Notas iniciais
Hey, amores, olha quem chegou! ♥ Saiu rápido dessa vez, né? E já adianto que o próximo também já começou a ser escrito. Não vou colocar uma meta, mas prometo não demorar pra postar. Confesso que a queda nos comentários me afetou muito. Errei em algo? Pouquíssimas pessoas comentaram no anterior. Fiquei muito triste e até desmotivada. Enfim, apareçam, tá? Eu juro que não mordo! Amo vocês ♥ Até as notas finais!

TOBIAS EATON

Quando abri os olhos e vi uma loira deitada ao meu lado, me afastei como se tivesse levado um choque. Acabei caindo da cama e o impacto fez com que Cara abrisse os olhos e se levantasse também. Ela estava vestida com uma camisola de seda azul marinho e eu estava apenas de cueca. Não conseguia me lembrar direito da noite anterior. Só sabia que tinha bebido muito porque minha cabeça doía como o inferno e eu sabia reconhecer uma ressaca.

Então forcei minha mente e tudo veio à tona de uma vez. Tris havia me deixado na manhã anterior. Minha família tinha vindo aqui e fodido com tudo que eu mais amava. A merda toda explodiu quando o segredo de Tris ia além do que eu sabia. Havia a morte do seu irmão envolvida em tudo isso. Quando ela foi embora e quebrou minha alma, bebi o máximo que pude até ficar entorpecido. Depois tudo ainda era um branco.

Olhei para Cara, que me encarava apreensiva; em seguida olhei para cama, notei que estava apenas de cueca e olhei para Cara novamente. O sentimento de culpa, nojo e incredibilidade me atingiram com tanta força que cambaleei. Apertei os olhos com força e praguejei uma maldição. Que porra eu tinha feito?

— Eu sei o que está pensando, mas não aconteceu nada. Eu juro. – Cara se explicou e deu um passo em minha direção, mas eu recuei. Não podia encará-la. Quão ruim eu conseguia ser? – Encontrei você bêbado ontem à noite. Uriah pediu para que eu te desse uma carona. Você estava péssimo, até vomitou nos meus sapatos. Eu te ajudei a se limpar e você logo apagou. Desculpe por ter dormido aqui. Eu deveria ter ido embora, mas fiquei preocupada com você.

Olhei para ela e agora ela parecia desesperada. Embora sua fala estivesse mansa, podia ver nos olhos de Cara o quanto ela ainda receosa. No entanto, parecia sincera. Forcei minha mente mais uma vez, mas não conseguia me lembrar de nada da última noite. Teria que acreditar nela ou então deixar que minhas teorias me comessem vivo. Escolhi a primeira opção, embora o sentimento de culpa não sumisse com isso.

— Por favor, fale algo. – Cara suplicou. Percebi que havia ficado em silêncio por muito tempo.

— Sinto muito por ontem. Aposto que minha bunda bêbada não foi uma boa companhia. – eu disse, enquanto ia até o banheiro da suíte em que estávamos e lavava meu rosto.

— Que nada. Diria que foi de longe uma das minhas noites mais divertidas. – ela riu e ficou encostada ao batente da porta do banheiro. – Você até me comparou com a Jean Grey. – fiquei em silêncio enquanto secava meu rosto, sem entender direito o real propósito de Cara ainda permanecer na minha casa e ainda por cima na minha cola. – Você quer conversar sobre o que aconteceu?

— Você sabe? – perguntei, ainda incerto sobre quantas pessoas sabiam do inferno que eu estava vivendo.

— Não da história toda. – Cara respondeu. – Algumas pessoas comentaram boatos no clube e eu acabei ouvindo. Sei que é sobre a garota que você mantinha aqui. A loira da festa dos sócios.

— O nome dela é Tris. – disse enquanto pegava o jeans da noite anterior e vestia. – Ela é incrível. Tudo nela é simplesmente perfeito. Ela me possui completamente. De todas as formas sou dela. Só dela. Sempre ela.

— Mas ela não se sente da mesma forma. – soou meio como uma pergunta, mas podia ver que Cara estava apenas tentando ligar os pontos da história. Não sabia de certo porque estava me abrindo com ela, mas no momento era a única pessoa que eu tinha e eu precisava conversar sobre isso, ou então acabaria ficando louco.

— Eu a magoei. A maneira como a machuquei vai muito além do que qualquer briga de casal. Há tanta dor no que fiz que ela foi incapaz de continuar aqui. Ela está agora há mais de dois mil quilômetros de distância. Não sei se a terei de volta algum dia.

— Ela é mesmo irmã de Nita? – Cara perguntou. Minha irmã deve ter comentado algo com sua amiga sobre quem vivia comigo nos últimos meses.

