Estrela da minha noite
13 Capítulo 13
Abri os olhos, a primeira coisa que vi foi o teto branco do meu quarto. Tão branco que fizeram meus olhos doer e eu cair direto na realidade. Virei meu corpo me deitando de lado na cama. A bolsa me fitou em cima da cadeira. Eu sabia o que tinha que fazer, mas me faltava coragem.
Mas me levantei, coloquei os dois pés no chão gelado do meu quarto, caminhei até a bolsa e a peguei a levando para o banheiro junto comigo. Tranquei a porta atrás de mim. Abaixei meu pijama e me sentei no vaso. Peguei os três testes de marcas diferentes, nas caixinhas tinha as instruções que diziam basicamente a mesma coisa, "xixi no palito". Então eu tomei coragem e fiz o primeiro teste, e logo após o segundo e então o terceiro. Deixei os três em cima da pia. Me levantei do vaso. Eu sabia que já tinha o resultado, mas eu estava nervosa de mais pra olhar. Liguei o chuveiro e deixei a água cair dentro da banheira, enchendo-a. Eu estava ficando cada vez mais nervosa. Tirei toda minha roupa para entrar para a banheira. Mas então eu tomei coragem e me virei para olhar os testes. Os três, escritos claramente positivo.
— Ai Deus. _ As lagrimas começaram a descer involuntariamente do meu rosto.
O que eu ia fazer agora? Meus pais me expulsariam de casa, eu nem sabia como era o pai. Eu não ia dizer que era do Brian apenas para ter alguém. Aborto aqui é crime. Entrei dentro da banheira e me acomodei dentro dela. As lágrimas desciam no meu rosto até a água do chuveiro que estava quente e de certa forma me fazia ficar menos calma.
Escutei alguém abrir a porta do meu quarto, então cessei o choro para que não escutassem.
— Filha? O Charlie está aqui. _ Era a voz da minha mãe, o Charlie, eu precisava contar a ele. Mas eu não queria, não queria contar para ninguém.
— Mande ele me esperar no quarto por favor mãe. _ Falei alto para que ela escutasse, mas tentando não demonstrar o quanto estava nervosa na minha voz.
Escutei a voz dela dizendo "entre" e ela fechando a porta. Escutei passos do Charlie se aproximando da porta do banheiro.
— Maria? _ a voz dele estava mais rouca do que o normal, ele estava encostado na porta do quarto. Pude perceber pela voz dele.
— Charlie! _ Falei baixo, e então eu voltei a chorar, soluçar, pior do que antes. E não consegui conter e disfarçar.
— Maria, está chorando? Abre a porta! _ Eu não conseguia parar, nem me mover ali de dentro da banheira. Eu só queria desaparecer. _ Maria, abre a porta por favor.
— Não. _ falei entre um soluço e outro.
— Vai me obrigar a arrombar a porta Maria? _ Levantei a mão puxando a toalha para baixo e enxuguei meus olhos molhados pelas lágrimas e me levantei, me enrolando na toalha. Eu soluçava e chorava alto. Caminhei até a porta e a abri. Charlie parou e me encarou de cima a baixo com um olhar de pena. Mas eu não contive, eu me aproximei dele e o abracei, deixando as lágrimas descerem pelo meu rosto ainda mais.
— Ah Maria. _ Ele sussurrou, pude sentir seu halito fresco, seu corpo quente. Suas mãos estavam no meu cabelo, acariciando-os.
— Eu estou grávida. _ Ele levantou o rosto me encarando, e franziu as sobrancelhas.
— Eu sei _ Ele sussurrou baixo.
Senti o calor do corpo dele esquentando meu corpo, só então percebi que estava molhada e de toalha. Me soltei dele e dei dois passos para trás, me virando e pegando os testes de gravidez em cima da pia, e mostrei-os a ele que só balançou a cabeça positivamente.
— Precisa fazer uns exames, você não sabe com quem transou, pode ter pegado alguma doença.
— Que merda. _ Joguei os testes de gravidez no lixo do banheiro e sai do banheiro, Charlie se virou vindo logo atrás de mim.
Me sentei na beirada da cama encarando-o.
— O que eu faço agora? Meus pais vão me odiar para sempre. Não posso dizer quem é o pai porque nem eu sei. Eu me odeio. _ Me joguei de costas na cama.
— Faz um ultrassom e um exame de sangue, e depois conte a eles. _ Charlie se aproximou de mim e se sentou ao meu lado.
— De quanto tempo você está? _ Ele olhava para baixo, acompanhei o olhar dele até minha barriga.
— Acho que uns três meses. _ Respirei fundo tentando amenizar as lagrimas que insistiam em cair.
— Minha vida acabou.
— Não, ela está só começando. _ Ele disse baixo.
Minha mãe entrou no quarto.
— Charlie. _ Então ela me encarou, eu ainda estava de toalha. _ Querida va se vestir, Charlie venha tomar café da manhã conosco.
— Sim, claro. _ Ele se levantou da cama e saiu do quarto fechando a porta atrás de si. Então eu levantei da cama, abri meu guarda-roupa, peguei um short jeans e uma blusinha. Lavei meu rosto, passei uma maquiagem para desfarçar a cara inchada do choro. Tomei coragem e desci. Eles estavam todos sentados a mesa conversando e rindo. Então eu coloquei meu melhor sorriso no rosto e m sentei ao lado do Charlie.
— Charlie estava nos contando sobre as aventuras de patinação dele no gelo. _ Meu pai esboçava um sorriso e Charlie também. Só a minha mãe que me olhava mais séria.
— Sim, estava contando a ele como não subir no morro mais alto quando não se sabe patinar. _ Ele pegou alguma coisa no prato dele com o garfo e comeu. Peguei um pedaço de pão com geleia e coloquei sobre meu prato junto com algumas frutas.
Depois de alguns minutos terminamos de tomar café da manhã.
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