Estranho Conhecido
28 Capítulo 28 - Caos
Notas iniciais
Kagome acordou sentindo o sol nos seus olhos tivera um sonho tão quente! Fazia tempo que não tinha essa classe de sonho – pensou acalorada.
Ela abriu os olhos e assustou-se quando viu o rosto de Inuyasha tão perto do seu. As lembranças da noite anterior a assaltaram e ela sentiu-se corar, olhou para o relógio, eram 07h30min da manhã! Estava atrasada para ir para a aula!
Kagome pensou em como acordar Inuyasha quando um grito a sobressaltou: – Kagome! Não vai pra aula não? – a voz de Souta perguntou enquanto ele batia com força na porta, ela saltou assustada e gritou quando Inuyasha caiu da cama com o pulo que ela dera.
Inuyasha olhou assustado à sua volta e ouviu Souta gritar – Por que esta porta está trancada? Você ta atrasada viu!– alertou.
Kagome olhou para Inuyasha em silêncio e sentiu-se vermelha como um pimentão ao ver-lhe o corpo nu, as tatuagens eram ainda mais incríveis a luz do dia.
O garoto esfregou os olhos para acordar e sentou-se no tapete, o local onde caíra, sentiu suas bochechas vermelhas ao recordar que estava sem roupa e do que andara fazendo na noite anterior. Ele se levantou com cuidado e olhou de rabo de olho para Kagome, a garota já estava sentada com o lençol enrolado até o pescoço, o rosto vermelho como um pimentão.
— Que horas são? – ele sussurrou procurando suas roupas.
— Passa das sete e meia – Kagome respondeu constrangida.
— Droga! – ele exclamou baixinho, a voz rouca de sono.
Kagome inclinou-se um pouco e procurou com os olhos suas roupas íntimas, avistou sua calcinha do lado do pé de Inuyasha enquanto ele vestia a cueca.
Com vergonha ela murmurou – Me passa a minha calcinha?
Ele olhou para a garota e sorriu timidamente, abaixou-se, pegou a peça e entregou a ela. Kagome sorriu de volta e apressou-se em se vestir.
Assim que ambos ficaram vestidos, Kagome arrumou a cama.
Ela observou-o parado através do espelho na porta do armário enquanto se penteava.
Inuyasha ficou remexendo nos cabelos sem saber o que fazer com as mãos, tinha que ir embora...
A garota terminou de se pentear e ouviu o irmão gritar de novo – Você não vai para a aula? – ela guardou o pente no armário.
— Já vou! Vou pra segunda aula! Me atrasei! – gritou de volta.
— Tenho que ir embora agora, a aula começa em meia hora e ainda tenho que passar em casa para tomar um banho e trocar de roupa. – Inuyasha disse olhando para a janela.
— Por que não deixa para ir para a segunda aula?
— Por que já estourei de falta em algumas matérias, não posso mais matar a primeira aula. – ele revirou os olhos.
— Entendo. E como vamos nos encontrar?
— Não se preocupe – ele se aproximou e disse com a boca contra a dela – Eu te procuro. – afirmou e segurou o rosto dela para que o olhasse diretamente nos olhos – Não se preocupe — ele repetiu — eu venho atrás de você. Se quiser falar comigo pode fazer o que fez ontem.
— Mímica? – ela arqueou a sobrancelha. Inuyasha assentiu e beijou-a.
— Eu te amo – ele disse antes de virar-se para a janela e abri-la.
— Te amo também Inuyasha – ela sussurrou para as costas dele, observou-o sair pela janela e agarrar-se a árvore para não cair. Então ele correu rua a fora e ela voltou a trancar a janela.
Kagome colocou a mão no peito sentindo o coração bater apressado, caramba! Ela fizera amor com Inuyasha! Amava-o tanto! Ela sorriu para si mesma, sentindo as bochechas quentes, balançou a cabeça para clarear a mente e respirou fundo, tentando tirar o sorriso do rosto, estava maravilhada!
Ela suspirou e apressou-se a escolher as roupas que iria para a aula, escolheu uma calça jeans e uma regata vermelha, sentindo-se finalmente animada para voltar a usar cores. Abriu a porta do quarto e correu para o banheiro, enquanto a água quente lhe banhava o corpo ela refletiu sobre tudo que havia acontecido, tantas coisas descobrira sobre seu amado, e o jeito que ele agiu com ela, estava tão feliz! Inuyasha era o amante perfeito! Tão atencioso! Ela riu para si mesma, sentia uma leve dor entre as pernas, mas fora isso correra tudo bem, nunca havia imaginado que seria assim, que sentiria tantas coisas ao fazer amor. Se sentia próxima a Inuyasha, como nunca havia sentido. Tudo estava muito claro agora, sem sentimentos confusos, ela o amava e ele correspondia a esse amor. Tudo estava perfeito...exceto que ela não sabia como tirar ele e os irmãos daquela vida...
ooOooOOoO
Kagome chegou ao colégio para o início da segunda aula e não se surpreendeu ao encontrar Inuyasha já na sala de aula, sentado no seu lugar de sempre, conversando com o amigo Bankotsu.
