Notas iniciais
Olá, meus lindos!!! Quem é vivo sempre aparece, não é? ♥ Em primeiro lugar, eu quero me desculpar imensamente pelo atraso. Eu explicarei tudo isso no blog mais tarde para vocês. Eu agradeço por todo carinho e paciência que vocês tem pela história e por continuarem aqui. Eu vou compensá-los hoje por isso e como uma maneira de me desculpar com vocês, trarei uma surpresa. Eu quero agradecer especialmente à Lua, Cereja, DM e Anny Jackson Chase. Eu fiquei tão feliz quando vi que vocês tinham recomendado e imensamente culpada por não ter atualizado antes. Obrigada pelas lindas palavras, por recomendarem minha história no Nyah e por serem leitores tão lindas e especiais. Eu espero que gostem dos capítulos e obrigada por continuarem aqui ♥ Ao restante dos meus leitores, uma boa leitura e eu amo imensamente vocês. Sério. Espero que entendam meu lado e tenho certeza de que amarão a surpresa! Espero que gostem! ♥ Os vejo nas notas finais! FIQUE POR DENTRO DAS MINHAS HISTÓRIAS --> http://poxamalec-fanfics.blogspot.com ADD NO FACEBOOK --> https://www.facebook.com/profile.php?id=100009085858323

TOBIAS EATON

Ela iria fugir. A tensão que pairava sobre a sala era terrivelmente grande. Peter tinha seus olhos frios em mim, mas eu não estava nem aí para ele. Eu mantinha meu foco em Tris. Ela continuava imóvel e era difícil olhar para ela enquanto podia enxergar algumas manchas rochas avermelhadas preenchendo cada canto de seu rosto perfeito.

– Tris. – eu me levantei do sofá, mas ela ergueu a mão para me parar.

– Não. – sua voz saiu trêmula. Eu estava deixando-a nervosa e me odiava por isso. Precisava que ela ao menos me ouvisse, porra. – Eu estou trabalhando.

– Você precisa me deixar explicar. – me apressei, nervoso por estarmos fazendo isso na frente dos caras. Eu não me importava com isso, mas Tris estava claramente tensa. Ela odiava chamar atenção para si mesma.

– Deixe a menina, Eaton. – Peter disparou, enquanto me lançava um olhar furioso.

– Não se mete, caralho. – cerrei por entre os dentes. Nós já tínhamos atenção suficiente. O lábio inferior de Tris tremia, enquanto ela me fitava com seus lindos olhos cor de esmeralda. Eu entendia sua raiva. Eu entendia que ela não quisesse falar comigo, mas ela precisava me ouvir para entender que eu também estava assustado. Ela precisava entender, porra. – Tris, por favor.

– Não faça isso. – ela suplicou, olhando apenas para mim, parecendo não se importar com a plateia que nós tínhamos. – Eu só preciso que você me deixe em paz. Por favor.

Eu não podia argumentar contra isso. Mesmo que não fosse da minha vontade, eu não insisti. Falaria com ela em outro momento, quando estivéssemos a sós. Tris pediu licença e deixou a sala. Eu ainda podia sentir seu perfume tomando conta do cômodo e meu coração doeu ao pensar no que eu havia perdido.

– Foi por causa dela que você se ofereceu hoje? – Zeke cruzou os braços.

– Não é da sua conta. – eu respondi mais duro do que pretendia. Depois de Will, Zeke era o mais próximo de mim. Nós crescemos juntos, mas quando decidi seguir com minha carreira na The Lost, nos afastamos. Ele não lidava tão bem com a fama quanto meu irmão fazia.

Um minuto de silêncio se instalou na sala. Eu geralmente não deixava o clima ficar estranho por muito tempo, mas estava concentrado na tarefa de não sair correndo atrás de Tris. Eu precisava encontrar um jeito de falar com ela. Não poder estar ao seu lado estava me martirizando. Eu não sabia como iria mantê-la em minha vida. Nita tinha ameaçado tirar a própria vida ontem somente porque eu havia jantado com Tris. O que minha irmã faria quando soubesse que eu estava entregue à loira? Porra, eu não precisava pensar nessa merda agora.

