Notas iniciais
Hello pessoas, tudo bem com vocês?! ♥ Adivinha quem não demorou tanto assim para postar? Isso mesmo, eu mesma haha! Espero que vocês gostem do capítulo. Estou tentando deixar as notas o menor possível, então não posso falar muito haha! Aproveitem e se envolvam!! Mamãe ama todos ♥ Espero vocês nas notas finais!

BEATRICE PRIOR

— Falando em irmão... – Nita, a qual eu me recusava a chamar de irmã, disparou. – Tobias também te contou que o acidente que matou Caleb não foi de fato um acidente? Eu queria o papai de volta e mamãe deu seu jeito. Se ele não tivesse mais família, ele voltaria para nós.

Minha visão começou a girar e todo ar daquela sala parecia ter sumido. Dei um passo para trás, atordoada com o que ela tinha acabado de falar. Podia sentir Tobias atrás de mim, mas não queria olhá-lo agora. Eu não queria acreditar nisso, mas eu conseguia ler os olhos de Nita. Mamãe tinha me ensinado a ler as pessoas e eu era muito boa em saber quando alguém estava mentindo. Para meu sofrimento, Nita não estava.

— Cale a boca! – eu gritei, sentindo o nó se formar na minha garganta.

Não era verdade.

Nita só queria me machucar.

— Eu tinha levado Nita para visita-lo uma semana antes. Quando chegamos lá, Andrew estava ocupado demais com suas outras crianças e sua esposa perfeita. – Evelyn falava e o nojo que sentia por minha família era claramente visível. Eu esperava que mamãe me perdoasse por sentir tanto ódio dessa mulher. – Eu sabia que Natalie não prestava, mas quando ela proibiu Andrew de ver a própria filha, eu enlouqueci. Nita tentou se matar naquela semana. Eu quase perdi minha filha! – Evelyn rosnou. As lágrimas de ódio e amargura brotaram nos olhos dela. – Era justo que ela perdesse alguém. Ela causou dor para minha menina. Ela causou dor para mim. Eu tiraria tudo dela.

— Você... matou... meu irmão? – eu perguntei, ainda sem acreditar. Eu sabia que existia maldade no mundo. O que eu mais via no noticiário eram notícias ruins. Porém, jamais imaginaria que pudesse acontecer comigo. Casos assim só eram vistos em filmes ou novelas mexicanas.

Isso não era real.

— Naquela mesma semana, contratei uma pessoa para dar um susto em Natalie. No fundo, não queria matar Caleb, muito menos ferir Andrew. Natalie deveria estar no carro naquele dia, mas para meu azar, não estava. Quase morri quando soube que Andrew tinha ficado ferido. Por sorte, meu marido não morreu. Já o menino...

— Chega! – berrei e pus as mãos no ouvido.

Eu não queria ouvir mais nada. Minha cabeça doía e tudo era um zumbido. Tobias parecia irritado e havia avançado para cima de Evelyn. Tudo acontecia em câmera lenta. Nita gritava e gesticulava com as mãos, mas eu não ouvia nada. Papai, que antes estava parado como pedra, havia dado um tapa no rosto de Evelyn. Ele estava todo vermelho. Nunca o tinha visto tão bravo; mas não me importava.

Eles tinham matado meu irmão.

Flashback – ON

— Eu não sei gosto dessa história de você e o Al saírem juntos. Ele é velho demais pra você. – Caleb disse, enquanto me empurrava no balanço do parque.

— Ele é dois anos mais velho, Caleb. Não fale como se fosse grande coisa. – eu me defendi. Meu irmão era muito protetor.

— O papai sabe? – ele perguntou, com um sorriso malicioso, já sabendo a resposta.

— Não. – eu revirei os olhos. – E você não vai contar. Ou então eu conto sobre você e Ashley.

— Quê? – ele riu. – Você não seria capaz disso.

— Tem razão. Eu nunca o levaria para sua própria morte. – eu brinquei e ele gargalhou.