— Ela e Nita tem o mesmo pai, mas não há qualquer relação amigável entre as duas. Nita a odeia. Tris só soube da verdade ontem.

— Isso a fez fugir? – ela perguntou mais uma vez.

— Não exatamente. Muita coisa aconteceu depois disso, mas acredito que o fato de eu te escondido isso por tanto tempo teve algum peso em sua decisão. Ela não consegue confiar em mim. Não importa o que eu faça, parece que não é o suficiente.

— Vocês conversaram depois que ela foi embora?

— Não. – falei enquanto abria a porta do quarto e descia as escadas com Cara vindo logo atrás de mim. Precisava tomar café. Eu sempre tomava café antes de começar o dia. Ajudava no meu mau humor. – Eu tentei, mas quando cheguei ao aeroporto, seu avião já tinha saído. De qualquer forma, ela não quer me ver. Eu tentei impedi-la de ir, mas ela não me ouviu. Ela não acredita em nada do que eu digo.

Admitir isso tinha até mesmo um gosto amargo, mas dizê-las em voz alta para alguém me ajudava a colocar a cabeça no lugar e entender o lado da minha garota. Porra, eu tinha entendido a sua fuga no exato momento em que minha mãe despejou toda a verdade na minha maldita sala. Eu entendia, mas não queria aceitar. Não queria aceitar que tinha perdido Beatrice. Não quando não tive nem uma última chance de dizer a minha verdade. Eu não sabia da merda toda. Eu precisava explicar pra ela. Eu queria vê-la. Eu precisava vê-la. Meu Deus, meu corpo inteiro sofria com a falta de Tris.

Quando Cara abriu a boca para dizer algo, a porta da frente se abriu, revelando Christina e Will. Nos últimos dias, Christina e eu havíamos nos aproximado. Com o aniversário de Tris chegando, ela se ofereceu para me ajudar a consertar toda aquela merda que eu tinha feito. Precisava me desculpar com Tris e sua amiga estava de acordo com isso. Acredito que tenhamos virado amigos, mas pela maneira como ela me olhava agora, eu duvidava da nossa relação. Christina parecia pronta para me atacar.

— Você é nojento. – ela praticamente cuspiu, alternando seu olhar enojado entre Cara e eu. – Estava me sentindo culpada pela maneira como tratei você ontem, mas pelo visto você já superou.

— Não há nada entre Cara e eu – soei entediado; não estava com paciência para lidar com os dramas de Christina. Cara pareceu sincera ao me explicar sobre a noite anterior e eu acreditava nela. – Embora isso não seja da sua conta. – segui para cozinha para preparar meu café. Ouvi os outros três atrás de mim.

— É da minha conta qualquer coisa que machuque Tris. – Christina rebateu. À menção do nome de Tris, me virei e olhei para sua melhor amiga. Meu coração ansiava por notícias. Minha cabeça não parava de girar. Ela tinha ido embora ontem pela manhã e ainda não tinha retornado nenhuma das minhas ligações. Eu iria enlouquecer.

— Você tem notícias dela? – perguntei. A preocupação e o medo na minha voz eram evidentes.

— Não. – meu irmão falou primeiro. – Ela não retorna nada. Nenhuma mensagem, ligação... Nada. Só sabemos que Al a pegaria lá. Estamos preocupados. Não sabemos nem sequer se esse Al existe mesmo.

— Eu vou até ela. – falei calmo, enquanto despejava café na minha xícara. Estava decidido. Ela havia tido um dia inteiro para retornar nossas ligações. Eu estava prestes a ficar uma pilha se algo a tivesse acontecido. Como viveria se ela estivesse sofrido algum acidente? Quem estava cuidando dela? Eu não confiava nesse Al. Eu mesmo cuidaria da minha garota. Mesmo que isso significasse ir de encontro às suas decisões.

— Eu vou com você. – falou Christina. – Talvez eu consiga convencê-la a voltar pra cá.

— Não. – cortei e então bebi um gole de café antes de voltar a falar. – Preciso consertar minha merda sozinho. Além disso, você já teve sua chance. Podia tê-la impedido de fugir ontem.

— Entendo o lado dela. – Chris defendeu. – Aquela história sobre o irmão dela é verdade?

— Eu não sei. – confessei, me sentindo derrotado. – Por mais que Nita tenha mentido sobre muita coisa, acredito que ela não jogaria tão sujo. Minha mãe também parecia muito sincera, apesar da frieza. Infelizmente, tudo indica que sim.

— Você vai fazer algo a respeito disso? – meu irmão perguntou.

— Vou. Ainda não sei como farei para consertar; é algo sério demais. Mas antes vou até Tris. Preciso vê-la. Preciso que ela me escute. Estou pronto para implorar se for preciso. – pus minha xícara na pia e saí da cozinha.