– Eu vou chamá-la para jantar. – Peter soltou, recostando-se no sofá oposto ao que eu estava, cruzando as mãos atrás da cabeça, sem deixar ser intimidado pelo meu olhar vociferador em sua direção.

– Não, você não vai. – eu rosnei.

– Não tenho medo de você, Eaton. Se você foi burro o suficiente para deixá-la escapar, eu não cometerei o mesmo erro. Pretendia fazer isso antes, mas ela nunca me deu espaço. Agora ela está diferente.

– Você não vai se aproveitar dela só porque ela está magoada. Eu não vou permitir isso, seu filho da puta. – eu estava tentando como o inferno não partir para cima dele, só não sabia por quanto tempo eu conseguiria controlar minha raiva.

– Eu não estou pedindo sua permissão. – ele falou relaxado. – Você não merece o que ela sente por você. Vai levar um tempo, mas Tris irá perceber que o que eu tenho a oferecer é melhor. Eu não tenho uma irmã cadela filha da puta me controlando. Eu não tenho a porra de um segredo que destrói a garota e eu não sou um babaca imbecil que não reconhece o quanto ela é especial.

– Vá se foder! – gritei e saí da sala.

Dei a partida no carro, acelerei e avancei em praticamente todos os sinais vermelhos, optando por um caminho mais longo até minha casa. Era um milagre que eu ainda não tinha sido descoberto. A quantidade de festas que Nita dava em minha casa era absurda e eu estava surpreso com o fato de lá ainda continuar em segredo. Minha sorte era que seu círculo de amigos não dava muita importância para a merda de eu ser famoso. Eles só se interessavam nas festas e nas bebidas que minha irmã e eu oferecíamos e nisso nós erámos bons.

Cheguei em casa e tomei um banho, pronto para ir embora até o orfanato. Subi na moto e pus o capacete. Eu não podia sair com o mesmo carro de antes. Os paparazzi iriam me achar e eu odiava pensar que eles poderiam aparecer no orfanato. Aquilo só iria bagunçar tudo e eu não sabia se depois de descoberto poderia continuar frequentando lá. Além do mais, andar de moto me acalmava e era um ótimo escape para que eu pudesse ter praz. Eu também precisava pensar no que iria dizer para Tris e eu pensava melhor quando dirigia minha Harley.

Ao chegar à casa do orfanato, quase chorei em alívio por não ter sido seguido ou por ninguém ter vazado a informação de que eu estava cumprindo pena aqui. Se tudo isso viesse aparecer na mídia, eu estaria ferrado. A vida dessas crianças não seria a mesma. Desliguei a moto e tirei o capacete, indo até a porta e tocando a campainha.

– Ei, Quatro! – Jeanine abriu a porta e me deixou passar. – Que bom que chegou mais cedo! Preciso de uma ajudinha para guardar as compras e as crianças estão meio agitadas hoje.

– Sem problema. – respondi, enquanto a seguia até a cozinha.

Eu me distraí guardando as compras que Jeanine me pedira para fazer, mas não parei de pensar em como consertaria as coisas com Tris nem por um segundo. Eu entendia que ela estava chateada. Eu entendia que ela tinha sido machucada para porra e que talvez seu coração estivesse cansado de perdoar as merdas que eu causava a ela. Eu não precisava que ela me perdoasse agora. Ela só tinha que me ouvir. Tris acreditava que Nita tinha planejado tudo aquilo, mas ela estava errada. Eu odiava bater de frente com ela, mas ela estava errada desta vez. Minha irmã não estava bem. Ela tinha passado a noite comigo, caralho. Eu não me desliguei dela nem por um maldito minuto. Que havia feito aquilo tinha sido Shauna, não Nita. Droga, ela tinha que acreditar em mim.

Quando ouvi o som da sua voz vindo da sala, meu coração aqueceu e eu me perguntei o que ela tinha de tão especial que fazia com que eu me sentisse tão vivo. Ninguém tinha me atravessado do jeito que ela tinha feito. Ela me afetava mesmo até quando apenas respirava. Era alucinante. Não fazia a porra de um sentido, mas ela ainda assim mexia tanto comigo. Seu olhar, sua fala mansa, seu riso...