— Eu te amo, mana. – Caleb parou o balanço e me puxou para um abraço. Ele era meu porto seguro. – Eu só quero proteger você. Acho que Al não é o cara certo. Tem algo nele que não é... sei lá...

— Confiável? – eu interrompi e ele me deu um sorriso.

Caleb era lindo. Ele era a mistura de mamãe e papai juntos com as melhores partes. Os olhos esmeraldas, o nariz afilado, os dentes que nunca precisaram de aparelho... Tudo nele era perfeito. Somado a isso, Caleb era um gênio. Ele era o número um no ranking da escola. Ele não era apenas bom em uma matéria como eu era; Caleb conseguia a excelência em todas elas. As meninas eram loucas por ele e mesmo com tudo isso, meu irmão era o modelo de humildade.

Caleb era meu maior exemplo.

— Exatamente. – ele concordou e beijou minha testa.

— Eu sei me cuidar.

— Eu sei que sabe; mas que graça teria? – eu ri e dei um empurrão nele. – Se ele partir seu coração, podemos considera-lo um homem morto.

Soltei uma risada.

— Eu não sei o que seria de mim sem você, Caleb.

Flashback – OFF

Os sons começaram a surgir e quando voltei para mim, Christina e Will estavam na sala. Eu não me lembrava de quando eles tinham entrado; Chris segurava minha bolsa de mão e minha mala, enquanto Will tinha todos os presentes que me deram ontem. Apertei os olhos tentando me concentrar. Tudo era um zumbido. Todos eles estavam falando. Meu pai ainda gritava com Evelyn e Nita. Tobias gritava. Will gritava. Christina gritava.

— Calem a boca! – dessa vez o grito foi meu. Todos ficaram em silêncio. Eu só queria ir embora.

Corri até minha amiga e ela me abraçou. Meu coração tinha se partido em milhões de pedaços. Aquela família havia matado meu irmão. A minha metade. O meu espelho. Caleb era brilhante e todo o futuro que tinha pela frente lhes fora tirado sem nenhum rancor. Evelyn não se arrependia. Nita não se arrependia. Tobias...

“Falando em irmão... Tobias também te contou que o acidente que matou Caleb não foi de fato um acidente?”

A voz de Nita soou na minha cabeça e eu odiei o maldito dia em que pisei nesta casa. Tobias era um assassino. Ele era cúmplice. Sabia disso o tempo todo e não tinha feito nada. Seu coração não era como eu pensava que fosse. Ele havia me enganado. Escondera de mim toda minha história. Tinha conseguido mentir na minha cara. Ele nunca me contou a verdade crua.

Eu odiava todos eles.

— Me tira daqui. – sussurrei para Christina.

Eu só queria ir para casa.

— Calma, meu amor. – ela me apertou e tentou me acalmar. – Você não quer tomar algo antes? Deus, Tris, você está gelada!

— Amor... – Tobias segurou meu braço, mas eu dei um pulo.

— Não encosta em mim! – gritei e encarei ele. Ele parecia quebrado. – Você é um assassino! Assim como elas, você matou meu irmão! Você sabia disso e nunca fez nada! Você... – as lágrimas manchavam meu campo de visão e a última frase que eu disse saiu mais como um sussurro rouco. – Você matou meu irmão.

— Tris, eu juro, eu não...

— Cale-se! – gritei e dessa vez soei mais firme. Eu não deixaria que me enganasse novamente. Eu não estava indo por esse caminho. Tobias já tinha tido sua chance. Eu nunca poderia perdoá-lo. – Eu não consigo sequer olhar para você. Eu tenho nojo... De todos vocês eu tenho nojo. – respirei fundo e olhei para cada um deles, parando especialmente em Nita. – Eu vou embora. Eu nunca deveria ter vindo aqui. Eu vou embora e prometo que jamais aparecerei de novo. Mas eu espero que a culpa te coma viva. Espero que toda vez que olhar para seus irmãos, você veja o meu. Que a sombra dele te corroa a ponto de você não ter mais paz. E você... – virei para meu pai. – Eu sabia que você era nojento. Quando deixou a mamãe para morrer, eu sabia que você não prestava, mas isso... Isso é demais. Até mesmo pra você, Andrew, isso aqui é demais.