Ela se dirigiu para sua própria cadeira e foi saudada por Sango.
— Oi Kah. Como você está?
Kagome pensou um pouco, lembrou-se que a amiga ainda pensava que ela estava deprimida por causa do que lhe acontecera no festival, já que fazia algum tempo que não comparecia ao colégio, havia perdido todo o festival praticamente e só voltara a comparecer as aulas no dia anterior, era normal que a amiga ainda estivesse preocupada por sua depressão de duas semanas.
— Ah, estou bem. Não se preocupe. – sorriu – Estou melhor. – sentou-se na cadeira e largou a mochila no chão.- Oi Miroku!
— Oi Kah, certeza que está bem? — ele perguntou preocupado.
— Sim — ela sorriu — Estou ótima.
— Por que chegou atrasada? – Sango indagou sentada de lado na cadeira na frente de Kagome.
— Eu perdi a hora – respondeu e um rubor apareceu em seu rosto involuntariamente.
Sango franziu as sobrancelhas. – Eu ein...por que está corada? – ela sorriu. – Me conta! O que aconteceu?
Kagome sentiu-se mais vermelha ainda. – Nada! – respondeu apressada e pensou numa desculpa – Eu só me sinto bem melhor agora, totalmente bem!
— Sei, isso tá estranho, mas tudo bem, não vou te pressionar. – Sango afirmou solidária.
— Hum, mas eu vou, que foi ein Kagome? Aconteceu algo que não estamos sabendo? — Miroku perguntou lançando um olhar a Inuyasha que estava olhando na direção deles. Kagome olhou para trás e o outro rapidamente voltou o olhar para o caderno, mas Kagome também havia pego ele olhando e percebeu o que Miroku quisera dizer, seu rosto cobriu-se de vermelho.
— Pare Miroku! — ela chiou — Não aconteceu nada! Sabe que não somos nem amigos!
— É, mas você gosta dele!
— Mi! — Sango o repreendeu dando-lhe um cascudo — Não a atormente, coitada!
— Ai! Não se pode mais nem brincar! — o garoto reclamou.
Kagome sorriu e observou o casal discutir, sentia falta disso, queria que Inuyasha estivesse sentado ali com eles, conversando, se divertindo...ela suspirou, pensando que as coisas nunca eram fáceis entre eles, agora sabia tudo sobre Inuyasha, porém permanecia na mesma situação, namorando as escondidas...
Ela voltou a olhar para os amigos e percebeu que a amiga estava com olheiras profundas.
— San, você está bem?
— O quê? – Sango se sobressaltou – Estou bem! Só alguns problemas em casa...
— Problemas?
— Kah, e-eu não quero falar sobre isso, por favor.
Miroku fez um sinal para Kagome, pedindo que não pressionasse.
Kagome assentiu mesmo sem compreender.
O professor entrou na sala e o grupo passou a prestar atenção na aula.
Kagome respirou fundo, preocupada com a amiga, algo estava acontecendo e Sango estava escondendo dela, ficou chateada com isso, será que os pais estavam brigando? Mas já estavam separados..será que a mãe estava doente?
Ela divagou um pouco e lançou um olhar na direção de Inuyasha, pegou-o em fragrante fitando-a.
Ele desviou o olhar, mas não houve tempo de esconder o rubor em suas bochechas. Kagome sorriu por vê-lo constrangido, ele era tão lindo! No mesmo instante seu humor mudou, de preocupada com o problema da amiga para feliz.
Pegou-se pensando na leve dor que sentia entre suas pernas e sentiu-se corando também. Não poderia imaginar uma primeira vez mais perfeita. – pensou acalorada.
Amava-o tanto! Inuyasha...ele era tão belo!
Kagome ficou pensando sobre a situação de Inuyasha e sobre o que haviam feito na noite anterior durante toda a aula, surpreendeu-se desenhando no caderno de novo e corou quando viu o que desenhara, um coração com o esboço do rosto de Inuyasha dentro. Ela fechou o caderno antes que alguém visse e soltou um longo suspiro...era incrível como a cada segundo que passava se sentia ainda mais apaixonada por ele! Mesmo pensando nas tragédias que acontecera a seu amado, seu subconsciente só conseguia registrar o amor que sentia por ele. Devia se preocupar com a amiga e com o problema de Inuyasha, mas só conseguia pensar em como queria beija-lo, abraça-lo, andar de mãos dadas com ele.
A segunda aula terminou e o professor da terceira aula entrou. Kagome não estava com cabeça para pensar em química, cadeia de carbono e esse tipo de coisa. – pensou – Não era importante para ela. Inuyasha sim.
Mais uma vez olhou na direção dele e notou que ele parecia escrever algo no caderno, será que era mais uma musica?