– Nós vamos ter que fazer algumas mudanças nas tarefas hoje. – Jeanine falou quando entrou na cozinha, acompanhada por Beatrice e Chistina que seguiam logo atrás dela.

Tris não arriscou olhar para mim, mas eu olhei para ela. Doeu. Ela tinha feito um bom trabalho com a maquiagem para esconder seus machucados, mas eu notaria até mesmo o menor mísero arranhão nela. Por sua postura eu podia ver que ela estava tensa. Christina me lançou um olhar furioso e vi seu modo alerta ser ativado. Embora não simpatizasse com ela por ela ser atrevida, eu gostei da maneira como ela se pôr a defender Tris. Minha menina não tinha ninguém quando chegou aqui. Eu estava orgulhoso por ela ter conhecido pessoas que lutariam por ela, embora não demonstrasse isso.

– E é isso. – Jeanine terminou de falar e as garotas assentiram. Eu não tinha ouvido porra nenhuma. – Christina, você vem comigo. Tris, você e Tobias cuidam das crianças até nós voltarmos. Não se preocupem com a limpeza hoje, apenas mantenha as crianças entretidas. Quando elas não prendem a atenção em alguma coisa isso aqui vira a maior bagunça.

Vi quando o corpo de Tris ficou ainda mais tenso. Eu não tinha entendido nada, mas se Jeanine e Christina iriam sair, Tris e eu ficaríamos sozinhos. Ótimo. Era disso que eu precisava. Duvidava muito que Christina iria permitir que eu chegasse perto de Beatrice, mesmo que fosse para tentar explicar a situação. A morena parecia querer arrancar minhas bolas agora mesmo.

– Seria melhor se Tris fosse com você. – Christina sugeriu e eu vi quando Beatrice engoliu em seco. Ela não estava gostando da ideia de ficarmos sozinhos. – Ela é melhor nessa coisa de convencer as pessoas do que eu. Eu geralmente falo o que as pessoas não gostam de ouvir. Ela é doce e cautelosa. O prefeito gostará mais dela.

– Não. – Jeanine discordou. – Eu preciso de você. Preciso de alguém que não tenha medo de dizer a verdade a um político. Isso não está em discussão, Christina.

Christina bufou, mas acabou concordando com Jeanine. Tris ainda não tinha olhado para mim. Eu não sei se ela seria capaz de fazê-lo novamente. Eu sabia que ela não queria olhar para o motivo de toda sua dor e humilhação aqui em Miami. Eu odiava admitir isso, mas eu era sua dor ali. Eu era o motivo da sua humilhação.

Bastou apenas que Jeanine saísse da cozinha para que Christina me enfrentasse. Ela deu um passo à frente, se pondo diante de mim e levantando um pouco rosto para me olhar. Ela era baixa como Tris, mas bem mais intimidadora quando queria. Tris levava as coisas com emoção, já Christina agia mais com a razão. Pelo menos era isso o que parecia.

– Você não vai chegar perto dela para machuca-la de novo, tá me ouvindo? Faça isso e eu arranco suas malditas bolas! – ela vociferou e, sem esperar por resposta minha, nos deixou a sós.

Eu olhei para Tris, mas ela encarava o chão. Parecia estar em conflito consigo mesma, decidindo se olhava para mim ou não. Pude ver que ela estava sofrendo. Não sei se pela surra que Shauna deu ou porque eu gritei com ela na noite passada ou até mesmo porque minha irmã estava sempre sendo um empecilho entre nós, mas uma coisa era certa: ela sofrendo. E muito.

– Olhe para mim. – supliquei, minha voz saindo quase num sussurro. – Eu sinto muito por ontem. Eu vou consertar as coisas. Shauna vai pagar pelo que fez. Eu prometo. Só preciso que você diga alguma coisa.

– Se eu falar, você não vai acreditar em mim. – seus olhos finalmente fitaram os meus e a tristeza neles me rasgou. Eu não gostava de vê-la triste. A voz estava tão baixa.

