Estranho Conhecido
9 Capítulo 9 - Reviravoltas do destino
Algum tempo depois...
— Ai Kagome to morrendo de saudades do Miroku...Será que vamos voltar a nos ver? – Sango perguntou com lágrimas nos olhos.
Na quinta feira Kagome ficara sabendo que a mãe do Miroku falecera, uma semana depois dessa notícia, Miroku se mudara para outra cidade para morar com o pai. Sango havia sofrido muito com a partida de seu namorado, estava cheia de dúvidas, será que o namoro resistiria a distância?
— Ai Sango! Não fica assim! Ele te ama! É claro que vão se ver! Eu também tô com saudade do meu amigo, mas não podemos ficar aqui chorando né. Por que não mudamos de assunto? Não quero te ver triste...- Kagome sorriu, um sorriso triste que Sango retribuiu. A amiga assentiu enxugando as lágrimas e Kagome continuou — Bom...Você nem imagina, o Souta armou a piscina e decidiu que ia dar um mortal! Numa piscina de plástico! Vê se não é um idiota? Agora tá lá no hospital! Podia ter morrido!
— Seu irmão é louco mesmo, fala sério! – Sango sorriu tentando se animar. Fazia três semanas que estava sem Miroku. — Ele está bem?
— Pois é...ele é um imbecil! Está, só quebrou a perna e a minha mãe... ah não! Não! Não! NÃOOO! Você! — ela gritou de repente parando bruscamente.
Kagome e Sango acabavam de chegar ao colégio. Estavam entrando na sala de aula. Uma garota branca de cabelos negros e compridos fitava Kagome com um olhar de desdém, uma roda de garotos estavam a seu redor querendo conhecer a nova aluna.
— Kagomezinha, minha querida! – A garota nova sorriu.
— Kikyou... – Kagome grunhiu o nome entre dentes.
Kikyou sorriu novamente e se aproximou de Kagome, rebolando, como se fosse a rainha da sala.
— Sua vadia! Sua puta! – Kagome voou no pescoço da outra assim que Kikyou chegou suficientemente perto, os olhos de Kagome brilhavam de pura fúria.
As duas garotas se batiam no meio da sala. De inicio todos ficaram paralisados. Kikyou gritava enquanto Kagome continuava a insultá-la, em meio de tapas, socos e puxões de cabelo.
Kagome sentiu braços fortes a agarrando por trás, lutou para se libertar enquanto gritava que a soltassem.
— Calma Kagome! O que deu em você? – Kagome virou o rosto e deu de cara com orbes dourados, que não fitava há algum tempo.
Lutou mais para se soltar, Kikyou também lutava para se soltar, Kouga a segurava. Kagome se soltou. Empurrou Inuyasha com todas suas forças, fúria liquida estava em seus olhos, meteu-lhe um soco no olho direito e saiu da sala como um furacão, praguejando alto.
ooOOoOOOo
— Vadia! Idiota! Vagabundo! Viado! Nojenta! Imbecil! AAAAh que ódio! – Kagome xingava sentada na escadaria do colégio, fitando o chão, a sua frente o portão de saída estava trancado.
— Kagome?
— ME DEIXA EM PAZ! – Kagome gritou fitando os olhos de sua amiga – Ai Sango minha vida é uma merda!
— Hey. Quem é aquela garota? – Sango queria pedir para que se acalmara mas sabia que isso só aumentaria a raiva de sua amiga.
— Kikyou – cuspiu o nome – Aquela vadia que roubou meu namorado! Foi nela que eu dei uma surra ano passado! Aquela bruaca! Fingia ser minha amiga! Ai como a odeio!
— Calma Kah! – Sango desistindo da ideia de não pedir para que a amiga se acalmasse.
— Calma? Calma nada! Minha vida é um saco! Descobri que amo um idiota que nem olha na minha cara e a garota que eu mais odeio no universo vai estudar na minha sala! Tem como as coisas ficarem piores?
