Estranho Mundo
1 Noite Gelada
–- Que droga, aqui fora esta frio demais! – dizia uma voz opaca pelo fato das mãos cobrirem a boca.
–- Sim, por que temos que ficar de guarda nesse inferno em uma noite dessas? – respondia outra pessoa encostada em um barril.
–- Essa guarita é escura demais você não acha? – indagava a primeira voz olhando para a vela acima deles.
–- Tanto faz, eu quero é sair daqui. – respondia o camarada com um semblante meio grosseiro porem enrugado e coberto.
–- Tem um cigarro ai? – assim que perguntou ele já esticou o braço em direção ao outro rapaz.
–- Não, já fumei o ultimo ontem. – ainda com o visual grosseiro ele encarava o seu camarada e com a outra mão ele apertava o bolso com o seu maço de cigarros ainda cheio. —Sabe como é né nesses tempos cigarro é algo caro. —continuava a encarar o companheiro. – E na sua casa como vai a sua mãe? Fiquei sabendo que ela tinha ficado doente.
–- Sim, eu sei depois da Grande Explosão tudo virou ouro. – ele respondia porem ele já tinha visto que o amigo estava escondendo algo. — Meio mal ainda, eu tinha conseguido um pouco de feijão, dai ela comeu e parece que estavam estragados.
–- É esse inferno não é nada fácil. – desviou a visão do camarada e mudou o semblante pra um tom meio nostálgico sobre algo de sua infância. – Você lembra o gosto da comida? Digo da comida de verdade.
–- Eu nasci depois da Grande Explosão, tudo que conheço é esse resto de comida com poeira.
–- Eu não lembro o gosto, mas lembro de como era a comida, todo domingo minha mãe fazia ensopado de peixe, hoje em dia não se acha mais peixe?!? – olhou pra cima tentando lembrar coisas que não sabia se era reais ou só a imaginação construindo imagens.
–- O que é peixe? – indago o rapaz com a testa enrugada encarando o parceiro.
–- Meu Deus, quantos anos você tem? – perguntou de maneira grossa para o garoto.
–- Tenho quinze anos.
–- Caramba tão novo assim e esta aqui nesse inferno, mas enfim, peixe é um animal que vivia na água. – com um tom meio incrédulo da idade do garoto que o fazia companhia.
–- Por que na água, água não é raro? Então como que ele conseguia água? E mesmo assim a água é escura como ele enxergava ou falava dentro da água? – começou a perguntar sem parar.
–- Calma garoto, o mundo era diferente antes disso tudo.
Enquanto isso eles estavam do lado de uma guarita mal acabada, com madeira perfurada de balas que em outro momento ele tiveram problemas com tentativa de invasões e cheio de marca de animais selvagens que viviam naquele mundo igualmente selvagem.
Um pouco distante dali havia uma matilha meio inquieta que no meio do silencio eles começaram a se destacar, espalhando um certo alvoroço naquela noite surda em que só se ouvia o barulho do vento e da respiração daqueles dois soldados ate o momento em que esses uivos invadiram aquele lugar, e com o passar dos minutos o alvoroço ficau maior e mais estranho, com isso os dois soldados se adiantaram e pegaram suas armar, colocaram na altura do peito e deram alguns paços em direções opostas.
–- Que merda esta acontecendo. – Pergunto o garoto com um rosto de como estivesse assustado.
–- Silencio, quero ouvir de onde eles estão.
Assim que o rapaz mais velho deu a frente um ou dois passos ainda na direção oposta do garoto para ver se descobrir de onde vinha o barulho da matilha o garoto tenta meio que exprimir algumas coisa mas o barulho dos lobos acabou sendo mais alto que ele e o seu companheiro não escuta, depois disso o único som que se escuta é a de um tiro e o seu eco que se arrastava para longe naquela escuridão, o cheiro de pólvora começa a inundar o ar, enquanto aquele que estava mais a frente cai de bruços no chão cheio de neve cinza e fica ali imóvel, um ar quente continua saindo do fuzil do garoto que ainda estava com o fuzil empunhado para frente, com os olhos ainda fechados, em seguida se endireitou e foi ate o corpo do companheiro morto e pega o maço de cigarro que estava ali.
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