– Eu prometo que vou. Deus, Tris, eu sinto tanto. – eu a puxei para um abraço, mas ela estava imóvel. Não parecia a menina que eu tinha conhecido. A Beatrice que mesmo quando seu mundo desmoronou, ela ainda tinha vida. Ela vivia a vida. Uma vida batalhadora e difícil, mas isso não a abalava. Ela era cativante. Porém, tudo que eu abraçava era apenas um corpo paralisado.

– Shauna falou para mim. Sua irmã armou tudo isso. Ela está manipulando você, Tobias. – Tris soltou e eu me soltei dela. Ela falava com cautela, quase certa de que minha primeira reação seria explodir. E eu estava bem perto disso.

Tris estava errada. Will estava magoado pelo que tinha acontecido entre ele e Nita e estava pondo essas merdas na cabeça da minha garota. Eu não deixaria barato. Shauna tinha culpa. Will não estava ajudando. Eu pegaria os dois mais tarde. Agora, eu só precisava que minha menina aceitasse que estava errada. Ela tinha motivos para odiar minha irmã e eu sabia que Nita já tinha passado dos limites algumas vezes com Tris, mas desta vez ela era inocente. Eu tinha estado com ela, porra! Eu teria desconfiado de algo!

– Tris, ouça. – pedi, vendo-a dar um passo para trás, mantendo uma pequena distância entre nós. – Você tem motivos para odiar Nita. Eu não posso mudar isso, mas Deus, por favor, ela é inocente desta vez. Ela tentou se matar ontem à noite. Ela também tem uma vida difícil, mesmo que ela insista em não demonstrar. Eu sei que você está com raiva. Está com raiva de Shauna e de mim porque eu causei tudo isso a você. Só não descarregue essa raiva me colocando contra minha irmã. Ela não tem culpa. Ela teve um dia péssimo ontem e eu acredito nela. Ela não faria isso.

– Então você não acredita em mim? – Tris perguntou, soando cada vez mais quebrada. Eu odiava isto.

Eu soltei um suspiro e balancei a cabeça.

– Você não pode culpa-la por tudo de ruim que acontece com você. Você está errada sobre ela.

– Você simplesmente não aceita a verdade sobre sua irmã. – ela soltou um suspiro cansado e baixou a cabeça. Eu detestava quando ela fazia isso, mas não iria discutir desta vez porque essa era a reação certa. Tris estava errada desta vez e tinha que aceitar. Nita tinha se tornado uma puta mimada, mas ela não chegaria tão longe.

– Tris, por que não esquecemos isso tudo? Ontem à noite estava incrível. Eu quero repetir isso com você. Eu já provei que quero estar com você e ouvi-la falar e conversar. Quero tentar algo com você, Tris, porque quero você. Porra, não dá para simplesmente ignorar o que aconteceu de ruim ontem à noite e se fixar nas coisas boas? Será que não dá para esquecer aquilo e dar mais uma chance a nós?

– Esquecer?! – ela esbanjou. – Como posso esquecer se cada dor que sinto em meu corpo está lá para me lembrar?! Você só me traz dor, Tobias! Eu não posso dar uma chance quando você sequer acredita em mim!

– Você está errada, porra! – eu perdi o controle que tanto zelava. – Aceite isso! Nita também tem problemas, mas ela estava os enfrentando enquanto você diz que ela armou toda aquela merda! A vida dela também é difícil, caralho!

– Eu posso imaginar. – ela riu secamente. – Posso imaginar o quanto está sendo duro para ela enfrentar toda essa bagunça enquanto faz compras em Paris.

– É o jeito dela de lidar com as coisas! – explodi. Por que diabos era tão difícil para ela tentar entender o lado da minha irmã?! – Não implica com isso, porra!

– O que está havendo aqui? – Jeanine apareceu na cozinha. Eu tinha pensado que ela já tinha ido embora, mas de repente me vi grato por ela ainda estar aqui. Na verdade, eu realmente estava muito grato por ela estar aqui. Tris e eu estávamos discutindo e acabamos esquecendo que as crianças ainda eram nossa responsabilidade. Maldita distração! – O que deu em vocês dois?! – ela estava ficando vermelha.