Ficou observando as feições dele, os traços fortes e marcantes. Os cabelos estavam bagunçados caindo na testa como se não tivessem tido tempo de serem penteados direito. Ela sabia qual era a razão – raciocinou corando. Outra vez ele estava vestindo preto: uma camisa do Metallica com uma corrente lhe adornando o pescoço, no braço uma munhequeira de couro com detalhes em prata na forma de caveira, e pelo que podia ver uma calça jeans estilo exercito em tons de verde e bege. Ele era simplesmente lindo! – constatou.
Inuyasha de repente olhou para cima e seus olhos se encontraram com os de Kagome.
A garota ofegou, os olhos dourados eram tão lindos, tão intensos como o pôr do sol. Ele lhe brindou com um pequeno sorriso e voltou a debruçar-se sobre a mesa, escrevendo algo.
Ela balançou a cabeça para sair do transe que entrara, podia passar dias e dias a fio somente o olhando, pensou corando. Estava tão apaixonada! Não conseguia pensar em nada!
Ela soltou um longo suspiro para acalmar seu coração, sorriu e tentou se concentrar, voltou a pensar sobre as coisas que ele lhe contara, ele havia dito que não tinha como fugir por que não tinha dinheiro para isso, bem ela não era rica, mas perguntava se não podia ajudar, logo o ano letivo terminaria e teriam concluído o ensino médio. No ano seguinte ela ia prestar vestibular e tudo desse certo se mudaria para Kyoto para estudar, ele podia ir com ela...morar no campus da faculdade, em outra província os traficantes não teriam como encontra-lo...
Esperou que ele a olhasse novamente e como havia sido instruída de fazer, fez mímica com os lábios: Preciso falar com você, posso te mandar um bilhete?
Inuyasha franziu a testa e pareceu pensar por uns segundos, ele disse algo para Bankotsu, virou-se para Kagome e assentiu, ele escreveu algo no caderno arrancou a folha e deu-a ao amigo.
Kagome observou Bankotsu se levantar, amassar o papel em uma bola e jogá-lo casualmente no chão ao lado da cadeira dela quando passou por ela, o garoto seguiu adiante foi até a lixeira e começou a apontar um lápis.
A morena pegou o papel do chão, olhando para os lados para ver se alguém tinha percebido e abriu-o sobre o colo.
Escreve aqui o que você tem pra me dizer.— ela leu. Olhou de relance para Inuyasha e depois para Bankotsu que ainda apontava o lápis olhando na direção dela de rabo de olho. Ela apressou-se e escreveu no papel o endereço do hospital onde seu avô se encontrava que sua mãe lhe informara antes dela sair de casa – Me encontra depois da aula, lá por umas 14h00min, no jardim desse hospital, preciso conversar com você. – ela amassou o papel novamente e deixou-o de lado sobre a mesa, fingiu anotar o que o professor passava no quadro e observou de esguelha Bankotsu passar novamente e pegar o papel, guardando-o no bolso junto com o apontador.
Ela suspirou e olhou a sua volta, todos pareciam concentrados em copiar a cadeia enorme de carbono que o professor desenhava no quadro.
Quando a aula finalmente terminou, Kagome não saberia dizer o que aprendera, já que não prestara atenção. Olhou de relance para Inuyasha que saia da sala junto com Bankotsu conversando animadamente e então levantou-se para seguir seus amigos também para o intervalo.
Sango conversava baixinho com o namorado, porém Kagome não conseguia lhe prestar atenção, concentrada em pensar em tudo que havia acontecido nesses últimos dias.
Kagome se surpreendeu ao avistar Inumaru num beijo acalorado com a skatista Jessy num canto no corredor, era a garota que ela vira conversando no outro dia.
Ela sentiu-se feliz, finalmente Inumaru a esqueceria. Estava distraída pensando sobre isso quando viu num canto Kikyo trancando lábios com um garoto, o que a surpreendeu foi perceber que conhecia o garoto, era Houjo!
— Sango – Kagome chamou a amiga e apontou onde o casal se beijava.
— Não acredito! – Sango exclamou. – A Kikyo está namorando o Houjo?
Kagome assentiu boquiaberta, as amigas se olharam e começaram a rir, Miroku olhava a cena horrorizado, Houjo era o garoto mais esquisito do colégio e ver Kikyo trocando um amasso com Houjo era inacreditável!
— Ela deve ter se sentido super deprê quando Bankotsu terminou com ela daquele jeito, será que está usando o Houjo? – Sango perguntou depois de alguns segundos de risos.
— Não acho San – Kagome respondeu — Eu havia reparado que Kikyo estava com uma aliança no dedo, vai ver Houjo a consolou e eles se apaixonaram, sei lá, você viu que Inumaru também encontrou alguém?
— Vi sim, que bom para ele. – Sango disse.
— É Kagome, perdeu os seus admiradores. – Miroku comentou e Kagome sorriu, estava feliz pelos casais, ela já tinha Inuyasha, era bom ver que todos estavam com quem realmente gostavam, apesar dela estar nessa situação difícil com seu amado.