Will já estava saindo com meus presentes e Christina tinha colocado seu braço envolta do meu ombro. Eu não sentia mais nada. Todo ódio, toda raiva... Eu estava oca. Tinha me apaixonado por um dos assassinos do meu irmão e não sentia nada. Nenhum remorso por tudo que vivi com Tobias. Eu não conseguia me arrepender. Por mais que amasse Caleb com toda minha força, não conseguia...

Me senti ainda pior por isso.

— Espero que agora você tenha o mesmo fim que ele. – Nita despejou e então tudo aconteceu muito rápido.

Fiz um único movimento para tirar minha arma da bolsa que estava com Christina e destravei a trava de segurança. Nita soltou um grito e todos eles fizeram silêncio, fazendo com que o clique da arma parecesse muito mais alto. Mirei no meio da cabeça dela e respirei fundo. Eu estava muito tentada a puxar o gatilho, mas eu não era como eles.

Eu não era uma assassina.

— Mais uma palavra dele ou da minha mãe e eu faço você dar um oi pro capeta. – rosnei por entre os dentes, enquanto olhava para seu rosto assustado. Ela tinha levantado as duas mãos e estava paralisada. – Fala sua vadia! Fala porra! – eu gritei, sentindo a dor transparecer na minha voz.

— Tris, abaixe essa arma. – Tobias suplicou e o som doce da sua voz me fez recuar.

Meu coração falhou.

— Agora você vai pensar duas vezes antes de falar da família de alguém. – soltei e abaixei minha arma, saindo junto com Chris.

Lá fora, Will já colocava tudo dentro da mala do carro. Chris havia aberto a porta de trás para mim e quando eu ia subir, uma mão conhecida me segurou. Eu estava anestesiada. Não tinha mais força para lutar. Eu só queria ir para casa e chorar. Chorar pela minha mãe. Chorar pelo meu irmão. Chorar por mim...

— Tris, por favor... – Tobias suplicou e eu levantei meus olhos para olhá-lo. Ele estava tão destruído. Seus olhos tinham bolsas debaixo e eram um borrão vermelho. Ele tinha chorado comigo. – Eu não sabia disso, eu juro. Se eu soubesse, eu teria feito algo. Por favor, acredite em mim.

— Não dá. – minha voz saiu entrecortada.

— Eu te amo. – ele soluçou e se ajoelhou, pegando minhas duas mãos. – Por favor, não me deixe.

Diante daquela cena, se ainda houvesse alguma vida dentro de mim, esta também teria sido destruída. Tobias parecia desolado. Deus, meu coração nunca havia sentido tanta dor quanto eu sentia agora. Nem quando mamãe morreu eu havia sofrido tanto. Talvez porque pelo tanto de tempo eu já estivesse preparada para a partida dela. Desta vez, eu não estava esperando por nada do que tinha acontecido. Eu não estava pronta para deixá-lo. Eu nunca estaria pronta para deixar alguém como Tobias, mas eu precisava. Talvez por isso doesse tanto. Eu nunca seria capaz de perdoá-lo por isso. Eu não sabia se acreditava nele. Tantas vezes ele havia mentido pra mim...

— Sinto muito. – soltei minhas mãos das suas e subi no carro de Will. – O amor não é o suficiente.

Fechei a porta e respirei fundo. Will me olhava pelo retrovisor esperando pelo meu sinal. Assenti e ele concordou. Deu a partida no carro e eu me recusei a olhar para trás. Eu estava deixando ali todo o ódio que sentia por Evelyn, por Nita e pelo meu pai. Também estava deixando tudo que havia restado do meu coração com Tobias. Ninguém jamais me teria daquela forma. Eu tinha certeza de que ele havia sido meu grande amor. Daqueles que a mamãe me contava quando eu ainda era adolescente. Daqueles que você só encontra uma vez. Daqueles que, depois dele, você nunca mais seria a mesma.