Subi até meu quarto e tomei um banho. Não demorei muito, estava ansioso para pegar o avião e ir até Chicago. Pensei em tudo que falaria para Tris assim que a visse. O mais provável era que ela chutasse minha bunda, mas eu não dava a mínima. Rastejaria se fosse isso que ela quisesse. Você não conhece alguém como ela e simplesmente aceita perde-la. Eu não estava fazendo isso. Eu lutaria. Por nós dois, eu lutaria. Ela não precisava me amar de volta. Ela só não podia me deixar. Eu faria qualquer coisa que ela pedisse. Isso não estava em discussão. Ela vinha primeiro. Sempre Tris.

Saí do banho, vesti uma calça jeans e uma camisa preta e peguei meus óculos escuros. Disquei o número do meu ex-agente e esperei. Estava alugando um jatinho. Chegaria lá o mais rápido que eu podia. E, depois do episódio no aeroporto ontem, eu não estava pegando um voo comercial. As pessoas ainda me reconheciam. Eu não queria que toda essa bagunça fosse parar na mídia. Não queria que essa confusão manchasse a imagem de Tris. Eu conhecia esse ramo. Sabia o quanto os jornalistas e até meus fãs podiam ser sensacionalistas.

— Quatro, que surpresa! – disse Eric, o sujeito que havia sido meu agente por todo tempo que passei na banda.

Quando dei uma pausa na carreira, Eric pediu permissão para seguir com outros artistas. Como não pretendia voltar tão rápido, concordei. Era a primeira vez que eu ligava depois de todo esse tempo. Apesar de cuidar de tudo por mim, Eric e eu tínhamos uma relação amigável. Éramos da mesma idade, mas a maturidade do meu amigo estava há anos luz da minha.

— Eric, bom dia. – eu saudei, procurando por minha mochila com a muda de roupas que eu tinha separado no dia anterior. – Você pode conseguir um jato pra mim em uma hora?

— Confesso que estava sentindo falta dos seus pedidos quase impossíveis. – ele riu. – Qual a emergência desta vez? Se me disser que é só porque está a fim de jogar poker em Las Vegas eu ficarei decepcionado.

— Não, hoje não é sobre mim. – respondi e deixei o meu quarto, descendo as escadas e indo até a sala. Will, Christina e Cara conversavam sobre algo. – Você consegue fazer isso?

— Você que manda, cara. – falou Eric. – Já decidiu quando voltar pros palcos?

— Estive pensando sobre isso, mas agora não é um bom momento. – fui sincero. Depois que Tris apareceu e conversou comigo sobre voltar para o mundo da música, eu realmente passei um longo tempo decidindo. Iria voltar; só não agora. Primeiro precisava consertar toda essa merda. Depois eu pensaria no resto. Queria minha garota comigo quando eu fizesse isso, de certa forma. Acho que não conseguiria segurar a barra sem ela. – Prometo que retorno pra você assim que tiver algo concreto.

— Ótimo, estarei aguardando. E cara, você sabe, se precisar de algo, não hesite em me ligar.

— Obrigado. Farei isso.

Encerrei a ligação e olhei para meus amigos. Os três se calaram e meu celular vibrou com uma mensagem do Eric, me passando todas as informações sobre o voo. Tudo estava praticamente encaminhado. Uma equipe já estaria a minha espera quando eu chegasse. Isso foi o que sempre me impressionou em Eric: sua agilidade e competência com tudo que ele fazia.

— Estou voando para Chicago em uma hora. Alguém tem o endereço do Al? – adiantei. Não estava perdendo tempo. Não estava perdendo mais nenhum segundo longe da minha garota.

— Não. – Will e Christina responderam. Cara estava em silêncio e eu me perguntava o que diabos ela ainda fazia ali?

— Merda. – resmunguei, enquanto pegava meu celular novamente.

Beatrice iria ficar uma fera, mas porra, eu não tinha mais alternativa. Estava desesperado para vê-la. Estava preocupado que ela estivesse em perigo. Al não era a pessoa certa para consolá-la. Porra, ele não tinha ideia do que ela havia passado. Será que ela havia contado alguma coisa? Eu duvidava que isso fosse possível. Conhecia Tris. Ela não se abria facilmente. Gostava de lidar com a dor sozinha, do jeitinho dela. Porra, queria acreditar nisso. Queria ser o único a consolá-la. Queria que ela corresse para os meus braços ao invés dos dele. O ciúme, a possessão e a raiva me devoravam. Eu precisava me acalmar antes de qualquer coisa. Ela jamais me escutaria se eu não estivesse nada menos que calmo.