– Foi mal, eu acabei perdendo a cabeça. Sinto muito. – me desculpei, enquanto o olhar de Jeanine queimava em mim.

– Não vai acontecer de novo. – Tris falou em voz baixa, indo para perto de Christina. Que diabos era isso agora? Desde quando ela era tão frágil? E desde quando ela tinha medo de mim? Que diabos!

– Não, não vai. – ela virou-se para minha loira. – Tris, preciso lembrá-la que você se ofereceu para trabalhar aqui? – Tris negou com a cabeça. – Ótimo. Eu já lido demais com crianças e eu não quero lidar com vocês também. Vocês são adultos! É evidente que alguma coisa acontece entre vocês, mas aqui dentro precisam deixar de lado. – ela voltou-se para mim. – Sua pena está quase no fim, Quatro, mas isso não significa que você pode fazer o que quiser. Eu disse e vou repetir: vocês são adultos. Aja como tal. Fui clara?

Nós dois assentimos. Desviei meu olhar para encarar Chirstina me olhando com faíscas de ódio e Tris abraçada ao próprio corpo. Ela não olhava para mim, mas eu queria que ela olhasse. Talvez se ela pudesse acreditar em mim... Droga, eu não queria perde-la agora. Não quando eu tinha passado tanto tempo me negligenciando pelo bem dela e agora eu finalmente queria passar por cima das merdas do passado. Eu queria contar para ela sobre sua mãe, sobre seu pai e sobre Nita também. Ela merecia saber a verdade e eu não a merecia. Mas porra, eu a queria muito.

– Christina, você fica. – Jeanine falou. – Talvez Beatrice consiga convencer. Estou zelando pelo bem das crianças e esses dois não estão concentrados hoje. Mudança de planos, então.

– Ótimo. – Christina falou secamente, enquanto ainda me encarava.

– Cuidem das crianças. – ela se despediu e Tris a seguiu, sem olhar para trás ou falar qualquer outra coisa.

Quando não estavam mais em nosso campo de visão, Christina disparou:

– Você não merece o que ela sente por você, Quatro. Eu aposto que sabe disso e também sabe que está errado. Bem no fundo você sabe que está errado, só não quer acreditar que sua querida irmã realmente passou dos limites desta vez. Abra os olhos, Quatro. Reconheça isso. O seu tempo está se esgotando, já que Tris pretende ir embora ainda essa semana. – e então ela caminhou até a sala, onde as crianças assistiam a um desenho animado da Disney e interagiu com elas.

Que porra ela tinha dito? Tris iria embora ainda essa semana?

Eu a segui e entrei na sala assim que Hector passou correndo para o banheiro. Isso não era um comportamento comum. Lancei um olhar para Christina e apontou na direção do garoto para que eu pudesse segui-lo. Quando alcancei Hector, ele não se deu ao trabalho de fechar a porta; apenas se ajoelhou diante o vaso sanitário e começou a vomitar. Isso não me apavorou muito; talvez ele apenas tivesse comido algo que não tivesse lhe feito bem. Mas então, ele começou a gemer de dor e apertar sua barriga, enquanto seu corpo tremia violentamente.

– Hec?! – eu senti o desespero na minha voz. – Vamos para o hospital, agora!

– Não. – ele sussurrou, enquanto apertava seus braços ainda mais contra sua barriga. – Eu comi alguma coisa estragada, tenho certeza. Eu só preciso vomitar e vou ficar bem. Vá embora!

– Uma porra. – eu me agachei perto dele e pus minha mão na testa para ter uma noção da sua temperatura. Ele estava queimando. – Você precisa ir ao hospital agora. Há quanto tempo se sente assim? – eu tentei me manter calmo, torcendo para que minha voz não vacilasse. Precisava de informações. Quando ele tinha estado desta forma e nós não percebemos?

Minha cabeça e minha calma foram para o inferno quando eu vi o sangue sair pelo vômito de Hector. Que porra era essa?!

– Christina! – eu gritei, enquanto pegava um pano que estava molhado em cima da pia e limpei seu rosto e o resto de vômito que tinha próximo ao seu lado. – Uma ambulância, porra! Agora!

