava nervoso. Não do tipo estressado, do tipo que choraria em poucos segundos, mas ele não chorou, apenas voltou a ficar sério e dirigir.

— Não precisa ser forte o tempo todo, não precisa cuidar disso sozinho. Agora você me tem.

— Eu amo você Maria.

— Eu também amo você Charlie.

Chegamos em casa, não tinha ninguém no jardim. Entramos. A nova babá estava dançando uma música infantil com o Ethan no colo na sala.

— Onde está minha mãe? _ Ela parou e me olhou.

— Foi ao supermercado.

— Oi neném. _ Charlie se aproximou deles e pegou Ethan no colo, e Ethan olhou para ele todo sorridente e banguela.

— Pode ir, obrigada. _ Ela saiu sem se despedir, acho que estava com pressa.

Me aproximei deles e abracei Charlie por trás abraçando Ethan juntos. Charlie virou seu corpo devagar e me deu um longo e caloroso beijo que eu retribui imediatamente.

— Bem que você podia ter deixado a babá ficar mais um pouquinho. _ Ele sussurrou perto do meu ouvido, e meu corpo todo se arrepiou. Sorri entre nossos lábios.

_ Eu preciso me arrumar, temos uma festa beneficente para ir hoje a noite. _ Falei baixo.

— Então eu o Ethan, vamos para a casa do papai, tomar um banho de piscina e a noite a gente vem buscar a mamãe. _ Ele me olhou nos olhos.

— Tem certeza?

— Claro, vamos nos divertir enquanto a mamãe fica bonita pra gente. _ Ele me deu um selinho e se afastou. _ Vou arrumar as coisas dele pra gente poder ir lá pra casa. _ Ele subiu as escadas.

— Precisa de ajuda? _ Gritei

— Não. _ Ele gritou lá de cima da escada.

— Tá bom. _ Falei baixo e olhei em volta da casa. Ela estava tão vazia, nem as pessoas que trabalhavam lá, não estavam.

Me sentei no sofá e peguei o celular na bolsa, precisava achar um salão, seria difícil de última hora. Era uma festa anual que acontecia todo ano para arrecadar fundos para a única igreja da cidade.

Consegui marcar um horário em um dos poucos salões que tinham na cidade. Logo Charlie e Ethan desceram as escadas com a malinha pronta.

— Tchau mamãe, até mais tarde. _ Ele foi até em mim e me deu um beijo, dei um beijo no Ethan que fez um barulhinho engraçado, se viraram e sairam. Subi as escadas para tomar um banho antes de ir para o salão.

Entrei no quarto, e fui direto para o banheiro, tirei minha roupa toda e escutei um barulho de alguma coisa caindo dentro do meu quarto. Senti um calafrio percorrer meu corpo todo.

— Oi? Mãe? Você chegou? _ Gritei do banheiro sem obter nenhuma resposta.

Eu não sabia se permanecia trancada no banheiro e ligava para alguém ou... Olhei em volta procurando meu celular.

— Droga. _ Eu tinha deixado-o na sala.

Me enrolei na toalha e destranquei a porta.

— Mãe? _ Sai do banheiro de vagar.

— Oi? _ Olhei para o canto do quarto e Ed, estava sentado na cadeira do meu computador.

— Ed...

— Maria. _ Ele sorriu de lado.