Will segurava a mão de Chris enquanto dirigia. Ela fungava e os ombros balançavam, mas Chris ainda não havia dito uma palavra. Eu também não queria falar agora. Perguntava-me quanta dor aquela gente havia causado. Machucaram a mim, minha mãe, meu irmão, Will, Chris, Tobias...

Só de pensar no nome dele me fazia querer voltar. A saudade se agarrava em mim de modo que parecia estar grudada na minha pele. Mexi meus ombros, tentando me livrar dessa sensação. Eu não queria sentir falta de alguém que era cúmplice na morte do meu irmão. Eu não queria amar Tobias. Eu não queria...

— Tris? Está tudo bem? – a voz preocupada de Will me tirou do transe.

Eu precisava ir embora e ficar longe de todos eles. Por mais que eu os amasse, eles me lembravam de tudo que eu queria esquecer. Miami me lembrava Tobias. Tudo isso aqui me lembrava Tobias.

E eu queria apagar Tobias da minha vida.

— Me levem para o aeroporto. – eu disse, desejando que minha voz não tivesse saído tão dura.

— Tris. – Will falou calmo. – Eu sei que, devido a tudo que aconteceu, pode não parecer, mas... Tobias é inocente. Ele te ama. Se ele soubesse, isso não teria ficado impune. Acredite em mim, ele não fazia ideia.

— O quanto você sabia, Will? – perguntei. De repente, eu não confiava em ninguém. Nem mesmo neles. – O quanto vocês dois sabiam?!

— Eu sabia o tanto do Tobias. – ele me olhou pelo retrovisor. Parecia sincero. – Sabia sobre Nita, sobre Andrew... Só não sabia da última merda, prometo.

— Eu só sabia por partes. – minha amiga finalmente falou. – Eu queria te contar. Pressionei Tobias o máximo que pude para que ele fizesse isso logo. Por muitas vezes quis saber da história toda para poder falar pra você. Não era justo que escondessem parte da sua história.

— Entendo porquê Tobias o fez. – eu soltei. Eu realmente entendia essa parte e o tinha perdoado por isso. – Ele quis proteger Nita. Talvez eu tivesse feito o mesmo por Caleb. Eu entendo esse tipo de amor. Eu só não entendo... – parei. Minha voz queria falhar novamente. Eu não queria chorar.

— Tudo bem. – Chris me consolou. – Para onde você vai agora?

— Voltar para Chicago. – disse alto para convencer mais a mim do que a eles. – Talvez, se eu não tivesse saído de lá, minha vida agora estivesse se reconstruindo e não se quebrando novamente.

— Sozinha? – Will perguntou. Percebi que ele não tinha gostado da minha decisão.

De qualquer forma, não me importava.

— Sim, mas tenho amigos lá. – respondi. A quem eu queria enganar? Me importava com eles. Lhes devia uma explicação. Eles estavam me ajudando.

— Você tem amigos aqui também. – Christina tentou falar, mas o nó em sua garganta fez com que tudo saísse cortado.

— Não dá, Chris. Eu sinto muito.

— Eu sei. – ela concordou. Todos nós ali sabíamos. Era doloroso demais permanecer ali.

O restante do caminho foi feito em silêncio. Eu me segurava para não chorar. Queria ter certeza de que, quando fizesse isso, não pararia até que não sobrasse mais nada. Pensava em como tudo conseguiu mudar em questão de segundos. Como alguém poderia estar no céu e no instante seguinte viver o inferno? Eu não entendia. Eu não entendia como tudo pôde ficar tão ruim depois do dia que eu tive.

Flashback — ON

— Você tem o coração mais lindo que eu já conheci. – sorri para ele e passei a mão por seu rosto. Ele era tão lindo. – Por isso fez uma tatuagem cobrindo todas as costas?

— Também. – Tobias riu e me apertou contra si. Eu não queria sair daqui nunca mais. – Hoje está sendo a melhor noite da minha vida, Tris. Obrigado por não me afastar.

