Estrela De Um Céu Nublado
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Logo descobriu que o sujeito não era quem dizia ser, mas na verdade um ator desempregado, frustrado que tinha um blog pouco frequentado e se sentia só e mal acompanhado
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Eram 5h da manhã e Finn estava andava loucamente pelo pequeno apartamento. Era segunda feira. O dia da audição para a novela. O dia da sua grande chance. Bem, não tão grande. Era só figuração, mas se pudesse fazer os diretores lhe notarem…
Estava no quarto quando ouviu seu celular tocar na sala e correu para atender tropeçando nos próprios pés pelo caminho.
— Alô?
— Finn, é a Rachel. Te acordei?
— Ah não, Rachel, eu estava de saída na verdade. – Ele voltou pra o quarto para continuar procurando o que vestir. Ainda não tinha decidido. Droga, não podia se atrasar.
— Serio? – Rachel parecia um pouco descontente com a noticia. — É que Brody e eu vamos caminhar no parque aqui perto, não vamos há algum tempo e eu pensei em te convidar.— Finn pode ouvir a voz de Brody no fundo quando ela acabou de falar. Algo como ‘Eu disse que a você que baleias não andam, só nadam’ seguido de um ‘shh’ vindo de Rachel. Revirou os olhos e ignorou os comentários.
— Eu sinto Rachel, mas eu estou meio ocupado agora, quem sabe mais tarde podemos fazer algo.
Finalmente achou uma roupa decente. Um jeans preto novinho que havia ganhado de Carole antes de mudar que nunca tinha usado e uma camisa polo branca. Casual e elegante. Colocou o celular no viva-voz e o jogou na cama para se trocar.
— Ei, Franksteen. – A voz de Brody veio pelo alto falante. — O que é tão importante para você ignorar um convite da Rach? Você nunca fez isso na esperança de sair com ela sozinha e tentar dar em cima dela... Como se você tivesse alguma chance.— Um barulho começou no fundo, como uma briga abafada. Provavelmente Rachel tentando pegar o telefone de volta.
— Não que isso seja da sua conta Weston, mas eu vou fazer uma audição hoje e não tenho tempo para você. Adeus. Tchau, Rachel até mais tarde.
— Audição? Hahahaha, e quem é o louco de te contratar, só se for como u-— Finn desligou o telefone e o guardou no bolso da calça. Deu um ultima olhada no espelho do banheiro, pegou a mochila e saiu correndo.
Eram 05:30 quando conseguiu chegar à rodoviária. Os estúdios da NBC ficavam em Manhattan, NY, à 40min de Los Angeles se fosse de carro. Mas Finn iria de ônibus, pouco mais de 1h de viagem. Rezava com todas as suas forças para não ter nenhum transito nas rodovias.
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Finn corria pela Madison Avenue. Os estúdios da NBC ficavam duas quadras à frente.
Tentou ligar para Jesse com o numero que estava no cartão desde que colocou os pés em NY – na estação rodoviária algumas quadras atrás –, mas só dava fora de área.
Merda.
Tinha 15 minutos apara chegar antes do inicio das audições. Acelerou a corrida o máximo que podia.
Faltavam 8 minutos quando finalmente alcançou o enorme prédio do 30 Rockfeller Plaza. Suando, tratou de recuperar o fôlego e a compostura antes de se aproximar da entrada do prédio.
Um segurança que andava para lá e para cá parou ao notar a aproximação de Finn.
— Posso ajudar, garoto? – O homem perguntou gentilmente.
— Ah... Eu acho que sim. Eu vim para fazer uma audição de figuração. — Finn respondeu com pressa. Se o cara o prendesse ali não chegaria a tempo.
— Audição? Eu não estou sabendo de nenhuma audição. — O segurança começou a olhar Finn como se ele fosse um intruso que pudesse causar problemas. E talvez ele pudesse.
— Como assim? Eu fui avisado por um assistente da direção de Days Of Our Lives que estariam escolhendo os figurantes hoje. — Finn começava a ficar nervoso. Isso só podia ser brincadeira.
— Garoto... Essas audições aconteceram no mês passado. – O segurança estava começando a sentir pena de Finn.
— O-o que? Isso não é possível. Jesse- Jesse me disse que eram hoje. Disse para vir até aqui que-
— Espera um pouco, garoto. – O segurança interrompeu o discurso agitado do rapaz ao notar um detalhe. — Você disse Jesse? Como Jesse St. James?
— Isso. Exatamente, ele mesmo. – Finn ficou um pouco mais aliviado, parecia que foi só uma confusão.
Ele puxou o cartão de Jesse do bolso da calça e entregou ao segurança.
Alguns segundos depois de analisar o cartão o homem começou a rir deixando Finn irritado.
— Do que o senhor está rindo? — Ele perguntou vermelho de raiva. O segurança prendeu o riso quando notou a expressão do rapaz.
— Garoto, se eu fosse você voltava para casa. St. James não é, e nunca foi assistente de nada. Ele é só mais um ator fracassado que veio para NY tentar a sorte e não conseguiu. Acho que o ultimo trabalho dele foi aqui na NBC, há alguns anos como figurante. Era um garoto bom, tinha certo talento, mas não era o bastante. Acho que ele tinha um blog/diário por ai em que ele dizia ser o rei da televisão. Pobre garoto. – Segurança voltou para a ronda ignorando o olhar abismado e choroso de Finn.
Não podia acreditar que isso estava acontecendo. Seus olhos ardiam com as lágrimas não derramadas e sentia como se Brody tivesse lhe dado a surra do século. Como pode ter sido tão... Tão burro?
Finn fez o caminho de volta para a estação pesadamente. Cada passo que dava era como uma punhalada no peito, algumas lágrimas caiam sem consentimento pelo rosto. Se sentia um lixo.
O olhar vago percorria as ruas de NY sem sentir o menor prazer em observá-las. Caminhar nunca foi tão necessário, ou tão desgostoso.
Teve que esperar por algumas horas na rodoviária até o próximo ônibus sair. Estava cansado, abatido, envergonhado e com fome. Comprou alguns sanduiches e cervejas para ir comendo no caminho.
Queria ir para casa.
Já no meio do caminho, por volta do meio-dia, enquanto comia, lembrou-se das palavras de Quinn. No seu apartamento e no seu quarto em Lima. Sentiu as lagrimas descendo pelo seu rosto outra vez e bateu algumas vezes com a cabeça no vidro da janela, chamando a atenção de alguns passageiros ao redor.
Mas não ia deixar assim.
Ele terminaria os estudos. E então ele iria procurar fazer as próprias chances invés de esperar por elas.
Não daria razão a Quinn, ela não venceria. Ele iria se reerguer e vencer. Então faria ela pedir perdão por todas as coisas horríveis que lhe disse. Ela, Jesse, Brody e todos os outros que lhe não acreditaram nele e que o humilharam.
Eles veriam quem era Finn Hudson. O homem mais poderoso que eles tiveram a honra de conhecer.
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