Já havia se passado 10 anos da derrota de Marte e Apsu. Já alguns anos nenhum deus se levantou contra Atena. Souma decidiu retornar a terra natal, num pequeno apartamento, e olhava para um calendário de brinde. Fazia 10 anos que ela morrera, a filha de Marte e que ele não pode salvar. Mantinha sua culpa oculta, para o ódio que virou amor não o ferisse de novo. Souma serviu-se de uma garrafa de cerveja e sentou no sofá, assistindo o noticiário de esportes do fim de tarde, reparando lentamente que tudo escurecia.
Recebia alguns recados no celular de seus amigos, como Yuna estava descobrindo como poderia ser divertido ganhar dinheiro com moda, Haruto dando aulas de música, Kouga se mantendo perto de Atena e Seiya (ok, quando isso é novidade?) e Ryuhou ficando noivo de uma jovem. Eden não mandava notícias, nem era amigo mesmo.
Decidiu comprar alguns quitutes, e foi sair. O mercadinho não era longe, então foi sem se arrumar muito, de chinelo e camisa posta de qualquer jeito. E na ida reparou algo estranho, uma estrela cadente que ao invés de seguir seu curso, parecia aumentar de tamanho e vir cair a poucos metros dali. Temendo que fosse um novo inimigo, Souma correu para seguir o brilho, que caiu em um bosque, causando um leve tremor de terra. Quando o cavaleiro de bronze chegou na cratera, viu uma figura de forma humana. Estava sem roupa e desacordada. Com cautela, se aproximou e sentiu o coração parar de bater. Conhecia aquelas cicatrizes que matizavam o corpo e quando viu as feições não pôde acreditar:
-Sonia...?
Como alguém que morreu anos atrás poderia estar ali, caindo dos céus? Souma presenciou o velório e enterro de Sonia, viu ela morrer! Agora estava ali, quente, corada e viva, ainda que desmaiada.
Mesmo incrédulo, se fosse mesmo Sonia e viva, se não fosse ilusão, ela precisava de cuidados. Tirou a própria camisa e vestiu a jovem, servindo para cobri-la. A ajeitou em seus braços e voltou para casa.