O intervalo acabou rapidamente e o restante das aulas foi um borrão, Kagome voltou para casa pensando que mal podia esperar para encontrar-se com Inuyasha, precisava lhe contar a sua ideia, mas não podia parar de pensar que queria beijá-lo, abraçá-lo e corou pensando que talvez pudessem repetir a noite de paixão. Sorriu constrangida com a direção de seus pensamentos, não era momento para pensar nisso.
ooOooOoo
— Shippo, eu já falei para não deixar essa porta destrancada, quantas vezes...- Inuyasha fechou a porta da pequena casa que moravam e parou no meio da frase ao notar Shippo jogado com metade do corpo sobre a cama de casal que ele o irmão compartilhavam e a outra metade escondida por de trás dela, sangue escorria de seus lábios. – Shippo! – ele correu a acudi-lo, ficou aliviado ao ver que o garoto estava respirando.
— Pensei que não ia vir para casa mais – uma voz sinistra soou pelo pequeno cômodo que era o quarto e a sala da pequena casa.
Inuyasha percebeu que não estavam sozinhos. Naraku estava sentado no sofá velho do outro lado do cômodo, enquanto dois comparsas armados estavam de pé, atrás do sofá de costas para a outra única saída da casa, a porta que dava para a cozinha. Um dos comparsas tinha Yura presa em seus braços com uma arma apontada para a cabeça dela. O outro mirava sua arma em Inuyasha. A cama onde Sesshoumaru dormia estava a suas costas próxima a porta do banheiro e seu irmão não estava em nenhum lugar que pudesse ser visto.
— Naraku? O que houve? Por que bateu em Shippo? – ele perguntou, o coração se acelerando, o medo do que estava acontecendo acelerando seus batimentos.
— Inuyasha! Eu não ia contar nada para ele! Eu juro! – Yura gritou, lágrimas escorriam livres pelo seu rosto.
— Quieta – Moryoumaru falou esfregando a arma contra a têmpora da garota a fazendo calar-se.
— O que está acontecendo? – Inuyasha perguntou, permanecendo agachado ao lado da cama do garoto inconsciente.
— Você pensou que eu nunca iria descobrir? – Naraku perguntou num tom debochado.
— Descobrir o quê? – Inuyasha perguntou num tom confuso, a bílis lhe subindo na garganta, os pensamentos correndo rápido, sua arma estava dentro da mochila nas suas costas, não tinha como pegá-la. E estava na mira do Hakudoshi, movimentos bruscos poderiam ser o seu fim. Lembrou-se que Sesshoumaru sempre guardava uma arma reserva de baixo do colchão que estava há poucos centímetros atrás dele, se ao menos pudesse pega-la...
— Não se faça de idiota, acha que não sei que foi visitar o seu pai na cadeia? Yura já me contou tudo, não é docinho? – ele falou olhando para garota – Uma bela putinha ela, não é? Como a mãe, aposto que deve ser muito gostosa não é Moryoumaru? — O homem assentiu agarrando a garota contra seu corpo, Yura chorou mais ainda, o rosto transformado pelo medo. Naraku voltou a fitar Inuyasha e lhe disse — Acha que não sei que não passou a noite de ontem em casa? Onde você estava?
Inuyasha não sabia o que responder. Kagome – ele pensou. Naraku não podia saber sobre Kagome! Será que Yura tinha contado? Yura nesse momento não parecia ter nenhum poder sobre o tio, ela estava era morrendo de medo de ser abusada. Será que o tio e os comparsas haviam abusado da garota para que ela contasse o que sabia sobre ele? O sangue lhe gelou nas veias, a náusea subindo ao pensar no que a garota poderia ter sofrido, a compreensão do por que de Yura estar sempre atrás dele, o perseguindo, muitas vezes só com a desculpa de que não queria ficar só lhe fazendo perceber que nem tudo era o que parecia, Yura era abusada pelos outros caras, esse era um dos motivos de correr atrás dele!
Não podia acreditar no que estava acontecendo!
— Não vai me responder? Pois bem, eu mesmo respondo, tem visitado seu pai e ele quer que você e o infame Sesshoumaru me matem não é? Onde seu irmão está? Tramando contra mim? Pensaram que eu nunca descobriria o plano de vocês? O velho finalmente descobriu que quem manda nessa porra não é mais ele, sou eu, não é mesmo? – ele sorriu — Descobriu que eu matei todos aos quais ele mandava e percebeu que falta pouco para que eu coloque alguém lá dentro para acabar com ele? – ele disse num rompante, deixando Inuyasha atordoado com o que ele dizia, como assim? Nada do que ele estava lhe contando fazia sentido.
Naraku continuou falando sem perceber que Inuyasha o olhava sem entender absolutamente nada — Afinal meu filho foi morto, ele não tem mais como me chantagear, ele não tem como mandar mais em mim! Ele jurou cuidar do meu filho que foi preso no meu lugar e ele deixou ele morrer! Nós tínhamos um trato! Meu filho pelos dele! Eu cuidava dos dele e ele ia cuidar de manter Hakku vivo! Mas ele morreu! Morreu! – Naraku gritou, fez menção de se levantar do sofá, mas permaneceu sentado, respirou fundo e recostou-se novamente.
