Estranho? Pois Eu Não Acho!
9 Pesadelo
Notas iniciais
Espero que gostem!
Quero dedicar a Sarah LS Karafiol que começou a ler essa fic agora, mas que já conheço a um tempinho.
A Fada cantatis, minha miga linda que sempre le todas as minhas histórias.
à Yumi Chinaru que acompanha fic desde o começo e que me deu a minha primeira reconmedação.
E a Isaah que também acompanha desde o começo.
AMO TODAS VOCÊS, e também os fantasminhas, por mais que não apareçam kk
Eu sonhei que estava no bosque. Era tão vívido, tão real. Mas não, era um sonho. Eu andava, sem rumo, em meio a grama verde, e o agradável aroma de flores cheias de vida, e frutas de todos os tipos. Até então não aparentava ser um pesadelo, mas o mais belo dos sonhos. Foi quando eu comecei a sentir cheiro de queimado.
Ele absorveu todo o bom aroma das flores e frutos. E a floresta passou a ficar amarelada, o verde começou a ser substituído por tons amarelados, secos. As folhas secas caiam aos meus, como em uma triste tarde de outono, mas estava calor, muito calor.
O único brilho que avistei era alaranjado, e ficava cada vez maior, mais próximo e mais quente. Fogo. O meu maior medo. O dono dos meus pesadelos, agora não tomava apenas meu sono, tomava minha floresta. Os animais corriam, alguns pássaros caiam do céu, e eram engolidos pelas chamas.
Mas eu não podia me mover. O terror tomou minha mente, e eu comecei a ter duvidas de que aquilo era apenas um pesadelo, mas era, sei que era. Meus pés não se moviam, por mais que eu me esforçasse. Meus olhos estavam focados nas chamas.
Eu via com o canto dos olhos animais caindo no chão, era horrível, de fato, o pior pesadelo que já tive na vida, e olhe que eu costumo ter milhares. Os animais estavam com problemas para respirar, os que tinham sede, tentavam beber água do riacho, que do nada, havia secado, um rio que um dia fora lindo e rico.
Quando as chamas chegaram a milímetros eu acordei gritando. Órion também com um sobressalto, ele se aproximou de mim e pôs a cabeça no meu colo, como sempre fazia quanto tinha pesadelos.
- Está tudo bem, eu estou bem foi só um pesadelo. – eu o acalmei, acariciando sua cabeça, mas mais parecia que estava tentando acalmar a mim mesma.
-Tem certeza pan? – perguntou o Pastor Alemão, preocupado.
- Sim, ta tudo bem.
Eu olhei o relógio, era cedo ainda, sete da manhã. Mas não conseguiria dormir novamente. Eu me levantei, e fui tomar um banho pra esfriar a cabeça, e me vesti com uma roupa simples, confortável e escura, mas mantendo meu estilo “punkudo”.
Abri as janelas e deixei a brisa e a luz do sol entrarem, olhei para a floresta, e fiquei aliviada quando a vi linda e verde, perfeita do jeito que sempre foi.
Só saí da janela quando tive certeza de que não havia chama alguma. Eu deitei na minha cama, pus os fones de ouvido e fui ler um livro. Mitologia Grega, tem cultura mais rica? Eu sempre li esse tipo de livros, aquelas sempre me fascinaram. Literalmente. Quando cheguei da maternidade em casa, a primeira coisa que meu pai fez, foi ler um livro de Mitologia pra mim, e mesmo bebe, compreendia tudo, e ria das trapalhadas dos meus queridos heróis.
Até hoje me divirto com um livro da mesma forma que uma criança com um brinquedo novinho em folha em mãos. É estranho o modo como as histórias me agradam, me deixam tão feliz, e me fazem esquecer os meus problemas. Sabe? É como se o meu mundo fosse substituído por outro melhor.
O tempo passou rápido, como sempre acontecia quando mergulhava em um livro. Quando vi, já eram vinte para meio dia. Quantos livros eu havia lido? Quatro? Cinco? Nem isso eu sabia direito.
Desci e fui almoçar, estava com vontade de fazer as coisas mais cedo. Logo depois fiz o dever de casa, dei comida para o Órion e li mais um pouco. Quando percebi, puf, uma hora da tarde.
Fui andando pra escola, como sempre. E no meio do caminho acabei encontro aquele encosto.