— Kagome, eu sei que está tudo muito difícil eu tô na maior deprê também, meu namorado foi embora, meus pais parecem cão e gato, a Rin fugiu de casa ontem, eu te contei?
— O que? A Rin? – Kagome perguntou limpando algumas lágrimas teimosas que escorriam por sua face.
— Fugiu ontem...parece que brigou feio com o namorado, daí chegou em casa meus pais estavam brigando, ela falou um monte, xingou eles de tudo quanto é nome e se trancou no quarto, hoje de manhã ela não estava mais lá, deixou um bilhete para mim dizendo para que não me preocupasse. Tá tudo uma merda! Você ai sofrendo, o Souta no hospital...Kagome, desse jeito vamos morrer de depressão. – Sango se sentara ao lado da amiga. As duas ficaram em silêncio por algum tempo. Sango bufou – Ai que vida!
— Ai Sango – Kagome abraçou a amiga – Tô tão triste, com tanta raiva.
— Então me fala, me conta tudo. Quem sabe isso ajude a relaxar um pouco?
— Então – Kagome respirou fundo – Ano passado, eu e Kikyou éramos melhores amigas...conversávamos sobre tudo...ela era muito legal...dai assim...eu comecei a namorar o Kira...já estava a um bom tempo com ele, quando comecei a desconfiar que havia algo errado, ele começou a me evitar e sempre olhava de forma diferente para a Kikyou, eu na época não consegui decifrar o que significava aquele olhar...dai um dia...ele me disse que ia ficar em casa cuidando do cachorro que estava doente...eu muito boba achei que seria legal fazer uma surpresa né..fui até a casa dele, a porta estava destrancada e como de costume fui entrando...peguei a vadia na cama com ele, dormindo juntos, nus, abraçadinhos...quase tive um infarto na hora...engoli a raiva e sai correndo sem eles me verem...quis dar um flagrante na frente de todo mundo, dar uma lição na vadia... esperei até o outro dia, e tudo continuava na mesma, ela fingia que era minha melhor amiga e ele, meu namorado. Eu sabia que tinha mais gente que sabia que eu tava sendo chifrada. Deu pra perceber. Então, um dia eu falei para eles que ia no banheiro, isso foi na hora da saída. Virei na esquina no corredor e espreitei. Eles se beijaram! Acredita nisso? Na frente de todo mundo! Eu mal havia virado as costas! Foi bem na saída isso, o colégio tinha um banheiro externo sabe...eu sai de lá e parti com tudo pra cima da Kikyou, bati mesmo, é ela a garota que arregacei a orelha.
— É ela? Nossa Kagome que horror! Isso que é amiga! To passada!
— Aff Sango você não sabe como a odeio...e para piorar tudo, andei pensando muito no Inuyasha essas ultimas semanas, não o entendo...estava indo tudo tão bem! Ele havia concordado em irmos devagar e... tô achando que estou apaixonada por ele, eu não sei mais o que estou sentindo e vê-lo com essa garota, eu não tenho coragem nem de confronta-lo! Sou uma covarde! – Kagome olhou triste para sua amiga.
— Ai Kagome, eu fico sem saber o que te dizer...acho que ele não presta mesmo...e você não é covarde, eu sei que deve ser muito difícil, o mais correto era você tomar satisfações, mas bem, você sabe, é o Inuyasha, eu te disse que ele é estranho, muito sinistro as vezes.
— Eu sei e ele um canalha como todos os homens. Você viu que ele me segurou pra não bater na Kikyou? Na certa deve estar consolando a vadia agora!
— Ai Kagome não sei se é assim também...Vem vamos sair daqui... – Sango puxou o braço da amiga e as duas se levantaram. – Me espera aqui, vou pegar minha mochila.
Kagome ficou lá esperando de pé. Pensando em como sua vida estava confusa, era reviravolta em cima de reviravolta, quando achava que podia ter esperanças que as coisas iam ficar melhores e mais claras tudo ficava mais escuro e mais confuso.