– O que aconteceu? – ela se desespera ao chegar ao banheiro. – Meu Deus, o que...

Eu não ouvi o que ela disse. Eu apenas me concentrei em ajudar Hector a se levantar, mas então ele gritou de dor.

– Eu não consigo... – ele sibilou, enquanto tentava massagear o abdome e lágrimas enchiam seus olhos. – Dói demais.

Ok. Eu não podia me desesperar agora. Porra, ele estava se contorcendo de dor e eu podia ver o medo nos seus olhos. Ele precisava de alguém para ficar calmo por ele e eu era o responsável aqui. Eu não podia ligar para Jack agora. Ele era meu médico, não um pediatra. Eu tinha que leva-lo ao hospital agora!

– Christina, porra! – eu gritei, enquanto virava meu rosto para olhá-la.

– Eu não consigo. – sua voz tremia, assim como suas mãos. – Essa merda está com defeito! – ela apontou o celular na minha direção.

Eu simplesmente não podia esperar. Hector precisava ser tratado agora! Eu o peguei nos braços, enquanto ele se encolheu em mim. Ele soluçava de dor e continuava pressionando sua barriga. Eu não tinha noção do que estava acontecendo com ele, mas podia entender a gravidade disso apenas ao olhá-lo.

– Você está de carro? – perguntei a Christina, enquanto me dirigia à porta.

– Sim. – ela me entregou as chaves. – Eu vou ficar com as crianças e ligarei para Jeanine.

– Certo. – ela abriu a porta para mim. – Eu vou para o hospital mais próximo daqui. As chaves da minha moto estão penduradas na cozinha. Você pode usá-la.

Eu não parei para ouvir ou ver sua reação. Christina havia sido uma grande fã da banda e às vezes ela se esquecia de que eu agora era apenas um cara comum. Eu não precisava disso agora. Parei em frente à picape de Christina e abri a porta traseira, colocando Hector deitado no banco de trás. Ele se encolheu e ficou em posição fetal. Eu dei a volta e entrei no carro, dando à partida até o Hospital Valley Miami. Eu acelerava o carro ao máximo, ultrapassando todos do meu caminho e avançando nos sinais vermelhos. O carro de Christina estava desgastado, mas graças a Deus ele chegou inteiro ao hospital.

Pus Hector em meus braços novamente e corri até a entrada de Emergência. Eu gritei pelos corredores, até que dois paramédicos apareceram em minha frente empurrando uma maca. Uma enfermeira instruiu às pressas a colocarem Hector na maca e eles desapareceram da minha vista. Ela estava falando comigo, mas eu não estava entendendo porra nenhuma. Tudo era um zumbido. Eu odiava hospitais. Eles me deixavam nervoso para caralho. Se eu estava em um hospital, algo de ruim havia acontecido.

– Com licença, você é o Quatro? – uma garota aparentemente de uns dezenove anos se aproxima de mim. – Oh, meu Deus, você é o Quatro! Oh, meu Deus!!!

Eu estava tonto. Passei anos me alternando entre Miami, Seattle, Los Angeles e Manhattan. Os primeiros anos tinham sido quase impossíveis, mas porra, eu tinha conseguido. Eu tinha dado duro para não ser reconhecido e não descobrirem onde caralho eu moro. E agora, no pior momento em que eu precisava, sou a porra reconhecido.

– Por favor, senhor, me acompanhe. – outra enfermeira, quando não me movi, segurou meu braço e me arrastou até uma sala aconchegante na ala para os funcionários. – Aqui eles não podem incomodar você, Tobias.

– Sabe meu nome verdadeiro? – perguntei, atordoado. Embora as pessoas soubessem meu nome, eu quase nunca era chamado pelo tal. Eu estava em pânico; precisava me acalmar.

– Claro que eu sei. – ela me deu um sorriso gentil. – Eu sou uma grande fã da The Lost ou ao menos eu era quando você fazia parte. Aceita uma água? – eu concordei com a cabeça.

– Onde está Hector? – eu perguntei, enquanto ela despejava a jarra de água em um copo para mim.