— Como poderia? – perguntei. Ele parecia não entender do quanto me tinha. Tobias tinha meu coração na palma da mão. Eu estava entregue; não tinha mais como fugir do que sentia. – Aqui é o único lugar que eu gostaria de estar. – bocejei e senti o sono chegando. Beijei seu nariz e me aninhei a ele. Tobias plantou um beijo na minha cabeça e fez cafuné em mim até que eu pegasse no sono. Eu nunca tinha dormido tão bem na minha vida.

Flashback – OFF

— Droga. – murmurei, limpando as lágrimas que caíam dos meus olhos. Will havia acabado de estacionar o carro no aeroporto. – Obrigada. Acho que consigo seguir daqui. – eu disse enquanto descia e fechava a porta.

— Você ficou louca? Eu nunca deixaria você fazer isso sozinha. – Chris disse, enquanto pegava um carrinho para pôr minha bagagem.

Observei ela mover minha mala e colocar meus presentes em cima do carrinho de bagagem. Notei o enorme diamante que brilhava em seu dedo. Will havia sido rápido. Eles eram feitos um pro outro. Talvez ninguém os entendesse, nem mesmo eu, mas eles haviam encontrado um jeito de superar tudo e ficar junto. Se eu pudesse sentir algo nesse momento, eu teria ficado feliz por eles.

— Eu realmente agradeço, Chris, mas preciso fazer isso sozinha. – eu disse, ignorando o nó na minha garganta.

Eu não pretendia voltar e não queria ser um fardo para Christina. Teria que lidar com minha dor sozinha e não estava a fim de atrapalhar seus planos de casamento. Eu conhecia minha amiga. No minuto em que Will tivesse colocado o anel em seu dedo, ela estaria surtando. Eu não queria lidar com isso, no entanto.

— Você tem certeza? – ela perguntou, as lágrimas surgindo nos olhos novamente. – Você pode ficar comigo. Até tudo se ajeitar, você pode ficar na minha casa.

Droga, eu não queria deixá-la.

— Eu te amo. Você foi a melhor amiga que eu poderia ter. Eu adoraria ficar, Chris, mas não posso. – eu solucei, mas prendi o choro. Precisava me controlar. – Você sabe que isso não se ajeita. E você também sabe que eu não posso ficar.

— Eu posso te visitar, então? – a esperança na sua voz me fez sorrir.

— Sempre que você quiser. – eu respondi.

— Amanhã, então? – eu ri e Christina me puxou para um abraço.

Seria mais uma pessoa que eu estava perdendo.

— Não quero deixar você ir. – Will falou quando minha amiga me soltou. – Mas acho que não posso te fazer ficar.

— Nenhum de vocês pode. Eu sinto muito. – fui sincera com ele.

— Ele não pode viver sem você, Tris. – Will me confessou. Desde que eu tinha chegado aqui, ele sempre tinha saído em defesa do seu irmão. Will era bom. Era isso que ele fazia.

— Ele tinha uma vida antes de mim. – soltei.

— E você também tinha uma antes dele também, mas duvido que possa seguir como se nada tivesse acontecido. – Christina falou. – Vocês se amam. Tem certeza de que não quer ficar e se acalmar antes de tomar qualquer decisão?

— Você pode agradecer a Peter por mim? Pelo emprego e tudo mais.

— Ele não vai ficar feliz, mas vai entender. Eu farei isso. Tudo por você, minha amiga.

— Obrigada. – eu disse e comecei a empurrar meu carrinho para comprar uma passagem.

Tinha vindo até aqui de carro e estava disposta a voltar de carro se fosse preciso. Uma viagem longa parecia uma ótima distração. Eu queria algo que me tirasse dos pensamentos daqui. Eu queria ser capaz de um dia esquecer tudo. Não queria acreditar que tudo que eu acreditava era uma mentira. Não queria acreditar que minha mãe tinha sido uma prostituta. Ou que Tobias sabia da morte do meu irmão e tinha escondido isso. Eu não queria que fosse real.

Mas era.

E eu teria que lidar com isso.

Will e Chris me acompanharam até que eu comprasse minha passagem e fizesse o check-in. O voo sairia daqui à uma hora e eu tinha dado sorte por conseguir comprar tão em cima. Peguei meu celular e fiz uma última ligação. Algo que eu deveria ter feito há muito tempo.