— Aonde vamos? – ela perguntou quando Sango voltou.
— Vamos..ah não sei...que tal ao cinema? Ou sei lá só andar por ai... Vamos depois a gente vê pra onde.
— Tá bom.
As duas foram até o muro e pularam.
oOOooOO
Um mês se passara e Inuyasha não voltara nunca mais a falar com Kagome, a garota estava decidida a esquecê-lo, não lhe sobrava outra escolha, o tempo passara e ele não se explicara e ela não tivera coragem de encara-lo e descobrir o que acontecera. Sua vida virara de pernas para o ar!
— Hey garota?
— Eu? – Kagome perguntou quando voltava para casa. Ela e Sango haviam passado a manhã toda andando pela cidade. Ela estava a alguns metros de sua casa quando alguém a chamou.
Um garoto de olhos violetas a fitava.
— É você mesmo. Tá voltando do colégio?
Kagome o fitou desconfiada. O garoto era muito bonito. Possuía cabelos negros e compridos, que brilhavam com o sol. Olhos da cor de violeta, brilhantes e misteriosos, vestia uma roupa escura e segurava um skate.
Vendo que Kagome o observava sem responder sua pergunta ele se apresentou.
— Sou Inumaru . – ele estendeu a mão para ela, com um sorriso amigável.
— Inumaru! – Uma garota ruiva vinha correndo pela calçada gritando por ele.
— Ai caramba! Tchau garota tenho que ir! – ele subiu no skate e desceu a rua em alta velocidade.
— Foi embora! Ai eu pego esse garoto! – A ruiva parou ao lado de Kagome, cansada. Apoiou as mãos nos joelhos, respirou fundo e fitou Kagome. – Oi. Desculpa chegar desse jeito, não sou louca não tá – ela riu.- Me chamo Ayame e você? – perguntou estendendo a mão.
— Kagome. – respondeu, cumprimentando. – Quem era aquele? – Kagome perguntou se referindo ao garoto.
— Inumaru. Meu primo. Sabe a gente acabou de se mudar, morávamos em Kioto. – a garota, Ayame a olhava com interesse.
— Humm.. E por que ele fugiu de você? – perguntou Kagome se sentindo intrometida e estranha sobre o olhar da outra.
— Ah ele sempre foge de mim...é que ele vive aprontando comigo...hoje por exemplo em vez de ajudar com a mudança ele pegou minha mala e espalhou todas as minhas roupas pela sala. Minha mãe tá uma fera com ele...e sempre acaba assim, eu correndo gritando por ele e ele fugindo...Ai se eu pego ele! Vou ter que colocar toda minha roupa para lavar! – Ayame riu e Kagome sorriu. A garota parecia ser alguém muito legal.
— Vocês estão morando aonde?
— Naquela casa ali – Ayame apontou para uma casa de tijolinho a vista, umas quatro casas de distância da onde estavam.
— Eu moro aqui – Kagome apontou para sua casa que estava bem atrás dela.
— Legal seremos vizinhas! – Ayame bateu as mãos animadamente. Ela parecia ser uma garota muito animada.
Kagome assentiu.
— Estuda aonde?
— No Colégio Estadual.
— Maravilha! Minha mãe nos matriculou lá! Que série você está?
— No ultimo ano.
— Beleza! Eu e o baka também! Você vai de metrô para aula?
— Uhum.
— Ai você se importa se a gente for com você?
— Claro que não. Vai ser ótimo ter companhia. Nos encontramos aqui às sete. Que tal?
— Perfeito! – Ayame sorriu. – Bom vou indo, tenho que arrumar minhas coisas e ainda nem almocei, acredita? – Ayame perguntou, sorrindo e saltitando foi embora.
— Parece que arranjei novos amigos...isso é bom..eu acho... – Kagome disse para o vento.
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