Inuyasha não sabia sobre o que o outro estava falando, há anos quando teve idade suficiente para entender o que seu pai era, nunca havia compreendido como o pai mandava em tudo de dentro da cadeia e Naraku o obedecia sem perguntar, agora começava a entender, Inutaisho tinha o comparsa sobre chantagem! Mas que filho era esse que Naraku estava dizendo? Ele não fazia ideia. Começou a sentir o pânico lhe assomando e respirou fundo para acalmar-se não podia surtar num momento desse.
Naraku continuou o discurso enquanto Inuyasha pensava sobre as chances que tinha de sair dali com vida — Agora eu posso matar vocês três, seus vermes que só me atrapalham! Desde que o filho da puta colocou vocês na minha mão, os três só me dão trabalho! Você e esse merda desse moleque que nem consegue acender um rojão! Que merda de fogueteiro é esse, que se atrapalha todo? A polícia quase nos pegou ontem por que esse merda não fez o trabalho dele! – ele suspirou e sorriu para Inuyasha — E você e o Sesshoumaru? Eu sei que não tem feito os trabalhos de vocês, não sei como conseguiram esconder por tanto tempo. Como fizeram ein? – ele se levantou e caminhou lentamente até onde Inuyasha estava agachado, apontou a arma para a cabeça do garoto e disse – Como fizeram para esconder os viciados que não me pagaram? Me diga, sei que não os mataram, são uns fracotes! Covardes! – ele exclamou se afastando, andando em círculos pelo pequeno cômodo. Inuyasha não sabia sobre o que o outro estava falando, o medo ameaçava se sobrepor – Não tem coragem de matar não é? Preferem ser como o pai, mandando outros fazerem o trabalho sujo. Pensaram que eu nunca ia perceber que estavam cobrando mais pelas drogas e embolsando o dinheiro? Onde está o dinheiro? Me diga!
Inuyasha arregalou os olhos, o homem estava louco! Do que estava falando? Ele estava completamente confuso! Não entendia nada!
Yura de repente se soltou dos braços de Moryoumaru no mesmo instante que Sesshoumaru entrava no cômodo pela porta da cozinha.
Caos estourou, tiros soaram. Inuyasha assistiu as coisas acontecerem muito rápido.
Ele se jogou sobre Shippo para protegê-lo com o próprio corpo, puxou o garoto junto com ele para de trás da cama tentando usar o móvel como escudo, espiou sobre a cama e viu que Hakudoshi estava caído no chão, e Moryomaru havia de algum modo saltado sobre o sofá e atirava por de trás do móvel, em direção a cozinha onde Sesshoumaru devia ter se escondido como proteção.
Inuyasha viu Yura agarrar a arma que estava escondida no colchão, mal teve tempo de pensar sobre como a garota sabia onde a arma estava, quando Yura começou a atirar e Moryomaru caiu no chão sangue escorrendo de três lugares diferentes de seu corpo. Inuyasha abaixou-se e freneticamente pegou a arma que estava na mochila, espiou por sobre a cama e viu que Naraku também estava morto, os olhos vidrados com a surpresa da morte repentina e Sesshoumaru estava apoiado no sofá, sangue escorria de um ferimento superficial no seu braço esquerdo.
Ele saltou sobre a cama vendo que aparentemente tudo estava sobre controle.
Inuyasha gelou quando alguma coisa lhe segurou a perna, notou que era Yura, a garota estava jogada perto da cama ao qual ele escondera Shippo. – Yura. – ele falou, sangue jorrava de um ferimento em seu abdômen.
— D-Desculpa Inuyasha, e-eu não queria contar a ele sobre você, tive que c-contar que você visitou seu pai e ele d-descobriu que você passou a noite fora. – ela tomou fôlego e Inuyasha colocou um dedo sob seus lábios enquanto com a outra mão lhe pressionava o abdômen tentando conter a hemorragia.
— Xi não fale, precisamos sair daqui – ele disse com lágrimas nos olhos.
— Eu n-não contei a ele s-sobre ela. Eu nunca p-prejudicaria u-uma garota i-inocente, q-queria ser c-como ela – ela soluçou, sangue lhe empapando a boca. Ela cuspiu sangue.
— Yura por favor, não fale. – ele pediu, lágrimas lhe turvando a visão.
— Eu t-te a-amo I-Inuyasha, — ela tossiu mais sangue e continuou — Eu sei que você a a-ama, cuide dela, me d-desculpe por tudo q-que eu fiz, eu n-nunca quis te m-magoar, sei que fui uma m-megera, m-me perdoe – ela disse num suspiro trêmulo.
— Yura...eu te perdoo — Inuyasha disse chorando, as mãos cobertas pelo sangue da garota.