Passei por mensagem o número do telefone de Tris para que meu detetive o rastreasse. Enviei também a referência do seu celular e o código que havia recebido no dia em que comprei. Eu havia guardado todas essas informações gravadas no meu aparelho. Era uma questão de segurança. Queria voltar para os palcos, mas não queria uma vida sem Beatrice. Pretendia assumi-la para o mundo. E se algo acontecesse a ela quando eu voltasse para a fama? Eu não podia arriscar. A segurança dela viria sempre em primeiro lugar.

No entanto, sabia que estava pressionando demais. Poderia ser mais uma coisa que Tris jamais perdoaria. Estava invadindo sua privacidade, ignorando a sua tentativa de se afastar de mim. Precisava fazê-la entender que não tive escolha. Estava desesperado para vê-la. Iria lutar. Mesmo que ela batesse a merda fora de mim. Eu não estava desistindo. Eu nunca desistiria dela. E estava pronto para vê-la.

Will e Christina falaram algo antes de se despedirem, mas apenas acenei com a cabeça. A mensagem com o endereço do telefone de Tris havia chegado. Eu estava torcendo para que realmente fosse o da casa de Al. Mesmo se não fosse, eu já tinha alguma coisa. Dirigiria por Chicago inteira se fosse preciso.

Estava prestes a sair, mas a voz de Cara me parou. Que porra ela ainda fazia na minha casa?

— Você quer que eu vá com você? – eu mordi minha língua para não resmungar uma maldição.

Estava agradecido pela noite de ontem. Não precisava ser babaca com ela depois da sua gentileza, mas não estava a levando a lugar nenhum. Apesar de ter se mostrado uma ótima amiga, não a levaria para Chicago. Não iria confundir Tris. Deus, eu jamais superaria aquela garota. Mesmo que ela não me quisesse mais, eu seria incapaz de seguir em frente depois dela. Tris seria a única.

— Cara, sou realmente grato pela noite de ontem. Sei que se você não tivesse aparecido, eu estaria um lixo. Por isso, pelos conselhos a respeito de Tris, pela noite da festa dos sócios... Digo obrigado. Você é uma ótima amiga, gosto de tê-la por perto. – olhei para ela e segurei uma de suas mãos. Talvez ela estivesse confundindo as coisas e eu não queria magoá-la. – Mas não podemos passar disso. Estou indo atrás da mulher que amo agora. Pertenço a ela.

— Eu entendo. Gosto da ideia de sermos amigos. Estou de férias da agência e pretendo passar um tempo com minha família aqui. Shauna e Nita têm sumido. É bom saber que vou ter alguém enquanto estiver aqui. – balancei a cabeça em saudação, em seguida fui até a garagem e subi no carro.

No caminho até o aeroporto, ultrapassei todos os sinais amarelos e até alguns vermelhos. A ideia de vê-la novamente deixava meus joelhos fracos. Nunca ninguém teve esse efeito sob mim. Eu estava enfeitiçado. Encantado por sua doçura. Apaixonado pelo seu jeito inocente. Era amor. Não restava espaço para dúvidas.

Deixei meu carro com um manobrista que já me esperava no hangar e fui em direção ao jato que Eric tinha conseguido para mim. Cumprimentei toda a tripulação que se resumia ao piloto, copiloto e duas aeromoças. Havia também dois homens fortes que deduzi serem seguranças. Não achei que seria necessário, mas não os mandaria embora. Não sabia quão confuso podia ser se alguma multidão reconhecesse.

— Boa tarde, senhor Eaton. Deseja algo para beber? – uma das aeromoças perguntou. Eu balancei a cabeça. – Se precisar de algo, pode chamar. Espero que tenha um ótimo voo.

— Obrigado. – respondi, e afivelei o cinto quando o piloto anunciou nossa decolagem.

Relaxei um pouco à medida que deixávamos Miami. Minha cabeça ainda doía como o inferno, mas eu tentava não pensar sobre isso. Queria me concentrar em Tris e não seria a porra de uma ressaca que mudaria meu foco. Me sentia exausto. Apesar de ter apagado na noite anterior, parecia que um caminhão havia passado por cima de mim.

Aproximadamente três horas mais tarde, estávamos aterrissando no aeroporto de Chicago. Um SUV preto estacionado no hangar já esperava por mim. Os dois seguranças seguiram na minha frente e um deles abriu a porta do carro para que eu entrasse. Tinha passado tanto tempo longe desse tipo de tratamento que fiquei meio constrangido, mas agradeci com um aceno e fiz como tinha de ser feito.

Passei o endereço do celular ao motorista, mas antes de irmos, pedi para que parassem em um restaurante. Por mais que tentasse ignorar, estava faminto. Não comia nada desde ontem e me sentia meio tonto. Iria almoçar, em seguida procuraria por Tris.