– Ele foi encaminhado para um ultrassom. – ela me entregou o copo e eu bebi, enquanto a ouvia falar. – Ele tem os sintomas de apendicite, mas nós faremos um ultrassom para confirmar.

– Isso é grave? Ele vai ficar bem? – perguntei, enquanto começava a tremer e suar. Eu não tinha uma crise de pânico desde os meus quinze anos.

– Tobias, você está bem? – a enfermeira me perguntou, enquanto passava as mãos na minhas costas ritmicamente para cima e para baixo, tentando me acalmar.

– Eu não posso perdê-lo. – confessei, enquanto o pânico subia em minha garganta. – Eu amo o garoto.

– Você não vai. Acredite, nós fazemos esse tipo de cirurgia o tempo todo...

– Ele vai precisar de cirurgia? – perguntei, o pânico também em minha voz, enquanto a sala começava a girar.

– Eu acho que não estou ajudando. – ela sorri amigável para mim, enquanto pega o copo da minha mão. – Você precisa respirar. Hector vai precisar de você, ele está assustado demais. Tem algum parente dele além de você?

– Ele não tem parente. Ele está em um orfanato.

– Oh. – seus olhos despencam em tristeza. – Nós precisamos de seus documentos para fazer uma ficha e dar entrada na cirurgia. Ele tem algum plano de saúde?

– Porra, eu não sei. – enterrei a minha cabeça em minhas mãos. Concentre-se. – Apenas não o deixe morrer. Faça o possível. Eu posso pagar o procedimento. Eu quero o melhor médico com ele.

– Nós faremos isso. – ela sorriu mais uma vez, enquanto me confortava. – Ele vai ficar bem, Tobias. Apenas acalma-se. Você está pronto para acompanha-lo no ultrassom?

A ideia de perder o garoto me aterrorizava. Ele era apenas uma criança e não tinha ninguém por ele, porra! Eu o entendia e o amava. Quando eu era pequeno, embora estivesse cercado pela riqueza, meus pais estavam pouco se fodendo para mim. Eu era entregue às mãos dos médicos quando ficava doente e eles não estavam lá para mim. Meu pai era um porra de um viciado nas bebidas e nas drogas e minha mãe era uma puta egoísta que só ligava para suas merdas de marca. Eu não era ninguém para eles.

Eu não podia deixar que Hector pensasse que ele não era importante. Eu precisava deixá-lo saber que ele tinha a mim. Ele tinha Jeanine, Christina e Tris. Nós o amávamos. Nós erámos sua família.

– Onde ele está? – perguntei e a enfermeira sorriu mais uma vez para mim, me levantando e me fazendo acompanha-la até uma área do hospital onde haviam várias crianças acompanhadas de seus parentes.

– Ali está. – ela me apontou na direção de Hector, que estava sentado em uma cadeira de rodas, todo encolhido como uma bola de futebol. O homem de uniforme verde estava segurando a barra de sua cadeira de rodas. Ele tinha sido um dos paramédicos que havia nos atendido.

Me aproximei de Hector e me abaixei diante dele, ficando na altura de sua cadeira de rodas.

– Ei, garotão. Você se sente melhor? – eu me esforcei para não deixar que minha voz vacilasse. Hector estava com medo e ele precisava de mim agora.

– Tobias – ele sussurrou. – Eu vou morrer? Porque eu sinto como se eu fosse morrer.

– Porra, não. – o desespero fez com que minha voz saísse trêmula, mas antes que Hector pudesse perceber, eu continuei. – Ouça, nós iremos fazer um ultrassom com você e você precisará de uma cirurgia, tudo bem? Depois disso, você vai ficar melhor. Eu prometo, Hec. Você vai ficar melhor, ok?

– Está doendo muito. – ele choramingou. – Eu não aguento. – ele ainda não tinha mudado sua posição para me olhar, mas eu conseguia enxerga-lo e movi minha mão para enxugar as lágrimas que caíam dos seus olhos.

Porra, estava doendo em mim também.

– Aguente só mais um pouco. – eu pedi, enquanto ergui meus olhos para o paramédico. – Quanto tempo isso vai demorar, porra? Não está vendo que o menino não consegue nem falar direito de tanta dor?!