— O-Obrigada – ela soluçou e soltou um ultimo suspiro. Inuyasha fechou-lhe os olhos, se rosto estava encharcado de lágrimas. Nunca amara a garota, ele nunca a havia tratado muito bem, estava tão confuso!
— Inuyasha. – Sesshoumaru lhe chamou – Temos que sair daqui. – disse com tom de urgência.
Inuyasha assentiu, engolindo o choro, ainda podiam estar em perigo, quem sabe quem poderia ter ouvido os tiros? Ele soltou a mão de Yura que nem percebera que estava segurando, mordeu o lábio para não gritar, não acreditava que ela morrera assim, ela havia salvo sua vida! Ouviu então um choro e em seguida a voz de Shippo. – I-Inuyasha?
Inuyasha deu a volta na cama, limpou as mãos no lençol e agarrou o braço do menino lhe falando rapidamente – Shippo, consegue levantar? Temos que sair daqui.
Sesshoumaru pegou o celular dentro do bolso e após digitar alguma coisa, colocou o aparelho no ouvido, enquanto o telefone chamava ele disse aos irmãos – Inuyasha pegue a mala de emergência, vamos sair pela porta da cozinha, vamos rápido.
Inuyasha fez o que Sesshoumaru lhe pediu e rapidamente os três deixaram a casa.
— Mas para onde vamos? – Inuyasha perguntou.
Sesshoumaru não respondeu – Preciso de um táxi para daqui a meia hora no seguinte endereço... – o mais velho falou rapidamente ao telefone e passou um endereço a pessoa do outro lado da linha. Inuyasha permaneceu em silêncio e percebeu que o irmão passara o endereço da antiga casa onde haviam morado. Sesshoumaru desligou o telefone e falou:
— Vamos pegar o metrô por que é mais rápido e depois um táxi. — Inuyasha assentiu sentindo a urgência de fugirem dali.
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Kagome almoçou com seu irmão e preparou-se para visitar seu avô e conversar com Inuyasha, sentia o coração acelerar-se só de pensar em reencontrá-lo, não cansava de fita-lo e nunca deixaria de amá-lo.
— Souta, eu já vou, se a mãe ligar avisa pra ela que fui visitar o vovô.
O garoto só assentiu, estava ocupado jogando vídeo game no quarto, já visitara seu avô antes, e ficar em hospitais o deixava nervoso e agitado.
Kagome colocou uma roupa leve, o sol estava brilhando pela sua janela com a promessa de uma tarde abafada e uma provável chuva de verão.
Pegou o ônibus e repensou na ideia que havia tido deles se mudarem e estudarem juntos em outro lugar, era engraçado pensar em Inuyasha como seu namorado, mas era assim que o considerava, nunca imaginara que um dia o namoraria de verdade, se bem que ainda não era um namoro normal, pensou.
Assim que desceu do ônibus e caminhou até o hospital, ela sentou-se num banco próximo a entrada e ficou esperando ele aparecer.
As horas foram passando e Kagome começou a ficar preocupada, onde Inuyasha poderia estar?
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— Sesshoumaru — Inuyasha chamou — Naraku disse muitas coisas hoje, o que ele quis dizer sobre o dinheiro? – Inuyasha indagou quando os três entraram no quarto do pequeno hotel de beira de estrada bem longe de onde moravam. Haviam pegado o metrô com destino a antiga casa, para disfarçar e pegar o dinheiro que Sesshoumaru andara escondendo lá e pegaram um táxi para esse pequeno hotel bem longe da onde moravam.
Sesshoumaru assentiu e disse com cansaço em sua voz, – Desde que Naraku nos pegou tenho pensado num meio de fugir, tenho embolsado dinheiro- ele se jogou sobre uma das camas . — Tenho roubado um pouco do dinheiro para nós, não gosta de saber disso?
— Não é isso – o outro retrucou limpando o corte na testa e lábios de Shippo, eles haviam passado numa farmácia para comprar curativos. — Por que nunca me contou? Me deixou pensar que estávamos em dificuldades, que não tínhamos saída?
— Inuyasha, preferi que você não soubesse de nada, foi melhor assim, eu tenho tramado um plano há muito tempo e-
— Ai – Shippo exclamou o cortando – Vocês podiam ter chegado antes dele me dar uma surra. – ele reclamou.
— Shippo como eu ia adivinhar que o retardado do Inuyasha foi visitar o Inutaisho e Naraku ia descobrir justo no dia que o imbecil decide passar a noite fora traçando a namoradinha. – Sesshoumaru retrucou limpando o ferimento no próprio ombro.
— Hey! Não fale da Kagome desse jeito! – Inuyasha exclamou com o rosto vermelho.
Shippo os fitou, mas não disse nada .
Os irmãos ficaram em silêncio e então Inuyasha disse:
— Você podia ter me contado o que estava tramando e..
— Para você fazer cagada, Inuyasha? Se te conto o que planejei, era bem capaz de você colocar o nariz onde não foi chamado e acabarmos sendo descobertos, não, foi melhor assim, eu passei o valor errado para você cobrar e sempre quando você me entregava eu guardava um pouco – Sesshoumaru disse.