— Alô? – uma voz conhecida soou do outro lado. A voz que tinha me acalmado por muitos anos. A voz que, no passado, me fazia ir às nuvens. A voz que sempre esteve lá por mim.

— Estou voltando para casa. – foi tudo que eu disse.

— Tris. – ele reconheceu. Eu sabia que o faria. E também sabia que ele estava lá para o que eu precisasse. – Que horas você chega?

— Meu voo sai em uma hora.

— Ok, eu estarei lá. – ele disse e ficamos em silêncio. Al não tinha me pressionado. Eu o conhecia. Sabia que ele estava curioso e estava surpresa pelo fato de não ter me procurado antes. No entanto, ele sabia que alguma coisa estava errada, por isso não pressionou. Eu sabia que o faria, mas apenas quando eu estivesse diante dos seus olhos. Al nunca me deixava mentir. – Fico feliz que esteja voltando. – ele disse e desligou.

Desliguei meu telefone e o pus na minha bolsa. Não queria liga-lo, mas também não estava pronta para deixá-lo. Havia sido um presente. Eu queria levar algo dele. Por mais que doesse, eu queria estar pronta para algum dia me permitir lembrar o que tinha acontecido. Fiquei pensando no quanto minha vida mudaria a partir de agora. Quando vim para cá, não esperava viver metade do que eu vivi. Não esperava me apaixonar. Não esperava viver um amor tão intenso. Não esperava amar tanta gente.

Percebi que estava deixando minha família aqui também.

— As crianças... – sussurrei, engolindo um soluço. – Oh Deus, eu vou sentir tanta falta. Hector... Lou...

— Eu invento uma história se você me prometer que um dia vai vir visitar a gente. – Christina esfregou o nariz vermelho enquanto olhava para mim esperando por uma resposta.

Eu não sabia se voltaria algum dia, mas não estava dizendo isso a ela.

— Eu prometo. – me corroí com a mentira.

— Vamos sentir sua falta. – ela confessou e me abraçou mais uma vez.

Meu voo foi anunciado no microfone do aeroporto. Eles fizeram a primeira chamada e eu me levantei. Já tinha despachado toda minha bagagem. Estava pronta.

Era hora de ir embora.

— Tem certeza de que vai ter alguém lá por você? – Will perguntou com as mãos enfiadas nos jeans.

— Tenho. Já liguei para Al. Ele vai me buscar no aeroporto. – respondi e o celular de Will começou a tocar. Ele havia ignorado desde que estávamos no carro.

Will puxou o celular do bolso e mostrou na minha direção. O nome de Tobias e uma foto sua fazendo careta iluminavam a tela. Eu senti meu estômago embrulhar. Não queria pensar nele agora. Precisava processar tudo que tinha acontecido. Ainda me sentia anestesiada. Não queria acreditar que eles pudessem ter matado meu irmão. Meu irmão!

— Ele vai me matar. – Will disse, apertando no botão para ignorar a chamada.

— Você pode dizer que eu não queria deixá-lo? – eu pedi.

— Você mesma pode fazer isso. Ainda há tempo.

— Não pra mim. Eu espero que vocês entendam.

— Você promete dar notícias? Eu vou pra lá assim que você estiver pronta. – minha amiga fungou e se aproximou. Nunca havia visto Christina chorar tanto. Nem mesmo por Will.

— Eu prometo. Você vai ficar bem?

— Eu não quero que você vá embora. – ela choramingou e me abraçou.

Eu nunca fui fã de despedidas.

A segunda chamada do meu voo soou no alto falante do aeroporto e eu me afastei.

— Eu tenho que ir. – encolhi os ombros como um pedido de desculpas. – Se despeça de todos por mim. – falei, lembrando-me de Uriah, Zeke, Marlene, Gabe e de todas as pessoas que eu havia conquistado ali.

— Isso não é um adeus, Tris. – Will falou, engolindo seco. Eu podia ver que ele se esforçava para não chorar.

