Notas iniciais
Oi oi gente, tudo bem com vocês? ♥ Bom, eu não sabia que tinha tanto tempo que eu não atualizava até olhar a data do último capítulo aqui. Eu não sei nem por onde começar a me desculpar com vocês. Minha rotina está uma bagunça. Como eu tinha falado antes, eu estava com cirurgia marcada, mas ela foi adiada para o fim de fevereiro e tive que ficar um mês de repouso. Estou matriculada em um cursinho exigente aqui da minha cidade e está realmente puxado. Para quem não sabe, tento entrar para Medicina há três anos. Enfim, eu sinto muito mesmo. Estou tentando organizar meu horário para postar mais regularmente. Sinto muita falta de falar sobre os personagens e interagir com vocês. Muito muito mesmo. Ademais, eu espero que vocês gostem. É o capítulo do aniversário da Tris. Eu, particularmente, amei escrevê-lo! Mamãe ama vocês! Até as notas finais ♥ FIQUE POR DENTRO DAS MINHAS HISTÓRIAS --> http://poxamalec-fanfics.blogspot.com ADD NO FACEBOOK --> https://www.facebook.com/profile.php?id=100009085858323

TOBIAS EATON

Eu não tinha conseguido dormir. Eram seis da manhã e eu já estava de pé, andando de um lado para o outro no meio do quarto. Tris não tinha dormido aqui. Na verdade, eu estava me mantendo afastado dela há alguns dias. Tudo estava acontecendo rápido demais e eu a amava. Era a certeza da minha vida: eu amava Beatrice Prior e estava completamente entregue a ela. Eu tinha pouco tempo. Precisava contá-la sobre Nita e Andrew o quanto antes, assim eu explicaria com calma e ela me entenderia. Eu era moleque naquela época. Ela iria me perdoar; conhecia seu coração, sabia que se eu contasse a verdade, ela me perdoaria. No entanto, não estava inquieto só por causa disso.

Hoje é o aniversário dela. Minha última semana tinha se resumido a visitas aos melhores arquitetos e floriculturas. Tris havia comentado sobre ela e sua mãe terem tido uma e isso tinha me dado uma ideia para seu presente perfeito. Eu não a trouxe para casa desde a noite da festa dos sócios. Nós estávamos saindo. Eu a levava para todo lugar sempre que abria uma brecha no horário dela. Fiz questão de mostrar para Miami que Tris era minha. Claro, fui cauteloso em manter a identidade dela ainda em anonimato, já que o fato de eu estar em um relacionamento acabaria com a privacidade dela se caísse na mídia e eu não queria isso. Pelo menos não agora. Eventualmente, eu não pretendo ficar fugindo dos paparazzi eternamente, ainda mais quando Tris me aconselha a voltar pros palcos. Porém, apesar de amá-la incondicionalmente e mal ver a hora de mostra-la ao mundo, nossa relação estava em jogo e não poderia dar um passo tão importante sem antes Tris saber da verdade.

Ela irá saber hoje. Eu mesmo irei conta-la. Tenho o dia todo planejado. Antes de organizar tudo, tinha pedido o dia de folga para Tris hoje, mas ela ainda não sabia disso. Christina estaria levando-a até o trabalho para o seu expediente, mas tínhamos feito uma pequena festa na cozinha com todos os amigos que ela tinha conquistado naquele lugar. Apesar de não suportar olhar para o rosto de Peter, concordei quando Christina sugeriu que o convidássemos. Ao longo da semana, ele tinha ido se desculpar com Tris milhares de vezes e pelo que eu tinha visto, eles tinham se acertado. Só que eu não confiava um caralho nele e estava protegendo minha garota. Se ele tentasse mais uma gracinha ou pensasse em magoar Beatrice, ele era um homem morto.