– Ele é o próximo. – o paramédico apenas me respondeu, enquanto se moveu para empurrar a cadeira de Hector até a sala de ultrassom.

Eu o acompanhei, enquanto sentia o suor escorrer pela minha testa. A enfermeira que tinha me consolado antes não estava aqui e eu precisava dela. Ela tinha sido gentil e tinha me acalmado um pouco. Eu estava entrando em pânico novamente e isso ficou pior quando o paramédico esticou Hector na cama de ultrassom e ele soltou um grito estridente. Caralho.

– Hec. – eu sentia o desespero em minha voz, mas não me importava agora. – Segure minha mão. – eu peguei sua mão pequena na minha e ele a segurou como se sua vida dependesse disso. – Vamos logo com isso, porra! – eu gritei para o homem, enquanto ele passava um gel sob a barriga de Hector.

Quando ele pressionou o equipamento na barriga de Hector, o menino gritou novamente, enquanto lágrimas desciam dos seus olhos e ele choramingava. Eu sentia as lágrimas em mim também.

– Não dá. Ele não vai aguentar. Precisamos da sala de cirurgia agora! – ele pressionou um botão vermelho no quarto, enquanto limpava rapidamente a barriga de Hector. Mais dois homens vestidos de verde entraram no quarto com uma maca, seguido pelas duas enfermeiras que eu já tinha visto quando cheguei. A que havia me consolado me puxou para fora da sala, enquanto eu gritava em protesto por ter que deixar Hector.

– Eu não posso. – eu gritei, enquanto eles correram com Hector na maca pelo corredor e sumiram da minha vista.

– Você não pode entrar lá agora. – ela disse com a voz firme. – Ele vai entrar em cirurgia. Vamos para outro lugar. Um com mais privacidade. – ela apontou com a cabeça em direção às pessoas e eu me virei para ver um punhado de celulares apontados para mim. Eu suspirei. Não precisava dessa merda agora.

Eu a segui e voltamos para a sala em que estávamos antes. Eu me sentei no sofá e enterrei meu rosto em minhas mãos novamente, enquanto tentava respirar. Eu não sabia de nada sobre essa cirurgia que Hector iria fazer. Eu nunca tive um caso desses em minha família, embora a enfermeira tivesse me dito que era muito comum nas crianças.

– Ele vai ficar bem. – eu olhei para ela e vi seu nome no jaleco branco.

Molly.

– Não está aqui me acalmando apenas porque eu sou o Quatro, não é? – eu perguntei, enquanto vi um sorriso bonito tomar conta dos seus lábios.

– Não. – ela respondeu. – Em outra época, eu poderia estar delirando se estivesse no mesmo lugar que você, mas agora... Eu amo meu trabalho, Tobias. Eu sou uma profissional aqui e você é apenas o responsável de um dos meus pacientes.

Eu sorri. Em meio ao caos, eu acho que eu fiz. Era bom ter alguém aqui nesse hospital que estava cagando para quem eu era. Eu não precisava disso agora. Eu só precisava que Hector ficasse bem.

– Obrigado, Molly. – ela sorriu mais uma vez para mim.

Meu celular começou a tocar e o número de Jeanine apareceu na tela. Christina disse que ligaria para ela, mas eu havia esquecido de dizer o nome do hospital.

– Nós estamos no Valley Hospital. – eu falei, antes mesmo que ela pudesse dizer algo.

– Tobias? – a voz perguntou. – Como ele está?

Não era Jeanine. Era Tris.

Notas finais
O que acharam?? Comentem comentem comentem ♥ Eu fico tão feliz quando vocês comentam o capítulo. Eu sei que eu demoro às vezes para respondê-los, mas meu tempo no computador é muito curto. Eu responderei a todos e peço a compreensão e paciência de vocês. Os amo!!! Serei breve porque tenho uma surpresa ♥ Até a próxima, pessoal! Os vejo nos comentários ♥ FIQUE POR DENTRO DAS MINHAS HISTÓRIAS --> http://poxamalec-fanfics.blogspot.com ADD NO FACEBOOK --> https://www.facebook.com/profile.php?id=100009085858323