Estrela da minha noite

28 Capítulo 28 - Discordia


Notas iniciais
Primeiramente quero me desculpar pela demora deste capítulo. Minha rotina voltou e tempo é o que eu não tenho, mas prometo tentar postar semanalmente. TENTAR. Agradeço a compreensão e o carinho de vocês. Perdoem-me.

Charlie voltou para sua casa naquele mesmo dia. Eu não queria assumir um compromisso assim, eu sabia que ele me amava, e cuidaria de mim e do Ethan, mas eu não me sentia totalmente segura com ele.

Alguns dias se passaram e as aulas voltou ao normal e se eu faltasse mais algum dia eu bombaria por falta. Então contratei uma babá e deixei Ethan em casa para que eu pudesse voltar a frequentar as aulas.

Charlie chegou bem cedo na porta de casa e esperou dentro do carro, terminei de arrumar e desci.

—Bom dia. _ Ele falou com uma voz rouca e sem graça. Abri a porta do carro e me acomodei no banco do passageiro.

— Bom dia. _ Sorri e ganhei um sorriso de resposta.

Chegamos na escola, estava tudo igual a antes. Nada mudou. Os grupinhos continuaram os mesmos. Algumas pessoas me encararam assim que desci do carro. Charlie parou do meu lado encarando alguma delas.

— E agora? _ Falei baixo.

— Bom, acho que temos aula de filosofia. _ Ele olhou a folha que estava na mão e eu acompanhei o olhar dele percebendo que aquilo era o horário das aulas.

— Não foi isso que quis dizer. _ Voltei a olhar em volta.

— Vem. _ Ele fingiu de conta que não me entendeu mas eu sabia o que ele queria dizer com aquilo. Senti a sua mão pegando a minha e me puxando para dentro.

Entramos para dentro do colégio e nos separamos, Charlie foi para o seu armário pegar seus livros e eu fui para o meu, que era em corredores diferentes.

Meu armário ficava ao lado do armário da Daniela, sempre foi assim, desde a infância, em todos as escolas que passamos era exatamente assim. Abri meu armário e peguei meu livro e coloquei dentro da mochila, assim que fechei a porta vi Daniela encostada em seu armário me encarando.

— Oi pra você também. _ Falei e revirei os olhos.

Ela me abandonou em todos os momentos que precisei dela, ela não estava lá.

— Oi. _ Ela sorriu fraco e continuou a me encarar.

— Oi amor. _ Brian se aproximou da Daniela e a abraçou por trás e depois deu um beijo ela.

Eu não conseguia acreditar no que estava vendo aqui, ele e a Daniela estavam juntos, e eu nem fiquei tanto tempo longe assim.

— Oi mamãe. _ Brian me olhou de cima a baixo, ainda abraçado a Daniela.

— Espero que ele não te de um par de chifres igual fez comigo. _ Levantei uma sobrancelha e sorri, virei de costas e sai andando.

— Pelo menos não fui eu que engravidei você. Capaz que você nem sabe quem foi pelo que a Daniela me contou. _ Ele gritou e todos que estavam naquele corredor escutaram e pararam de fazer o que estavam fazendo para nos encarar.

— É, ainda bem que você disse. Pelo menos não foi de você. _ Revirei os olhos.

— Piranha, sai e dá pra todo mundo, sorte que encontrou algum mané para assumir né.

— Brian, cala a boca. _ Daniela gritou.

— Encontrou o que Brian? _ Charlie apareceu atrás de mim.

Eu sabia que se não parasse eles por ali, aconteceria uma briga no primeiro dia de aula.

— Não Charlie, não vale a pena. _ Peguei na mão do Charlie para tirar ele dali.

— Cuidado Charlie, que ela engravida de você pra te dar o golpe do baú. _ Brian gritou de novo.

Charlie se soltou da minha mão e voou para cima do Brian, quando dei por mim Brian estava no chão e Charlie com a mão suja de sangue.

— Mas o que está acontecendo aqui? _ O diretor surgiu do nada, com os olhos arregalados e meio assustado.

Brian levantou devagar do chão com o rosto todo sujo de sangue.

— Ele me bateu do nada diretor. _ Ele gritou.

— Está querendo apanhar de novo Brian? _ Charlie encarou Brian.

— Chega, Brian pra enfermaria e Charlie pra minha sala, a hora que sair da enfermaria vem para minha sala também Brian. _ Ele virou e saiu andando, Charlie me olhou de relance e acompanhou o diretor.

— Eu estava mesmo apostando no Charlie. _ Me virei para trás, era Ed, digitando alguma coisa no celular.

— O que faz aqui?

— Me mudei para cá, estou estudando aqui. _ Ele parou de digitar e guardou o celular no bolso me encarando.

Ele estava de camiseta branca, e suas tatuagens espalhadas por ambos os braços estavam totalmente amostra.

— É bom ter você aqui de novo Ed. _ Sorri gentilmente.

— É bom ter você na minha vida de novo Maria. _ Ele me abraçou de lado.

— Ed? _ Daniela se aproximou de nós.

— Sim? _ Ed, levantou uma sobrancelha perguntando friamente.

— Ai meu Deus, quanto tempo. Você está tão diferente. Tão bonito. _ Daniela se aproximou dele o abraçando e Ed se soltou de mim e tentou retribuir o abraço.

— Você também está diferente Daniela.

— Obrigada. _ Ela se afastou dele com um sorriso enorme.

— Não foi um elogio. _ Ele sorrio falso e depois se virou de costas, pegando na minha mão e me puxando a caminho da sala de aula.

— Onde está Ethan? _ Ele perguntou enquanto andavamos nos corredores.

— Em casa

— Não é seguro deixar ela na sua casa sem um segurança Maria. _ Ele passou a mão no cabelo, parecia nervoso.

— O que? Como assim? _ O encarei.

— Charlie, está cercado de mortes Maria, as irmãs o pai, a ex-namorada. _ Ele me olhou rapidamente e depois voltou a olhar o corredor.

— Como sabe de tudo isso?

— Cidade pequena. _ Ele disse rapidamente.

— Você sabe que eu matei o pai dele.

— Foi um acidente Maria. _ Ele disse mais alto do que esperei, me assustando. _ Desculpe. Deve deixar seguranças na porta da sua casa o tempo todo. Pode acontecer alguma coisa com você e o Ethan. Eu não me perdoaria se isso acontecesse e acredito que nem o Charlie.

— O que está dizendo Ed? _ Parei de andar e encarando.

— Sabe o que realmente quero dizer?

— Não, o que? _ Ele parou de andar e se virou de frente para mim.

— Deve deixar o Charlie, ele vai acabar machucando vocês.

Ele sabia de mais, mais do que contei, mais do que qualquer um naquela cidade poderia saber.

— Quem é você Ed?

— Seu amigo de infância Maria, me preocupo com você.

— Você era meu amigo, até viajar para morar fora e eu nunca mais ter notícias de você.

— Maria, eu não...

— Quem é você?