Fui até o banheiro e tomei um longo banho. Tinha que estar no clube antes de Tris chegar, mas eu tinha tempo. Enquanto a água molhava meu corpo, pensei em como eu contaria a verdade para ela. Era um assunto delicado, que envolvia todo seu passado e arrancaria o tapete debaixo dos seus pés. Tris havia vivido uma mentira. Natalie não era nada da mãe adorável que ela contava para mim e isso queimava meu coração de dor. Saber que ela tinha sido enganada pela própria mãe era meu fim. Eu a tinha machucado. Nita a machucava. Andrew era um filho da puta e a própria mãe era uma mentirosa. Eu estava pisando em cacos de vidro, mas não podia mais esconder isso dela. Se eu a queria na minha vida até morrer, eu teria de ser sincero. Tris não perdoava mentiras. Ela odiava.

Eu estava ferrado. Deus me ajude, só de pensar que ela poderia me deixar depois que descobrisse tudo quebrava meu coração e me deixava sem ar. Eu não podia mais viver sem ela. Tris era o meu maior motivo para continuar respirando. Nem mesmo Will, ou até mesmo Nita significavam tanto para mim. Por mais que pisasse na bola com eles, sabia que eles me perdoariam. Nós três éramos uma família, e apesar de tudo, nós nos amávamos. Eles não me deixariam. Porém, Tris era uma incógnita. Uma maldita linda incógnita que possuía meu coração e era capaz de me deixar em pedaços. Ela tinha que me perdoar ou eu não sei mais o que faria comigo.

Eu precisava me acalmar. Sabia que estava exagerando. Tris estava apaixonada por mim. Nós dois estávamos vivendo um amor invejável, daqueles de cinema. Nós tínhamos tocado juntos e eu até compus uma música sobre ela. Eu estava pronto para voltar aos palcos e cantar meu amor por ela. Eu queria que o mundo a conhecesse. Queria que soubessem da mulher incrível que tinha me escolhido para amá-la. Eu era um filha da puta sortudo.

Ela me perdoaria.

Meu Deus, eu tinha que me agarrar a essa esperança e ter fé. Era a única coisa que estava me mantendo são.

Saí do banho e pus uma bermuda preta e uma camisa azul escuro que eu sabia que Tris adorava. Ela nunca cansava de falar sobre a cor dos meus olhos e o quanto eles eram bonitos. Eu não concordava com ela, mas se ela queria me achar bonito, foda-se, eu faria tudo por ela. Se ela quisesse que eu me pintasse todo de azul, eu estava fazendo isso. Não tinha discussão. Tris me tinha de todas as maneiras possíveis.

Depois de pronto, desci as escadas e peguei as chaves do carro. O vazio que era essa casa nunca tinha me incomodado até que eu a conheci. De repente, sem ela, isso não parecia mais um lar. Era frio e silencioso, sem o calor e a alegria que minha garota trazia para cá. Eu estava mudando isso hoje mesmo. Era a hora de chama-la de volta para nossa casa. Se ela não aceitasse, eu estava pronto para me mudar. Pouco me importava se iríamos para Nova Iorque ou para uma casa no interior do Kansas. Eu estava cagando para isso. Tris era a minha casa.

Lar para minha tinha outro significado agora. Lar para mim era uma pessoa.

Tris.

Dei partida no carro, pegando o celular e checando as mensagens. Tris não tinha me enviado nenhuma depois de eu deixá-la na casa de Christina após nosso jantar no clube. No início, ela tinha ficado desconfortável por estar sendo servida pelos seus próprios amigos, mas então nos mudamos para a cozinha e tudo ocorreu às mil maravilhas. Tinha conhecido um pouco mais a respeito de Gabe e conversado com Marlene. Tris era amada por todos e isso só fazia meu peito explodir de orgulho.

Christina havia deixado quatro mensagens. A primeira era:

Ela já foi dormir. Está quieta com algo, mas não quer me falar. Estou preocupada.

Essa mensagem me deixou totalmente alerta. Havia acontecido algo? Logo em seguida, rolei para baixo para ler a próxima.

Acho que tem a ver com você. Consegui arrancar poucas coisas, mas ela está te achando estranho e distante. Mesmo quando vocês estão juntos, ela diz que você está longe. Espero que isso tenha a ver com a surpresa, porque se eu estiver errada, estou pronta para chutar seu rabo.