O transito em Chicago estava uma merda. Após sair do restaurante, levei mais duas horas para chegar até onde o rastreador dizia que o celular de Tris estava. Paramos em frente a um prédio de porte médio. Desci do carro e coloquei um boné para disfarçar. Pus também meus óculos escuros, mas quando escurecesse os tiraria. Se usasse durante a noite, só levantaria mais suspeitas.

Eu estava perdido. Não sabia exatamente o que fazer. Esperava que Deus me ajudasse fazendo com que Beatrice saísse em algum momento. Eu não podia simplesmente invadir o prédio e sair batendo em todas as portas. Tentei ligar para seu celular novamente, mas só caía na caixa postal. Eu estava quase ligando para meu detetive novamente quando a vi sair do prédio.

Meu coração parou.

Ela estava perfeita. Vestindo uma calça branca e uma blusa de frio preta, Tris caminhava para fora do prédio com um sorriso no rosto. Acho que nunca esteve tão linda. Em todas as vezes que a via, ela sempre estava maravilhosa, mas hoje era demais. Ela tinha soltado o cabelo, da maneira que eu amava, e quando o vento bateu nela, pude jurar que a cena acontecia em câmera lenta. Eu estava fascinado. Ela ainda não tinha me visto e quando dei um passo para me aproximar, notei a figura atrás dela.

Albert.

Permaneci imóvel no meu lugar. Vê-la com ele quase me fez cair de joelhos de tão fraco que fiquei. Eu tinha certeza de quem ele era pela maneira como a olhava. A possessão e o amor em seu olhar me diziam que algum dia ela já tinha sido sua. Merda. Eu queria arrancar seus braços com minhas próprias mãos, mas não me movi. Tris reprovaria e eu não queria chateá-la. Tinha tanta coisa para me desculpar que aumentar a lista só piorava tudo.

Eles entraram dentro do carro dele e partiram para longe. Nenhum dos dois notou minha presença. A tentação de segui-los era demais. Quase entrei no carro, mas decidi espera-la voltar. Eu não precisava persegui-la como maníaco. Tris enlouqueceria se descobrisse que eu estava fazendo isso. Eu pedia a Deus para que ela me perdoasse pelo rastreador.

Quase três horas depois, o carro em que eles saíram retornou. Mantive minha cabeça baixa, mas retirei os óculos escuros. Queria vê-la e queria que ela me visse também. Esperaria até que ela descesse e viesse falar comigo. Ela teria de passar por mim para entrar no prédio. Eu não estava lhe dando alguma escolha. Precisava que ela entendesse, caramba.

— O que você tá fazendo aqui? – Tris perguntou quando se aproximou de mim.

— Eu vim porque é aqui que você está. – disse simplesmente e levantei meu rosto para olhá-la. Era muito fácil responder a isso. Eu iria até o inferno por ela. Não havia outro lugar em que eu quisesse estar senão com ela. Será que ela não percebia isso?

— Como me achou? – eu quase podia ver as engrenagens rodando em sua cabeça. Podia mentir sobre isso, mas não iria.

— Seu celular tem rastreador. Desculpe por isso, mas você não me deixou escolha. Eu estava enlouquecendo. – exasperei. Não fiz por mal, porra. Eu só precisava vê-la e me certificar de que estava bem. Ela não tinha ninguém antes de chegar à minha casa, entretanto ela tinha a mim agora. Sempre teria.

Seus olhos queimaram e eu vi a raiva nele.

— Então agora você vai ficar perseguindo minha bunda como a porra de um psicopata? – ela estava furiosa. Deus, eu nunca tinha visto Beatrice me enfrentar, exceto na vez em que Nita destruiu seu quartinho. Acho que foi naquele momento em que fui fisgado de verdade.

— Tris, eu não... – dei um passo para frente em sua direção, mas na mesma hora ela recuou. Instantaneamente Al pôs ambas as mãos em sua cintura. Eu não era burro, captei o recado. Ele estava marcando território. Como se Tris fosse a porra de uma competição de quem mija mais longe. O cara era um babaca. – Inacreditável. – ri sem humor e retirei o boné. Estava nervoso. E se eles tivessem... Não. Caralho, não. Isso não tinha acontecido. Ela não faria isso. Não a minha Tris; mas eu estava magoado. Talvez cego pelo ciúme e as palavras simplesmente saíram. – Porra, você só está aqui há um dia...

— Você cheira a mulher e a cerveja – ela me interrompeu antes que eu falasse alguma merda. – Nem por isso eu pedi satisfação. O que nós tínhamos acabou, Tobias. Vai embora.

— Eu estive com Cara ontem à noite. – expliquei. Vi como a dor preencheu seus olhos e falei antes que ela pensasse alguma besteira. Eu não estava seguindo em frente. Deixaria isso claro. Ela precisava saber que sempre seria a única. – Não do jeito que você está pensando. Porra, Tris, você me deixou. Nem sequer me ouviu explicar. Eu não sabia da merda que minha mãe tinha feito, eu juro. Eu não teria escondido isso de você. Caralho, Tris, como pode pensar algo de mim assim?