Inuyasha travou os dentes de raiva, ele era sempre o ultimo a saber das coisas!
— E o que Naraku quis dizer quando falou sobre os viciados, você o ouviu dizer isso?
Sesshoumaru soltou um longo suspiro – Inuyasha, eu não quis que você ou Shippo soubessem que Naraku havia me mandado fazer esse trabalho...eu devia matar os infelizes que não tem dinheiro para pagar...mas eu não estava fazendo isso, eu dava um susto de morte nos pobres e eles fugiam, iam procurar droga no outro lado da cidade com outros traficantes. Enquanto você se encarregava de vender as drogas e o Shippo cuidar de dar o alarme com os rojões.
Inuyasha arregalou os olhos, ele não sabia que Sesshoumaru estava encarregado dessa tarefa.
Shippo contara aos irmãos que quando chegara em casa Naraku o estava esperando, repetiu o que o monstro já havia dito a Inuyasha sobre o menino ser inepto na tarefa de acender um rojão e que de repente ele estava levando uma surra.
— Shippo, se acalme – Sesshoumaru disse e se aproximou do menino quando percebeu que o outro estava a beira das lágrimas, afagou-lhe os cabelos ruivos, sua expressão se suavizando. – Se acalme, ok. Já estamos mais ou menos seguros.
Inuyasha observou o mais velho e refletiu sobre como o mais velho mudava quando falava com Shippo. Com ele o mais velho era sempre curto e grosso, distante, se bem que ele era assim com praticamente todos, só era mais suave com Shippo e com Rin – ele concluiu.
Os três ficaram em silêncio por uns instantes.
— E o que o Naraku quis dizer com trato, morte do filho? Não entendi nada. — Inuyasha disse.
Sesshoumaru bufou — Você nunca se perguntou por que Naraku obedecia sem questionar o Inutaisho? Ele o tinha sobre chantagem, pelo que descobri, aconteceu um rolo e o filho do Naraku foi preso no lugar dele, uns dias depois o Inutaisho foi preso também por matar nossa mãe, e eles fizerem esse trato, Inutaisho protegeria o cara e o Naraku a nós, com a condição de nunca mais verem seus filhos. Naraku queria garantir seu poder nos usando, tinha medo que Inutaisho bolasse algum plano e nos usasse para acabar com ele, nos influenciasse, rompendo o trato, Naraku tinha medo que Inutaisho mandasse um de nós matá-lo e ficarmos no comando. Por alguma razão o filho dele morreu na cadeia e em seguida você foi visitar Inutaisho, o Naraku descobriu que não tenho feito meu trabalho e que tenho pego dinheiro a mais, tenho guardado dinheiro há anos, então o Naraku surtou, deve ter sido a gota d'água para ele você ter ido visitar o velho.
— Eu nunca imaginei algo como isso, lógico que sempre achei que tinha algo errado, mas como você cansou de me dizer para nunca me meter com o Naraku, nunca busquei saber — Inuyasha disse se sentando no sofá.
— Relaxe garoto, já te disse que te manter afastado foi o melhor — Sesshoumaru o repreendeu, soltou um suspiro cansado e continuou — Quanto menos vocês dois soubessem melhor. Menos riscos correriam, o que não entendo é por que foi procurar o Inutaisho, me diga, por que fez isso?
Inuyasha fitou o teto desviando o olhar do mais velho — Precisava de um favor. — ele murmurou.
— Um favor? — o outro perguntou com uma sobrancelha arqueada. O jeito calmo de Sesshoumaru sempre deixava Inuyasha enervado, o cara conseguia ser um poço de calma mesmo nas piores situações.
Seu irmão sempre inspirara sentimentos confusos, ainda se ressentia com ele por causa da infância, e depois de tudo que acontecera, não sabia o que pensar do cara, lógico que o respeitava, mas existia um ódio silencioso entre eles, sempre havia atrito quando se falavam.
— Sim, pedi para ele dar cabo da ameaça a Kagome — ele sussurrou.
Sesshoumaru fitou o mais novo em silêncio, ele balançou a cabeça, mas não disse nada.
Eles ficaram em silêncio por alguns instantes, Inuyasha fitando o mais velho, sem saber o que pensar sobre tudo que estava acontecendo, Shippo deitado em silêncio e Sesshoumaru observando os irmãos.
Sesshoumaru suspirou — Inuyasha.. Há muito tempo algo tem me incomodado, e agora já chega. Você nunca me perdoou por causa da nossa infância, não é mesmo? Sempre que me olha é com faíscas nos olhos. Pode parar com isso? Não percebe que fiz de tudo para me redimir? Que tenho cuidado de você, por que ainda se ressente comigo? Agora estamos livres, somos irmãos, dá para você parar de me olhar com essa cara azeda?
