Estrela da minha noite
21 Capítulo 21
Sim, eu me lembro apenas das tatuagens, os braços malhados a barba. Mas era o suficiente para reconhecer, os desenhos. Era ele.
— Maria _ Charlie estava pálido, ele não sabia para onde olhava, eu o encarei com medo do que ele iria me falar.
— Charlie. _ Meu corpo estava mole, eu estava com medo e me arrependi de ter contado para ele.
— É o meu pai? A única pessoa que me quis. Você tem certeza disso? _ Ele se sentou na cadeira. Acho que ele estava se sentindo pior que eu.
Olhei para trás, o pai do Charlie estava na praia, correndo para um lado e para o outro com as meninas.
— Não. _ Respirei fundo e voltei a olhar para o Charlie. _ Eu lembro apenas das tatuagens e...
— Maria, não diz nada sem ter certeza por favor. _ Ele se levantou da cadeira e olhou para o pai dele na praia.
— Ele não seria capaz disso, a Anna tem sua idade.
— Desculpa Charlie, eu não sei. Quero ir embora. _ Saí da cozinha e atravessei o corredor.
— Maria espera eu vou te levar. _ Subi as escadas, ele subiu atrás de mim. Fui até o quarto dele. Minhas roupas estavam dobradas em cima da cama. Eu as tinha deixado no banheiro, deveria ser uma das empregadas da casa, que eu não tinha visto nenhuma por ali ainda. Vesti meu vestido por cima do biquíni molhado. Me virei para trás ele estava vestido a blusa de moletom. Passei por ele na porta e desci até chegar do lado de fora no carro. Entrei no carro e segundos depois ele entrou também.
— Vai mais devagar Maria o médico disse que precisa repousar. _ Me ajeitei no banco e respirei fundo tentando me acalmar.
Fiquei repassando a cena daquela noite milhares de vezes durante semanas. Eu estava evitando o Charlie o máximo que conseguia a presença dele me deixava nervosa. Eu não sabia se era ele, não tinha como eu ter certeza. Meu pai me levou as aulas, me buscou. Eles sabiam que tinham algo errado comigo e com o Charlie mas sempre que perguntavam o que houve eu dizia que estava tudo bem. Charlie veio algumas vezes na minha casa para me trazer comida, remédios. Tentou conversar mas sempre eu inventava uma desculpa diferente para não ficar próximo dele por muito tempo.
Dois meses se passaram e faltavam algumas semanas para o bebê nascer, eu não estava frequentando a aula havia alguns dias. Meus pés estavam inchados e eu mal conseguia me mover.
Estava sentada no banco do jardim, esses últimos tinham sido frios e hoje era uma das poucas manhãs que havia saído um sol. Estava me esquentando. Charlie estacionou o carro perto do jardim e desceu do carro com um buquê de flores na mão.
— Oi Maria. _ Ele se aproximou de mim e me entregou o buquê. Peguei o buquê da mão dele e sorri agradecida.
— Oi Charlie, obrigada.
— Não é meu. Minhas irmãs foram a uma plantação de rosas ontem e compraram isso pra você.
— Agradeça elas por mim. _ Ele olhou em volta e depois olhou para mim e se sentou ao meu lado.
— Porque não tem falado comigo? _ Respirei fundo, coloquei o buquê ao meu lado no banco.
— Eu... _ Eu não tinha mais desculpas. Tinha evitado-o durante meses.
— Ainda por causa da história das tatuagens? Maria, estava indo tudo bem. Por favor para de me afastar desse jeito.
— Desculpe.
— A não ser que me queira longe.
— Não, eu só estou meio confusa e frágil por causa da gravidez. _ Respirei fundo, e olhei para frente.
— Entendo.
Senti uma pontada na barriga e a dor aumentar simultaneamente a cada vez que eu respirava.
— Charlie. _ Coloquei a mão na barriga e tentei respirar devagar.
— Oi? _ Ele virou-se me encarando. O olhei, eu não conseguia falar nada a dor era intensa. _ Sua bolsa estourou. _ Olhei para baixo e estava saindo uma água quente e transparente.
— A dor está diminuindo.
— São contrações. Precisamos ir pro hospital. _ Ele se levantou e agachou na minha frente. _ Onde estão as coisas do bebê?
— Não arrumei nada, não está na hora. _ A dor tinha passado, Charlie entrou correndo dentro de casa e eu entrei devagar, minha mãe estava na cozinha.
— O que aconteceu pro Charlie entrar aqui assim?
— Minha bolsa estourou.
— Aí meu Deus, vou pegar as coisas do bebê.
— Não mãe, liga pro meu pai. Vê se ele consegue um médico pra fazer isso por favor.
— Tá queria eu já volto. _ Ela saiu pela sala correndo.
Charlie desceu as escadas correndo com uma enorme bolsa de bebê.
— Vamos. _ Minha mãe apareceu.
— Vou com vocês. _ Saímos de casa no carro do Charlie, as contrações iam aumentando cada vez mais.
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