Quando abriu os olhos, Sonia não reconhecia onde estava. Sua última lembrança era a casa de Escorpião, envolta pela energia de seu ataque e o filho do homem que ela matou tentando salvá-la. Ela não errara o golpe sem querer, ela mesma escolhera por fim a si mesma, encontrando sua salvação. Parecia que havia falhado. Notou que estava numa cama e vestia uma larga camiseta masculina. O local era minimalista, com leve cheiro de... Canja.
Sentia-se fraca e teve certeza quando tentou sair e não conseguia apoiar nem a primeira perna.
Ouviu passos, e ficou tensa, quem estava ali afinal? Quando viu entrar, pensou que fosse Kazuma, mas só então notou que era apenas parecido com ele. Era o filho dele, Souma. Mas estava diferente demais, mais velho, mais maduro em seus traços. Diferente do dia que lutaram pela última vez.
Sonia não entendia aquilo e se preparou pra o pior quando ele apenas sorriu alegre:
-Você acordou!
Ele tinha um olhar sereno, e uma atitude não muito guerreira.
-Você deve estar com fome. Ainda bem que comecei a fazer a canja. Parece que adivinhei!
-Por que está cuidando de mim? Sou sua inimiga! Matei seu pai!
Souma parou na porta. Ela não se lembrava da própria morte?
-Seu pai foi derrotado. Sua madrasta estava manipulando tudo pra despertar um deus ainda pior. Só seu irmão sobreviveu.
Sonia congelou. Sua família estava morta?
-Quanto... Quanto tempo eu dormi?
Dormir... Talvez fosse melhor ela pensar que apenas estava em coma do que morta e recém ressucitada. Souma se aproximou da cama e se sentou na beirada a olhando nos olhos.
-10 anos. Estive cuidando de você por todo tempo. Acho que seu golpe não matava, apenas colocava em torpor.
Como? Tinha certeza que o golpe era mortal! Mas se 10 anos tinha passado, isso explicava a aparência adulta de Souma, o fato de estar bem maior que ela quando tinham a mesma altura.
-Está com fome, né? Deve estar se sentindo fraca, precisa comer. Depois se quiser me bater você pode.
-Onde está meu irmão?
-Eden é um lobo solitário, ninguém sabe onde ele está. Não o vejo faz 6 anos.
Souma fez menção de levantar quando Sonia segurou a blusa dele, impedindo de sair.
-Fica um pouco mais... Tenho a impressão que fiquei muito tempo sozinha.
Souma sorriu e a trouxe para junto de si, mexendo em seu cabelo. Havia feito um mês que ela acordara e Souma a ajudava a andar. Tempos sem usar as pernas a deixava fraca ainda. Todos os dias ele deixava uma cadeira no banheiro e a sentava ali para se banhar. Ele comprara algumas roupas para ela. E um colchonete para ele, dormia no chão para poder ficar perto dela se precisasse. A culpa estava menor, sabendo que por algum milagre ela estava ali. E ele próprio se sentia vivo.
Um dia, ele notou que ela não havia adormecido e estava olhando para a janela. A janela do quarto de Souma dava para uma praia. A lua refletida no mar fazia a água parecer prata.
Souma acordou, e se sentou do lado dela.
-Está sem sono? Quer leite quente?
-Por que cuida de mim? Até então você queria me matar, eu matei seu pai!
-No começo, só notei que matar você não traria meu pai de volta. Ele próprio não te odiou. Depois percebi que você era uma peça sendo manipulada. E queria te ajudar...
O cavaleiro então não conseguia mais encarar a marciana.
-Os sentimentos tem lados opostos, Sonia. Eles andam juntos. Naquela última luta nas doze casas... Eu percebi que havia me apaixonado por você. Por isso queria te salvar daquela forma desesperada.
Souma escondeu seu rosto com uma das mãos, como se a apoiasse. Estava se sentindo envergonhado por falar aquilo tudo.
Foi quando sentiu o toque das mãos de Sonia em seus braços. Ele se virou para olhar o rosto dela e viu que ele estava baixo. A jovem não sabia o que responder, se sentia confusa. Souma tocou seu rosto de forma gentil e o ergueu para olhar nos olhos de Sonia. A guerreira tão poderosa agora estava tão frágil. O cavaleiro aproximou seu rosto do dela e tocou os lábios. Esperou que houvesse alguma resistência, mas não. E então aprofundou o beijo, envolvendo a cintura e segurando a nuca dela. As mãos de Sonia tocavam seu tórax, que as batalhas definiram. Sentia-se atraída por ele, naquele suicídio não queria que ele entrasse ali e a salvasse. Sentia que o amava. Ela quis protegê-lo no final de tudo.
Quando o beijo terminou eles se encaravam.
-Souma... Eu também te amo...
Voltaram a se beijar, mas sem muita timidez, agora que a declaração era mútua. Sonia o abraçava, sentindo seus dedos envolverem os fios de cabelo do rapaz, a respiração captando o perfume dele. Souma beijou a curva do pescoço, fazendo ela sentir arrepio. Sabia que se deixasse seguir aquilo, eles seriam um só e ela queria aquilo tanto quanto sentia que Souma também queria. Eles se encararam, enquanto as mais da jovem tocavam a pele dele debaixo da camisa, sentindo os quadradinhos e o calor do corpo, ou até de seu cosmo flamejante. Souma tomou os lábios dela com fervor, agarrando pra si sua cintura. Ele a deitou no colchão e ficou em cima dela, beijando o pescoço e mordendo de leve a cartilagem da orelha percebendo pela luz do luar que ela estava corada e gostando das carícias. Ele baixou as alças da camisola abrindo espaço para beijar mais ela, sentindo a respiração dela. A poderosa Sonia estava rendida diante dele, agora não havia constelações e armaduras, só um casal apaixonado. Souma tirara a própria camisa e em seguida a deixara nua da cintura para cima. Beijava cada espaço livre, colo, ventre e seios, sentindo ela suspirar. Sugava um dos seios, e acariciava outro. Sentia ela acariciar seus cabelos, o incentivando. Quando parou buscou olhar em seus olhos de novo. Ela parecia suplicar por mais, e ele a deixou nua por completo. Antes que ela pudesse dizer algo, sentiu a língua dele a invadir, e não pôde conter um gemido. Enquanto ele verificava o quanto entregue ela estava, ele a explorava de forma que a enlouquecia, fazendo que ela implorasse pela consumação. Ele parou de explorar e buscou o pescoço dela, beijando e sentindo ela gemer. Ele tirava o resto de suas roupas, e a tocava com os dedos.
Ela mal conseguia respirar. O coração batia acelerado. Ele segurou sua mão e levou ao ser pulsante em si mesmo, e segurando a mão dela junto, guiou para o caminho úmido e quente. Sonia tremeu ao sentir a cabeça e Souma a olhou com carinho. Segurou suas mãos, e beijou bem próximo dos lábios dela, forçando a passagem. Sentia doer e apertou a mão do cavaleiro, mas ele era tão gentil e paciente que logo se acostumou. Sonia soltou das mãos de Souma e o abraçou, enquanto ele a tomava para si em movimentos mais acelerados e vistosos. Eles gemiam alto com o ato e trocavam beijos apaixonados. Ela sentiu ele preencher ela enquanto ainda se movia e ambos relaxaram. Sonia adormecera nos braços do homem que amava.

O tempo passou e passaram a viver juntos. Foi quando ao abrir a caixa de emails Souma entendeu a ponta solta.

Atena enviara pessoalmente a mensagem contando que os deuses sabiam do que houve com o Apsu num pequeno atraso e resolveram trazer pessoas que poderiam acalentar mais de um coração. Sonia era quem mais o coração de Souma se machucava e quem Eden queria tanto quanto Aria, que também fora trazida. Souberam disso por que fora Eden quem a encontrara e surgira no Santuário com a menina.

"Você gostaria de vir vê-la também?", dizia o email. Souma olhou para Sonia e ela sorriu timidamente. Era o momento de reencontro.

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