Estranho
1 Papel perdido
Estranho
É realmente estranho olharmos para nossa própria vida, percebermos o quanto somos diferentes uns dos outros. É estranho observar a vida de outros ao seu redor, que riem, choram, brincam, se aventuram, possuem várias coisas a contar e parecem sempre ter um papel importante no teatro chamado vida; enquanto o seu papel nesta peça parece ser de um mero figurante... Você está lá sempre, se esforça sempre, mas nada parece diferente do que era, como se o mundo andasse e você, apenas você, estivesse ali parado sem reação. É estranho quando se dá conta de quanto sua presença não faria diferença, de quanto é incapaz, de quanto sua vida é pacata e sem graça...
Dizem que a grama do vizinho é sempre mais verde... Porém, quando você possui o conhecimento de como é a vida de seu vizinho e ainda assim a grama deste é verde, percebe o quanto a sua é cinza, murcha e sem vida. É estranho não saber o que você fez de errado ou o que continua fazendo, não saber por que há tanta diferença, não saber o porquê de você ser algo tão apagado, distante, como se não pertencesse a esse mundo.
É estranho quando dizem que você possui talento, às vezes mais de um, porém, os que não o possuem parecem estar bem à frente de você em tudo. Você tenta os alcançar o tanto que pode, corre e corre e parece que seus passos nunca se assemelham aos deles, você entra em colapso sob um grito silencioso em seu íntimo, querendo deixar sair todas as lágrimas e frustrações dentro de si, mas não pode. Não podes chorar... Não irão entender o porquê, então, deves seguir seu papel pacato, sorrindo e sendo a escada dos outros, sorrindo e vendo a alegria dos outros, enquanto você apenas afunda ainda mais em sua vida monocromática.
É estranho se dar conta de seu papel e mesmo assim não ser capaz de mudá-lo, saber que por mais que tente... A vida não te dará chance de dar ao menos um único sorriso que não possua lágrimas por detrás.
Fale com o autor