Estranho Conhecido

11 Capítulo 11 - Fim? Já?


Notas iniciais
(4. Ed – 14/02/2014)

Capítulo 11- Fim? Já?

A manhã de sábado estava linda, o sol raiava alto no céu enquanto Kagome permanecia deitada em sua cama olhando para a janela perdida em pensamentos.

Depois de muito pensar acabara ficando com Inumaru, o garoto sabia ser um doce, e era uma benção para seu coração ferido, fazia quase um mês que ela estava ficando com o garoto, no entanto se sentia tremendamente confusa.

Tudo parecia estar acontecendo tão rapidamente, como se ela estivesse presa em um estado de estupor que ela nem notara, sua vida se resumia a sentimentos confusos!

Inuyasha e Inumaru brigavam todo dia. E aquilo já estava pegando nos nervos dela. Inumaru se mostrara possessivo. E Kagome se encontrava perdida sem saber o que pensar. Havia pensado muito tudo que havia acontecido.

Primeiro: Inuyasha fora tão doce naquela festa e parecera que iriam iniciar algum tipo de relacionamento

Segundo: Ele a abandonara, não falara com ela, a evitara, havia partido seu coração com seu olhar frio e distante.

Terceiro: Inumaru aparecera, e aos poucos fora se tornando bote salva-vidas, primeiro como amigo e depois como 'namorado'. Quando ele apareceu ela estava destroçada. Com Inuyasha a evitando, os problemas de Sango, e ainda por cima o repentino aparecimento de Kikyou que trouxe de volta a sua mente memórias que ela daria tudo para esquecer, memórias da traição, da infidelidade e memórias do pior ano da vida dela, aquele que a fizera repentinamente se mudar de volta para o Japão como se fosse uma fugitiva.

Quarto: Inumaru e Inuyasha brigavam demais, Kikyou a irritava demais, Sango sofria com a ausência do namorado, Souta só sabia a fazer de gato e sapato por causa da perna quebrada, fazendo dela sua enfermeira particular. Ela não agüentava mais! Queria mandar todos para o alto! Que fossem ao inferno! Era o que ela pensava. Estava cansada das crises e acessos de ciúmes tanto de Inumaru quanto de Inuyasha.

Se sentia como uma bomba relógio que repentinamente podia explodir e acabar com todos seus problemas.

Uma batida na janela à fez despertar de seus devaneios.

O conhecido cabelo num tom quase que prateado estava a sua janela. Uma mão forte batendo no vidro, ritmadamente.

—Não! Vá embora- ela resmungou, escondendo o rosto no travesseiro.

— Kagome eu preciso falar com você, eu não agüento mais isso e vou ficar aqui o dia inteiro até você me deixar entrar! – ele ameaçou.

Ela permaneceu em silêncio por algum tempo, o barulho na janela era incessante.

— Droga! – ela exclamou se levantando, desistindo de ignorá-lo, como achava que ele merecia.

Abriu a janela com um puxão e mandou – Entra logo antes que eu mude de idéia.

Ele aproveitou a chance e entrou rapidamente.

— Kagome..

Ele a olhava em silêncio. Ela estava linda. Os cabelos bagunçados do sono, o pijama com um desenho de ursinho no tecido azul.

— Diga logo. – ela mandou de novo.

— Eu não sei por onde começar...

— Pelo começo né. É óbvio.

— Kagome, dá para parar de ser tão grossa comigo? E me deixar explicar o que eu queria te dizer naquele dia, há tanto tempo atrás.

— Mas você já não disse o que queria? Jogar na minha cara quão tola eu sou e quão submissa a seus beijos? E por que quer explicar depois de tanto tempo?– ela estava irritadíssima, sua raiva crescendo dentro do peito, a qualquer momento iria estourar e ela lhe diria tudo que estava preso em sua garganta.

— Não! Claro que não eu só falei aquilo por que achei que era melhor e...

— Melhor? Em que sentido melhor? Que droga! Vocês homens são uns idiotas todos iguais! Acham que as mulheres devem rastejar aos seus pés!

— Quem te fez pensar isso? Aquele idiota do Inumaru? – ele estava furioso também.

— Você! – ela acusou – Você, o Kira, todos vocês! – ela não agüentou mais – Você principalmente! Você me pediu para ficar com você! Parecia tão doce e sincero e... – ela chorou – Depois desaparece, me deixa preocupada feito uma louca! Para depois descobrir que você estava com outra! Finge que não existo não me olha na cara! Por razão nenhuma! Me diz Inuyasha o que foi que eu te fiz para você fazer isso comigo? Eu não agüento mais isso! E ainda por cima tem a vaca da Kikyou...ai que ódio!

