Notas iniciais
Há quanto tempo meu povo bonito!!!!! Já faz mais de um mês que eu não posto nada! Quatrocentas mil desculpas! Esse capítulo está um pouco maior pra tentar compensar o tempo perdido, espero que gostem, adoro vocês!

– Nós temos que juntar os fatos. – diz Orfeu. Voltamos para a casa dele e comemos os biscoitos que a mãe dele fez, que a propósito estavam deliciosos, sentados no tapete da sala em volta da mesa de centro. Em cima da mesa o livro do pai de Orfeu e o prato de biscoitos.
– Veremos o que temos até agora. – digo. – Existe um exército de monstros andando por aí, disfarçados, só você e algumas outras pessoas que tem o dom que você tem podem pelo sob os disfarces. Ainda não sabemos qual é esse dom. Esses monstros, fantasmas, bruxas, etc. Estão vindo das Fronteiras da Escuridão e querem acabar com a floresta para fazer alguma coisa que ainda não sabemos o que é, provavelmente foram eles que lançaram algum tipo de feitiço e atearam fogo na floresta essa noite. Só a gente sabe. Provavelmente estamos ferrados. – continuo.
– Seus pensamentos positivos são tão lindos. – diz Orfeu sarcasticamente.
– Eu sei disso. Bem não temos muita coisa, mas já é um começo.
– Aham. Precisamos saber mais coisas, achou alguma coisa aí? – fala ele para mim enquanto apanha mais um biscoito do prato. Estou com as mãos sobre o livro, lendo-o, procurando alguma informação útil o bastante para que possamos reunir as peças desse maldito quebra-cabeça.
– Por que você acha que EU vou achar alguma coisa, se você o leu TODO e não achou nada? – falo dando ênfase nas palavras.
– Porque você é bem mais observadora e inteligente do que eu. – fala ele.
– Aham, desculpa esfarrapada para não ter que ler de novo.
– Não é desculpa esfarrapada. – fala Orfeu, em um tom sério que ele quase nunca usa, só quando está falando sério mesmo. Sinto meu rosto esquentar, não sou o tipo de pessoa que reage bem à elogios, mas com ele é diferente, faz eu me sentir mais forte.
– Tudo bem então... Obrigada. – eu falo baixinho a parte do agradecimento, mas acho que ele ouviu, pois me da um sorrisinho.
Volto os olhos para o livro, há tanta informação diferente e tanta informação parecida. Algumas partes dele apenas complicam ainda mais minha situação. Ponho o cotovelo na mesa e apoio o queixo na mão, já está cansativo, até que acho algo interessante.
– Achei! – falo em tom comemorativo.
– Até que enfim! – brinca Orfeu, mostro a língua para ele. Orfeu levanta e se senta ao meu lado, um tanto próximo demais, mas não me incomodo tanto assim. – É, isso me parece bem útil, não lembro dessa parte. – fala.
Guerras sobrenaturais da nossa história
Dizia o título do capítulo, me pus a lê-lo.
Ao contrário do que muitos pensam nossa dimensão não é e nunca foi tão pacífica assim. Temos muitos inimigos, e quando se têm inimigos, sempre se tem guerra. E as batalhas nunca são bonitas, nunca saem todos vivos, nunca saem todos felizes, e as lembranças nunca vão embora, apesar de serem deixadas de lado pela maioria, o que é o nosso caso. As pessoas tentam esquecer porque têm esperança de que conseguirão apagar o passado e seguir em frente, bobagem, sempre se pode seguir em frente, mas não se pode apagar as coisas que aconteceram, precisamos que nos empurrem para continuarmos.

Muitas guerras aconteceram durante nossa história. A Guerra dos Gigantes por exemplo, por exemplo, foi uma das piores, ocorreu na época em que os gigantes e os anões eram inimigos, houve uma destruição considerável, muitas mortes, mas, por incrível que pareça, também foi uma das poucas que terminou em trégua.
E houveram muitas outras além dessa. A Batalha Subterrânea, A Guerra dos Duzentos, A Crise dos Pacíficos, enfim, milhares. Gastaria minha vida toda se fosse falar sobre cada uma delas, mesmo se fosse possível, pois não se pode descrever uma guerra, o único jeito de realmente conhece-la é vendo com seus próprios olhos, não queira conhecê-la.
Desde que as Bruxas Claras se aliaram ao nosso povo, o que ocorreu há cerca de cento e cinqüenta anos atrás, elas têm nos ajudado prevendo as guerras que aconteceriam no futuro próximo. Assim temos impedido boa parte dessas batalhas.
Foram previstas muitas delas, algumas que aconteceriam mas já foram impedidas, outras que ainda poderão acontecer como por exemplo, A Guerra dos trezentos, A Batalha Bruxólica, A Guerra do Bosque, entre outras.
Apesar de todas as garantias, e apesar do fato de que uma grande guerra não ocorre há cento e cinqüenta anos, esteja sempre preparado.
– Guerra do Bosque? – pergunto, não se para quem exatamente.
– Espere. Eu li algo sobre isso. – exclama Orfeu. – Procure na parte que fala sobre as Bruxas Claras, tem algo sobre isso lá.
– Ta bom. – abro no capítulo titulado As Bruxos Claras. Vagueio os olhos pela primeira página, nada sobre , vagueio os olhos pela segunda e me deparo com um tipo de subtítulo Previsões.
As previsões das Bruxas Claras foram uma questão extremamente relevante em nossa história. Elas vêm nos ajudando até hoje...