Inuyasha arregalou os olhos e murmurou meio atordoado, surpreso pelo outro trazer esse assunto a tona:
— E-Eu...N-Nunca consegui esquecer como você sempre me tratou desde pequenos, o favorito do papai e-
Sesshoumaru se apoiou na cama e o cortou — Eu era um idiota quando éramos crianças, eu amava o Inutaisho...e adorava ser seu favorito, mas quando eu cresci e percebi as coisas, eu mudei — ele parou — Claro que não sou o mais amoroso, ou carinhoso dos irmãos, sou assim, você me conhece, mas age como se eu tivesse algo contra você, pode parar com isso? Somos só nós, e vivemos em guerra, você retruca tudo que eu falo!
— E-Eu...Sesshoumaru, eu sei que tem feito muito por todos nós, cuidando da gente, sei que mudou...Feh! Eu...Sou grosso contigo por que estou te retribuindo, você que é grosso e idiota comigo sempre! Está sempre me xingando sem motivo, tirando sarro, mandando em mim...
Sesshoumaru sorriu — Gosto de ver você perder a paciência, é só isso, é bom implicar com meu irmãozinho.
Inuyasha o fitou surpreso e se pegou sorrindo de volta. Eles ficaram em silêncio uns segundos e Sesshoumaru perguntou:
— Então não guarda mais mágoa?
Inuyasha bufou — Nunca vou esquecer que você não fazia nada quando ele me batia ou em Shippo, Sesshy...mas depois de tudo que passou e do quanto você nos protegeu...eu te perdoo.
Sesshoumaru balançou a cabeça — Ok Inuyasha, que bom que esclarecemos isso. Não aguentava mais essa guerra fria entre nós, temos que cuidar um do outro.
Inuyasha assentiu, se sentindo mais leve.
— Vamos dormir, amanhã temos um dia longo pela frente — Sesshoumaru falou e começou a arrumar a cama.
— E para onde vamos agora? – Inuyasha indagou ajeitando a sua própria cama.
— Eu já tenho um plano, Inuyasha.
— E não vai me contar? – Inuyasha perguntou.
— Não.
Inuyasha suspirou, o cara era um mala! Ele perguntou — E a Rin?
— Infelizmente vamos ter que nos separar, prepare-se por que não vai ver sua Kagome durante um bom tempo.
Inuyasha suspirou já sentindo falta de Kagome, ele não tivera a chance nem de se despedir.
Os irmãos se deitaram e Sesshoumaru apagou a luz através do interruptor próximo a sua cama.
Inuyasha ficou refletindo sobre tudo que se passara, não podia acreditar que finalmente tudo acabara, pelo menos em parte, agora estavam fugindo, enfrentando uma nova realidade.
Não conseguia acreditar que Naraku e Yura estavam mortos, de certo modo sentiria falta da garota, afinal ela estivera presente em boa parte da sua vida, nunca percebera que ela sofria abusos. Agora pelo menos ela estava em paz.
Ele balançou a cabeça afundando-se no travesseiro, não iria conseguir dormir, havia tantas coisas que ele nunca soubera...pensou então em Kagome, logo agora que eles haviam se acertado, que ela o aceitara, ele tinha que deixa-la...
E estava confuso com essa conversa com o irmão, nunca pensou que o outro ainda guardava esses sentimentos sobre a infância, essa mágoa sempre esteve entre eles, ainda que tivessem passado esses cinco anos juntos, cuidando um do outro, o ressentimento estava sempre ali, já se acostumara com ele, e finalmente perdoar o irmão...nunca haviam tocado no assunto, e parecia que um peso fora tirado de suas costas, finalmente todos os nós do passado haviam sido desfeitos, agora podiam seguir adiante sem mágoas.
— Sesshy? – ele sussurrou.
— Hum?
— Você pode mandar uma mensagem para a Rin pedindo para ela avisar a Kagome, não quero que ela me procure...
— Já fiz isso.
— Ah...ok. – ele relaxou no travesseiro, agradecido pela atitude do irmão. Suas palavras eram sempre ásperas ou afiadas, mas suas ações demonstravam o quanto ele se importava, ele era prestativo, atencioso, chato, grosso, frio, distante...sempre fora desse jeito, mas agora via que esse era o jeito de Sesshoumaru, ele mostra o quanto se importa e no instante seguinte solta uma resposta mordaz para disfarçar, ainda estava surpreso por ter conversado tão abertamente com ele, esclarecendo o que nunca fora dito, acabando com os ressentimentos, finalmente.
oooOoOO
Kagome acordou no meio da noite sentindo o ar faltar, algo estava errado. Ela relampeou o olhar para o criado mudo e viu que o relógio piscava em azul: 04h40min. Pegou-se refletindo sobre toda a vida que Inuyasha levara todos esses anos, o garoto sofrera o pão que o diabo amassou e agora ela estava com medo pelo que podia ter acontecido, ela tivera essa grande ideia deles se encontrarem em Kyoto e morarem no campus da faculdade e então ele não fora a seu encontro, será que Naraku descobrira sobre eles?
Virou-se na cama atormentada, Inuyasha onde você está? O que houve?
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