Eu ri e sabia que ela estava falando sério. Christina amava minha Tris com todas as forças e eu adorava isso. Sabia que se eu não estivesse por perto, minha garota seria protegida da mesma maneira se estivesse com ela. Christina era feroz e sincera quando se tratava de Tris e isso me deixava seguro. Talvez eu estivesse pagando minha língua por tê-la julgado tão mal.

É, eu realmente estava pagando minha língua, porque aqui estava eu, com a pessoa que eu mais julgava se tornando uma amiga e confidente minha, planejando o dia da minha Tris e tendo ela como um apoio e suporte que eu não teria se não a tivesse conhecido melhor.

As duas outras mensagens tinham sido avisando que Tris já havia ido dormir e perguntando se tudo já estava planejado. Christina me mandou um emoji desconfiado e me ameaçava dizendo que se tudo não saísse perfeito, eu estava condenado. Eu sabia que ela era a única pessoa do mundo que ainda usava emoji e isso me fez rir.

Todas as mensagens tinham sido enviadas ontem à noite, mas eu não tinha pego o celular até agora. Comecei a respondê-las.

Tobias: Está tudo certo. Já estou a caminho do clube. Espero vocês lá e acho bom ela não estar sabendo de nada.

A resposta veio em questão de segundos.

Christina: Estamos terminando de nos arrumar e ela não desconfia de nada, porque minha parte beira à perfeição. Espero que a sua também esteja, ou eu não me chamarei mais Christina Mason Collins se eu não rasgar toda sua cara :)

Rindo, joguei o celular no banco do carona e acelerei em direção ao clube. Eu chegaria lá vinte minutos antes dela e precisava certificar de que todos tinham entendido seu papel. Gabe tinha me garantido que o bolo estaria pronto quando eu chegasse e Marlene tinham ficado encarregada da decoração do salão. Peter tinha transferido o acesso ao restaurante para outro salão durante a manhã para que pudéssemos usar o espaço, além de designar outros funcionários para o serviço hoje. Ele tinha um ponto, mas eu ainda não estava totalmente com ele.

Uriah, Zeke e Will já estavam na entrada dos fundos quando eu estacionei meu carro.

— Obrigado por virem pessoal. É importante. – eu agradeci quando me aproximei deles.

— Não estamos por você. – Uriah disparou, com cara de poucos amigos. Ele odiava acordar cedo. – Só viemos porque também amamos a garota e eu estava ansioso para ver aquele traseiro sexy rebolando enquanto ela anda.

— Olhe a maneira como fala, Uriah. Parece que Tobias está mesmo amarrado à garota. – Zeke riu enquanto acendia um cigarro.

Eu não sabia que ele tinha começado a fumar. Quando éramos mais próximos, ele odiava essas merdas. Tinha sido um ponto que nos afastou quando eu iniciei a carreira na The Lost. Todos nós estávamos envolvidos com coisas parecidas.

— Eu não sabia que você tinha começado a contribuir com sua futura morte em plena sete da manhã. – eu arrisquei olhando para ele.

— Uma garota me fodeu. Tô tentando seguir. Quem sabe se a morte chegar mais cedo eu me livre dessa merda toda. – ele deu de ombros, soprando a fumaça na nossa frente.

Eu tinha notado que ele estava distante há algum tempo, mas Zeke e eu tínhamos quebrado a ponte da nossa irmandade por causa da banda e nunca mais fomos os mesmos. Eu não tinha mais intimidade de pergunta-lo quem era e aconselhá-lo, então apenas fiquei na minha. Por mais que eu odiasse vê-lo cada dia mais deprimido, eu permaneci quieto.

— Ela é tão ruim assim? – seu irmão perguntou, enquanto bocejava.

— Você nem imagina. – Zeke respondeu, dando mais uma tragada.

— Foco pessoal. – Will, que até então estava calado, falou. – Estamos aqui por Tris. Vocês dois vão até o salão e esperem lá. Tobias e eu vamos revisar tudo e seguimos vocês.

