Estranha Sensação
27 Regras implícitas (+18)
Notas iniciais
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— Saia da minha frente, Heriberto! — Bradou Victoria fora de sua razão. — Você não pode me impedir de sair.
A modista se mostrava descontrolada e Heriberto tinha medo de que ela não recuperasse o controle tão cedo, mas, de todo modo não podia permitir que ela saísse dali naquele estado. Desde que ela escutou o nome de Bernarda, parecia outra pessoa. Gritava, praguejava e ele havia precisado pensar muito rápido para trancar a porta e pegar as chaves que ela havia deixado na mesinha logo que entrou. Tudo o que ela sabia falar era em ir atrás de Bernarda e ele já havia visto a capacidade da estilista decadente de tirar Victoria do sério.
— É que eu não vou permitir que você saia assim, você parece fora de si, Victoria. — Ele tentou argumentar racionalmente no pior momento para tentar que Victoria se conectasse à sua razão.
— Não vai permitir? — Questionou ela enfurecida com os olhos arregalados. — Quem você pensa que é para me permitir alguma coisa? Você pensa que eu sou de sua propriedade?
— É você quem está se comportando como se eu não fosse uma pessoa com vontade própria, Victoria! — Defendeu-se ele. — Claramente te incomodou que essa mulher tenha me procurado por nossa relação e, sem nem mesmo conversar comigo, você quer sair daqui para ir tirar satisfações com ela. Onde está seu respeito por mim, por nós?
— Heriberto, deixe de bobagem e abra essa porta. — Ela estava completamente cega de ódio. — Isso não tem nada a ver com você... não do jeito que você pensa! Bernarda é uma fracassada que até com o inútil do Osvaldo dormiu para me atingir e agora quer fazer o mesmo com você! Eu preciso colocar essa cadela no lugar dela antes que...
— O que você precisa é se dar o seu lugar e, obviamente, o meu. — Ele se afastou até a sacada. A imensa porta francesa de vidro transformava a vista em um espetáculo de edifícios e estrelas que ficavam ofuscadas pela discussão do casal naquele momento. — Até um ataque de ciúmes que você tem é sobre você, sua empresa, seu trabalho. Entenda que eu não faço parte de seu patrimônio arduamente batalhado, Victoria. Não sou parte da sua vida profissional ou você ainda não se deu conta que é uma pessoa normal e tem uma vida pessoal?
Victoria ficou extremamente impactada por suas palavras. Não esperava que Heriberto virasse o jogo e fizesse o ofendido em uma situação em que, claramente, não dizia respeito a ele. E, definitivamente, a última coisa que queria naquele momento era aplacar mágoas dele, seu foco estava, como sempre, distorcido e voltado unicamente para si mesma.
— Heriberto... Isso não são ciúmes. Eu conheço Bernarda há muito tempo e... essa mulher, você não faz ideia de como ela é cruel, manipuladora e se utiliza das pessoas.
— E você não conhece mais ninguém que têm se comportado assim? — Atacou ele ferido e, portanto, impiedoso.
— Você não tinha o direito de dizer isso! — Ela exclamou mortificada caminhando em direção ao quarto.
— Onde você vai? — Indagou ele ainda alterado.
— Ao banheiro. Já que você não me permite sair, vou tomar um banho e tentar me acalmar. Nesse momento, eu não suportaria ficar um minuto mais aqui, olhando na sua cara. — Contra-atacou cínica.
***
Victoria escutou quando a porta do banheiro se abriu e não se virou. Para falar a verdade, até gostou da ideia de que Heriberto a procurasse para resolver as coisas, já que, sequer entendia como aquela discussão sem propósito havia começado e porque tinham acabado se dizendo coisas tão duras. Além disso, sua raiva não era contra ele, nunca tinha sido e lhe afetava até demais a ideia que Heriberto fazia dela.