Eu não o respondi, não queria lhe dar falsas esperanças, então apenas lhe dei um aceno de cabeça e segui em direção ao portão de embarque. Não olhei para trás. Eu não tinha certeza se um dia conseguiria colocar os pés naquela cidade de novo. Miami era tão grande, mas parecia tão minúscula diante do que eu tinha vivido. Ainda não havia caído a ficha de que eu tinha passado os últimos meses vivendo na casa de um astro do rock. Não parecia real o fato de alguém como Tobias ter se apaixonado por mim. Erámos tão diferente em tudo. Nada parecia se encaixar. O romance de conto de fadas que eu vivi não parecia real.

Mas havia sido. E isso tinha me mudado. No entanto, eu jamais poderia me permitir amar alguém que tivesse matado meu irmão. Alguém que escolheu esconder de mim tudo que sabia sobre minha vida. Alguém que tivesse estado comigo por todo esse tempo, visto todo o sofrimento que eu tinha enfrentando e mesmo assim, escolher mentir para mim. Escolher proteger os assassinos do meu irmão.

Isso jamais poderia acontecer. E eu me odiava por ainda amá-lo. Caleb jamais merecia isso.

Sentei-me na minha poltrona e fechei os olhos. Estava na hora de partir. Quando o avião decolou, me permitir olhar pela janela a cidade que havia mudado minha vida. Era tudo tão pequeno e distante. À medida que subíamos, tudo desaparecia. O céu estava lindo. Claro, com poucas nuvens e um sol brilhante. Não se parecia nada com a destruição que havia acontecido comigo.

Um soluço escapou e fechei o visor da janela, afundando na cadeira e segurando o choro. Ainda não era a hora.

Quando pousamos em Chicago, o vento frio logo contrastou com a temperatura que eu havia me acostumado em Miami. Agarrei meus braços, me arrependendo de não ter trazido um casaco comigo. Descemos do avião e eu fui pegar minha bagagem. Todos os presentes tinham vindo também. Embora eu tivesse pagado uma taxa a mais pela carga, não queria deixá-los lá. Eles eram uma prova de que, apesar de tudo, eu tinha sido amada.

Quando me movi da ala de desembarque e fui em direção à saída do aeroporto, um par de olhos castanhos fitou os meus. Corri em direção a ele e ele me abraçou me levantando do chão e me apertando contra si. O choro que veio foi incontrolável. Eu sentia tanto a falta dele.

— Parece que você trouxe Miami inteiro com você. – Al me colocou no chão e brincou, mas sua expressão mudou totalmente quando ele viu que eu não conseguia parar de chorar. – Ei, eu tô aqui. Você está segura agora. – ele me abraçou novamente, desta vez acariciando meu cabelo e minhas costas. – Por mais que quisesse vê-la, achei que demoraria um pouco mais pra você voltar.

— Meu lugar é aqui. – eu respondi, fungando e me afastando para olhá-lo.

— Eu tentei fazer você acreditar nisso uns meses atrás. – ele sorriu. Al gostava de ter razão. Era algo que nunca tinha mudado nele. – Seu pai continua sendo um imbecil?

— Ele está pior. – eu confessei, ainda chorando.

— Sinto muito, Tris. – ele pegou o meu carrinho e começou a empurrar na direção do estacionamento. Eu apenas o segui. – A nova família é tão ruim quanto ele? – Al estava curioso. Ele queria saber o verdadeiro motivo de eu ter voltado tão rápido. Eu não estava pronta para conta-lo, no entanto.

— Nem todos. – respondi vagamente. Não queria insistir no assunto; eu só queria ir para casa e chorar. Daí eu lembrei que não tinha mais casa. Merda. – Droga.

— O que houve? – Albert perguntou, enquanto destravava seu Honda Civic e colocava minhas coisas no porta-malas.

— Eu... Eu acho que preciso arranjar algum hotel para ficar. Eu não pensei muito antes de vir. Minha cabeça está fervendo. Não consigo raciocinar direito.