Ela não tinha pedido, mas eu lhe contaria tudo. Podia mentir ou ocultar a parte da noite com Cara, mas não estava fazendo isso. Eu seria sincero. As mentiras e os segredos haviam me afastado dela. Eu não ia cometer esse erro nunca mais.

— Elas são sua família. – Beatrice defendeu. Percebia em seus olhos que ela queria acreditar em mim, mas algo a impedia. Eu estava pronto para implorar.

— Não, você é. – senti meu lábio tremer. Estava com medo dela não ser capaz de confiar em mim novamente. Precisava tocá-la. Deus, eu era um homem desesperado. Dei um passo à frente. – Você é tudo, Tris. – a lembrei. Tinha composto uma música sobre ela. Era seu presente de aniversário foda do caralho que eu tinha pensado. Ela nunca esqueceria.

— Não dá. – Tris falou e a porra dos meus joelhos enfraqueceram. Alguma vez eu tinha ficado tão sentido por algo assim? Poderia um coração se partir novamente mesmo quando este já estava destroçado? – Quando eu olho pra você eu lembro de Caleb. Eu lembro da minha mãe e de todas as coisas horríveis que vocês disseram sobre ela. Aquele lugar me destruiu. – ela falhou e uma lágrima escorreu do seu lindo olho. Quis secá-la. Daria tudo para tocá-la agora, mas ela não me queria por perto. Foda. – Não posso perdoar o que fizeram com Caleb. Nem perdoar pela difamação sobre minha mãe. Não é verdade. Vocês são todos mentirosos.

Puta que pariu, como explicaria isso para ela? Como a faria acreditar em mim?

— Eu entendo que esteja chateada, mas...

— Não tem “mas”, Tobias. – ela cortou e chorou mais uma vez. Aquilo me rasgava por dentro. – Acabou.

Não, não, não. Eu não estava aceitando isso. Eu lutaria por nós, caramba.

— Porra, Tris, me desculpe. – o soluço na minha garganta rachou minha voz, mas eu não pararia. Mesmo com as lágrimas caindo dos meus olhos, eu não ia parar. Eu lutaria por ela, porra. Eu daria minha vida. – Eu não quero perder você. Estou completamente apaixonado por você, Beatrice. Eu te amo.

— Eu não quero ser a mulher que você ama. – Beatrice confessou e uma dor rasgou meu peito. Eu odiava vê-la sofrer. Odiava ainda mais ser o motivo da sua dor. Como consertaria isso? Como ela me olharia depois de tudo que aconteceu? – Eu não posso voltar lá e encarar todos eles. Você não percebe que isso nunca dará certo? Você mentiu, Tobias. Você escondeu meu passado de mim. Segredos que eu merecia saber. Mas você protegeu Nita. A mesma Nita que desejou minha morte. A mesma que queimou minha barriga. A mesma Nita que armou para que Shauna me desse uma surra. Eu tenho marcas no meu corpo que vou levar pro resto da vida, graças à sua irmã. Sua mãe, Tobias, matou meu irmão. Meu único irmão. E você sabia. Disso tudo, você sempre soube e nunca me contou. Você tirou meu pai de mim! – ela rosnou. Estava machucada e precisava culpar alguém. Eu era o alvo mais fácil. Se isso a faria se sentir melhor, eu aguentaria. Eu merecia. Tinha feito parte de tudo isso e arcaria com as consequências. – Você encheu a cara e passou a noite com outra. Não conseguiu ficar longe de uma calcinha nem por um mísero dia. Você chama isso de amor? Como pode amar alguém desse jeito?

Caralho, ela precisava me ouvir!

— Eu sei que minhas ações provam o contrário. Eu me sinto péssimo, Tris. Por tudo que fiz e por tudo que fizeram contra você. Eu prometo que vou passar o resto da minha vida tentando consertar isso, mas se você me deixar explicar... – ela estava magoada por Cara. Estava furiosa pelo rastreador. Dilacerada pelo o que eu disse sobre sua mãe. Meu Deus, eu repararia tudo isso se ela me ouvisse.

Mas porra, eu não sabia sobre sue irmão!

— Eu não quero ouvir você. Eu não vou acreditar em nada do que você me disser agora. – ela soluçou. Eu estava perdendo. Era isso, eu estava perdendo Beatrice. Para sempre. – Adeus, Tobias. Por favor, não me procure mais. Respeite isso. Se você realmente me ama, faça o que eu peço. Por favor. – ela baixou a cabeça em sinal de derrota e se algo em mim ainda pudesse ser destruído teria feito.