- Oi Pan, tudo bem? – Orfeu se dirigiu a mim. Sei que havia conhecido aquele garoto há apenas um dia, mas era como se convivêssemos juntos á anos. Ele notou o meu olhar triste, por mais que não estivessem mais inchados de chorar, por mais que as lágrimas não estivessem presentes neles. Orfeu sabia, sabia que algo ruim havia acontecido. Então respondi de uma vez:
- Oi. Não estou bem, e você?
- Eu estava bem até saber que você não está. O que aconteceu?
- Problemas de família. – respondi simplesmente. Me segurei para não chorar, acabei me lembrando da discussão com a minha mãe, mas mesmo assim não chorei. Seguimos até a escola em silêncio.
Quando cheguei na sala Selena e Helena já estavam lá, e também notaram que havia algo errado.
- O que aconteceu? – perguntaram as duas em uníssono, era engraçado quando as duas faziam isso. No momento em que elas falaram o sinal tocou. E eu só tive tempo de sentar e dizer um “depois eu explico” antes que a professora chegasse na sala.
Eu mal prestei atenção à aula, nem sabia direito que matéria estava sendo dada. Matemática talvez? Ou seria ciências? Estava tão perdida em meus pensamentos, ristes e sofridos,que nem ao menos notei o sinal para o recreio tocar. E tive que ser avisada pelas minhas gêmeas.
No intervalo expliquei tudo à elas.
- Sem ofensas, mas sua mãe é uma grande estúpida mesmo! – se revoltou Helena.
- Não ofende, é isso mesmo fazer o que. – dei um leve sorrisinho que depois sumiu.
O resto do recreio passou rápido, o resto das aulas passou rápido, menos os meus pensamentos que continuavam lentos e deprimentes.
Eu me despedi dos meus amigos. O tempo passara voando. Eu fui indo pra casa, acompanha de Orfeu. Uma hora, ele quebrou o silêncio e disse:
- Para um pouco, e me explica direito essa história.
Eu fiquei meio relutante, mas depois acabei cedendo, me sentei embaixo de uma árvore e ele sentou ao meu lado. Expliquei a história toda, Tim tim por tim tim. Quando terminei meus olhos começaram a lacrimejar. E não consegui controlar as lágrimas que escorriam pelo meu rosto.
Orfeu parecia um tanto desesperado. Sem saber o que fazer para me controlar. Mas em um impulso ele passou o braço pelos meus ombros e me abraçou de lado. Eu também sem pensar muito, apoiei a cabeça do seu ombro, e deixei as lágrimas escorrerem.
- Ei, calma. Pan, sua mãe não pensa, desculpe falar isso, as ela é uma grande imbecil. Se ela não consegue enxergar a preciosidade desse lugar, o erro é nela. Eu te conheço a pouco tempo, mas sei, com toda a certeza, que você é uma pessoa incrível, e preciosa. E se Octavia não vê isso, ela não sabe como avaliar as qualidades boas de qualquer ser vivo que cruze o seu caminho. – ele dava leves batidinhas no meu braço. Sua voz estava calma e doce, como se estivesse ninando uma criança.
- Olhe quantos poderes você tem. Além veja bem o dom que você possui para inspirar as pessoas Pandora. Você vai sair dessa, eu sei que vai. Faria qualquer coisa para salvar essa floresta não é? Mesmo que custasse sua vida. – ele continuou. Eu concordei com a cabeça. Vi que já começava a diminuir o choro.
- Qualquer coisa, eu vou te ajudar, juro. Eu moro no fim da floresta. Não sei o que seria de mim se tivesse que voltar para casa sem passar por todas essas árvores e animais. – ele disse. Eu parei de chorar na hora, o encarei, bem no fundo dos seus olhos dourados, eles eram profundos, e mostravam várias coisas. Mas era difícil decifra-los.
- Sério? – perguntei.
- Mas é claro, faz um dia que te conheci, mas acho que nunca tive uma amiga melhor. – Ele falou sorrindo. Suas palavras eram tão sinceras que chegavam a me deixar chocada.
- Vamos, que se você se atrasar sua mãe ficará brava. – ele continuou se levantando. Em seguida me ajudou a levantar.
- Dane-se o que ela pensa. – respondi raivosa.
- Assim que se fala. – nós rimos.
Eu cheguei em frente ao castelo. E fiz uma coisa que surpreendeu tanto a mim quanto a ele. Beijei sua bochecha.
- Obrigada. – murmurei. E fui para o castelo. Com um sorriso no rosto.
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