Meu irmão estava certo. Estávamos aqui por Tris, não por Zeke. Se ele estava querendo morrer, nós não poderíamos fazer nada. Embora eu quisesse tirá-lo desse caminho, ele parecia não me dar espaço e eu não iria insistir. Eu odiava todas essas merdas. Cigarro, droga... Tudo, graças ao meu fodido pai. Eu não queria qualquer um dos meus amigos lá. Eu não queria que eles se tornassem um Marcus Eaton da vida, mas eu não podia ajuda-lo agora. Torcia para que Deus me desse alguma oportunidade de conversar com Zeke em outra hora.

Segui Will até a cozinha e Gabe estava movendo o bolo para o salão.

— É de chocolate, não é? – eu perguntei, ajudando-o a mover o carrinho com os três andares de massa decorada com pasta branca e flores azuis. Tris tinha alguma coisa com a cor azul que chegava a ser engraçado.

— Do jeito que ela adora. – Gabe respondeu. – Os pratos já estão todos quase prontos. As bebidas estão no freezer desde as quatro da manhã. Marlene já trabalhou todos os balões e as mesas. Está tudo impecável.

— E o som? – eu perguntei, quando paramos no centro do salão. Ele não tinha mentido quando disse que tinha ficado “impecável”. Estava perfeito. A mistura de azul e dourado no lugar estava incrível. Eu tinha que me lembrar de agradecer a Marlene quando tudo isso terminasse.

Tris iria amar.

— O chefe fez questão de checar. Tudo ok.

— Certo. Acho que vou passar a voz. – eu afirmei, mas meu celular vibrou no meu bolso e eu puxei para encontrar uma mensagem de Christina.

Estamos aqui. Estejam preparados.

Foda-se, eu iria sem testar o som mesmo.

— Ela chegou. Se arrumem. – eu anunciei e todo mundo correu para ajeitar os últimos detalhes e ficar à espera dela.

Eu me posicionei atrás da caixa de som, onde Tris não podia me ver até que eu subisse no palco. Esta seria minha surpresa. Eu cantaria minha música para ela. Na verdade, a música que fiz para ela e sobre ela. Ninguém nunca teria mais disso. Ninguém nunca me teria da forma que ela me tinha agora.

Todos nós ficamos em silêncio quando ouvimos a voz de Christina instrui-la a pegar a bandeja com camarões e servir a mesa sete. Não havia porra nenhuma para ela servir, pelo contrário, ela seria servida hoje, mas Tris ainda não sabia disso. Assim que a vi pondo os pés no salão, estouraram os confetes e toda sala gritou “Feliz Aniversário” em um único coro.

(Aperte o play antes de ler)

A boca de Tris caiu em descrença. Ela não tinha me visto ainda, mas eu acompanhava cada movimento dela. Eu vi quando seus olhos se encheram de lágrimas e ela abraçou a primeira pessoa que estava próxima dela: Christina. Essa era minha deixa. Eu estava pronto, então subi no palco e dei play no computador. A base que eu tinha feito da música começou a soar nas caixas e eu pus meu violão em volta do meu corpo, me aproximando para falar ao microfone no momento que os olhos de Tris pousaram em mim.

Eles brilharam de emoção. E foi aí que eu olhei apenas para ela, enquanto todo o resto desaparecia. Era apenas eu, ela e a nossa música.

Me encontre aqui / E fale pra mim

Eu quero te sentir / Eu preciso te ouvir

Você é a luz / Que está me guiando para o lugar

Onde encontrarei paz... Novamente

Você é a força / Que me mantém caminhando

Você é a esperança / Que me mantém confiante

Você é a vida / Para a minha alma

Você é meu propósito / Você é tudo

E como posso ficar aqui com você

E não ser comovido por você?

Você poderia me dizer como pode ficar melhor do que isso?

Você acalma as tempestades / E você me dá repouso

Você me segura em suas mãos / Você não vai me deixar cair

Você roubou meu coração / E me deixou sem fôlego

Você vai me receber? / Vai me atrair mais agora?

E como posso ficar aqui com você

E não ser comovido por você?