— Desse jeito você me ofende, Beatrice. – Al sorriu e fechou o porta-malas. Ele envolveu seus braços ao redor do meu corpo e beijou o meio da minha testa. – Você pode morar comigo pelo tempo que você quiser. Eu sempre fui seu, Tris. Você sabe como as coisas funcionam.

Eu sabia o que ele queria dizer. Al sempre dizia ser apaixonado por mim. Por algum tempo, eu também tinha sido dele. As coisas mudaram ao longo do tempo e erámos imaturos quando acabou. O carinho e a proteção permaneceram. Nossa relação como melhores amigos não mudou. Embora Al se arrependesse do que tinha feito no passado, eu sabia que jamais poderia ser dele novamente. Meu coração pertencia a outra pessoa. Eu sabia que jamais poderia vê-lo novamente. Não se eu quisesse sobreviver.

Um dor irrompeu meu coração e eu me afastei um pouco de Al.

Lembrar de Tobias era demais.

— Ok. – eu respondi, entrando no seu carro sem dizer mais nada. Não daria falsas esperanças a Albert, mas ele ainda era meu melhor amigo. Ele estava me oferecendo ajuda e eu não tinha mais ninguém. Era seguro ficar com ele.

— Senti sua falta, Prior. – Al disse quando entrou no carro e girou as chaves.

— Eu também senti sua falta. – eu falei e me permiti relaxar um pouco no banco daquele carro.

Seguimos em silêncio. Eu conseguia enxergar as engrenagens de Al girando por sua cabeça, mas ele me conhecia melhor que ninguém. Não adiantava me pressionar. Eu só o contaria quando estivesse pronta e ele sabia disso. Sorrindo para mim, ele estendeu a mão e ligou o rádio. Colocou em uma estação e a música que acabara de começar fez todos os meus pelos se arrepiarem. Havia sido uma má ideia.

A música que dançamos juntos na festa dos sócios começou a tocar no rádio e as lembranças me envolveram.

(Aperte o play antes de ler)

Flashback — ON

Tobias pegou minhas mãos e colocou em volta do seu pescoço, enquanto abraçava minha cintura com as suas duas mãos. Eu repousei minha cabeça em seu peito e podia escutar os seus batimentos cardíacos.

— Por que todo mundo está olhando para você?

— Não é para mim. – ele beijou minha testa. – Estão olhando para você. Você está fantástica, Tris.

— Eu me sinto fantástica.

Era tão bom ser conduzida por ele e essa proximidade de nossos corpos. Eu me sentia tão feliz e nós apenas estávamos dançando! O ritmo era perfeitamente lento, fazendo com que nós não precisássemos fazer muita coisa para dançar. Na verdade, nós apenas estávamos deixando nos ser levados pela melodia. Aquele momento era incrível e a única coisa que nós precisávamos naquela hora era de um ao outro, e isso nós tínhamos.

Flashback – OFF

— Espero que esteja pronta para me contar o que realmente aconteceu lá. – a voz de Al me tirou do transe. Tínhamos chegado ao seu apartamento.

Novamente, eu estava num choro que não conseguia controlar. Al apenas me abraçou e ficou ali. Não sei quanto tempo se passou. O rádio tinha sido desligado, mas a música ainda estava na minha mente. Assim como todas as lembranças que eu sabia que seriam impossíveis de esquecer.

Notas finais
E aí?!! Curtiram? Odiaram? Amaram? Comentem, comentem, comentem! ♥ Espero que vocês me perdoem por separá-los mais uma vez, mas realmente não havia saída. Se todo mundo seguir direitinho o raciocínio, ninguém conseguiria ficar na situação da Tris e por isso ela foi embora. A fic está entrando numa nova fase. Espero que ainda estejam aqui! Novos personagens serão abordados. Veremos agora o rumo que suas vidas tomarão após essa separação. O próximo será narrado pelo Tobias. Os comentaram caíram muito. Gostaria de saber se há algo errado. Enfim, quero muito consertar isso! No mais, apenas me respondam uma última coisa: vocês querem um capítulo da Nita? Não esqueçam: amo muito vocês ♥ Os vejo nos comentários!