— Kagome, eu compreendo que sinta raiva de mim, o que eu fiz foi imperdoável, mas eu não posso te contar! Eu não posso te contar! Kagome, eu amo você! Sério, como nunca amei ninguém! Sempre foi você, só você..mas eu não posso ficar com você!

— Por que não? – ela perguntou com a voz fraca, ainda perdida no que ele acabara de dizer, ele a amava mesmo? Lágrimas quentes rolavam pela sua face.

— Kagome, quando eu te vi pela primeira vez depois de tantos anos, eu te reconheci de imediato. Como não reconheceria? A única coisa boa da minha infância era você, a única pessoa que me compreendia que me dava afeto...você..só você...você não sabe por tudo que eu passei e nem quero que você saiba disso...Você não precisa sofrer comigo.

Ela viu a dor nos olhos dele, naquele momento ele parecia uma criança aquele Inuyasha que um dia tinha sofrido na escola, aquele que era mau-tratado por sua timidez e maus-modos quando abria a boca, mas a dor que agora preenchia sua expressão era muito mais forte. O que acontecera com ele para carregar tanta dor?

— Inu..Yasha...eu... – ela não sabia o que dizer.

— Olha, só quero que você me perdoe, eu sei que tenho te atazanado a vida e feito você sofrer...mas me perdoe...Um dia eu vou te contar tudo..mas não agora...Agora que você está feliz. Com aquele...Inumaru. – ele quase cuspiu o nome.

— Inuyasha, eu não to feliz. Eu estou confusa...eu não te entendo..não sei o que sinto por ele...e nem o que sinto por você – Ela sabia que estava mentindo, mas tinha medo de admitir a ele que o amava, estava certa disso. Ele havia voltado a sair com Yura e a dor que ela sentiu no peito quando os viu se beijando, provou a ela a verdade, ela o amava de verdade e se ele sentia o mesmo que ela, ele deveria estar sofrendo do mesmo jeito em vê-la com outro e isso a fazia sofrer mais.

— Tudo bem Kagome – ele suspirou – Só queria que você soubesse que não é por mal que fiz tudo aquilo com você...é para seu próprio bem, eu não sou bom o suficiente para você – ela tentou o interromper mas ele a impediu – Não diga nada, só ouça. É melhor ficarmos longe um do outro, só queria esclarecer isso, que você saiba o que eu sinto por você, ainda que isso não mude nada. Me perdoe. E só mais uma coisa, você também não veio me pedir uma explicação, para meu sumiço daquela vez, sabe...eu não sou tão culpado assim– ele lhe lançou um olhar sério, que a dizia para que pensasse nisso também e com isso ele saiu pela janela mais rápido do que entrara, deixando Kagome sozinha com seus pensamentos, remoendo tudo que ele lhe dissera, ele tinha razão, ela não o procurara, simplesmente haviam deixado de se falar depois dela tê-lo visto com Yura, mas se sentira tão traída, tão machucada, tão frágil que deixou-se consumir pela dor ao invés de conversar com ele.

Agora tudo lhe parecia mais claro, era óbvio, ela sabia que Inuyasha escondia coisas dela, é claro! E deve ser isso que o mantém afastado dela! Ela iria descobrir, pôs isso na cabeça, iria descobrir os segredos de Inuyasha!

oOOooOOoO

— Rin? Rin! Que saudade! Onde você esteve? – Sango havia acabado de voltar do almoço com sua mãe e encontrara Rin deitada na sua cama.

—Sango! – Rin a abraçou. – Eu estive por aí..e você como está?

— Ah Rin, senti tanto a sua falta! Eu..estou mais ou menos, Miroku e eu estamos namorando a distância...Mas e você? Mamãe caiu em depressão depois que você sumiu, papai não deixou chamar a polícia e eles brigaram de novo, semana passada papai saiu definitivamente de casa, esses dois meses foram terríveis!

Os pais de Sango estavam naquele dilema, do casa-separa, briga-reconcilia.

— Nossa, muita coisa aconteceu mesmo, mas não importa né..Eu estou de volta. Mas e você está muito triste sem o Miroku?

— Estou, nossa se estou, mas arranjei novos amigos, vizinhos de Kagome, Ayame e Inumaru, o novo namorado da Kah-chan, mas quase morri de preocupação com você!