Você poderia me dizer como pode ficar melhor do que isso?

Pois você é tudo que quero / Você é tudo que preciso / Você é tudo, tudo

Você é tudo que quero / Você é tudo que preciso / Você é tudo, tudo

Você é tudo que quero / Você é tudo que preciso /Você é tudo, tudo

Você é tudo que quero / Você é tudo que preciso / Tudo, tudo

E como posso ficar aqui com você

E não ser comovido por você?

Você poderia me dizer como pode ficar melhor do que isso?

Então só podia-se ouvir o dedilhar do meu violão. O salão inteiro havia ficado em silêncio, mas eu não me importava. Eu só conseguia enxergar minha Tris. Seu rosto estava coberto por lágrimas, mas ela não tinha se preocupado em limpa-las. Ela estava vestida com o uniforme do clube, pois fazia parte do meu plano, mas eu acho que nunca havia a visto tão bonita. Eu podia ver todas as emoções através dos olhos dela. Ela sorria para mim com um sorriso novo, diferente, emocionado. Era fodidamente lindo. Se ela fosse sorrir assim toda vez que eu cantasse para ela, eu estava fazendo isso até o fim dos meus dias.

Ela sabia. Se antes ela tinha dúvida de que eu a amava, ela agora sabia. Eu estava nu diante daquele palco enquanto seus olhos brilhavam para mim. Eu não precisava dizer. Ela sabia.

— Feliz Aniversário, doce Tris. Você é tudo. – eu disse no microfone, para que não apenas ela, mas que todas as pessoas ali soubessem o quanto ela era importante para mim.

O salão inteiro explodiu em aplausos e assobios, mas eu só queria ir ao encontro da minha menina. Quando me virei e pus o violão no suporte, fui surpreendido quando Tris se jogou nos meus braços. Eu a abracei e inalei seu cheiro doce, sentindo meu coração e o dela descompassados.

— Eu não sei o que fazer. – ela disse, fungando na minha camisa e se afastando para olhar no meu rosto. Ela era tão malditamente bonita. – Foi lindo. Meu Deus, eu não sei nem o que dizer. Obrigada, obrigada, obrigada! Você quem organizou tudo isso? – ela perguntou, ainda em êxtase de tanta felicidade.

— Sim. Por isso estive distante. – eu expliquei, tocando seu rosto. – Nunca quis ficar longe de você, mas queria que fosse surpresa. Queria que fosse especial.

— É a melhor festa de aniversário que eu já tive. Eu não estava esperando por nada. Eu... – ela ficou na ponta dos pés e enlaçou as mãos envolta do meu pescoço, me beijando bem ali, na frente de todo mundo. Um beijo lento, repleto de gratidão e paixão que só ela sabia dar. – Obrigada. Você é incrível.

— Você que é. – eu respondi, quando ela me abraçou novamente. – O bolo é de chocolate.

— Você pensou em tudo. – ela disse feliz. – Eu ainda não sei se estou sonhando. Por favor, eu não quero acordar nunca mais se isso for um sonho.

— Não é. – eu assegurei e a puxei para mais um beijo.

Eu nunca me cansaria dela. Sempre era diferente toda vez que eu a tinha para mim. Toda vez que eu a beijava, era como se fosse o primeiro beijo.

— Acho que todo mundo entendeu o recado de que ela é sua, mas será que custa você dividir a aniversariante conosco? – Uriah disparou meu zangado, enquanto todo o resto ria.

Por mais que eu quisesse Tris comigo o tempo todo, ele estava certo. Eu a soltei e ela se afastou, abraçando um por um e recebendo presentes de todo mundo. Eu a observava de longe enquanto ela ria e tirava algumas fotos no celular de Christina com todos os convidados. Pus uma playlist que eu tinha preparado para tocar e deixei que a música rolasse, enquanto os pratos iam sendo servidos mesa por mesa.

— Você já contou a verdade pra ela? – Will se aproximou de mim, enquanto observávamos nossas garotas se divertirem com a música.

— Não, mas farei isso hoje à noite. – respondi, ainda não tirando o olhar de Tris.

