Estrela da minha noite
23 Capítulo 23 - Tragédia
— Ontem eu questionei a existência de Deus quando ele levou embora minhas duas irmãs. Questionei o motivo de ele ter me dado algo tão bom e puro para depois me tirar e me fazer sofrer tanto. Mas no mesmo minuto em que o questionei me lembrei de todas as vezes que elas me ajudaram a continuar lutando, todas as vezes que elas estavam ao meu lado, as brincadeiras, as brigas, as discussões. Elas foram mais presentes em toda a minha vida e me deram mais amor do que qualquer outra pessoa. Então eu entendi que Deus colocou-as na minha vida para me ensinar amar. E eu as amei a cada segundo que elas estavam aqui. E continuarei as amando a cada segundo da minha existência. Vão para os braços dele, que eu sei que ele estão esperando por vocês. _ Charlie jogou as duas rosas brancas que estavam em sua mão dentro do túmulo. Ele chorava, todos que estavam ali choravam. O pai do Charlie não disse uma palavra se quer desde que o corpo das meninas saíram carbonizados de dentro da casa. Ele não respondiam nem mesmo os "meus pêsames" que as pessoas desejavam a ele. Ele apenas abraçavam-os que o abraçava e agradecia com um aceno de cabeça.
Charlie foi o último a sair do cemitério. Fiquei dentro do carro esperando o tempo que fosse necessário. Ethan estava no meu colo se amamentando. Alguns minutos depois de todos terem ido embora Charlie apareceu no estacionamento, esfregou a mão no nariz e tirou os óculos escuros. Seus olhos estavam vermelhos e inchados. Ele entrou no carro e fechou a porta.
— Oi meu amor. _ Ele esticou a mão e passou o dedo no pequeno nariz do Ethan. Virou-se de lado e encostou a cabeça no banco do carro me olhando.
— Eu sei que palavras nenhuma vão fazer você se sentir melhor Charlie. _ O olhei nos olhos.
— O investigador disse que não foi um acidente. Colocaram fogo na casa de propósito. Mataram duas pessoas que nunca fizeram mal a ninguém e tinham uma vida toda pela frente.
— Quem fez isso? _ Eu estava tentando parecer calma, mas estava muito assustada com tudo isso.
— Eu não sei Maria, mas vou descobrir.
— Charlie. _ Pensei em dizer alguma coisa como "não se meta em problemas" ou "não morra" ou "esquece isso", mas eu sabia que Charlie era o problema em pessoa. Eu sabia que ele não seria capaz de esquecer. Então simplesmente desisti do que tinha pra dizer e voltei a olhar para frente. Ele percebeu e ligou o carro. E logo estávamos indo em direção para minha casa.
Descemos do carro, Charlie pegou Ethan no colo e entrou para dentro na minha frente. Peguei minha bolsa e entrei logo após dele.
O pai de Charlie estava sentado no sofá da minha casa, tomando um café.
— Filha, Charlie e o pai dele vão ficar aqui um tempo até conseguirem reformar a casa.
— Reconstruir você quis dizer. _ Charlie disse rápido encarando minha mãe.
— Charlie fica no seu quarto e o senhor Pascuali fica no quarto de visitas. Tem toalhas e cobertores nos armários.
O pai do Charlie se levantou e pela primeira vez caminhou até o Ethan e o acariciou na cabeça.
— Eu sinto muito incomoda-los. _ Ele disse baixo
— Não é incomodo, você é um amigo e precisa de mim nesse momento. _ Meu pai se aproximou de nós. E o Senhor Pasculi sorriu fraco e levantou o rosto encarando Charlie.
— Comprei umas roupas, escova e sapatos pra você. _ O pai dele disse.
— Deixei no quarto da Maria querido. _ Minha mãe disse alto. _ Vou ajudar a empregada preparar um jantar para nos. Fiquem a vontade por favor. _ Ela saiu entrando na cozinha.
— Preciso de um banho. _ Charlie se virou me encarando.
— Claro, vamos subir. _ Subimos as escadas juntos. Entramos no meu quarto e Charlie colocou Ethan no berço e se virou me encarando.
— Eu não quero te incomodar Maria. Só coloca uns cobertores pra mim, eu durmo no chão não tem problema. _ Me aproximei dele e o abracei.
— Você precisa descansar Charlie. E é uma cama de casal bem grande. _ Falei baixo. Ele envolveu os braços entre meu corpo me abraçando. Seu corpo estava quente, como sempre era, porém frágil. Me soltei dele, fui até o guarda-roupa e peguei uma toalha para ele. Tinha uma mala grande no chão, deveria ser as roupas dele.
— Acho que estas são suas roupas. _ Ele foi até a mala abriu e pegou uma calça e uma blusa cinza de moletom e entrou pro banheiro, alguns minutos depois ele saiu do banheiro já vestido e se deitou desajeitado na cama. Peguei alguns cobertores para ele. Mas quando olhei ele já estava dormindo. Então eu o tampei com os cobertores. Tomei um banho e vesti um pijama, e logo depois me deitei ao lado dele, não estava com apetite para jantar. Acho que ninguém naquela casa estava.
Charlie acordou algumas vezes com o choro de Ethan durante a noite, o alimentou e o acalmou. Eu acordei todas as vezes mas a cena de Charlie e Ethan juntos me faziam sentir segura e amada. Ele olhava Ethan sempre com um sorriso, um sorriso que eu não sei de onde ele tirava. Quando ele não conseguiu fazer Ethan dormir ele pós o pequeno entre nos na cama. Me virei encarando os dois Charlie me olhou e sorriu. Ethan segurou o dedo dele com a mãozinha.
— Eu amo vocês. _ Charlie sussurrou, me olhando nos olhos e eu sorri.
— Eu também amo vocês. _ Sussurrei e Charlie abriu um sorriso e levou continuou me olhando durante horas, até Ethan se acalmar e dormir entre nós. Senti Charlie acariciar meus cabelos até o sol sair no céu. Até a janela de vidro do meu quarto denunciar que um dia novo havia chegado. E que tínhamos mais uma chance de recomeçar ou apenas continuar levando.
Abri os olhos na manhã. Charlie estava em pé de frente a janela olhando além dela, dando mamadeira para o Ethan.
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