Como negaria algo a ela? Mesmo que isso me destruísse, como poderia negar algo que ela implorava tanto? Eu a machucava. Eu era sua dor. Uma maldita e fodida dor.

— Não posso mudar o passado. Eu o mudaria se pudesse, acredite. Tudo o que posso fazer agora é o que você quer. Mas você precisa olhar pra mim, Tris. Por favor, olha pra mim. – implorei. Queria ver nos olhos dela. Não podia deixá-la se ela ainda não estivesse segura dessa decisão. Eu ficaria. Torcia por qualquer resquício de dúvida, por menor que ele fosse.

Tris levantou a cabeça e me encarou.

— Adeus, Tobias. – não havia dúvida.

Olhei para ela. As mãos de Al continuavam sua cintura; era impossível ignorá-lo. Doía presenciar uma cena como essa, mas queria deixar gravado na minha memória. Ela o tinha agora. Eu não precisava me preocupar em quão segura ela estaria. Tris confiava nele e eu teria de aceitar isso. Ela não me queria na vida dela. Tinha de respeitar isso.

Encarei seus olhos verdes lindos uma última vez antes de voltar para SUV e partir de volta ao aeroporto. Chorei como um bebê. Ela queria se curar e eu precisava deixá-la encontrar uma maneira de o fazê-lo sozinha. Jamais faria parte da vida dela novamente. Não sem antes que ela se curasse. Como poderia aceitar isso? Queria um futuro com Tris, porra.

A dor era esmagadora.

Como poderia lutar por alguém que não me queria? Por alguém que me odiava? Eu não tinha a menor chance. Por mais que Beatrice fosse o amor da minha vida, eu não era o dela. Jamais seria. Encontrar uma maneira de deixá-la seguir em frente era como arrancar meu coração e deixá-lo no chão. Chegava a ser sufocante. Entendia que ela queria se curar. Ela só não queria que eu estivesse nisso.

Amar quem a gente não merece é foda. Tinha feito tudo que podia para salvar minha garota. Mas agora eu tinha de aceitar. Eu tinha perdido Beatrice.

Voltei para casa totalmente desolado. Depois de aterrissar em Miami, dirigi até minha casa, entorpecido. Estava no automático. Sentia uma tristeza tão profunda que anulava qualquer outro sentimento que houvesse. Sentia-me oco, vazio, ferido. As pessoas se recuperavam disso? Como conseguir viver depois de conhecer alguém como Tris? Como poderia amar novamente?

Saí do transe quando notei o conversível da minha irmã encostado à frente da minha casa.

— Jay. – Nita sussurrou. O som da sua voz era quebrado, com medo, mas provocava um ódio tão grande dentro de mim que tive medo de mexer e machuca-la. Eu a odiava nesse momento. Eu odiava minha mãe. Eu odiava seu pai. Eu odiava a mim mesmo. Odiava a porra do mundo por existir.

— Hoje não, Nit.

— Cara me disse que passou a noite com você e que você estava péssimo. Isso ainda é por causa daquela garota? Pelo amor de Deus, Tobias, ela puxou uma arma pra mim. Ela é uma desequilibrada! Eu fiz um favor pra você.

— Cala a porra da sua boca, Nita. – rugi. – Fiz tudo por você durante todos esses anos. Te coloquei acima de qualquer pessoa. Fui sua mãe e seu pai, muito mais do que qualquer outro irmão seria. Sustentei todos os seus luxos, dei minha vida por você e nunca te pedi nada em troca. Então essa sua amargura e seu egoísmo foderam com a coisa que eu mais amava nessa vida. Não posso te perdoar por isso, Nit. Não posso. Vai embora da minha casa e não volta. Eu já disse que você morreu pra mim.

Nita não recuou com as minhas palavras como eu esperava que ela fizesse. A dor banhando sua expressão me dizia que eu tinha conseguido machucá-la. Por ora, uma parte de mim se sentia péssimo por isso. Nita e Will sempre foram minha família e sempre estiveram lá por mim. Eu amava minha irmã. Ela era meu sangue, nada mudaria isso. No entanto, eu não conseguia perdoá-la. Eu não conseguia nem olhar pra ela. Ela precisava se afastar. Eu não suportava mais sua voz.

— Ela me tirou o papai. Foi por causa da prostituta da sua mãe que ele me deixou. Então ele voltou e tudo estava bem. Eu a odeio, Jay. Não sei como você conseguiu amá-la depois de tudo que ela representa. Ela veio pra Miami e arruinou minha vida. Primeiro me tirou Will. Então logo depois ela te tirou de mim. Eu tinha que magoá-la de alguma forma. Ela estava te deixando cego. Nós costumávamos fazer tudo junto, então ela veio e você me deixou de lado. Eu só fiz o que achei certo. Precisava que ela se sentisse tão destruída quanto eu.