— Você acha que ela vai fugir? – ele perguntou, pondo as mãos no bolso do jeans, sinal de que estava nervoso com algo.

— Eu espero que não. – falei, tentando ignorar a falta de ar que me trazia só de pensar na possibilidade.

— Tem tido notícias de Nita?

— Não. – eu disse, me lembrando de que eu não falava com minha irmã há semanas. Eu ainda estava chateado pra caralho com o que ela tinha feito, mas sentia falta de Nita. Ela ainda era minha irmãzinha que precisava de amparo. Eu não estava pronto para não tê-la mais na minha vida e estava começando a ficar preocupado com o seu sumiço. Nita e eu nunca passamos mais de três dias brigados. – Porra, ela não quer dar o braço a torcer. O que ela fez foi sério e ela sabe, mas é orgulhosa o bastante para não pedir desculpa. Eu odeio que ela precise agir assim. Não posso escolher entre Tris e ela. Tris vem primeiro.

— Nunca vi você colocar ninguém acima de Nita. – Will falou com admiração na voz. – A loira pegou você de verdade.

— Ela me tem de todas as formas e sabe disso. – eu dei de ombros e sorri quando os olhos de Tris pousaram em mim. – Eu a amo.

— Eu espero que vocês resolvam logo a merda de Nita e Andrew. Tô feliz que você vai sossegar esse rabo. – ele riu e parou de falar quando Christina e Tris vieram até nós.

— Estou pronta para soprar as velas. – ela bateu as mãozinhas animadas e parecia tão feliz que senti um nó na garganta. Como algo tão simples como uma festa com dez convidados a fazia tão feliz?

Todos fomos em direção ao bolo e Gabe acendeu as velas. Entoamos o parabéns e o sorriso de Tris – que eu não sabia que era possível – brilhou ainda mais. Christina e Marlene faziam questão de registrar tudo nos seus celulares, embora eu tivesse contratado um fotógrafo profissional para cobrir toda festa. Eu não reclamei. Quando chegou a hora de assoprar a vela, sussurrei em seu ouvido:

— Faça um pedido, querida. – e beijei o lóbulo da sua orelha.

— Eu não preciso. – ela sorriu para mim. – Já tenho tudo que poderia pedir bem aqui.

Ela fechou os olhos e assoprou as velas, enquanto todos nós aplaudimos. Tris era amada. Não apenas por mim, mas por cada pessoa que estava aqui. Ela tinha nos cativado logo quando chegou, mas sua doçura e bondade havia conquistado todo mundo.

Eu tinha certeza de que meu sorriso era tão grande quanto o que Tris tinha agora no rosto.

— Saiam todo mundo, eu quero tirar uma foto só deles. – Marlene gritou e eu ri, porque a figura pequena dela sendo mandona era hilária.

Quando eu abracei por trás e beijei sua bochecha, senti o flash de Marlene piscar e registrar o momento. Depois que terminasse, eu estava indo atrás de todas essas fotos. Eu queria emoldurá-las e por na minha casa. Queria Tris espalhada por todo lugar que eu estivesse.

A festa seguiu e Tris estava radiante. Quando meu celular vibrou e mais uma mensagem chegou, eu sabia que seria a hora de nos despedirmos. Embora eu estivesse amando vê-la dançar e sorrir por todo salão, nós tínhamos que ir para outro lugar agora. Fiz um sinal para Christina e ela respondeu com um aceno. Ela e Will deixaram o salão sem que Tris percebesse e eu fui até ela.

— Nós precisamos sair. – eu disse, enquanto ela e Marlene se divertiam comendo o bolo.

— Mas já?! Nós nem a aproveitamos direito! – Marlene disparou com tristeza na voz. Os meninos não estavam por perto. Todos eles estavam no bar, alheio a tudo isso.

— Eu sinto muito, mas eu ainda tenho uma surpresa para Tris e está na hora. – eu respondi, estendendo a mão para Beatrice.

— Outra surpresa? – disse minha garota com espanto e curiosidade na voz. – Eu não consigo mais imaginar o que possa ser além disso. Você já me deu tudo, Tobias.