— Ah Sango querida, também senti sua falta, pirralha – Rin riu e abraçou a irmã mais nova.

oOOoOOOoO

Kagome passou aquele sábado todo no quarto pensando na vida, matutando tudo que Inuyasha havia lhe dito, toda sua situação com Inumaru e finalmente tomou uma decisão. Iria terminar com Inumaru, não havia sentido em continuar um namoro que não tinha futuro, ela não o amava e estava possessa com ter um namorado extra ciumento, apesar que ele e Inuyasha se pareciam nesse aspecto. Bom, não estava planejando voltar, se é que se pode chamar assim, a namorar com Inuyasha, iria dar um tempo em relação aos homens, aproveitar que a melhor amiga estava praticamente solteira e ia ir aproveitar a vida.

Trocou de roupa e foi à casa de Inumaru falar com ele.

— Oi amor – Inumaru disse ao abrir a porta, em seguida se inclinando para beijá-la. Kagome colocou um dedo sobre seus lábios.

— Podemos conversar? Uh..Hum..vamos dar uma volta?

Inumaru lhe lançou um olhar desconfiado e fechou a porta atrás de si.

— Ta. – ele respondeu.

Ficaram em silêncio por um momento enquanto se afastavam da casa.

— Bom..é Inumaru eu...humm... – ela se atrapalhava com as palavras – Eu..quero terminar nosso namoro. – ela conseguiu dizer, olhando para o chão.

— Sabia! – ele acusou – Foi ele não foi? Te convenceu a terminar comigo!

— Não. O Inuyasha não tem nada haver com essa minha decisão. Bom, na verdade sim, fui sincera contigo desde o começo, eu não sei exatamente o que sinto por ele, mas... — ela suspirou — Olha to cansada de vocês dois brigando, dessas crises de ciúmes. Eu não quero mais fazer parte disso...por isso decidi ficar solteira por um tempo...não vou correr para ele se é o que você ta pensando – ela olhou bem nos olhos dele, soando extremamente sincera. – Olha..eu..me desculpa mas não está mais dando certo.

Ele a olhou, triste – Você gosta dele. – afirmou em voz baixa.

— Inumaru..

— Deixa. Não precisa mais falar nada – ele a interrompeu – Eu sabia desde o começo que podia ser uma batalha perdida, você me deixou ciente disso...foi bom enquanto durou..espero que ele não a decepcione. – ele se virou e a passos lentos voltou para casa a deixando sozinha na rua.

Kagome ficou lá, triste por ele, afinal ela gostava dele, mas não da maneira certa, havia curtido esse namoro, porém não estava mais satisfeita com uma relação baseada no gostar, queria amor, queria estar com quem ela realmente amava. E já que não era possível estar com Inuyasha não era justo nem com ele nem consigo mesma continuar com Inumaru.

Voltou para casa e tomou um banho demorado, relaxando de baixo da água quente.

Já era mais de seis horas da tarde quando ligou para Sango a chamando para sair.

oOOooOO

— Kagome!- Sango gritou assim que avistou Kagome na porta da boate que havia sido inaugurada há alguns meses.

— Oi Sango! – Kagome a cumprimentou com um beijo, um sorriso brilhante em seus lábios. Decidida.

— Nossa, como está maravilhosa, toda radiante com esse top preto! Tá muito gata amiga! Cadê o Inumaru? – Kagome não havia contado nada para Sango.

— Ah nós terminamos. E não me olha desse jeito...não quero falar sobre isso agora, na verdade não quero falar sobre nada! Quero dançar, me divertir! Curtir! – disse ela soando animada, com seu rabo de cavalo alto balançando em suas costas, estava com uma calça jeans justa azul clara que lhe acentuava as curvas, uma sandália de tiras negras, de salto alto nos pés e grandes brincos de argolas prateadas.

— Nossa! Então que seja! Vamos entrar logo nessa fila! Sabe a Rin voltou! – Sango sorriu, havia notado que sua amiga não andava muito animada nos últimos tempos e vendo sua animação não pode evitar ser contagiada pelo espírito festeiro. Não adiantava em nada ficar se lamentando sobre a vida.

— Sério? – Kagome perguntou surpresa. – Como ela está?

— A Rin está ótima, mas não quis contar onde esteve todo esse tempo – Sango concluiu dando de ombros. Ela estava feliz com a volta da irmã, tinha sentido muita falta dela.

As duas entraram na fila e animadas comentaram sobre os garotos potenciais que se encontravam nela. Estava decidido que naquela noite agiriam como as duas jovens que eram, no caso da Kagome, solteira e desimpedida.