Estranho

1 único


A batida dos anos 80 estava de volta, era o que um rapaz loiro e de sobrancelha enrolada pensava enquanto dançava na pista e um globo com mosaicos pairava sobre a multidão, que dançava junto ou sozinha.

E Sanji dançava sozinho. Na verdade, não era nem uma dança. Ele só balançava os ombros e sua franja sedosa acompanhava os pés que reversavam o peso de seu corpo. Seus olhos se encontravam fechados e deixava o sintetizador lounge tomar a sua alma. Lentamente... Seus movimentos eram lentos, a onda que subia até a sua cabeça também era lenta. Prazeroso.

A letra era igualmente prazerosa.

“Eu quero ser eu mesmo, eu quero viver minha vida.”

O dia a dia era pesado como se o céu derretesse sobre seus ombros, mas agora era suave. Ali na pista de dança, não precisava provar a ninguém que era alguém e nem se lembrar de que era ninguém. Na verdade, se sentia sendo outra pessoa... linda e ingênua como Sugar Kane, envolvendo suas mãos no microfone para sua voz aveludada hipnotizar todos os homens.

Abriu os olhos, alguém esbarrou em seu ombro. Um rapaz de cabelos tingidos... tingidos de verde, foi o que Sanji entendeu no meio das luzes azuis, vermelhas, verdes, amarelas... que saíam dos projetores. As luzes pareciam dançar também, quando não paravam de girar, foi o que pensou enquanto encarava o olhar do rapaz mais alto do que si.

Mas de repente, não havia mais música e nem mais cores, estava excitado demais para pensar em outra coisa que não fosse o marimo.

“Eu quero ser eu mesmo, eu quero viver minha vida.”

Os olhos castanhos do esverdeado eram iguais aos seus, clamavam por mais. Sanji puxou sua mão e fugiram para longe dali. Era o que pretendia fazer com o estranho, mas só o levou até o beco e o prensou na parede para beijá-lo.

Um beijo longo e molhado, sobretudo carente.

— Quero viver minha vida com você.

— Bora.

Foi o que disseram quando conseguiram se separar e ainda falaram arfando. Sanji subiu na moto dele e o abraçou firmemente, iria para qualquer lugar com ele. Entraram no elevador aos beijos e depois no apartamento aos beijos, se esbarravam em móveis e objetos jogados em qualquer lugar. Não parecia ser organizado, mas Sanji pensou que poderia arrumar outro dia que viesse.

Outro dia?

Oras, já pensava em ver aquele bruto novamente.

Peças de roupas se juntavam aos objetos. Mãos furtivas envolviam seus corpos. Dividiam a mesma cama, a mesma saliva, os mesmos toques. Gozavam a vida.

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