— Não tudo, querida. – eu sorri. – Você ainda não viu nada.

Nos despedimos de todos sem recolher os presentes que Tris havia ganhado, pois eu estava com pressa. O dia estava passando rápido e eu a queria na minha casa antes do pôr do sol. Nós tínhamos mais uma parada a fazer e eu não queria mais desperdiçar tempo. Estava ansioso para mostrar o que tinha feito no quintal de casa. Eu ainda não sabia se ela iria gostar, mas precisava dar para ela. Ela merecia tudo. Ela era tudo.

Quando entrei no carro e dei a partida, pedi para que Tris cobrisse os olhos. Entreguei-lhe a venda e ela obedeceu com um sorriso animado no rosto. Não falamos muito, mas o tempo inteiro ela segurava minha mão e algumas vezes a beijava, voltando a sorrir para frente como se eu fosse a coisa mais preciosa do mundo para ela.

Eu estava tão fodidamente entregue a ela. Se ela soubesse que o precioso para mim era ela...

— Chegamos, mas você ainda não pode tirar a venda. Eu vou ajuda-la a descer. Só um minuto. – eu disse e ela concordou, sem perder o sorriso dos lábios. Dei a volta no carro e abri a porta do passageiro, estendo a mão e pegando Tris.

Ela ainda estava vendada quando a guiei até a porta do orfanato. O cheiro dos biscoitos e pizza que vinham lá de dentro era gostoso. Eu podia sentir Tris ansiosa para ver onde estava, embora ela já pudesse ter uma noção das risadinhas das crianças. Quando chegamos à cozinha e eu retirei a venda dos seus olhos, as crianças gritaram “surpresa” e correram todas juntas para abraçar Tris.

Ao vê-la ser embalada por todas aquelas miniaturas e olhar para Jeanine, Will e Christina aplaudindo, me senti em casa. Desci meu olhar para Tris e as crianças a abraçavam, parabenizando e beijando todo seu rosto. Hector soltou-se de Tris e correu rapidamente para o quarto. Segui atrás dele e me encostei no batente da porta, vendo-o se abaixar e retirar uma caixa debaixo de sua cama. Hector abraçou aquilo como se fosse sua vida e ao virar-se para mim, tomou um susto.

— Eu não vi você. – ele riu e me abraçou. – Você acha que ela vai gostar se eu der um presente para ela? Não tenho dinheiro pra comprar nada, então eu mesmo fiz. Não é grande coisa. – ele abriu a caixa de sapato e me mostrou um desenho, junto com um papel dobrado que parecia uma carta.

— Eu acho que ela vai amá-lo ainda mais por isso. Será ainda mais especial que qualquer presente que ela já ganhou.

— Então eu vou correr pra ela. – ele disparou, mas eu permaneci imóvel, porque a imagem do desenho não saia da minha cabeça.

Com letras borradas e desalinhadas, havia escrito MINHA FAMÍLIA no centro da folha. Em seguida, haviam três bonecos desenhados. Hector, Tris e eu. O nó que veio na minha garganta me impedia de falar qualquer coisa e doeu quando eu engoli em seco, enquanto eu voltava para cozinha e tentava afastar as lágrimas dos meus olhos. Eu amava o menino. Amava tudo que ele representava e amava-o ainda mais por ter sido tão forte, mesmo com apenas onze anos de idade.

— Está tudo bem? – Tris levantou seus olhos para mim quando Hector a soltou logo após entrega-la o presente.

— Sim. Só estou feliz. – respondi com sinceridade. Família tinha ganhado um novo significado para mim.

— Eu também. – ela me abraçou e plantou um beijo na minha bochecha. – Eu nunca serei capaz de compensá-lo por isso, mas vou ser eternamente grata.

— Minha maior recompensa você já me deu. Não consigo resistir quando você sorri dessa maneira. – levantei seu rosto e plantei um beijo casto nela, rápido, mas não o suficiente para passar despercebido por nossas crianças, que começaram a rir e cochicar.