— Como você soube do acidente que matou o irmão dela?

— Ouvi mamãe comentar sobre isso com uma amiga quando eu ainda era pequena. A ideia ficou na minha cabeça, mas nunca toquei no assunto. Você não atendia minhas ligações, cortou todos os meus cartões de crédito e não queria falar comigo. Precisava fazer algo para te ter de volta. Eu sabia que se ela soubesse da verdade, iria embora. Pedi a mamãe que viesse conta-la. Você não acreditaria em mim se eu falasse. Acharia que eu estava inventando tudo. – vi uma lágrima cair dos olhos da minha irmã e senti uma pontada de culpa, mas empurrei pra longe. Minha vida tinha se resumido em fazê-la feliz. Nada justificava a maneira como agiu com Tris. Era desumano. – Eu sei que peguei pesado, mas não sabia mais o que fazer. Ela te cegou, Jay. Fez você me odiar.

— Eu nunca odiei você, Nit. Você sempre foi minha irmãzinha. Mas ela era a minha vida. Tentei ficar longe e odiá-la porque isso a deixava feliz, mas me apaixonei. Você também a amaria se a conhecesse. É tão fácil amá-la. Eu estava feliz. Me sentia completo. Agora, graças a você, estou vazio. Oco. Completamente sozinho.

— Você tem a mim. – ela fungou e se aproximou de mim, passando uma de suas mãos no meu rosto. – Fiz isso para que você voltasse a ser meu maninho novamente.

— Não. – tirei sua mão de mim. – Você fez isso porque é egoísta. Você não se contentou em me ver feliz sem você, então resolveu vir aqui e destruir tudo. É isso que você faz, Nit. Você deixa destruição por onde passa. Tris não me tirou de você. Você fez isso. Com Will também. Você teve Andrew por todos esses anos, enquanto Beatrice lutava para sobreviver e cuidar da mãe doente ao mesmo tempo. Reveja quem é a vítima nessa história. Eu te apoiei durante todo esse tempo, mas não percebi no quanto isso estava transformando na cadela que você é hoje. Estou arrependido e culpado porque te mimei demais, mas eu nunca te criei para ser essa víbora que se tornou. Eu nunca acharia normal um assassinato de um inocente.

— Mamãe fez isso por mim, Jay. – ela soluçou. – Ela fez isso para que fossemos uma família feliz.

— Você tá vendo alguém feliz agora?

— Eu sinto muito. – ela me abraçou e chorou em meu peito. Eu não movi um músculo. Queria consolá-la, porque grande parte de mim amava Nita, mas precisava que ela crescesse agora. Ela tinha que entender que aquilo tudo era uma merda grande e séria. Muito séria. – Estou arrependida, eu juro.

— Por sua causa, perdi Beatrice. Ela não quer me ver. Ela nem sequer me ouve. Não posso olhar pra você agora, Nit. Simplesmente não dá. Não estou no meu melhor momento e você aqui só piora tudo. Vai embora. Volta pra faculdade ou sei lá. Eu só não quero ter que ver você. – tirei seus braços que me envolviam e segui para dentro da minha casa, deixando-a sozinha do lado de fora.

Deixei que todas as lágrimas que eu havia prendido durante o dia saíssem. Não havia nada que eu pudesse fazer para que Beatrice se curasse. Não havia nada que eu pudesse fazer para consertar minha irmã. Ambas as mulheres que eu amava agora sofriam. Eu nunca havia sentido tanta dor na minha vida. Nita merecia o desprezo que eu estava lhe dando, mas isso não diminuía a culpa que eu sentia. De certa forma, minha irmã era apenas uma criança quando Caleb morreu. Ela não tinha planejado nada disso.

Pensei em como faria a partir de agora, mas nada me vinha a mente.

Eu estava fodido.

Perdido, ferido e muito, muito fodido.

Notas finais
Então, amores, o que acharam? Comentem, comentem, comentem ♥ Sei que esse capítulo não ficou muito diferente do anterior, mas precisava que vocês vissem o rumo que o Tobias vai tomar. Ele está muito balançado em relação a voltar para banda. Isso foi o principal ponto que quis destacar. Também esclarecer a noite com Cara, já que ficou muito vago no outro capítulo. Enfim, foi isso. O próximo será narrado pela Tris. Vamos conhecer mais o Al, ver como ela está lidando com tudo e teremos Will e Chris em Chicago. Se ela pensou que seria fácil esquecer e se livrar deles, está muito enganada. HAHAHA Apareçam desta vez, tá? Prometo que já tô respondendo todo mundo. Ah, e se tiverem dúvidas, não hesitem em me perguntar por DM. Sempre respondo todos por lá. Mamãe ama muito vocês! Os vejo nos comentários, por favorzinho ♥