Fui lendo até achar algo que realmente interessa no momento, então vi e li.
... A previsão mais importante foi feita pela bruxa Adorinda, que previu A Guerra do Bosque. Adorinda viu que uma guerra entre nosso povo e todas criaturas obscuras vindas das Fronteiras da Escuridão ocorrerá.
Será, provavelmente, uma das piores guerras já vista, e a batalha ocorrerá em um bosque, ainda não se sabe qual. Adorinda possui essas previsões até hoje, em cada uma delas a bruxa enxerga relances da futura batalha. Sendo uma bruxa é imortal, e vive até hoje em um bosque na cidade de Imaginação, e acredita viver no lugar onde a batalha ocorrerá, apesar de não ter previsto isso ainda.

Abri um sorriso e olhei para Orfeu.
– Ah não! Não me venha com essa carinha de quem está planejando algo! A gente NÃO vai visitar essa bruxa velha e doida! – disse ele, um tanto desesperado.
– Orfeu, por favor, pode ser nossa última esperança de impedir o que pode acontecer, você realmente vai deixar nossa cidade ser destruída por que está com medo de uma pobre Bruxa Clara que tem previsões do futuro? Mas tudo bem, se você não quiser ir, vou sozinha então... – disse para ele, com uma voz cheia de mágoa falsa. Não sou tola, e sei como convencê-lo, ele não me deixaria ir sozinha.
– Ta bom, ta bom! Eu vou! – diz. – Mas podemos chamar o pessoal para ir junto? Eles disseram que ajudariam, e até agora fizemos tudo sozinhos...

– Sim, também acho bom chama-los, mas já vou avisando que Tales e Peter são ainda mais medrosos que você, Selena e Helena então nem se fala... – digo e solto uma gargalhada.
– Não é por isso, é que...
– Tudo bem não precisa explicar. Eu sei o quanto você prefere ficar com eles a sozinho comigo. – digo sarcasticamente, dando uma piscadinha. Ele revira os olhos.
– Não enche! – começo a rir e acho que não vou mais conseguir parar, mas finalmente paro. Vou até Orfeu e lhe dou um beijo na bochecha.
– Obrigada.

* * *

No dia seguinte nos encontramos na saída da floresta. Fiz algumas pesquisas à noite e acho que sei onde Adorinda mora. Por incrível que pareça depois de toda aquela chuva abriu um sol escaldante. Fomos primeiro até a casa das gêmeas, que é a que fica mais perto.
Dizer que elas moram em uma casa é pouco, a mansão de Helena e Selena é quase do tamanho do castelo onde moro. A mansão é verde clara por fora, cinco andares, portas de carvalho, gigantes, brilhantes e escuras, na frente um imenso jardim, cheio de estátuas cinza que me dão arrepios.
Os pais delas são empresários muito bem sucedidos, têm vários empregados domésticos e funcionários nas suas empresas, sinceramente não fazem praticamente nada, só ganham o dinheiro mesmo, não vou muito com a cara deles.
Passamos pelo imenso jardim, Orfeu de olhos arregalados, sem palavras, provavelmente. Selena gostava muito da vida que levava, de ser paparicada e ter sempre tudo do bom e do melhor, estava acostumada a viver assim e ainda por cima conseguia não ser arrogante. Já Helena preferia menos exageros, coisas mais simples, se virar sozinha e ter uma vida com menos extravagância. Toquei a campainha.
A porta foi aberta pelo mordomo, Jackson, um senhor muito querido ele, simpático, humilde, que sempre recebia as pessoas com um largo sorriso no rosto mulato, o cabelos penteados com gel ao estilo “boi lambeu”, nos encarando com os olhos castanhos e brilhantes, sempre de terno e gravata borboleta.
– Pandora! Entre querida! – me falou ele.
– Obrigada Jack, mas não podemos entrar, estamos com um pouco de pressa, só viemos chamar a Selena e a Helena para... Hã... Dar uma volta. – dei um sorriso falso muito bem dado pra que ele acreditasse. – Elas estão?

– Tudo bem. Estão sim! Um minuto vou chamá-las. – disse o mordomo, e entrou na mansão novamente. Uns minutos depois voltou acompanhado das garotas, que correram em minha direção e me deram um abraço bem apertado.
– Pan! Orfeu! – gritou Selena, entusiasmada. – O que os trazem aqui?
– Precisamos de uma ajudinha a respeito daquele problema que comentei com vocês. – sussurrei perto delas para que Jack não ouvisse, ele é muito bom e tal, mas o fato de ele ser um mordomo o obriga a ser extremamente fofoqueiro.
– Ah ta! Tudo bem! – fala Selena. – Jackson, nós vamos dar uma voltinha com nossos amigos ta bom? Não vamos demorar, até logo.
– Não deveria deixar vocês saírem sozinhos assim, do nada, antes de comunicar aos seus respectivos responsáveis e... – ia dizendo o mordomo, mas Helena o interrompeu:
– Jack, sinceramente, eles não estão nem ai! – e saiu de casa seguida pela irmã.
– Por favor, não demorem nem se machuquem... – Jack fala, mas o Hele o interrompe novamente:
– Vamos ficar bem!
Jackson não fechou a porta e não parou de nos observar até que saíssemos do jardim.
– Então, do que precisam? – pergunta Sele.
– Vamos à uma caça à bruxa. – respondo.

Notas finais
Comentem por favor! Muitos bjs!