Ele se aproximou dela, que relaxava sob as águas do chuveiro por trás, e acariciou seus braços de maneira sedutora, aproximando-se de seu pescoço e falando em seu ouvido com aquela voz a qual ela dificilmente resistiria:
— Eu não devia ter comparado você a ela, me desculpe, acabei me descontrolando.
— Acontece com as pessoas normais. — Ela suspirou sentindo-se excitar à medida que ia tomando consciência da nudez e da proximidade da pele dele tocando a sua, suas mãos pareciam querer fazer com que ela se perdesse.
— E você não acha que eu sou uma pessoa normal?
Ele jogou com as palavras dando um pequeno passo na direção dela que fez com que sua ereção tocasse suas nádegas provocando um gemido abafado que culminou em seu lábio inferior sendo pressionados por seus dentes, deixando sua excitação ainda mais evidente, tremia de desejo. Ela nem se deu conta de quando deitou a cabeça no ombro dele e subiu sua mão por seu pescoço perdendo-se em seus cabelos, sentindo-se envolvida por toda a masculinidade que Heriberto exalava com tanta facilidade.
— Um dia você me chamou de "senhora perfeição". — Ela estava ofegante, perdida naquelas carícias ardentes e deliciosas. — Sendo sincera, até me excita sentir que dentro dessa capa de calmaria, como se ainda não tivesse deixado completamente de ser um padre, existe um homem de carne e osso, que não mantém sempre a serenidade, — virou-se abruptamente desafiando-o com os olhos tomados pelo desejo — que perde o controle de vez em quando.
Ele cedeu ao desafio beijando-a com aquela voracidade que só a paixão provoca. Seu afã era acariciar cada centímetro de sua pele, marcá-la no corpo e na alma. Victoria, que envolveu seu pescoço com os braços, delirava ao sentir o corpo dele acoplado ao dela, ao ser beijada com tanto desejo, ao perceber o modo como aquele vulcão feminino que a habitava gritava por ele.
Ele encaixou-se à ela e a conduziu até a parede de seu banheiro, a dois passos do chuveiro. Chupou-a, lambeu-a, encurralou-a naquela parede, levantou suavemente sua perna direita e entrou nela com tudo. Movimentaram-se de modo a satisfazer aquele ardor urgente e desesperado, além do limite da razão, do humano e do carnal que aquela relação insistia em desafiar dia-a-dia.
Os gemidos de ambos foram ficando mais intensos enquanto seu pênis inchado de prazer deleitava-se por entre suas paredes em movimentos de contração até que aquele intenso formigamento do orgasmo fez com que Victoria gritasse agarrada ao ombro de Heriberto. Ele também não demorou muito a urrar ao sentir o peso que vem com a ejaculação apertando a cintura dela com toda àquela força da paixão.
O sexo entre eles não podia ser melhor com todo o mundo que se têm a descobrir no início de uma relação, mas com a adrenalina daquela discussão era como se tivessem sido tomados de uma selvageria irracional que esquenta e torna uma transa ainda mais deliciosa. Depois do banho, mais calmos e relaxados, jantaram e voltaram a transar antes de adormecerem sem voltar a tocar no nome de Bernarda por uma mútua decisão silenciosa.
Heriberto pensou que fosse o melhor, não queria voltar a ver Victoria sair do sério, acreditou que ela tivesse tirado da cabeça a ideia maluca de procurar aquela mulher, falariam sobre aquilo de manhã, na hora do café. Entretanto, Victoria despertou um pouco antes do amanhecer e encarou aquelas chaves pela qual havia batalhado no início da noite anterior sobre a mesinha do lado de Heriberto na cama.
Não havia desistido de procurar Bernarda, precisava fazê-lo porque não estava disposta a perder nada mais para ela e, muito menos, Heriberto. Precisava defender sua relação, pois sua rivalidade com Bernarda possuía regras implícitas nas quais não incluía disputar esse homem que estava lhe apresentando um mundo completamente novo e, naquela parte de sua vida, a rival não tinha o direito de mexer. De qualquer maneira, precisava fazê-la saber disso!
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