Estranhos E Instáveis

1 Capítulo único.


Notas iniciais
IMPORTANTE: gente, eu escrevi esse texto numa madrugada, a ideia tava pipocando na minha cabeça e eu tive que escrever, então não deu tempo de fazer nenhuma pesquisa, logo se algum comportamento ou qualquer coisa relacionadas aos transtornos do Sirius na fic estiverem muito errados, não foi maldade, foi desinformação :C uahsuahsua

Foi a vinte e um dias, treze horas e quarenta e dois minutos que minha mãe tomou a delicada decisão de me jogar nesse hospício, e desde então eu ouvi o Alfred, meu companheiro de quarto, cantar a enfermeira do turno da manhã setenta e três vezes e a do turno da noite noventa e uma. Parece que a lua o deixa animadinho.

Alfred é um ninfomaníaco.

E nesses vinte e um dias, treze horas e quarenta e dois minutos eu já tomei sessenta e três pílulas, tive quinze sessões de terapia e quase fui pego fumando no telhado duas vezes;

Eu tenho T.O.C.

E Distúrbio Bipolar tipo I.

Pelo menos é isso o que eles dizem, na verdade eu sou da teoria de que as coisas devem ser limpas e contabilizadas, e que todo ser humano tende a ter uma variação de humor. Infelizmente meus poderes de argumentação são tão nulos quanto a vontade do Alfred de manter o pinto dentro das calças, então... Bem, então eu estou internado em um hospital psiquiátrico por tempo indeterminado. Desculpa ter chamado de hospício, minha mãe fica realmente ofendida quando eu falo que ela me jogou em um hospício.

Mas mesmo assim nem tudo é tão ruim aqui, apesar do álcool ser proibido, as pessoas são bem interessantes. E tudo é muito limpo.

Certo, a Dra. Thompson me disse que não era pra eu falar sobre limpeza no meu caderno-de-pensamentos-másculos, então eu não vou me focar no fato de que eles trocam os lençóis duas vezes por dia e que todos os talheres são descartáveis e que o chão já foi inteiramente lavado doze vezes desde que eu cheguei. Exato, meus caro, doze vezes. Sinceramente, eu nem tenho tanta vontade de voltar para casa.

Foco, Black, foco. Certo, Marlene McKinnon, eu posso falar de outros pacientes, doutora? Ah, foda-se.

M. McKinnon.

30 de janeiro de 1996/17 anos.

Depressão moderada e anorexia nervosa.

Cabelos castanhos e os pares de olhos mais lindos que já vi.

Nós nunca tínhamos nos falado, apesar do fato de ela ter me pego encarando-a doze vezes durante atividades em grupo, até ontem. Ontem foi um ótimo dia.

Era sábado e estava sol (sim, em Londres, acredite se quiser doutora), eu estava começando a me sentir triste e deprimido e como se nada valesse a pensa, e a única coisa que eu queria – do fundo do meu coração – era silêncio. Mas o Alfred sentia-se extremamente comunicativo, e decidiu que queria me contar sobre o seu último sonho com um ménage a trois. Sério, não tô brincando, está na hora de aumentar o medicamento dele, doutora.

Então eu peguei meu livro e fui dar uma volta, estavam todos do lado de fora aproveitando o sol, logo decidi que ficaria dentro para aproveitar o fato de que a casa dos loucos estava vazia. Bom, pelo menos parcialmente, porque quando eu passei pelo corredor da sala de música ouvi notas que me eram familiares, tocadas no piano. Então eu fui seguindo em direção à sala, inconscientemente, e fiquei ali na frente parado.

Aí eu abri a porta e vi que era a McKinnon sentada ao piano, ela me olhou de relance, mas não parou de tocar, então eu encostei-me ao batente e fiquei observando como os seus dedos longos e pálidos deslizavam pelas teclas, e seus olhos estava fechados, e seu corpo balançava levemente com o ritmo, enquanto seus cabelos caiam como uma cascata em suas costas. E eu vi a luz entrando pela janela e iluminando tudo aquilo, e naquele instante eu percebi que estava vivo, e que eu gostava disso. Os meus sentidos me guiaram para aquele lugar e eu nunca senti tanto prazer só em ficar parado observando, enquanto meus ouvidos e olhos se enchiam de Marlene McKinnon.

Marlene McKinnon. Marlene McKinnon. Marlene McKinnon.

Eu estava obcecado, e quando a última nota foi tocada eu disse:

–Você está triste.

–Aqui dentro, quem é que não está? – ela respondeu me encarando suavemente.

Dei uma risadinha: — Touché.

Bom, doutora, vou descrever nosso diálogo aqui de forma rápida, porque se continuar a falar sobre sentimentos e cores de cabelo e o fato dela cheirar muito bem, sinto que a senhora irá me internar por psicopatia:

–Sou a Lene – simpática.

–Meu nome é Sírius. Oi – constrangido.

–Oi. Você me seguiu até aqui?

–O que? Eu... Não! Porque eu faria isso? – Culpado.

–Sei lá, porque você me encararia na terapia em grupo? – divertida.

–Existem coisas que não se explica – atrapalhado – porque você não come?

Então ela me encarou com os olhos semicerrados: — Isso foi indelicado da sua parte, Sírius.

E quando eu comecei a balbuciar alguma desculpa escrota, ela me cortou com uma gargalhada.

–Ok, você sabe qual é a minha neurose, então me diga, qual a sua?

–Transtorno obsessivo compulsivo, e transtorno bipolar.

–Wow, você é bem fodido.

–Faço o meu melhor – orgulhoso.

–Enfim, você toca?

–Não, mas a minha mãe sim. Aquilo que você estava tocando era Rêverie, do Debussy, não?

–Isso mesmo. Como é que você está solteiro? Bonito e com um ótimo gosto musical, o que mais uma garota pode pedir?

–Sanidade Mental?

–Ugh, seres humanos são tão exigentes!

E foi isso doutora, foi um ótimo diálogo, certo? Acredito que exista um futuro de ótimos diálogos entre nós, porque eles fazem eu me sentir como se estivesse flutuando no meio de um tiroteio, e por mais que a analogia seja ruim, a sensação é ótima.

Notas finais
Tive uma dificuldade imensa pra decidir qual seria o shipper dessa história!! AHUASHUA
De qualquer forma, reviews? s2 s2
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!