— Eu num falei! – a pequena Lou acusou, arrancando gargalhadas de todos. — Eu sempe sabia que focês elam um casal de namolados.

— Parece que alguém estava certa, não? – Tris riu e a colocou nos braços, beijando sua bochecha, enquanto Lou agarra seu pescoço e dizia que amava a tia Tris.

— Está na hora de cantar os parabéns, vocês não acham? – Jeanine sugeriu e a criançada explodiu num coro “sim” e começaram a bater palmas.

Cantamos juntos o segundo parabéns do dia e eu ainda não estava cansado. Pelo contrário, ao ver Tris soprar as velas improvisadas em cima da pizza enquanto caía uma lágrima do seu olho, só me deixou ainda mais animado. Eu estava conseguindo fazê-la feliz. Por apenas um minuto, eu me permitir esquecer toda merda que eu causei a ela há alguns anos, quando eu não sabia que Beatrice Prior se tornaria a mulher da minha vida. Aquela que fazia o mundo valer à pena. Ela estava feliz agora e eu me sentia realizado.

— Digam “xis”. – Will sorriu enquanto apontava seu celular na nossa direção e registrava nossos sorrisos naquela foto.

O dia não estava sendo memorável apenas para minha garota. Eu jamais esqueceria de hoje. De Tris, de Hector, de Lou... Todos eles. Eles eram a minha família.

— Podem comer quantos pedaços de pizza vocês quiserem, crianças. Hoje tá liberado tudo. – Jeanine sorriu, enquanto as crianças formavam um aglomerado em volta da mesa de doces e pizzas.

— Eu nunca vou esquecer. – Tris me abraçou por trás e plantou um beijo na minhas costas, no ponto mais alto que ela conseguia alcançar. – Eu nunca vou esquecer do você fez hoje. Significa muito mais do você pode imaginar. Eu nunca fui tão mimada em toda minha vida. – ela riu.

Tris ainda não sabia o que era ser mimada e o que eu fiz hoje não representava ainda 1% do que eu estava planejando fazê-la ao longo da vida. Eu mostraria a ela o que era ser mimada por mim de verdade, mas não a contrariei. Ela estava feliz.

Me virei para ela e dei um beijo em sua testa.

— Eu ainda não terminei por hoje. – eu ri e ela me encarou com surpresa.

— Eu ainda tenho mais? – sua boca caiu em descrença.

Pobre Tris. Ela não fazia ideia.

— Tia Tlis, vem bincar comigo. – Lou pediu, enquanto chegava com duas bonecas despenteadas para Beatrice.

Eu me afastei das duas e as deixei em seu mundo particular. Hector estava com mais dois garotos apostando sobre quem conseguia comer mais pizza. Eu não consegui evitar meu sorriso. Christina, Will e Jeanine riam de alguma coisa e todos pareciam felizes. Já eram quase cinco horas da tarde quando olhei no relógio.

Dentro de duas horas, eu estava levando Tris para minha casa. Lá estava meu verdadeiro presente.

Notas finais
E aí meus amados leitores, o que vocês acharam?! Comentem, comentem e comentem ♥ Espero do fundo do meu coração que vocês tenham gostado tanto quanto eu! Ficou claro agora qual banda eu escolhi para ser a The Lost, não é mesmo? Hahaha. Acumulei alguns comentários, mas estou respondendo pouco a pouco cada um. Não me odeiem, sério ♥ No próximo, teremos a primeira vez de Tris e Tobias contará a verdade. Já comecei a escrevê-lo, mas não acho que esteja pronto até amanhã. No mais, postarei assim que puder (creio que até quarta-feira). Tinha comentado sobre o capítulo da Nita com vocês, mas tive que adiar. Ainda não é hora da gente conhecer a vadia -ou nao- que você mais respeita! Haha :D Amo muito vocês! Espero que ainda estejam aqui. Vejo vocês nos comentários ♥ FIQUE POR DENTRO DAS MINHAS HISTÓRIAS --> http://poxamalec-fanfics.blogspot.com ADD NO FACEBOOK --> https://www.facebook.com/profile.php?id=100009085858323